Rock Star Wars: Attack of the covers

Kill Em' All

Kill Em' All

 

Depois de um longo Verão venho iniciar os trabalhos em território Gaburahniano. O objetivo é montar uma lista de covers fodões que passam o bandão em seus originais.

Selecionei 40 canções. Outros covers de Rock e Metal ou de outros estilos serão bem-vindos (mas nos comentários, não me encham o saco!). Vamos montar uma enciclopédia de covers!

As canções coverizadas serão linkadas em seu próprio nome, enquanto as originais no nome do autor.

40 – Limp Bizkit – Faith (George Michael)

39 – Metallica – Commando (Ramones)

38 – Van Halen – You Really Got Me (The Kinks)

37 – Motorhead – God save the queen (Sex Pistols)

36 – Papa Roach – Gouge Away (The Pixies)

35 – Rolling Stones- Just My Imagination (The Temptations)

34 – Dropkick Murphys - Halloween (The Misfits)

33 – Foo Fighters – Baker Street (Gerry Rafferty)

32 – Guns N’ Roses – Knockin’ On Heaven’s Door’ (Bob Dylan)

31 – The Beatles – Twist and Shout (Top Notes)

30 – Megadeth - Anarchy in the UK (Sex Pistols)

29 – The White Stripes – Jolene (Dolly Parton)

28 – Sepultura – Orgasmatron (Motorhead)

27 – Metallica- Last Caress (The Misfits)

26 – Pennywise – Surfin’ in USA (Beach Boys)

25 – Kasabian – Runaway (Del Shannon)

24 – Faith No More – Easy (The Commodores)

23 – System of a Down – Shame – (Wu tang clan)

22 – Linkin park – Wish – (Nine Inch Nails)

21 – White Stripes – I Just Don’t Know What to Do With Myself (Tommy Hunt)

20 – Korn – Word up (Cameo)

19 – Black Label Society – I Never Dreamed – (Lynyrd Skynyrd)

18 – Jimi Hendrix – All Along the Watchtower (Bob Dylan)

17 – Anthrax – I’m eighteen (Alice Cooper)

16 – Nirvana – Love Buzz (The Shocking Blue)

15 – Oasis – I am the walrus (The Beatles)

14 – Californian Dreaming – Beach Boys (The Mamas and the Papas)

13 – ACDC – Baby please don’t go (Big Joe Willians)

12 – Rancid – The harder they come (Jimmy Cliff)

11 – Thin Lizzy – Rosalie (Bob Seger)

10 – Johnny Cash – Hurt (Nine Inch Nails)

9 – Joey Ramone – What a wonderful World (Louis Armstrong)

8 – Joe Strummer – Redemption Song (Bob marley)

7 – Megadeth – Paranoid (Black Sabbath)

6 – Nirvana – The Man Who Sold The World (David Bowie)

5 – Mark Lanegan – Man In The Long Black Coat (Bob Dylan)

4 – Metallica – Turn the page (Bob Seger)

3 – System of a down – Metro (Berlin)

2 – Raimundos – Oliver’s Army (Elvis Costello)

1 – Rage Against The Machine – Renegades of Funk (Afrika Bambaataa)

SWU 2011 – Da lama ao caos

Nem vou me ater muito ao empenho logístico demandado para o comparecimento da Caravana do Tio Virso ao SWU 2011. Só isso renderia outro post.

Dia escolhido, o 14 de novembro sagrou-se de cara como data inesquecível e imperdível aos fãs do (bom) rock em todas as suas vertentes: tinha o punk-pop-rock do Duff McKagan’s Loaded; o ska-rock do 311; o metal do Megadeth; o hardcore do Down de Phil Anselmo; o surpreendente hard-rock(abilly) do Black Rebel Motorcycle Club; o rock melancólico de altíssima qualidade do Alice in Chains; o hard rock do Stone Temple Pilots; e aqueles que se encaixam em todas mas não se encaixam em nenhuma: o Primus de Les Claypool e o sempre perfeito Faith No More do frontman Mike Patton.

Um line-up pra roqueiro nenhum botar defeito. Quase um dream team da camiseta preta, por assim dizer. Deu até pra perdoar a bobagem da escalação do inexplicável Sonic Youth no mesmo dia, banda que sempre parece não saber o que fazer no palco, daí fica inventando um monte de maneiras bizarras de esfregar a guitarra em qualquer lugar pra tirar som (barulho) e sair como vanguarda.

E de fato, musicalmente, o dia não deixou pedra sobre pedra. Faith No More e Stone Temple Pilots quebraram tudo e correspoderam às (sempre altas) expectativas dos fãs, com um Mike Patton inspirado (bem diferente das outras apresentação América do Sul afora) e um Scott Weiland com a voz visivelmente baleada (coisa que quase tirou o STP do festival), mas que nem por isso deixou de dominar palco e platéia com seu peculiar modus operandi.

O Alice in Chains fez mais um de seus belíssimos shows, coisa de gente que canta com as vísceras. Com homenagem (no gogó, sem telão, sem presepada) a Layne Staley e Mike Starr (50% da formação original da banda, já falecidos) em Black gives way to blue, foi impossível a qualquer espectador permanecer impassível durante sua execução. Como não canso de dizer, o Alice in Chains é o verdadeiro legado de Seattle para o mundo. Quem não assistiu, agarre-se com unhas e dentes à promessa de Jerry Cantrell sobre um breve retorno da banda ao Brasil. Com toda certeza, estarei lá.

Duas grandes surpresas no dia foram a devastadora apresentação do Black Rebel Motorcycle Club e a competência do Primus. Longe de serem conhecidos pela maioria dos presentes, as duas bandas – de estilos distintos entre si e dos demais - dominaram as atenções desde o momento em que pisaram no palco. Meu parâmetro para a eficiência de uma banda é sempre esse: se tem poucas músicas conhecidas pelo público, mas ainda assim fazem com que ninguém consiga desgrudar os olhos do palco e manifestem seu contentamento, então arrebentaram. BRMC e Primus cumpriram as duas exigências com sobras. Ao fim de seus shows, geral prometia recorrer a meios lícitos e ilícitos de conseguir suas discografias.

Não vi o Down e vi pouco do Loaded, por alguns dos motivos que discorrerei como negativos do festival. Relatos do RB apontam que a apresentação de Phil Anselmo foi no mínimo HISTÓRICA, de fazer os fãs do Pantera verterem lágrimas. Deixo essa pra quem assistiu, pois a organização do festival não me deu essa opção.

Mas no que se refere à música, mesmo com 16h de chuva temporal quase ininterrupta na cabeça, não há do que se reclamar.

*****

A primeira impressão ao se entrar na versão paulista da Cidade de Rock foi boa. Havia organização no sentido de saber onde estava aquilo que se queria encontrar. Muito bem sinalizado, de cara a gente sabia como chegar às praças de alimentação, à cada um dos três diferentes palcos, à tenda de música eletrônica, banheiros, etc.

Dito isso, vamos ao PEOR do SWU 2011:

  • Que se foda, minha saúde primeiro! – Eu disse banheiros? Bem, perdoem a força de expressão. Quis dizer CHIQUEIROS, pois na prática eram exatamente isso. Não sei quem foi o genial projetista do festival que resolveu achar boa ideia instalar os banheiros químicos em área de chão batido – sem considerar minimamente que fosse a possibilidade de chuva (entenda-se dilúvio), que foi EXATAMENTE o que aconteceu. Resultado: uma verdadeira IMUNDICE, onde não se sabia mais em que se estava pisando. A melhor alternativa era se hidratar pouco para precisar ir até o local o mínimo possível. Ou fazer em locais alternativos, mais limpos porém de desagrado da organização. Havia um banheiro propriamente dito na área das arquibancadas, porém igualmente sem a menor condição de higiene, pois SEQUER FAXINEIROS HAVIA (n.e. verbo Haver no sentido de existir não tem plural, ok?). Disparado a pior coisa do festival, coisa pra sofrer interdição pela Vigilância Sanitária municipal, sem o menor exagero. Mais do que a chuva – e pior pela associação a ela - o grande fator destruidor de bom humor do dia;
  • Praça de chafurdação - o mesmo projetista colocou também a praça de alimentação em área de terra. Virou outro lamaçal inóspito e inacessível, o que deve ter sido estratégico pra empurrar a galera para a praça de alimentação vegan (que era bem boa, registre-se). A saída foi comer kibe de soja o dia inteiro, pois quem quisesse algo mais tradicional corria o risco de atolar e não assistir mais nada até o resgate dos bombeiros;
  • Palcos pra que te quero? – No SWU, cada escolha implicava em uma renúncia. Isso é INADMISSÍVEL em um festival de música. Tive que optar entre assistir o STP ou o Alice in Chains, da mesma forma que houve a necessidade de se escolher entre Primus e Megadeth e entre AiC e Faith No More. Ou seja, quem sonhava em assistir todas essas bandas fodonas se fudeu de verde-e-amarelo. Com os dois palcos frente a frente e distantes cerca de 300m entre si, com 5 a 10 min de intervalo entre os shows, tornava-se humanamente IMPOSSÍVEL encontrar um bom lugar para assistir o show seguinte se você estivesse no outro palco. Tremenda bola fora;
  • Sonic Youth;
  • Rali compulsório - enquanto a galera se divertia como podia dentro do festival, a chuva comia solta lá fora. Na área de estacionamento inclusive. E só foram descobrir isso na hora de ir embora. Muita gente saiu do festival às 3:30h da manhã e ficou atolado até as 06h, quando por sorte ou imaginação conseguiam tirar os veículos dali. Organização? Nem tomou conhecimento disso. Ou o cara se virava sozinho ou estaria lá até agora;
  • Prejuízo inesperado - ao fim do festival, magicamente desapareceram todos os atendentes dos stands de comida/bebida. Os ambulantes credenciados só aceitavam dinheiro vivo. OU SEJA: quem comprou tickets (o dinheiro do SWU) com antecedência pra evitar as filas posteriormente MORREU SOLENEMENTE NA GRANA QUE NÃO CONSEGUIU CONSUMIR. Sem choro nem vela, sem ressarcimento. Deve ser pra obrigar o cara a voltar em 2012, só pode.

