O Espetacularmente Atrasado Homem-Aranha

Antes de mais nada já aviso: vão assistir o filme pra tirar suas próprias conclusões. Vale a pipoca num dia de meia-entrada pelo menos.

As artes são infinitamente melhores

Uma vez que o Aranha é um personagem com quem tenho assumidamente uma relação de amor, só mesmo ele pra tirar a poeira deste outrora ilibado blog e me fazer escrever algumas mal traçadas linhas. E não vou encher muita lingüiça, porque hoje é segunda-feira, todo mundo ta com sono e ainda estou muito puto da minha vida porque o Botafogo mandou o Loco Abreu pro Figueirense.

O Espetacular Homem-Aranha tem seus méritos, indiscutivelmente. Mas também tem seus deméritos e estes, infelizmente, tendem a falar mais alto. De uma forma mais didática, exponho meus argumentos.

Marc Webb e seus roteiristas resolveram contar a história da maneira correta, uma vez que a Sony e os produtores (acertadamente) decidiram por reiniciar a franquia depois que Sam Raimi:

  1. Começou MAL no primeiro (mexendo DEMAIS na mitologia do Aranha, lhe ROUBANDO fatores CRUCIAIS que interferiram de maneira DRAMÁTICA na construção do HERÓI Homem-Aranha);
  2. PARECIA ter enfim encontrado o seu rumo no segundo, quando finalmente entrou de maneira mais consistente na  ação e nos dramas existenciais de Peter Parker;
  3. Chutou o balde e fez merda no terceiro.

Desta maneira, no Espetacular, saem Mary Jane como amor de infância (que ódio de lembrar isso…), sai aquela lenga-lenga toda com Tio Ben indo e voltando a cada 5 minutos de filme com a mensagem fantasmagórica de Grandes Poderes trazem Grandes Responsabilidades, saem os atiradores orgânicos de teia (UFA!) e PRINCIPALMENTE sai aquele tom de fabulazinha romântica, com musiquinhas bonitinhas ao fundo e a impressão de que ia pular um ursinho carinhoso na tela a qualquer momento.

Miguchice foi pro espaço, GRAÇAS A DEUS.

O problema é que, uma vez que o personagem já foi exaustivamente visitado e revisitado no cinema, contar a origem de novo ia ser um tremendo pé no saco. E mais uma vez o filme acerta em não se alongar muito nisso. O problema é que às vezes acelera DEMAIS, perdendo, por exemplo, a OPORTUNIDADE de se aprofundar num personagem de ALTÍSSIMA COMPLEXIDADE como o Dr. Curt Connors – ainda mais quando este é defendido pelo BRILHANTE Rhys Ifans, que não consegue por conta disso colocar todo o seu potencial em tela. Ainda, resumir as intenções do Lagarto a um objetivo bem bobinho, mas se a gente mantém em mente que ele endoida quando vira o réptil, até que dá pra engolir a motivação.

Outra coisa: Gwen Stacy, Capitão Stacy, Tio Ben, os pais de Peter… diversos elemento da correta origem do Aranha estão no filme, até muito bem retratados, por sinal. Mas dei falta de um IMPORTANTÍSSIMO protagonista na trama toda: quem conhece o Aranha desde o início, sabe do papel fundamental do Dr. Miles Warrem neste arco inteiro. Praticamente não há Duende Verde e fundamentalmente TODO O ARCO DRAMÁTICO que define quem o Aranha é sem o Dr. Warrem, vulgo O Chacal.

Mas isso é detalhe de fã desesperado e antigo (como eu). Pra quem não conhece a história a fundo, vamos ao que interessa:

MÉRITOS

  • As cenas de ação e os efeitos especiais são INFINITAMENTE SUPERIORES ao original de Raimi, e ainda pouco melhores do que o segundo (meu preferido da primeira trilogia);
  • Gwen Stacy contada da maneira correta e muito bem resolvida pela bela Emma Stone;
  • O Capitão George Stacy correto, com um ator correto (Dennis Leary) – mas em determinado momento a ausência do Chacal faz sua primeira GRANDE falta;
  • Tio Ben de Martin Sheen, dando um belo dum esporro ao invés da lenga-lenga;
  • Aliás, todas as cenas de relações pessoais (à exceção de Parker-Connors) são realmente muito boas – novamente méritos ao diretor;
  • Provavelmente a mais divertida participação de Stan Lee entre todas;
  • ATIRADORES DE TEIA MECÂNICOS (ALELUIA!!), mas… (nos deméritos);
  • Tom mais realista, na medida do possível.

DEMÉRITOS

  • O timing. Se este filme tivesse sido feito no lugar do primeiro filme de Raimi, seria um promissor início. Daria inclusive pra contar com mais calma a origem do personagem, que àquela altura ainda seria novidade. Marc Webb faz uma limonada com os limões que tem nas mãos;
  • Abreviar demais algumas informações e deixar coisas importantes sem explicação (como ele CRIA o fluido de teia?);
  • Lagarto sem jaleco (heresia), cuja família sequer aparece no filme;
  • Sai Raindrops keep falling on my head, entra Coldplay;
  • Mais uma vez o timing. Fazer filme de super-heróis DEPOIS d’Os Vingadores virou tarefa de Chris Nolan (o novo Hércules cinematográfico). Qualquer história minimamente mal-contada deixa um filme ruim depois que a Marvel e o Batman colocaram a barra tão alta.

Mas PRINCIPALMENTE o grande defeito do filme está em ser apenas OK. E hoje em dia, depois de Vingadores e Batman, ser um filme apenas OK faz muita diferença.

REPITO: Vão assistir. Vale a ida, principalmente pelas cenas de ação que não vão dar 5% da emoção numa tela de TV. Na verdade, seria UM CRIME fazer isso.

É melhor, MUITO melhor, que o do Raimi. Mas está longe de ser foda, infelizmente.

Os filmes da Marvel

Marvel Films
Marvel Films

Como o post do Homem de Ferro virou uma miscelânia de informações (tem Marvel, tem DC, tem pirataria, tem crítica…) resolvi tentar salvar a (boa) lavoura e colocar alguma ordem na casa.

Fica este post fixo pras informações sobre os vindouros filmes da Marvel – a Casa das Ideias. Depois de lançados – caso mereçam – ganham um post só pra eles.

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Alguns que já foram merecedores de destaque por aqui: