O Lanterna Está Verde ou ‘Não esqueça de carregar seu anel a cada 24 horas’

     Admito, quando o filme do Lanterna estreou em julho nos EUA com bilheterias abaixo do padrão requerido pra esse tipo de filme(não foi baixa, foi abaixo do esperado), comecei a ficar bem pessimista. Mas já adianto: achei um filme legal, um bom filme, que poderia ser melhor, mas em si um bom filme. Tem defeitos sim, mas nada que não possa ser corrigido em uma continuação.

A primeira crítica que aqui faço é não só ao filme, mas à total falta de unidade entre os filmes da DC. A unidade que há entre os filmes da Marvel é bem legal, e a DC/Warner não precisava copiar, mas criar sua versão da continuidade nos filmes. Exemplo disso é a péssima forma que a personagem de Angela Basset, a agente governamental Amanda Waller (fundadora do Esquadrão Suicida nas hqs) é aproveitada no filme.

Bem,vamos ao que interessa: depois que assisti ao filme e cheguei à conclusão que ele é legal, vi que o filme merece um voto de confiança pra uma continuação (que até já foi confirmada). Esse foi um filme de origem, que é bem contada (com exceção à não citação dos caçadores cósmicos, que são a criação frustrada dos guardiões pré-lanternas) de introdução. Tanto que personagens coadjuvantes com potenciais incríveis – como os Lanternas Kilowog e Tomar-re (respectivamente com as vozes de Michael Clark Duncan e Geoffrey Rush, geniais) e o meu preferido do filme SINESTRO (com atuação breve porém soberba, em minha opinião, e com uma caracterização de personagem com uso de próteses e maquiagem que rivaliza com o Caveira Vermelha de Capitão América – O Primeiro Vingador), não tem a participação merecida no filme.

Um dos problemas do filme é dedicar muito tempo do mesmo à relação amorosa/profissional entre Hal Jordan e Carol Ferris (Blake Lively ficou bem no papel) e pouquíssimo tempo o lado piloto destemido de Jordan. A adaptação tem elementos do grande trabalho que o roteirista (e atualmente um dos bam bam bams da DC) Geoff Johns, tem feito com a mitologia do personagem ao longo dos últimos anos (mas claro que este bebeu na origem definitiva do personagem escrita por Keith Giffen, Gerard Jones, James Owsley e com desenhos de M.D.Bright: Amanhecer Esmeralda). Um vilão clássico do Lanterna, Hector Hammond, ganha um intérprete à sua altura: Peter Sarsgaard rouba várias cenas.

Bem, estou eu aqui enrolando e nada de falar no protagonista: Hal Jordan/Ryan Reinolds. A grande questão é que ao mesmo tempo em que, em várias cenas, o ator faz o espectador crer que está vendo um jovem, arrogante e irresponsável Hal Jordan. Em outras cenas ele mostra os mesmos cacoetes e caretas que mostra em comédias românticas e afins. Mesmo tendo gostado parcialmente de sua atuação, ele pode render mais em uma continuação. A direção de Martin Campbell é competente, apesar do filme só empolgar em algumas cenas, porém o roteiro está meio aquém da mitologia do personagem.

Voltando à origem, um fato que existe na atual origem do personagem (Lanterna Verde – Origem Secreta,de Geoff Johns e Ivan Reis, Ed. Panini): o fato de que por um ato de rebeldia Jordan deixou a Força Aérea pra se tornar piloto de testes da Ferris Aeronáutica. Dessa mesma HQ, poderia ter sido retirado um grande easter egg: em determinado momento um grupo de cadetes da Força Aérea arranja briga com um grupo de fuzileiros navais, e neste grupo de fuzileiros estava um jovem John Stewart, o já clássico substituto de Hal Jordan como Lanterna do setor 2814 (cujo desenho da Liga da Justiça fez o grande favor de mostrar em uma nova  e incrível versão, popularizando-o – outra boa ideia para futuros filmes).

Agora, um lance que realmente me incomodou foi uma questão digamos “técnica” (que também me fez torcer o nariz para os filmes do Homem-Aranha): o Teioso não tinha, nos filmes de Sam Raimi, lançadores de teia artificiais. No filme do Lanterna não é mencionado de forma clara que o anel precisa ser carregado à cada 24 horas.

Aguardemos a já confirmada continuação, e que ela seja um “A Ira de Khan”, um “Superman 2”, um “Dark Knight”, um “X-Men 2”, um “Império Contra-Ataca” para essa franquia que, se tiver sua mitologia bem explorada, promete.