Fosse um dia ensolarado, alguns desses defeitos estariam minimizados. Mas quem projeta um festival grande assim necessariamente tem que atentar pra esses detalhes. Ainda mais porque a intenção da organização é realizar as próximas quatro edições do SWU neste exato mesmo local. Muita coisa precisa ser repensada, pois as expectativas eram altíssimas para o dia e acabaram (em parte) frustradas pelos acontecimentos e pela falta de planejamento para as contingências.

No frigir dos ovos, restou o rock pra salvar o povo.

Como sempre.

Paul in Rio, Beatles across the universe

Por Bender

Sou um cara privilegiado. Num espaço de 6 meses pude assistir 2 shows, ao vivo, do integrante da maior banda do mundo de todos os tempos.

Na segunda metade da década de 1960, os Beatles - por volta de 20 e poucos anos cada - anunciaram que não fariam mais turnês mundiais devido ao excessivo desgaste das mesmas. Diziam que não se ouviam no palco pelos gritos histéricos das fãs e isso comprometia a qualidade do produto que vendiam. O equipamento da época não suportava mesmo 30, 50 ou 70 mil pessoas gritando ensandecidamente. Surgiu a demanda, a revolução (tecnológica) teve que vir.

Liverpool UK, 1962

Fato é que hoje algumas nações tem poder bélico para destruir o planeta mais de 50 vezes, o equipamento sonoro disponível suporta com extrema facilidade 100 mil vozes gritando e Sir Paul McCartney roda o planeta atravessando oceanos para brindar, saudar, presentear seus fãs. Paul não precisaria se importar, seu patrimônio não vai alterar de forma relevante com mais algumas turnês, mas Sir tem exata noção da importância que tem. Hoje, MaCca, a beira dos 70 anos, faz a mala e pega o avião mundo afora.

Até novembro do ano passado, pensei que nunca mais iria num show de um beatle (a 1ª vez foi em 1990). O show do último final de semana, sua 2ª passagem pelo Rio, foi equivalente ao show do ano passado em SP, sublime. Cada show da turnê UP AND COMING dura quase 3 horas e é composto de um repertório aproximadamente 70% Beatles e outros 30% Paul carreira solo também fodásticos.

Como a ânsia de 20 anos foi saneada no Morumbi em 2010, controlei um pouco mais a emoção no domingo passado. Dessa forma, não consigo apontar um momento mais especial que outro durante as 2,5 horas. Teve a abertura com “Hello Goodbye”, a homenagem com “Something”, a emoção de “A Day in the Life”, o rock de “Drive my Car”, os fogos de “Live and let die”, o agito de “Back in the USSR”, o frenezi de “Helter Skelter”, a despedida em grand finale com “The End”O próprio evento em si como um todo foi o destaque. Inclusive na questão da administração. Pessoalmente, também teve o fato da galera estar mais completa do que o show em SP: fator incremental. Tomá na peida! Assistir o show da banda que você mais se amarra com mais de 30 amigos é foda pra caralho! I’ve got a feeling, a feeling I can’t hide, oh yeah.

Let 'Em In

Show do Paul é quase como aquele filme complicado de entender, cada vez que se vê pesca mais um detalhe – “quase” pois o show tem suas variações, o que o faz melhor que tal filme. Já estão falando de uma possível volta de MaCca ano que vem. Que seja em 2020 ou 2030. Irei assistir Sir com 80, 90 anos ou daqui a many years from now.

Por Gaburah

O tempo parou, literalmente.

Parou por duas razões: primeiro, um período de tempo de três horas passou em uma fração de segundos; e segundo, também porque em pleno século XXI parecia que uma multidão tinha caído num limbo, num paradoxo tempo/espaço…

Não há palavras suficientes para descrever o que é assistir um espetáculo desse calibre ao vivo. A produção megalômana, o cuidado com cada detalhe teatral minimamente elaborado durante a execução de cada música, o showman irrefreável que é Sir Paul McCartney… tudo se soma para tirar o espectador deste mundo durante a apresentação.

Uma experiência, um privilégio.

