Rock Star Wars: Attack of the covers

Kill Em' All

Kill Em' All

 

Depois de um longo Verão venho iniciar os trabalhos em território Gaburahniano. O objetivo é montar uma lista de covers fodões que passam o bandão em seus originais.

Selecionei 40 canções. Outros covers de Rock e Metal ou de outros estilos serão bem-vindos (mas nos comentários, não me encham o saco!). Vamos montar uma enciclopédia de covers!

As canções coverizadas serão linkadas em seu próprio nome, enquanto as originais no nome do autor.

40 – Limp Bizkit – Faith (George Michael)

39 – Metallica – Commando (Ramones)

38 – Van Halen – You Really Got Me (The Kinks)

37 – Motorhead – God save the queen (Sex Pistols)

36 – Papa Roach – Gouge Away (The Pixies)

35 – Rolling Stones- Just My Imagination (The Temptations)

34 – Dropkick Murphys – Halloween (The Misfits)

33 – Foo Fighters – Baker Street (Gerry Rafferty)

32 – Guns N’ Roses – Knockin’ On Heaven’s Door’ (Bob Dylan)

31 – The Beatles – Twist and Shout (Top Notes)

30 – Megadeth – Anarchy in the UK (Sex Pistols)

29 – The White Stripes – Jolene (Dolly Parton)

28 – Sepultura – Orgasmatron (Motorhead)

27 – Metallica- Last Caress (The Misfits)

26 – Pennywise – Surfin’ in USA (Beach Boys)

25 – Kasabian – Runaway (Del Shannon)

24 – Faith No More – Easy (The Commodores)

23 – System of a Down – Shame – (Wu tang clan)

22 – Linkin park – Wish – (Nine Inch Nails)

21 – White Stripes – I Just Don’t Know What to Do With Myself (Tommy Hunt)

20 – Korn – Word up (Cameo)

19 – Black Label Society – I Never Dreamed – (Lynyrd Skynyrd)

18 – Jimi Hendrix – All Along the Watchtower (Bob Dylan)

17 – Anthrax – I’m eighteen (Alice Cooper)

16 – Nirvana – Love Buzz (The Shocking Blue)

15 – Oasis – I am the walrus (The Beatles)

14 – Californian Dreaming – Beach Boys (The Mamas and the Papas)

13 – ACDC – Baby please don’t go (Big Joe Willians)

12 – Rancid – The harder they come (Jimmy Cliff)

11 – Thin Lizzy – Rosalie (Bob Seger)

10 – Johnny Cash – Hurt (Nine Inch Nails)

9 – Joey Ramone – What a wonderful World (Louis Armstrong)

8 – Joe Strummer – Redemption Song (Bob marley)

7 – Megadeth – Paranoid (Black Sabbath)

6 – Nirvana – The Man Who Sold The World (David Bowie)

5 – Mark Lanegan – Man In The Long Black Coat (Bob Dylan)

4 – Metallica – Turn the page (Bob Seger)

3 – System of a down – Metro (Berlin)

2 – Raimundos – Oliver’s Army (Elvis Costello)

1 – Rage Against The Machine – Renegades of Funk (Afrika Bambaataa)

SWU 2011 – Da lama ao caos

Nem vou me ater muito ao empenho logístico demandado para o comparecimento da Caravana do Tio Virso ao SWU 2011. Só isso renderia outro post.

Dia escolhido, o 14 de novembro sagrou-se de cara como data inesquecível e imperdível aos fãs do (bom) rock em todas as suas vertentes: tinha o punk-pop-rock do Duff McKagan’s Loaded; o ska-rock do 311; o metal do Megadeth; o hardcore do Down de Phil Anselmo; o surpreendente hard-rock(abilly) do Black Rebel Motorcycle Club; o rock melancólico de altíssima qualidade do Alice in Chains; o hard rock do Stone Temple Pilots; e aqueles que se encaixam em todas mas não se encaixam em nenhuma: o Primus de Les Claypool e o sempre perfeito Faith No More do frontman Mike Patton.

Um line-up pra roqueiro nenhum botar defeito. Quase um dream team da camiseta preta, por assim dizer. Deu até pra perdoar a bobagem da escalação do inexplicável Sonic Youth no mesmo dia, banda que sempre parece não saber o que fazer no palco, daí fica inventando um monte de maneiras bizarras de esfregar a guitarra em qualquer lugar pra tirar som (barulho) e sair como vanguarda.

