Gaburah Best of 2011

A versão 2011, via blog, tem como madrinha da ideia a @marifiorentino.

And the Tiny Little Golden Gaburah Cookie goes to...

Então lá vai o resultado do Gaburah Best of 2011. Rufem os tambores!!

  • Filme do ano: Essa foi difícil, confesso. A média foi baixa. Em se falando de cinema, no entanto, o grande destaque foi o documentário Back and Forth do Foo Fighters (aliás, 2011 foi o grande ano da banda de Dave Grohl). Quem não teve o prazer de assistir no cinema, tenta ver em vídeo. Muito foda. Mas se eu for obrigado a escolher um filme convencional, provavelmente direi X-Men: First Class – que, mesmo assim, teve os seus poréns.
  • Fiasco do ano no cinema: Deu empate. O Besouro Verde de Seth Rogen e Conan, o Bárbaro (Momoa é o único inocente naquilo ali).
  • Categoria ‘Preciso arranjar outro empresário com urgência‘ do ano: Christoph Waltz (pelo conjunto da obra – O Besouro Verde e Os Três Mosqueteiros)
  • Música do ano: Barbada. Rope, do Foo Fighters
  • Categoria ‘Agora é tarde, Gaburah‘ do ano: shows do Velvet Revolver
  • Show do ano: Alice in Chains, no SWU. Pela energia mesmo debaixo do dilúvio e por corresponder à longa expectativa.
  • Piada de mau gosto do ano: Botafogo de Futebol e Regatas, sagrando-se BICAMPEÃO no quesito =/
  • Grande Expectativa para 2012: Os Mercenários 2, longe. Colocando até pesos-pesados como Os Vingadores e O Hobbit no bolso (e alguém acha que Bilbo ou o Capitão América são páreo para Stallone+Willis+Schwarza+CHUCK NORRIS+Van Damme??)

E como premiação que se preze tem que ter número musical, então lá vai a vencedora do ano de 2011:

SWU 2011 – Da lama ao caos

Nem vou me ater muito ao empenho logístico demandado para o comparecimento da Caravana do Tio Virso ao SWU 2011. Só isso renderia outro post.

Dia escolhido, o 14 de novembro sagrou-se de cara como data inesquecível e imperdível aos fãs do (bom) rock em todas as suas vertentes: tinha o punk-pop-rock do Duff McKagan’s Loaded; o ska-rock do 311; o metal do Megadeth; o hardcore do Down de Phil Anselmo; o surpreendente hard-rock(abilly) do Black Rebel Motorcycle Club; o rock melancólico de altíssima qualidade do Alice in Chains; o hard rock do Stone Temple Pilots; e aqueles que se encaixam em todas mas não se encaixam em nenhuma: o Primus de Les Claypool e o sempre perfeito Faith No More do frontman Mike Patton.

Um line-up pra roqueiro nenhum botar defeito. Quase um dream team da camiseta preta, por assim dizer. Deu até pra perdoar a bobagem da escalação do inexplicável Sonic Youth no mesmo dia, banda que sempre parece não saber o que fazer no palco, daí fica inventando um monte de maneiras bizarras de esfregar a guitarra em qualquer lugar pra tirar som (barulho) e sair como vanguarda.

E de fato, musicalmente, o dia não deixou pedra sobre pedra. Faith No More e Stone Temple Pilots quebraram tudo e correspoderam às (sempre altas) expectativas dos fãs, com um Mike Patton inspirado (bem diferente das outras apresentação América do Sul afora) e um Scott Weiland com a voz visivelmente baleada (coisa que quase tirou o STP do festival), mas que nem por isso deixou de dominar palco e platéia com seu peculiar modus operandi.

O Alice in Chains fez mais um de seus belíssimos shows, coisa de gente que canta com as vísceras. Com homenagem (no gogó, sem telão, sem presepada) a Layne Staley e Mike Starr (50% da formação original da banda, já falecidos) em Black gives way to blue, foi impossível a qualquer espectador permanecer impassível durante sua execução. Como não canso de dizer, o Alice in Chains é o verdadeiro legado de Seattle para o mundo. Quem não assistiu, agarre-se com unhas e dentes à promessa de Jerry Cantrell sobre um breve retorno da banda ao Brasil. Com toda certeza, estarei lá.

Duas grandes surpresas no dia foram a devastadora apresentação do Black Rebel Motorcycle Club e a competência do Primus. Longe de serem conhecidos pela maioria dos presentes, as duas bandas – de estilos distintos entre si e dos demais – dominaram as atenções desde o momento em que pisaram no palco. Meu parâmetro para a eficiência de uma banda é sempre esse: se tem poucas músicas conhecidas pelo público, mas ainda assim fazem com que ninguém consiga desgrudar os olhos do palco e manifestem seu contentamento, então arrebentaram. BRMC e Primus cumpriram as duas exigências com sobras. Ao fim de seus shows, geral prometia recorrer a meios lícitos e ilícitos de conseguir suas discografias.

Não vi o Down e vi pouco do Loaded, por alguns dos motivos que discorrerei como negativos do festival. Relatos do RB apontam que a apresentação de Phil Anselmo foi no mínimo HISTÓRICA, de fazer os fãs do Pantera verterem lágrimas. Deixo essa pra quem assistiu, pois a organização do festival não me deu essa opção.