Mas confesso que esperava uma emoção maior por finalmente estar no mesmo ambiente que uma lenda viva da música. Longe de ser uma crítica isso, pois o bom e velho MaCca é um sujeito tão presente na vida das pessoas através da mídia que parece um cara que a gente encontra toda hora por aí. E além disso, é fato que todo mundo que curte Beatles já assistiu a pelo menos três ou quatro DVD’s de apresentações ao vivo pelo mundo. Já sabe que vai ter explosão em Live and let die, já sabe que ele vai reger o público em Hey Jude, já sabe que vai fazer caras e bocas… e ainda assim se surpreende a cada vez que uma coisa dessas acontece!

Parte da trupe na arquiba

Tive o privilégio de assistir a um show assim acompanhado pela fina nata da rapaziada mais rock and roll do planeta. Posso dizer que isso me torna duplamente afortunado em uma mesma oportunidade. A catarse potencializou, com certeza.

Meu destaque pessoal vai para Back in the USSR, cuja introdução me fez crer que havia uma turbina de avião de verdade ligada em pleno Engenhão (que som fuderoso, bicho…). Primeiro momento entre tantos em que perdi a linha pra valer.

You don't know how lucky you are, boys

E mesmo quando o show acabou, continuou divertido com todas as tentativas de captura dos milhares de papeizinhos coloridos que voaram do palco tomando todos os setores do estádio depois das explosões multicoloridas ao final de The End. Emocionante ver como tanta gente voltava a ser criança se divertindo com aquilo.

Restam agora quatro grandes sonhos pessoais a serem realizados: que venham o Ringo, meu Beatle favorito (ex-Beatle não existe); The Who; Van Halen e AC/DC. Mas o velho MacCa colocou a barra alta, aviso.

Por Matheus

Sábado, 22 de maio de 2011, 10 da manhã. Acordo com o telefone tocando e um cara que eu nunca vi na vida gritando do outro lado:

“Mineiro, onde você tá? Dormindo ainda?”

Se fosse um dia comum, eu mandaria uns três impropérios, desligaria e voltaria a dormir. Mas aquele não era um dia normal. De fato, àquela hora, já era pra eu ter rodado os 448km que separam minha casa da praia de Icaraí, “o skyline mais bonito do Rio de Janeiro”, e já estar pronto pro que seria um dos melhores fins de semana da minha vida. Mas eu ainda não sabia disso e o começo não foi dos melhores. Por um atraso, saí de BH ao meio-dia do dia 22 e tive muito medo de perder o tão esperado 1º Congresso Mundial Blablagoliano. Mas fizemos a viagem em bom tempo e às 18:30h fui recepcionado e, enfim, pude conhecer Victor, o Editor. Logo depois, Ana Paula e a irmã Fernanda, ótimas anfitriãs. A partir das 20:00h, todo o corpo editorial do Blá Blá Gol e parte da nossa maravilhosa audiência. E o Saulo. Mas esse encontro e todos seus detalhes é tema de outro papo. E vale muito a pena.

Meu fim de semana ia muito bem. E quando capotei bêbado, pensei que dificilmente poderia melhorar. Mas eu não contava com o poder de Sir Paul McCartney. Porque eu sabia que seria algo histórico pra mim. Mas não imaginei que seria tão inesquecível.

Bonde Popó Paul sem freio

A caravana formada pelo “mais experiente dos homens”, foi um sucesso. Fui muito bem recebido e a cada 5 minutos eu era apresentado a uma atração do Rio. Cristo Redentor, Cristo Redentor, Ponte Rio-Niterói, São Cristóvão, São Januário, Cristo Redentor, Fundão, Cristo Redentor, Cristo Redentor, Engenho de Dentro e Engenhão. Convenhamos, sen-sa-cio-nal acolhida, né não?

 

Olha o Cristo, Mineiro!

Olha o Cristo, Mineiro!

Diferentemente do Gaburah (e pra surpresa de todos, acredito) , eu odeio assistir DVD’s de shows. Nunca completei um, nem de bandas que sou muito fã, como The Who, Rolling Stones, Beatles e Rage Against The Machine. Eu não tinha a menor ideia de como seria a produção do show. E fui pego de surpresa em todos os momentos.

Paul e todo seu time de músicos (aliás, que time, com especial atenção pro batera) fizeram daquelas quase 3 horas, um dos momentos mais fodas da minha existência. Sem falar na catarse coletiva que acontecia ao meu lado com todos os membros da trupe, cada um ao seu jeito, com completa consciência de que ali escrevia-se a história. Ainda que seja menos emocionante pra quem já foi anteriormente.