E de fato, musicalmente, o dia não deixou pedra sobre pedra. Faith No More e Stone Temple Pilots quebraram tudo e correspoderam às (sempre altas) expectativas dos fãs, com um Mike Patton inspirado (bem diferente das outras apresentação América do Sul afora) e um Scott Weiland com a voz visivelmente baleada (coisa que quase tirou o STP do festival), mas que nem por isso deixou de dominar palco e platéia com seu peculiar modus operandi.

O Alice in Chains fez mais um de seus belíssimos shows, coisa de gente que canta com as vísceras. Com homenagem (no gogó, sem telão, sem presepada) a Layne Staley e Mike Starr (50% da formação original da banda, já falecidos) em Black gives way to blue, foi impossível a qualquer espectador permanecer impassível durante sua execução. Como não canso de dizer, o Alice in Chains é o verdadeiro legado de Seattle para o mundo. Quem não assistiu, agarre-se com unhas e dentes à promessa de Jerry Cantrell sobre um breve retorno da banda ao Brasil. Com toda certeza, estarei lá.

Duas grandes surpresas no dia foram a devastadora apresentação do Black Rebel Motorcycle Club e a competência do Primus. Longe de serem conhecidos pela maioria dos presentes, as duas bandas – de estilos distintos entre si e dos demais – dominaram as atenções desde o momento em que pisaram no palco. Meu parâmetro para a eficiência de uma banda é sempre esse: se tem poucas músicas conhecidas pelo público, mas ainda assim fazem com que ninguém consiga desgrudar os olhos do palco e manifestem seu contentamento, então arrebentaram. BRMC e Primus cumpriram as duas exigências com sobras. Ao fim de seus shows, geral prometia recorrer a meios lícitos e ilícitos de conseguir suas discografias.

Não vi o Down e vi pouco do Loaded, por alguns dos motivos que discorrerei como negativos do festival. Relatos do RB apontam que a apresentação de Phil Anselmo foi no mínimo HISTÓRICA, de fazer os fãs do Pantera verterem lágrimas. Deixo essa pra quem assistiu, pois a organização do festival não me deu essa opção.

Mas no que se refere à música, mesmo com 16h de chuva temporal quase ininterrupta na cabeça, não há do que se reclamar.

*****

A primeira impressão ao se entrar na versão paulista da Cidade de Rock foi boa. Havia organização no sentido de saber onde estava aquilo que se queria encontrar. Muito bem sinalizado, de cara a gente sabia como chegar às praças de alimentação, à cada um dos três diferentes palcos, à tenda de música eletrônica, banheiros, etc.

Dito isso, vamos ao PEOR do SWU 2011:

  • Que se foda, minha saúde primeiro! – Eu disse banheiros? Bem, perdoem a força de expressão. Quis dizer CHIQUEIROS, pois na prática eram exatamente isso. Não sei quem foi o genial projetista do festival que resolveu achar boa ideia instalar os banheiros químicos em área de chão batido – sem considerar minimamente que fosse a possibilidade de chuva (entenda-se dilúvio), que foi EXATAMENTE o que aconteceu. Resultado: uma verdadeira IMUNDICE, onde não se sabia mais em que se estava pisando. A melhor alternativa era se hidratar pouco para precisar ir até o local o mínimo possível. Ou fazer em locais alternativos, mais limpos porém de desagrado da organização. Havia um banheiro propriamente dito na área das arquibancadas, porém igualmente sem a menor condição de higiene, pois SEQUER FAXINEIROS HAVIA (n.e. verbo Haver no sentido de existir não tem plural, ok?). Disparado a pior coisa do festival, coisa pra sofrer interdição pela Vigilância Sanitária municipal, sem o menor exagero. Mais do que a chuva – e pior pela associação a ela – o grande fator destruidor de bom humor do dia;
  • Praça de chafurdação – o mesmo projetista colocou também a praça de alimentação em área de terra. Virou outro lamaçal inóspito e inacessível, o que deve ter sido estratégico pra empurrar a galera para a praça de alimentação vegan (que era bem boa, registre-se). A saída foi comer kibe de soja o dia inteiro, pois quem quisesse algo mais tradicional corria o risco de atolar e não assistir mais nada até o resgate dos bombeiros;
  • Palcos pra que te quero? – No SWU, cada escolha implicava em uma renúncia. Isso é INADMISSÍVEL em um festival de música. Tive que optar entre assistir o STP ou o Alice in Chains, da mesma forma que houve a necessidade de se escolher entre Primus e Megadeth e entre AiC e Faith No More. Ou seja, quem sonhava em assistir todas essas bandas fodonas se fudeu de verde-e-amarelo. Com os dois palcos frente a frente e distantes cerca de 300m entre si, com 5 a 10 min de intervalo entre os shows, tornava-se humanamente IMPOSSÍVEL encontrar um bom lugar para assistir o show seguinte se você estivesse no outro palco. Tremenda bola fora;
  • Sonic Youth;
  • Rali compulsório – enquanto a galera se divertia como podia dentro do festival, a chuva comia solta lá fora. Na área de estacionamento inclusive. E só foram descobrir isso na hora de ir embora. Muita gente saiu do festival às 3:30h da manhã e ficou atolado até as 06h, quando por sorte ou imaginação conseguiam tirar os veículos dali. Organização? Nem tomou conhecimento disso. Ou o cara se virava sozinho ou estaria lá até agora;
  • Prejuízo inesperado – ao fim do festival, magicamente desapareceram todos os atendentes dos stands de comida/bebida. Os ambulantes credenciados só aceitavam dinheiro vivo. OU SEJA: quem comprou tickets (o dinheiro do SWU) com antecedência pra evitar as filas posteriormente MORREU SOLENEMENTE NA GRANA QUE NÃO CONSEGUIU CONSUMIR. Sem choro nem vela, sem ressarcimento. Deve ser pra obrigar o cara a voltar em 2012, só pode.

Fosse um dia ensolarado, alguns desses defeitos estariam minimizados. Mas quem projeta um festival grande assim necessariamente tem que atentar pra esses detalhes. Ainda mais porque a intenção da organização é realizar as próximas quatro edições do SWU neste exato mesmo local. Muita coisa precisa ser repensada, pois as expectativas eram altíssimas para o dia e acabaram (em parte) frustradas pelos acontecimentos e pela falta de planejamento para as contingências.

No frigir dos ovos, restou o rock pra salvar o povo.

Como sempre.

Top 10 – Why so hard?

Em semana de frenética expectativa pelo show do bom e velho Paul McCartney em terras cariocas (que terá cobertura em peso de todos os editores do BBG e do Gaburah.com) e, melhor ainda, na casa do Botafogo, saiu um início de discussão pra lá de bacana no Open-bar do Blá Blá Gol: Os 10 Maiores Álbuns de Rock (na opinião pessoal de cada um, claro). Em rara unanimidade, os editores do Oriente Médio dos blogs de futebol acharam por bem transportar a discussão (que promete) pra cá.

A lista pode ser feita de acordo com qualquer critério pessoal. No meu caso, minha lista foi baseada na influência que os álbuns tiveram sobre meu gosto musical – e como moldaram ou colaboraram para aprimorá/revê/refiná-lo. Em todos os casos, são álbuns que me fizeram construir os conceitos de música conforme acredito ser o ideal. 

Vou dar a cara a tapa e colocar a minha lista aqui, ciente de que está looooonge de ser unanimidade. Talvez não seja unanimidade nem pra mim mesmo, visto que posso revê-la daqui a duas semanas e achar que fiz alguma injustiça. Mas injustiça mesmo seria meramente tentar rankeá-los. Sendo assim, seguem em ordem de igual importância pessoal:

# King for a day, fool for a lifetime – Faith No More
# Rubber Soul – Beatles
# The Southern Harmony and Musical Companion – Black Crowes
# Tommy – The Who
# Pump – Aerosmith
# Are you gonna go my way – Lenny Kravitz
# The Dark Side of The Moon – Pink Floyd (sim, eu sei: QUEM DIRIA!)
# Back in Black – AC/DC
# X – INXS
# Unplugged – Alice in Chains

*****

Viva o rock and roll, bicho.

A briga já começa na ilustração: o MEU álbum definitivo do FabFour

A pirate’s life for me!

Já virou clássico pessoal. Esse vai desafiar os limites intransponíveis de tempo e espaço na minha preferência.