Mas no que se refere à música, mesmo com 16h de chuva temporal quase ininterrupta na cabeça, não há do que se reclamar.

*****

A primeira impressão ao se entrar na versão paulista da Cidade de Rock foi boa. Havia organização no sentido de saber onde estava aquilo que se queria encontrar. Muito bem sinalizado, de cara a gente sabia como chegar às praças de alimentação, à cada um dos três diferentes palcos, à tenda de música eletrônica, banheiros, etc.

Dito isso, vamos ao PEOR do SWU 2011:

  • Que se foda, minha saúde primeiro! – Eu disse banheiros? Bem, perdoem a força de expressão. Quis dizer CHIQUEIROS, pois na prática eram exatamente isso. Não sei quem foi o genial projetista do festival que resolveu achar boa ideia instalar os banheiros químicos em área de chão batido – sem considerar minimamente que fosse a possibilidade de chuva (entenda-se dilúvio), que foi EXATAMENTE o que aconteceu. Resultado: uma verdadeira IMUNDICE, onde não se sabia mais em que se estava pisando. A melhor alternativa era se hidratar pouco para precisar ir até o local o mínimo possível. Ou fazer em locais alternativos, mais limpos porém de desagrado da organização. Havia um banheiro propriamente dito na área das arquibancadas, porém igualmente sem a menor condição de higiene, pois SEQUER FAXINEIROS HAVIA (n.e. verbo Haver no sentido de existir não tem plural, ok?). Disparado a pior coisa do festival, coisa pra sofrer interdição pela Vigilância Sanitária municipal, sem o menor exagero. Mais do que a chuva – e pior pela associação a ela – o grande fator destruidor de bom humor do dia;
  • Praça de chafurdação – o mesmo projetista colocou também a praça de alimentação em área de terra. Virou outro lamaçal inóspito e inacessível, o que deve ter sido estratégico pra empurrar a galera para a praça de alimentação vegan (que era bem boa, registre-se). A saída foi comer kibe de soja o dia inteiro, pois quem quisesse algo mais tradicional corria o risco de atolar e não assistir mais nada até o resgate dos bombeiros;
  • Palcos pra que te quero? – No SWU, cada escolha implicava em uma renúncia. Isso é INADMISSÍVEL em um festival de música. Tive que optar entre assistir o STP ou o Alice in Chains, da mesma forma que houve a necessidade de se escolher entre Primus e Megadeth e entre AiC e Faith No More. Ou seja, quem sonhava em assistir todas essas bandas fodonas se fudeu de verde-e-amarelo. Com os dois palcos frente a frente e distantes cerca de 300m entre si, com 5 a 10 min de intervalo entre os shows, tornava-se humanamente IMPOSSÍVEL encontrar um bom lugar para assistir o show seguinte se você estivesse no outro palco. Tremenda bola fora;
  • Sonic Youth;
  • Rali compulsório – enquanto a galera se divertia como podia dentro do festival, a chuva comia solta lá fora. Na área de estacionamento inclusive. E só foram descobrir isso na hora de ir embora. Muita gente saiu do festival às 3:30h da manhã e ficou atolado até as 06h, quando por sorte ou imaginação conseguiam tirar os veículos dali. Organização? Nem tomou conhecimento disso. Ou o cara se virava sozinho ou estaria lá até agora;
  • Prejuízo inesperado – ao fim do festival, magicamente desapareceram todos os atendentes dos stands de comida/bebida. Os ambulantes credenciados só aceitavam dinheiro vivo. OU SEJA: quem comprou tickets (o dinheiro do SWU) com antecedência pra evitar as filas posteriormente MORREU SOLENEMENTE NA GRANA QUE NÃO CONSEGUIU CONSUMIR. Sem choro nem vela, sem ressarcimento. Deve ser pra obrigar o cara a voltar em 2012, só pode.

Fosse um dia ensolarado, alguns desses defeitos estariam minimizados. Mas quem projeta um festival grande assim necessariamente tem que atentar pra esses detalhes. Ainda mais porque a intenção da organização é realizar as próximas quatro edições do SWU neste exato mesmo local. Muita coisa precisa ser repensada, pois as expectativas eram altíssimas para o dia e acabaram (em parte) frustradas pelos acontecimentos e pela falta de planejamento para as contingências.

No frigir dos ovos, restou o rock pra salvar o povo.

Como sempre.

Thor e Mjölnir, salvem um pseudo-nerd!

Esse texto contém SPOILERS. É ideal que seja lido depois do filme ser assistido, mas vai de cada um. Ainda assim, quando ouver uma marcação deste tipo, significa que é algo que pode desagradar algum desavisado.

Ah, as benesses de morar em uma capital. A maior parte das coisas chega antes do resto do país e isso é muito bom. Quando descobri que Thor estreiaria no Brasil no dia 29 de abril de 2011, fiquei todo serelepe. Ora, BH com certeza estaria entre as cidades de estreia e eu me dei bem. Quando meu irmão me disse que aqui estaria no mesmo fim de semana, pensei: AGORA SIM, consegui um companheiro e é só comprar o ingresso!