Quanto às músicas, é difícil não falar de todas. Paul é um cara tão foda que rolam músicas tristes , alegres, dançantes, românticas e pauleiras. Chamo a atenção para Back In The USSR, por tudo que aconteceu naquele pedacinho de arquibancada durante a execução, All My Loving e Serginho fugindo e para Live And Let Die e Helter Skelter, momentos que chorei copiosamente, ainda que quieto no meu canto, como bom mineiro. Momento especial também foi quando liguei pros meus pais durante Hey Jude, primeira música do Beatles que eu ouvi quando era pequeno e minha mãe cantava uma versão nacional da mesma.

Eu só tenho a agradecer. Não esperava pela metade de tudo que houve. Valeu muito a pena. E eu espero ter sido um bom visitante, porque pretendo voltar. Se o Paul pode, eu posso também.

Top 10 – Why so hard?

Em semana de frenética expectativa pelo show do bom e velho Paul McCartney em terras cariocas (que terá cobertura em peso de todos os editores do BBG e do Gaburah.com) e, melhor ainda, na casa do Botafogo, saiu um início de discussão pra lá de bacana no Open-bar do Blá Blá Gol: Os 10 Maiores Álbuns de Rock (na opinião pessoal de cada um, claro). Em rara unanimidade, os editores do Oriente Médio dos blogs de futebol acharam por bem transportar a discussão (que promete) pra cá.

A lista pode ser feita de acordo com qualquer critério pessoal. No meu caso, minha lista foi baseada na influência que os álbuns tiveram sobre meu gosto musical – e como moldaram ou colaboraram para aprimorá/revê/refiná-lo. Em todos os casos, são álbuns que me fizeram construir os conceitos de música conforme acredito ser o ideal. 

Vou dar a cara a tapa e colocar a minha lista aqui, ciente de que está looooonge de ser unanimidade. Talvez não seja unanimidade nem pra mim mesmo, visto que posso revê-la daqui a duas semanas e achar que fiz alguma injustiça. Mas injustiça mesmo seria meramente tentar rankeá-los. Sendo assim, seguem em ordem de igual importância pessoal:

# King for a day, fool for a lifetime – Faith No More
# Rubber Soul – Beatles
# The Southern Harmony and Musical Companion - Black Crowes
# Tommy – The Who
# Pump – Aerosmith
# Are you gonna go my way – Lenny Kravitz
# The Dark Side of The Moon - Pink Floyd (sim, eu sei: QUEM DIRIA!)
# Back in Black – AC/DC
# X – INXS
# Unplugged – Alice in Chains

*****

Viva o rock and roll, bicho.

A briga já começa na ilustração: o MEU álbum definitivo do FabFour

A pirate’s life for me!

Já virou clássico pessoal. Esse vai desafiar os limites intransponíveis de tempo e espaço na minha preferência.

Piratas do Rock (The boat that rocked, 2009) ilustra o panorama das rádios (literalmente) piratas que transmitiam rock and roll e música pop na Inglaterra dos anos 60. À época o som era altamente marginalizado no Reino Unido, e pra quem pode imaginar que as causas dessa perseguição eram as boas e velhas moral e bons costumes, vai se surpreender com as razões apontadas de maneira simples, porém genial no filme.

No afiadíssimo elenco - todo excelente, desde os coadjuvantes menos conhecidos a Phillip Seymour Hoffman (hilário) – destacam-se as figuras de Rhys Ifans e principalmente Bill Nighy (num papel menor, mas que rouba o show), passando pelo figuraça Nick Frost e uma Emma Thompson porra-louquíssima. Até o antipático papel de Kenneth Branagh é divertido.

Se isso ainda não foi suficiente pra convencer a assistir, adicione a trilha sonora repleta de hits mais e menos conhecidos do rock and roll da época. Desde The Kinks, The Who, Stones, Hendrix, Beach Boys até Dusty Springfield e Smokey Robinson, com espaço também para a sempre sensacional versão de Burt Bacharach para This guy’s in love with you (aquela mesma que o Mike Patton tanto ama).

Fica a dica. Depois podem passar aqui pra agradecer.

O feriado do ano (ou “SWU – Começa com seu dinheiro”) – Dia 3

Tem certas coisas que um escritório de advocacia faz por você. Uma delas é não dar um pingo de sussego durante 6 meses, praticamente. Principalmente se você for o peixe fora d’agua naquele ambiente. Seja por ser um pouco diferente em suas opiniões ou não querer manter um padrão de comportamento que é imposto em função da combinação terno-gravata.

Não importa o curso, estagiário é tudo igual

Não importa o curso, estagiário é tudo igual

Pois é, por essas e algumas outras questões, eu não consegui escrever como foi o último dia do SWU. E, por sinal, o melhor deles. Tudo bem que posso estar correndo o risco de parecer um pouco fora do tom aqui, já que o bacana pra 2011 é o show do Macca no Rio, o Rock In Rio e mais algumas atrações que estão programadas. Mas, em virtude de preciosos momentos de procrastinação, resolvi dar vazão (ui!) ao que senti naquele que foi o melhor dia de 2010.