Piratas do Rock (The boat that rocked, 2009) ilustra o panorama das rádios (literalmente) piratas que transmitiam rock and roll e música pop na Inglaterra dos anos 60. À época o som era altamente marginalizado no Reino Unido, e pra quem pode imaginar que as causas dessa perseguição eram as boas e velhas moral e bons costumes, vai se surpreender com as razões apontadas de maneira simples, porém genial no filme.

No afiadíssimo elenco – todo excelente, desde os coadjuvantes menos conhecidos a Phillip Seymour Hoffman (hilário) – destacam-se as figuras de Rhys Ifans e principalmente Bill Nighy (num papel menor, mas que rouba o show), passando pelo figuraça Nick Frost e uma Emma Thompson porra-louquíssima. Até o antipático papel de Kenneth Branagh é divertido.

Se isso ainda não foi suficiente pra convencer a assistir, adicione a trilha sonora repleta de hits mais e menos conhecidos do rock and roll da época. Desde The Kinks, The Who, Stones, Hendrix, Beach Boys até Dusty Springfield e Smokey Robinson, com espaço também para a sempre sensacional versão de Burt Bacharach para This guy’s in love with you (aquela mesma que o Mike Patton tanto ama).

Fica a dica. Depois podem passar aqui pra agradecer.

Lennon/McCartney ou vice-versa

Quando constituíram a banda lá no início dos 60’s, John e Paul acordaram que todas seriam creditadas à parceria, mesmo que apenas um deles fosse o compositor da obra. Existem exemplos de músicas que ambos compunham, como “Love me Do”, “Eleanor Rigby” e “Can’t Buy Me Love”, mas a maioria realmente foi composta isoladamente e depois “juntada” pela dupla, pelos Fab Four e George Martin. Por algum motivo natural de ambos (talvez até um acordo tácito), depois da separação da banda nenhum tocava a música do outro, apesar de ter os direitos sobre a obra e poder usufruir.

Tal acordo ou apenas “ranhetice” impede os fãns de ouvirem Paul tocar “Help!”, “Ticket to ride”, “I wanna hold your hand”, “You gonna lose that gril”, “From me to you”, entre outras muitas… fico imaginando “A Hard Day’s Night”, a galera iria ao delírio e começar a cantar junto desde o primeiro, e talvez mais famoso acorde, dos Beatles. “She Loves You” foi pedida e até cantada pelos 65 mil presentes ao Morumbi em 21/11/2010, mas Paul se saiu bem no microfone com um “I love you yeh yeh yeh”.

Lennon, aliás, depois de 1970, extrapolava a ranhetice e não gostava nem de tocar suas próprias músicas da época dos Beatles. Clássico é um show que fez em NY (fácil de encontrar em DVD) com o diabo do oriente ao seu lado no palco, onde depois de encherem o saco, John manda: “então vamos voltar ao passado, apenas 1 vez“, e toca “Come Together” para o delírio da galera.

Fato é que as apresentações do Paul não tinham músicas efetivamente compostas apenas por John, até a turnê UP AND COMING. McCartney ao tocar “A Day In The Life” e “Give Peace a Chance” me emocionou mais do que a própria homenagem que fez “ao amigo John”.

Paul in Sampa: O Maior Show de Coverdose do Mundo

Rock ‘n’ Roll mesmo que sexagenário preconiza aperto e perrengue. Sir Paul McCartney 4 anos acima de 64 fez seu show e este escriba teve que deslocar-se de sua provinciana Niterói para a cosmopolita São Paulo. Ingressos adquiridos (obrigado, Marianna) a opção do translado deu-se através do Maradona, um clássico para dos postes e muros de Icaraí nos anos 80 e 90.

A ideia era ir em um pé só, ver o show e voltar na mesma perna. E assim a trupe deveria estar descansada 6 da matina de domingo encaroçando no ônibus rumo àquela terra cheia de curinthiano. Naturalmente que a madrugada foi com olhão aberto na ansiedade.

– Foda-se. Durmo no ônibus

Aroz e Zovos

Pouco necessário dizer que dormir no ônibus foi impossível. Ana Paula, Serginho, Carol², Karla, Marianna e Beth não se aguentavam de ansiedade e tagarelando o tempo todo obrigou-me a mais uma pá de horas acordado (para não parecer implicância minha, Bender se queixou da mesma coisa).