Minha animação tinha razão de ser. Desde Iron Man, quando ficou claro que a Iniciativa Vingadores iria virar filme, a espera pelos filmes dos outros integrantes já ficou enorme. Vieram Hulk e Iron Man 2 que mantiveram a ótima qualidade dessa que é, talvez, a investida mais ambiciosa da história do cinema em um campo específico de público (ainda que esse campo tenha aumentado vertiginosamente em função dessa estratégia). Capitão América, por tudo que representa, também gerou uma grande comoção e com Thor não foi diferente.

Thor

Thor

Mas eu confesso: não sou um nerd quando o assunto é HQ. Ou não era. Com raríssimas exceções (Hellboy, Sandman e Sin City), eu só consegui começar a acompanhar as  histórias DEPOIS dos filmes. O que pode ser bom, porque te dá uma certa ideia de onde começar, mas, por outro lado, é ruim porque se perde muita coisa que só é recuperada revistas e revistas mais tarde, como o problema de Tony Stark com o álcool.

Enfim, cheguei pro filme animado. Entrei na sala e já avisei Gaburah o que ia assistir, que era pra deixar o cara na vontade. Thor é um dos personagens mais poderosos e fantásticos (do ponto de vista mitológico mesmo) da Marvel e eu realmente estava muito animado pra conhecer mais sobre a sua história. E, como se não bastasse tudo que o filme prometia, comprei a sessão 3D.

Vi o filme, saí do cinema impressionado e,  sabendo que poderia tirar onda com um nerd que me ensinou muito sobre HQ’s (o dono deste espaço), pensei: agora é só esperar o post do Gaburah pra discutir a porra toda. O problema é que o pedido se inverteu. Quando ele me pediu pra escrever o post eu borrei as calças.

Mas, pra fazer jus ao pedido, vai o que achei. Thor é um filmásso! Talvez não tão perfeito quanto Iron Man e Batman: Dark Knight (pra ficar na linha dos super-heróis), mas é um grande filme. Primeiramente pelo aspecto técnico que beira a perfeição. As imagens de Asgard, principalmente, são de emocionar, bem como todas as batalhas travadas no filme.

No aspecto histórico, e aqui vai a opinião de quem NÃO leu a HQ, Thor também não peca. O filme mostra bem como nasceu o Deus do Trovão, assim como ilustra de forma bastante fácil os motivos da briga entre Thor e Loki (o que sempre tinha me deixado em dúvida). Apesar de se passar num Universo fantástico, o roteiro é bastante coerente e, fora o fato de Thor ter que ser o vigilante divino na Terra por causa de uma mulher (ainda que seja a Natalie Portman), todo o resto faz bastante sentido, inclusive o modo como ele interage com a S.H.I.E.L.D..

Sem falar em atuações soberbas de Anthony Hopkins, como Odin (que surpresa!) e Tom Hiddleston, na pele de Loki, que logo de cara demonstra encarnar à perfeição o seu personagem. Natalie Portman é Natalie PortmanChris Hemsworth, nosso herói, também se encaixa bem no seu papel, apesar de não ter a mesma identificação que os dois supracitados. E o resto do time de atores manda muito bem.

Pra não falar que foi perfeito, achei, como muitos acharam, excessivas as cenas entre o casal Thor e Jane. E podia haver mais algumas batalhas, mas, nesse caso, apenas pra satisfazer minha sede de sangue.

No frigir dos ovos, Thor manteve a média alta dos filmes que dão início aos Vingadores e valeu muito a pena como programa de fim de semana. Quanto mais aprendo sobre os heróis da Marvel, mais quero adentrar nos Universos fantásticos que o pessoal de lá criou. A Iniciativa merece todos os aplausos até aqui. E o Mjölnir me fez ter mais certeza de que, em se tratando de HQ’s, ser nerd é muito maneiro.

E que venha o Capitão América!

O Lanterna Está Verde ou ‘Não esqueça de carregar seu anel a cada 24 horas’

     Admito, quando o filme do Lanterna estreou em julho nos EUA com bilheterias abaixo do padrão requerido pra esse tipo de filme(não foi baixa, foi abaixo do esperado), comecei a ficar bem pessimista. Mas já adianto: achei um filme legal, um bom filme, que poderia ser melhor, mas em si um bom filme. Tem defeitos sim, mas nada que não possa ser corrigido em uma continuação.

A primeira crítica que aqui faço é não só ao filme, mas à total falta de unidade entre os filmes da DC. A unidade que há entre os filmes da Marvel é bem legal, e a DC/Warner não precisava copiar, mas criar sua versão da continuidade nos filmes. Exemplo disso é a péssima forma que a personagem de Angela Basset, a agente governamental Amanda Waller (fundadora do Esquadrão Suicida nas hqs) é aproveitada no filme.