Dia que começou às 09:00h da segunda-feira, dia 11 de outubro de 2010. Uma das coisas mais bacanas de ir prum festival e acampar nele é ser acordado uma das suas bandas favoritas passando o som logo ali ao lado. O Queens of The Stone Age preparava tudo e eu começava a ter uma ideia do que me esperava ali.

Acordar com as bandas logo ali? Não tem preço

Acordar com as bandas logo ali? Não tem preço

Mas ainda demoraria um pouquinho. Com o esquema descoberto por um amigo, fui a uma das casas da Fazenda Maeda, consegui um banho quente e ilimitado por “módicos” R$ 10,00, sai mais feliz que pinto no lixo e fui comer qualquer coisa pro dia que se anunciava. A ideia era dar uma passada no “clube” que ficava atrás dos palcos principais e onde rolava um almoço de responsa. Não que fosse muito bom, mas era, pelo menos, arroz-feijão-e-qualquer-coisa. O almoço rolou meio que num calor de rachar, gastei um tempo conversando com meu irmão e a Nath que tinha ido com a gente e resolvemos dar uma volta no clube. Qual não foi a surpresa quando encontramos com o resto da trupe de Beagá “escornada” em volta de uma rodinha de violão em um lugar privilegiado no gramado do clube. Festivalfeelings total! Mandando de todo tipo de música, os caras que comandavam tavam agitando a galera, com direito até à narração de uma vida criminosa, aos que os intelectuiódes dão nome de “Faroeste Caboclo”. Pelo menos, foi engraçado. Até que alguém gritou o já famoso “TOCA RAUL!”. Eu, que gosto muito de Raul, mas odeio esse grito, meio que fiquei esperando pra ver o que ia acontecer até que um guri pegou a viola e, com ar de propriedade, falou: “me dá aqui que eu sei tocar”. Tudo que aconteceu depois disso vai fazer parte da minha memória pra sempre. O cara mandava bem e só soltava as melhores músicas (o que não quer dizer que fossem as mais famosas), todo mundo se animava e quando começou “Sociedade Alternativa” foi praticamente uma catarse coletiva. Sen-sa-cio-nal!

Tão sen-sa-cio-nal que rolou até gravação de um programa do Multishow com o Fernando Caruso. Um dos melhores momentos, com certeza.

Depois fui dar uma fragada no que rolava nos palcos e fui presenteado com uma ótima apresentação do Cavalera Conspiracy. Misturando faixas do novo projeto com sucessos do Sepultura, os irmãos Max e Igor Cavalera quebraram tudo e abriram o dia em grande estilo.

O pessoal se preparava pro show do Avenged Sevenfold e eu resolvi que não ia acompanhar. Na época, eu achava que seria mais um show meia-boca de uma banda emo qualquer que não teria nenhuma utilidade prática na minha vida. Por isso, fui ver o show do B-Negão e seus Seletores de Frequência. Não que eu tenha me arrependido, já que os caras do Rio mandaram muito bem, mas, depois, descobri o quanto o som do Avenged era bom. Muito bom. Uma pena não ter assistido, mas é um show que eu pretendo aparecer quando rolar novamente. E quem viu falou que foi dos melhores da noite.

Show esse que antecedeu uma das minhas maiores esperas. Incubus, banda californiana de ótimo som e extremamente competente, ia se apresentar num dos palcos principais e eu não ia perder. E valeu muito a pena correr pra não perder Brandon Boyd arrebentando nos vocais. O show ia muito bem, mas muito bem mesmo e quando começou a ficar ótimo, parou. Um dos grandes problemas de um festival com bandas boas é que algumas tem que ter menos tempo pra outras terem mais. Incubus foi assim. Apesar do setlist ter sido ótimo, faltaram alguns sucessos, como Made For TV Movie e , o que deixou um gosto de “quero mais” no fim do show dos caras.

Tudo bem, ficou aquela pontada de decepção, ainda mais com o atraso de mais de 1 hora pro início do show da minha vida (juntamente com o Rage Against The Machine). Eu ainda não sabia o quanto me marcaria o show do Queens Of The Stone Age. Mas quando Josh Homme começou com “Feel Good Hit Of The Summer” eu já vi que os caras não estavam pra brincadeira. Um detalhe: foi o único show em que eu estava desacompanhado da galera. Uma pena pra eles porque ver alguém tão feliz deve ser muito bom. O setlist foi perfeito, manteve o público aceso 100% do tempo e os deixaram sua marca no que foi considerado “o melhor show de 2010″. Se foi mesmo, eu não sei. Mas que quando rolou “In My Head” eu me senti como o cara mais satisfeito do mundo, isso com certeza.