P.S.: Não perca de modo algum a cena pós-créditos. Ela é tudo, menos verde, e dá a indicação do que pode estar por vir…

A Nova DC Comics: Reinventar não quer dizer Inovar

A DC parece que nunca aprende...

Por Vinícius Chaves

Aviso aos amigos: esse não é um texto informativo acerca das (novas) mudanças na DC  Comics. É apenas a opinião de um fã de quadrinhos que está cansado do “me engana que eu gosto”  das gigantes DC e Marvel.

Os editores e Ceos da DC falam desse “Reboot” ou “Revamp” (Restart é um termo que devemos abolir em nosso país por motivos óbvios) como se fosse a coisa mais revolucionária e moderna já feita “Apresentando aos novos fãs MARCAS consagradas mas de uma maneira nova e contemporânea”. Se preocupar com novos fãs é muito legal, e justo, afinal de contas eles tem que vender gibis(sim sou velho e uso esse termo), mas colocar personagens que são clássicos amados (e odiados) como MARCAS ?!?! E os velhos fãs (como este que vos fala) ? Eu sinceramente estou cansado de ver mudanças que duram, sei lá 6 meses, um ano e depois o personagem volta ao que era antes.

Darei como exemplo o meu personagem preferido nas HQs, Superman, o popular Azulão. Já tive que vê-lo morrer, ressuscitar de cabelo comprido, perder os poderes, ficar elétrico e azul, ficar elétrico e vermelho e mais recentemente rechaçar sua cidadania americana (mudança que muito me agradou por sinal). Agora, a DC vai relançar 52 dos seus títulos (sim é uma alusão às 52 terras do universo DC, leiam a série “52” vale à pena). Na verdade eu atualmente compro alguns encadernados  e alguns gibis que encontro em sebos, parei de comprar todo mês na banca e etc, e estou procurando me inteirar o menos possível sobre essas mudanças que pelos novos visuais de alguns personagens, lembrei bastante dos visuais “radicais” da Image dos anos 90 (e não é que o Jim Lee agora é um dos editores-chefe da DC?).

Toda hora a DC arranja algo pra consertar as besteiras que faz em sua cronologia, até pouco tempo atrás rolou “A noite mais densa”, em que ao seu final vários “mortos” voltaram, como Aquaman, Gavião Negro, Nuclear (Ron Raymond) e Caçador de Marte, entre outros. Agora se você gastou sua grana (eu não gastei) em todas as revistas relacionadas, bem elas agora já podem forrar a gaiola do seu papagaio. A DC Entertraiment desesperada com a queda de suas vendas cria essa manobra de modernização dos seu personagens, quando seria muito mais fácil que pensassem e escrevessem histórias que fossem criativas,interessantes e pungentes.

Até me desculpo por minha indignação mas é que sou, uns 70% Dcnauta e uns 30% Marvete (novamente termos de quem lia quadrinhos da Ebal, RGE e Abril, ou seja: velho). O que seria isso tudo? Uma resposta à Marvel e suas excelente vendas?

A Marvel também não é santa, vide as besteiras e idiotices que fazem com o Aranha, mas aí é outro papo.  A minha opinião é a de que essa história de mudança tem a ver com esse novo nicho de marcado que se criou e onde a DC, com a exceção do Batman, vêm levando uma surra da Marvel: Os filmes baseados em HQs. A DC é da Warner, aí você já começa a desconfiar das intenções por trás da “reinvenção” . Enquanto a Marvel faz filmes  surpreendente bons como “Thor” e “X-Men-Primeira Classe”, a DC amarga fracassos como “Os Perdedores”, “Jonah Rex” e “Lanterna Verde”(sim, já vem sendo considerado um fracasso e olha que nem estrou por aqui ainda).

Essas são medidas tão equivocadas quanto desesperadas e acima de tudo um grande desrespeito à inteligência dos fãs de quadrinhos ,que são tão apaixonados quanto coléricos, nesse caso quando mexem com “o que é seu”.  Não me espantaria se daqui há algum tempo tudo voltasse ao que era antes , como se tivesse sido um “evento transdimensional”  ou alguma interminável crise . Continuo amando quadrinhos na sua essência e tudo relacionado à esse universo, mas cheguei à conclusão tempos atrás que as “grandes mudanças” perpetradas pelas grandes editoras não visam mais criar grandes histórias e personagens: visam as nossas carteiras com visão de raios X pra ver de quanto dispomos e visão de calor pra queimar  toda a nossa grana.