Bem,vamos ao que interessa: depois que assisti ao filme e cheguei à conclusão que ele é legal, vi que o filme merece um voto de confiança pra uma continuação (que até já foi confirmada). Esse foi um filme de origem, que é bem contada (com exceção à não citação dos caçadores cósmicos, que são a criação frustrada dos guardiões pré-lanternas) de introdução. Tanto que personagens coadjuvantes com potenciais incríveis – como os Lanternas Kilowog e Tomar-re (respectivamente com as vozes de Michael Clark Duncan e Geoffrey Rush, geniais) e o meu preferido do filme SINESTRO (com atuação breve porém soberba, em minha opinião, e com uma caracterização de personagem com uso de próteses e maquiagem que rivaliza com o Caveira Vermelha de Capitão América – O Primeiro Vingador), não tem a participação merecida no filme.

Um dos problemas do filme é dedicar muito tempo do mesmo à relação amorosa/profissional entre Hal Jordan e Carol Ferris (Blake Lively ficou bem no papel) e pouquíssimo tempo o lado piloto destemido de Jordan. A adaptação tem elementos do grande trabalho que o roteirista (e atualmente um dos bam bam bams da DC) Geoff Johns, tem feito com a mitologia do personagem ao longo dos últimos anos (mas claro que este bebeu na origem definitiva do personagem escrita por Keith Giffen, Gerard Jones, James Owsley e com desenhos de M.D.Bright: Amanhecer Esmeralda). Um vilão clássico do Lanterna, Hector Hammond, ganha um intérprete à sua altura: Peter Sarsgaard rouba várias cenas.

Bem, estou eu aqui enrolando e nada de falar no protagonista: Hal Jordan/Ryan Reinolds. A grande questão é que ao mesmo tempo em que, em várias cenas, o ator faz o espectador crer que está vendo um jovem, arrogante e irresponsável Hal Jordan. Em outras cenas ele mostra os mesmos cacoetes e caretas que mostra em comédias românticas e afins. Mesmo tendo gostado parcialmente de sua atuação, ele pode render mais em uma continuação. A direção de Martin Campbell é competente, apesar do filme só empolgar em algumas cenas, porém o roteiro está meio aquém da mitologia do personagem.

Voltando à origem, um fato que existe na atual origem do personagem (Lanterna Verde – Origem Secreta,de Geoff Johns e Ivan Reis, Ed. Panini): o fato de que por um ato de rebeldia Jordan deixou a Força Aérea pra se tornar piloto de testes da Ferris Aeronáutica. Dessa mesma HQ, poderia ter sido retirado um grande easter egg: em determinado momento um grupo de cadetes da Força Aérea arranja briga com um grupo de fuzileiros navais, e neste grupo de fuzileiros estava um jovem John Stewart, o já clássico substituto de Hal Jordan como Lanterna do setor 2814 (cujo desenho da Liga da Justiça fez o grande favor de mostrar em uma nova  e incrível versão, popularizando-o – outra boa ideia para futuros filmes).

Agora, um lance que realmente me incomodou foi uma questão digamos “técnica” (que também me fez torcer o nariz para os filmes do Homem-Aranha): o Teioso não tinha, nos filmes de Sam Raimi, lançadores de teia artificiais. No filme do Lanterna não é mencionado de forma clara que o anel precisa ser carregado à cada 24 horas.

Aguardemos a já confirmada continuação, e que ela seja um “A Ira de Khan”, um “Superman 2”, um “Dark Knight”, um “X-Men 2”, um “Império Contra-Ataca” para essa franquia que, se tiver sua mitologia bem explorada, promete.

P.S.: Não perca de modo algum a cena pós-créditos. Ela é tudo, menos verde, e dá a indicação do que pode estar por vir…

A Nova DC Comics: Reinventar não quer dizer Inovar

A DC parece que nunca aprende...

Por Vinícius Chaves

Aviso aos amigos: esse não é um texto informativo acerca das (novas) mudanças na DC  Comics. É apenas a opinião de um fã de quadrinhos que está cansado do “me engana que eu gosto”  das gigantes DC e Marvel.

Os editores e Ceos da DC falam desse “Reboot” ou “Revamp” (Restart é um termo que devemos abolir em nosso país por motivos óbvios) como se fosse a coisa mais revolucionária e moderna já feita “Apresentando aos novos fãs MARCAS consagradas mas de uma maneira nova e contemporânea”. Se preocupar com novos fãs é muito legal, e justo, afinal de contas eles tem que vender gibis(sim sou velho e uso esse termo), mas colocar personagens que são clássicos amados (e odiados) como MARCAS ?!?! E os velhos fãs (como este que vos fala) ? Eu sinceramente estou cansado de ver mudanças que duram, sei lá 6 meses, um ano e depois o personagem volta ao que era antes.

Darei como exemplo o meu personagem preferido nas HQs, Superman, o popular Azulão. Já tive que vê-lo morrer, ressuscitar de cabelo comprido, perder os poderes, ficar elétrico e azul, ficar elétrico e vermelho e mais recentemente rechaçar sua cidadania americana (mudança que muito me agradou por sinal). Agora, a DC vai relançar 52 dos seus títulos (sim é uma alusão às 52 terras do universo DC, leiam a série “52” vale à pena). Na verdade eu atualmente compro alguns encadernados  e alguns gibis que encontro em sebos, parei de comprar todo mês na banca e etc, e estou procurando me inteirar o menos possível sobre essas mudanças que pelos novos visuais de alguns personagens, lembrei bastante dos visuais “radicais” da Image dos anos 90 (e não é que o Jim Lee agora é um dos editores-chefe da DC?).

Toda hora a DC arranja algo pra consertar as besteiras que faz em sua cronologia, até pouco tempo atrás rolou “A noite mais densa”, em que ao seu final vários “mortos” voltaram, como Aquaman, Gavião Negro, Nuclear (Ron Raymond) e Caçador de Marte, entre outros. Agora se você gastou sua grana (eu não gastei) em todas as revistas relacionadas, bem elas agora já podem forrar a gaiola do seu papagaio. A DC Entertraiment desesperada com a queda de suas vendas cria essa manobra de modernização dos seu personagens, quando seria muito mais fácil que pensassem e escrevessem histórias que fossem criativas,interessantes e pungentes.

Até me desculpo por minha indignação mas é que sou, uns 70% Dcnauta e uns 30% Marvete (novamente termos de quem lia quadrinhos da Ebal, RGE e Abril, ou seja: velho). O que seria isso tudo? Uma resposta à Marvel e suas excelente vendas?

A Marvel também não é santa, vide as besteiras e idiotices que fazem com o Aranha, mas aí é outro papo.  A minha opinião é a de que essa história de mudança tem a ver com esse novo nicho de marcado que se criou e onde a DC, com a exceção do Batman, vêm levando uma surra da Marvel: Os filmes baseados em HQs. A DC é da Warner, aí você já começa a desconfiar das intenções por trás da “reinvenção” . Enquanto a Marvel faz filmes  surpreendente bons como “Thor” e “X-Men-Primeira Classe”, a DC amarga fracassos como “Os Perdedores”, “Jonah Rex” e “Lanterna Verde”(sim, já vem sendo considerado um fracasso e olha que nem estrou por aqui ainda).

Essas são medidas tão equivocadas quanto desesperadas e acima de tudo um grande desrespeito à inteligência dos fãs de quadrinhos ,que são tão apaixonados quanto coléricos, nesse caso quando mexem com “o que é seu”.  Não me espantaria se daqui há algum tempo tudo voltasse ao que era antes , como se tivesse sido um “evento transdimensional”  ou alguma interminável crise . Continuo amando quadrinhos na sua essência e tudo relacionado à esse universo, mas cheguei à conclusão tempos atrás que as “grandes mudanças” perpetradas pelas grandes editoras não visam mais criar grandes histórias e personagens: visam as nossas carteiras com visão de raios X pra ver de quanto dispomos e visão de calor pra queimar  toda a nossa grana.

Da série “Post’s Polêmicos”: Top 10 videoclipes da história

O Open-Bar do Blá blá Gol é, quase sempre, palco de discussões extremamente interessantes. Quase sempre porque, vez ou outra, aparece um comentarista cabeludo para proferir bobagens e acusações a torto e a direito, mas isso é outro papo. O caso em comento é um link postado por nosso amigo Júlio Cesar Bastos, o famigerado Xerox, sobre uma lista DEVERAS polêmica. Não que todas as listas não sejam polêmicas, mas essa, por sinal, vai dar pano pra manga.

Enfim, a revista inglesa New Musical Express elegeu os 100 melhores videoclipes da história. De cara, fui procurar pelos meus preferidos. Alguns encontrados, outros não, do alto da minha sabedoria musical (MENTIRA!) me senti obrigado a emitir alguns comentários sobre a mesma.  Depois pensei melhor e, com base no que o Xerox mandou no BBG, pensei numa lista dos meus preferidos. Por fim, cheguei à conclusão de que o melhor mesmo era usar o “salva-cu” de não ter uma ordem específica, apenas elencar. O post é pra gerar discussão e, por isso, num primeiro momento não vou dar os meus motivos. Mas que eles existem, existem.

Sendo assim, aí vai:

# Michael Jackson / Thriller

# KoRn / Freak On A Leash

# Metallica / Enter Sandman

# Jethro Tull / Too Old To Rock & Roll

# Michael Jackson / Smooth Criminal

# Rage Against The Machine / Testify

# Beastie Boys / Sabotage

# Rage Against The Machine / Sleep Now In The Fire

# Foo Fighters / Everlong

# Pearl Jam / Do The Evolution

Tirei muita coisa boa. Urge Overkill emplacaria uma, Pearl Jam teria mais uma, Alice In Chains tava por ali também, Audioslave e muitos outros. Mas 10 é muito pouco. Serve meramente para iniciar as discussões.

Enfim, QUE A BATALHA COMECE!

A pirate’s life for me!

Já virou clássico pessoal. Esse vai desafiar os limites intransponíveis de tempo e espaço na minha preferência.

Piratas do Rock (The boat that rocked, 2009) ilustra o panorama das rádios (literalmente) piratas que transmitiam rock and roll e música pop na Inglaterra dos anos 60. À época o som era altamente marginalizado no Reino Unido, e pra quem pode imaginar que as causas dessa perseguição eram as boas e velhas moral e bons costumes, vai se surpreender com as razões apontadas de maneira simples, porém genial no filme.