Eu já me sentia recompensado. Tudo tinha valido a pena, desde os perrengues pra chegar e se manter, o frio noturno e o calor diurno, o preço abusivo de muita coisa, a falta de estrutura e tudo mais. Faltavam ainda duas bandas muito boas e eu já sabia que, se tudo desse certo, eu voltaria em 2011. Foi mais ou menos nesse momento que me animei ainda mais. No telão do Festival apareceu a confirmação de que Alice In Chains tocaria em 2011. Quando vai ser ou se vai ser, eu ainda não sei. Mas que eu vou, é quase certeza. Ainda mais com a presença de System of A Down.

E veio o show do Pixies. Uma banda que eu não acompanho, mas que me surpreendeu. Eu sei que os caras são bons naquele tipo de música, mas eu nunca tinha parado pra escutar. Show sen-sa-cio-nal e felicidade geral de quem gosta da banda. Não posso adentrar em maiores detalhes, mas se alguém conhece e foi, fique a vontade pra dar a opinião. O que eu sei é que foi muito bom.

Pra finalizar o meu dia (mas não o do Festival, já que ainda teria Tiësto depois), Linkin Park botou pra fuder! Era outro show do qual eu não esperava muito, já que não sou mais o adolescente que curte os caras de outrora, mas o show foi ótimo. Mantiveram a pegada, mandaram um setlist surpreendente com músicas do novo álbum e grandes sucessos e, mesmo quem não era fã, gostou muito da apresentação dos caras. Fecharam muito bem o festival e demonstraram que o seu som, apesar de visto como ruim por muitos, ainda tem muita lenha pra queimar e agradar a muita gente. Enfim, fecharam com chave de ouro.

Assim como eu fecho aqui a saga dos meus post’s sobre esse assunto. Peço desculpas a quem esperou tanto pelo último post e espero ter passado pra geral um pouco do que eu senti ali. Foi meu primeiro festival, não tenho muito com que comparar, mas pra mim valeu o perrengue. É algo que farei mais vezes, ainda que das próximas eu vá melhor preparado (reservar um hotel é a primeira providência). Mas no frigir dos ovos, é tão legal que até hoje tenho pena de jogar meus ingressos fora. Eles tão lá esperando pro momento em que eu vou criar coragem e mandar enquadrar. Pra uma primeira vez, foi ótimo. E que venham os outros.

Um abraço!

******

Pra fechar, um especial pra quem virou fã dela, como eu:

Stone Temple Pilots no Circo Voador/RJ 2010

Uma mesma pergunta deve ter assombrado as cabeças de Scott Weiland, Robert DeLeo, Dean DeLeo e Eric Kretz na noite de 11 de dezembro de 2010: Why the hell we never came to Brazil before??

O Stone Temple Pilots pisou no palco do Circo Voador para sua primeira apresentação no Rio de Janeiro (e segunda no Brasil) após inúmeras especulações, confirmações e cancelamentos. Se o Circo à princípio gerava dúvidas se apresentaria as dimensões ideais para receber um show desta envergadura, talvez justamente por isso tenha se mostrado uma escolha extremamente feliz. A acústica impecável e a proximidade da apaixonada platéia presente com o palco mostraram-se coadjuvantes importantíssimos para o impacto da apresentação da banda, que em vários momentos parecia não estar acreditando em toda a energia que fluía ininterruptamente entre ela e o público durante as quase duas horas do show.

O STP subiu e modestamente se acomodou no palco às 23:40h, e somente então um elegante Scott Weiland se aproximou do microfone e soltou: Hello. We are the Stone Temple Pilots. Platéia abaixo e Crackerman, seguida de Wicked Garden e Vasoline. Quem conhece, já entendeu que não estavam pra brincadeira. Três socos na boca do estômago de cara, pra entorpecer o público e ganhar logo a parada. Daí o resto era fácil: foi só administrar o jogo. Coisa de gente grande que sabe direitinho o que está fazendo.

Não que também precisassem fazer muita força com um set list que apresentava as músicas mais conhecidas da banda, alternando com as mais pesadas do último álbum (Between the lines – musicaço, Huckleberry Crumble e Hickory Dichotomy) e com espaço ainda para a versão de Dancin’ Days que o Led Zeppelin queria ter feito e que todo mundo conhece. Competência até dizer chega.

E falando em competência, nenhum desavisado seria capaz de dizer que o STP esteve separado de 2003 a 2008, ano em que se reuniram para apresentações até lançar o último (e homônimo) álbum em 2010. A cozinha formada pelo preciso Eric Kretz (bateria) e pelo pilhadaço (e simpaticíssimo) baixista Robert DeLeo – que fez questão de mandar um belo Garota de Ipanema no bis - mais o incansável Dean DeLeo (guitarra, que ganhou uma faixa com os dizeres ‘With D.DeLeo we don´t need another guitar hero‘) pavimenta com segurança e firmeza o caminho para o talento de Scott Weiland, sem dúvida um dos meus grandes heróis do rock. A banda não errou NADA durante um show inteiro, e ainda se atreveu a duas breves sessões de improvisos com Weiland balbuciando melodiosamente ao fundo.