No afiadíssimo elenco – todo excelente, desde os coadjuvantes menos conhecidos a Phillip Seymour Hoffman (hilário) – destacam-se as figuras de Rhys Ifans e principalmente Bill Nighy (num papel menor, mas que rouba o show), passando pelo figuraça Nick Frost e uma Emma Thompson porra-louquíssima. Até o antipático papel de Kenneth Branagh é divertido.

Se isso ainda não foi suficiente pra convencer a assistir, adicione a trilha sonora repleta de hits mais e menos conhecidos do rock and roll da época. Desde The Kinks, The Who, Stones, Hendrix, Beach Boys até Dusty Springfield e Smokey Robinson, com espaço também para a sempre sensacional versão de Burt Bacharach para This guy’s in love with you (aquela mesma que o Mike Patton tanto ama).

Fica a dica. Depois podem passar aqui pra agradecer.

Stone Temple Pilots no Circo Voador/RJ 2010

Uma mesma pergunta deve ter assombrado as cabeças de Scott Weiland, Robert DeLeo, Dean DeLeo e Eric Kretz na noite de 11 de dezembro de 2010: Why the hell we never came to Brazil before??

O Stone Temple Pilots pisou no palco do Circo Voador para sua primeira apresentação no Rio de Janeiro (e segunda no Brasil) após inúmeras especulações, confirmações e cancelamentos. Se o Circo à princípio gerava dúvidas se apresentaria as dimensões ideais para receber um show desta envergadura, talvez justamente por isso tenha se mostrado uma escolha extremamente feliz. A acústica impecável e a proximidade da apaixonada platéia presente com o palco mostraram-se coadjuvantes importantíssimos para o impacto da apresentação da banda, que em vários momentos parecia não estar acreditando em toda a energia que fluía ininterruptamente entre ela e o público durante as quase duas horas do show.

O STP subiu e modestamente se acomodou no palco às 23:40h, e somente então um elegante Scott Weiland se aproximou do microfone e soltou: Hello. We are the Stone Temple Pilots. Platéia abaixo e Crackerman, seguida de Wicked Garden e Vasoline. Quem conhece, já entendeu que não estavam pra brincadeira. Três socos na boca do estômago de cara, pra entorpecer o público e ganhar logo a parada. Daí o resto era fácil: foi só administrar o jogo. Coisa de gente grande que sabe direitinho o que está fazendo.

Não que também precisassem fazer muita força com um set list que apresentava as músicas mais conhecidas da banda, alternando com as mais pesadas do último álbum (Between the lines – musicaço, Huckleberry Crumble e Hickory Dichotomy) e com espaço ainda para a versão de Dancin’ Days que o Led Zeppelin queria ter feito e que todo mundo conhece. Competência até dizer chega.

E falando em competência, nenhum desavisado seria capaz de dizer que o STP esteve separado de 2003 a 2008, ano em que se reuniram para apresentações até lançar o último (e homônimo) álbum em 2010. A cozinha formada pelo preciso Eric Kretz (bateria) e pelo pilhadaço (e simpaticíssimo) baixista Robert DeLeo – que fez questão de mandar um belo Garota de Ipanema no bis – mais o incansável Dean DeLeo (guitarra, que ganhou uma faixa com os dizeres ‘With D.DeLeo we don´t need another guitar hero‘) pavimenta com segurança e firmeza o caminho para o talento de Scott Weiland, sem dúvida um dos meus grandes heróis do rock. A banda não errou NADA durante um show inteiro, e ainda se atreveu a duas breves sessões de improvisos com Weiland balbuciando melodiosamente ao fundo.

Quanto ao vocalista – um cara que foi (e ainda vai de vez em quando) ao inferno, deu (e ainda dá de vez em quando) um abraço apertado no capeta e voltou – de cara mostrou-se muito disposto ao microfone. Porém foi nítido o cansaço físico que se abatia sobre ele com o decorrer do show, embora em momento algum sua voz tenha demonstrado qualquer sinal neste sentido. O estilo de voz de Weiland, aliás, sofreu uma mudança radical a partir do álbum Tiny Music… Songs from the Vatican Gift Shop (1996), quando abandonou o timbre grave e potente para adotar um estilo mais anasalado e melódico. Quem viu o clip de Big Bang Baby e achou muito foda (ou não), talvez entenda o exemplo que estou dando. Aliás essa ficou de fora do show, para lamento de todos.

Mas não atrapalhou em nada. Ainda mais depois do estado de êxtase coletivo proporcionado pelo STP durante a execução de Plush, cantada em uníssono, música que à época de seu estouro lançou sobre o STP a maldição da (injusta, inapropriada, infeliz e infundada) comparação com o Pearl Jam. Quem comprou essa bobagem, perdeu a oportunidade de conhecer uma senhora banda de rock and roll. STP e PJ são bandas totalmente diferentes, musicalmente distintas. Ambas tem sua importância na história do rock, mas sem dúvida a comparação foi mais prejudicial ao STP. E talvez tenha impedido a banda de alçar vôos ainda mais altos. Azar de quem não conhece a diferença.

Alguma alma generosa disponibilizou a gravação da música do YouTube, e dá pra ter uma ideia da excelência do som do Circo:

Saldo pessoal: eu e minha Celeste Alvinegra de alma lavada, voz total e irrecuperavelmente rouca durante dias. Feliz, muito feliz. O honesto show de uma banda competente, segura de si e dona de hits de tirar o fôlego, que ainda teve o plus de saber se aproveitar disso direitinho.

Posso dizer que tive a sorte de assistir alguns grandes shows de rock ao vivo. E só não direi que o Stone Temple Pilots no Circo Voador em 2010 foi o melhor show de rock que já assiti na vida porque ele teria que bater de frente com o Page&Plant (e o set de Led Zeppelin) no Hollywood Rock 1996 e o Faith No More de 2009 (RJ). Ainda assim, balançaria na hora de decidir.

Vida longa ao Stone Temple Pilots. Quantas vezes vierem ao Brasil, quantas vezes irei encontrá-los. Eletricidade pura.

*Para ver uma penca de fotos, acesse o álbum do Estaca Zero. Show de bola!

RioComiCon é uma furada pra quem quer… Quadrinhos?

Vinícius Chaves – o @vinionline – é flamenguista, pai fresco e costuma ninar o pequeno Heitor com clássicos da chanson française. Um old school nerd que, assim como eu, anseia pelo dia em que uma visita à ComicCon de San Diego vai se tornar mais economicamente viável. Nesse meio tempo, fuça suas antigas páginas da Heróis da TV e da Superaventuras Marvel atrás de alguma pista que explique como é que o Coisa vai ao banheiro…

Por Vinícius Chaves

A Primeira Impressão é a que fica…

Estava esperando ansiosamente pelo dia de hoje: 1º dia da RioComicon. Escolhi esse dia pois era o único disponível na minha atual agenda de pai de bebê de 2 meses. Fui no intuito de ver algumas exposições, comprar uns gibis e umas action figures talvez.

Bem, só o meu primeiro desejo foi realizado.

Há uma grande exposição sobre a principal estrela do evento, o genial Milo Manara. O design da entrada da exposição de Manara foi muito bem sacado: é um buraco de fechadura. Existem exposições também de quadrinhos independentes (que dominam o evento e mais tarde falarei), algumas outras estrelas (como Kevin O’Neill e Melinda Gebbie) e quadrinistas brasileiros, com destaque para os geniais Angeli, Rafael Grampá e Fabio Moon.

Batman&Robin por Rafael Grampá

Agora, quando ouvimos o termo Comicon (e não Comic Con, sei lá por que) lembramos de comics – quadrinhos em geral – sejam independentes ou sejam do “mainstream”. Esse é infelizmente um dos grandes problemas do evento. Existem poucos stands, e os que tem um visual legal pelo menos, são o da Travessa (com um infinidade de quadrinhos nacionais e estrangeiros, mas também com um enfoque fora do mainstream – tirando um ou outro gibi da Mafalda, do Hagar, etc) e o da Editora Barba Negra, com um polvo de papelão incrivelmente bem bolado, apresentando quadrinistas brasileiros como OTA e alguns outros.

Os outros expositores são o SENAC, apresentando ferramentas digitais de desenho com um enfoque bem interessante, um sebo, e pelo menos uns quatro ou cinco stands de quadrinhos (?!) independentes.

Aí alguém pode falar,”ah espera um pouco , é o primeiro dia e tal“, mas a primeira impressão é a que fica. A única esperança de quadrinhos era o stand da Panini que tinha em seu balcão o nome da editora e um panonho perfex de com combinando. Sei que haverá palestras e oficinas com grandes quadrinistas, mostra de filmes… Mas eu não queria isso, meu interesse era em quadrinhos “mainstream” e isso eles não tinham.

Gadgets e memorabilia #FAIL

Eu não queria apenas respirar HQ’s. Eu queria consumí-las e também seus derivados como camisetas, brinquedos e tais. A RioComiCon não tem isso. Claramente o enfoque principal dado foi a quadrinhos alternativos, e até acho legal no quesito de incentivar uma produção nacional, mas não era o que eu queria. A coisa mais “esquemão” que eu achei lá foi a última edição da Liga Extraordinária. E só.

Pra mim, o ingresso valeu pelas exposições – mais precisamente a do Manara, que em minha opinião tem seu ponto alto em suas colaborações com Federico Felini. Me deu saudadade da Bienal Internacional de Quadrinhos no Centro Cultural dos Correios em 1995, bons tempos… Saí de lá com um exemplar especial da “Morte do Super-Homem” que nem tinha saído nas bancas ainda, a Abril o havia lançado lá mesmo.

Mas chega de saudosismo. Aqui vai um pouco de otimismo rançoso: dá pra fazer melhor, dá pra aproveitar melhor o espaço da estação de Leopoldina e os organizadores tem que se conscientizar de que quadrinhos é “business” também, e vende pacas.

Não há nada mais triste que um nerd velho chegar em casa de mãos vazias. É muito triste.