Quanto ao vocalista - um cara que foi (e ainda vai de vez em quando) ao inferno, deu (e ainda dá de vez em quando) um abraço apertado no capeta e voltou - de cara mostrou-se muito disposto ao microfone. Porém foi nítido o cansaço físico que se abatia sobre ele com o decorrer do show, embora em momento algum sua voz tenha demonstrado qualquer sinal neste sentido. O estilo de voz de Weiland, aliás, sofreu uma mudança radical a partir do álbum Tiny Music… Songs from the Vatican Gift Shop (1996), quando abandonou o timbre grave e potente para adotar um estilo mais anasalado e melódico. Quem viu o clip de Big Bang Baby e achou muito foda (ou não), talvez entenda o exemplo que estou dando. Aliás essa ficou de fora do show, para lamento de todos.

Mas não atrapalhou em nada. Ainda mais depois do estado de êxtase coletivo proporcionado pelo STP durante a execução de Plush, cantada em uníssono, música que à época de seu estouro lançou sobre o STP a maldição da (injusta, inapropriada, infeliz e infundada) comparação com o Pearl Jam. Quem comprou essa bobagem, perdeu a oportunidade de conhecer uma senhora banda de rock and roll. STP e PJ são bandas totalmente diferentes, musicalmente distintas. Ambas tem sua importância na história do rock, mas sem dúvida a comparação foi mais prejudicial ao STP. E talvez tenha impedido a banda de alçar vôos ainda mais altos. Azar de quem não conhece a diferença.

Alguma alma generosa disponibilizou a gravação da música do YouTube, e dá pra ter uma ideia da excelência do som do Circo:

Saldo pessoal: eu e minha Celeste Alvinegra de alma lavada, voz total e irrecuperavelmente rouca durante dias. Feliz, muito feliz. O honesto show de uma banda competente, segura de si e dona de hits de tirar o fôlego, que ainda teve o plus de saber se aproveitar disso direitinho.

Posso dizer que tive a sorte de assistir alguns grandes shows de rock ao vivo. E só não direi que o Stone Temple Pilots no Circo Voador em 2010 foi o melhor show de rock que já assiti na vida porque ele teria que bater de frente com o Page&Plant (e o set de Led Zeppelin) no Hollywood Rock 1996 e o Faith No More de 2009 (RJ). Ainda assim, balançaria na hora de decidir.

Vida longa ao Stone Temple Pilots. Quantas vezes vierem ao Brasil, quantas vezes irei encontrá-los. Eletricidade pura.

*Para ver uma penca de fotos, acesse o álbum do Estaca Zero. Show de bola!

Lennon/McCartney ou vice-versa

Quando constituíram a banda lá no início dos 60′s, John e Paul acordaram que todas seriam creditadas à parceria, mesmo que apenas um deles fosse o compositor da obra. Existem exemplos de músicas que ambos compunham, como “Love me Do”, “Eleanor Rigby” e “Can’t Buy Me Love”, mas a maioria realmente foi composta isoladamente e depois “juntada” pela dupla, pelos Fab Four e George Martin. Por algum motivo natural de ambos (talvez até um acordo tácito), depois da separação da banda nenhum tocava a música do outro, apesar de ter os direitos sobre a obra e poder usufruir.

Tal acordo ou apenas “ranhetice” impede os fãns de ouvirem Paul tocar “Help!”, “Ticket to ride”, “I wanna hold your hand”, “You gonna lose that gril”, “From me to you”, entre outras muitas… fico imaginando “A Hard Day’s Night”, a galera iria ao delírio e começar a cantar junto desde o primeiro, e talvez mais famoso acorde, dos Beatles. “She Loves You” foi pedida e até cantada pelos 65 mil presentes ao Morumbi em 21/11/2010, mas Paul se saiu bem no microfone com um “I love you yeh yeh yeh”.

Lennon, aliás, depois de 1970, extrapolava a ranhetice e não gostava nem de tocar suas próprias músicas da época dos Beatles. Clássico é um show que fez em NY (fácil de encontrar em DVD) com o diabo do oriente ao seu lado no palco, onde depois de encherem o saco, John manda: “então vamos voltar ao passado, apenas 1 vez“, e toca “Come Together” para o delírio da galera.

Fato é que as apresentações do Paul não tinham músicas efetivamente compostas apenas por John, até a turnê UP AND COMING. McCartney ao tocar “A Day In The Life” e “Give Peace a Chance” me emocionou mais do que a própria homenagem que fez “ao amigo John”.