Tropa 2 – O buraco é mais embaixo…

Rafael Bender é rubronegro tradicional, ou seja, chato pra cacete. Mas toda a celeuma em torno das questões futebolísticas fica restrita ao  Blá Blá Gol, blog reconhecido pela ONU como o Oriente Médio dos blogs sobre futebol. No geral, é uma cara bacana, um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones

Por Rafael Bender

Tropa de Elite já tinha virado polêmica antes mesmo de começar com toda a pirataria que envolveu o lançamento do 1º filme. Para a segunda trama foi montado um grande esquema de segurança. Um filme que suscita séries de discussões já pode ser considerado bom. Mas Tropa 2 é ainda mais. Como o Tropa 1 prende a atenção desde o primeiro minuto.

A comparação entre os 2 longas torna-se inevitável. Enquanto o primeiro discorre sobre a hipocrisia de uma sociedade, traça o cotidiano corrupto do “sistema” (em especial a Polícia Militar) e mostra as operações e forma de agir do BOPE, o segundo tem uma história mais abrangente. Tropa de Elite 2 não se resume apenas ao BOPE e ao maconheiro que acha não ter nada demais queimar unzinho. José Padilha aproveitou com maestria o sucesso do 1º filme e lançou o 2º, novamente se utilizando de um problema do Rio de Janeiro mas, dessa vez, o expandiu como um problema do país.

[SPOILERS ON]

O filme mostra um Capitão Nascimento (agora Tenente-Coronel do BOPE) 10 anos mais maduro. Quando “cai pra cima”, como ele mesmo define no filme, torna-se subsecretário de Segurança Pública do Estado do Rio. Com o up-grade, reestrutura o BOPE, transformando-o “numa máquina de guerra”. Tema muito atual da realidade do Rio de Janeiro: com o combate ao crime organizado sendo eficaz, os policiais corruptos sacaram a chance de uma nova forma de organização (auto-ajuste do “sistema”) em detrimento ao tráfico de drogas, as milícias. Dessa forma, vai-se direto na fonte e elimina-se o intermediário (traficantes), o que sempre aumenta o lucro.

Ali, Nascimento percebe (ou demora a perceber) que o buraco é mais embaixo. A rede é maior do que se imagina. O “sistema” é todo interligado. Desde os peixes grandes aos nanicos. Padilha escancara toda a hipocrisia e cara-de-pau dos políticos brasileiros como a participação do governador em festividades nas favelas com milicianos armados e com sensacionalistas apresentadores de TV de duas caras (políticos). Assistindo ao filme pensava comigo: “corajoso esse cara é”.

O filme ainda traz uma figura manjada na nossa vida real, porém essencial para as discussões no filme: um pseudo-intelectual de esquerda. Capitão Nascimento trava uma batalha pessoal no campo ideológico com o cara dos “Direitos Humanos” que quase chega às vias de fato (assistindo ao filme entende-se o por quê). Posteriormente, percebem que estão do mesmo lado, mas com visões diferentes.

As politicagens, artimanhas, os detalhes, os mecanismos, os interesses diversos, tudo é abordado na trama. Muito interessante é o foco do filme, principalmente nessa época de campanhas eleitorais e seus “financiamentos”. A maconha e o pó, objetos de consumo do Tropa 1, dão lugar ao voto. É a corrida, a busca pelo poder. O “sistema” é todo voltado visando à perpetuação dos corruptos.

Capitão Nascimento parte para o combate, mas percebe que a guerra que trava contra o “sistema” é inútil, através de sua relação (até certo ponto complicada) com seu filho adolescente. A cena final do filme deixa claro quando o protagonista solta o verbo na Assembléia Legislativa dizendo que não tinha como responder à pergunta feita pelo filho quando ainda era criança. Se a louça está acumulada, imunda e cheia de resto de comida, não adianta matar a barata, pois aparece outra. É preciso fazer a limpeza da pia. Dá muito mais trabalho, mas é o que resolve.

Como tudo é jogado na cara, você passa a refletir sobre alguns problemas do seu próprio cotidiano que, na teoria, seriam simples de serem resolvidos. Dois exemplos que me veem é o acúmulo da função de trocador nos ônibus pelo motorista e a merda do comprovante de pagamento que apaga 1 mês depois. Era para ser simples. Determinava uma lei impedindo tais abusos e ponto. Mas a força política dos donos de empresas de ônibus e dos bancos provavelmente é grande. Está tudo no “sistema”.

Depois, para não deixar dúvidas, Padilha ainda dá um take onde é mostrada Brasília. Pra mim, faltou a legenda: “QG Central”, mas ficou subentendido.

Claro que já rolam boatos de um 3º filme. Padilha afirmou que não tem a intenção de um Tropa 3. Eu concordo com ele, não é necessário. O recado está dado.

****

Quanto ao aspecto técnico do filme não posso opinar muito. Sou um mero apreciador de bons filmes, bons efeitos e bons atores. Sei que além da mega qualidade da produção, me surpreendeu em Tropa de Elite 2 as atuações de quase todos os atores (inclusive com um toque de humor).

Arriscando-me um pouco.

Tive a impressão que as cenas do Tropa 2 foram mais curtas que do 1. Era muito assunto para um filme só.

Mais detalhes sobre cenas, o que você achou disso, daquilo… nos comentários. Até porque já explanei demais e tem maluco que ainda não assistiu.