Chegamos em Sampa e os Primes de nossa trupe apressaram-se a ir a uma típica praia paulistana para devorar qualquer sanduba e ir para a fila (Sampa é o oposto do oposto mesmo. Os Primes tem de ficar na fila, a ralé pode chegar em cima da hora). A ralé se espalhou e de repente se viu em um Shopping sem muito o que fazer, faltando boas horas para o show e um sono da porra quando Serginho do alto de toda sua experiência pela longa vida teve A idéia. Comprar ingresso para o pior filme possível e roncar.

Aí o show começou.

A Maior Escada do Cancun do Mundo

Separados, a trupe dividiu-se por diversos setores: Primes, Geraldinos e Arquibaldos. E a mim coube a primazia de ver tudo do alto de forma geral e irrestrita.

Nas arquibancadas, é necessário que se faça valer as consequências de escolha. Ao entrar, o efeito manada te leva para o meio da mesma, local onde todo o palco é visualizado, além do telão, embora com estruturas metálicas à frente. No entanto, a estrela máxima da noite ficaria pequenininha. Desbravando os espaços, a opção era aproximar-se do palco e perder ângulo do fundo do palco e visualização do telão. Esta segunda opção foi a que me agradou e posicionei-me para acompanhar Paul McCartney da mesma forma que sofro ao mirar em Washington no Maracanã perdendo gols com a camisa do Flu.

O show, transmitido ao-ressucitado pela TV já está mais que batido para qualquer um que se aventure em ler este relato. Por isso preocupa-me em passar o que foi ser um feliz arquibaldo na mão do palhaço nesta noite sensacional como se estivesse no show de Coverdose mais foda de toda a História.

Quem já ocupou as Escadas do Cancun sabe o que pode fazer a combinação: fácil acesso à cerveja + degraus livres + excelente rock ‘n’ roll. Honrando as tradições coverdosinianas, eu e Ana Paula transformamos a arquibancada azul na Maior Escada do Cancun do Mundo, percebendo o show do Paul McCartney como ele merece: participando insandecidamente e consequentemente contagiando os vizinhos que por sua vez em um processo iterativo recontagiavam-se em uma orgia rocknrolliana.

Daí, para juntar uma coisa com outra foi um pulo. Qualquer sentimento de emoção descrito aqui serve para descrever algum momento do show. O choro podia vir desde uma tocante Hey Jude (DESAFIO que se ouça no show impassível) ou na frenética Live and Let Die. Cada um com seu cada um. Do alto, era perceptível que estivesse onde estivesse, qualquer um naquele Estádio estava em deleite e torpor em um senhor show de rock ‘n’ roll com 3 horas sem sair de dentro. Tanto que quem deixou para comprar lembranças oficiais no final do show saiu de mãos abanando (meu caso)

Mas nem tudo foram flores. Como ser pragmático e calcado em critérios bem definidos, senti meu Mundo desabar ao ter de abdicar de minhas convicções de uma vida ao perceber que Rolling Stones e Queen são poeira cósmica do Rock.

And in the end, the rock you take is equal to the rock you make.

*Por estar inebriado com o show, não me preocupei em tirar fotos, e por isso agradeço a Drª Karla pela foto dos zovos e ao Dr. Tomyo Nishida pelas fotos de Sir Paul McCartney aqui postadas.

O feriado do ano (ou “SWU – Começa com seu dinheiro”) – Dia 1

Demorei um tempo pra continuar por uma série de razões. Fiquei sem internet no fim de semana, o trabalho tá matando, ainda é um pouco complicado falar do SWU e de tudo que aconteceu…enfim, sem mais delongas, continuemos:

1º Dia (09/10/2010) – Tudo pronto pra dar errado, até um louco aparecer.

O acampamento começou mal pra mim. Eu nunca tinha acampado, bem como meu irmão. Cavalheiros que somos, também não deixamos as meninas se preocuparem com isso (apesar que tomar uma surra de uma barraca na frente delas não foi legal). Era até de se esperar, mas um dos confortos de ir de hotel é chegar, dormir, descansar, comer algo e depois aproveitar com gosto os shows (ano que vem, não abro mão). Nessa hora, por volta das 13:00h, eu estava a 26 horas desperto. Não é brincadeira. Mas foi necessário.

Com a ajuda de um pessoal do Nordeste, muito animados por sinal, e de um cara de Brasília, em 10 minutos as barracas estavam de pé e até bem organizadas. Guardado tudo, fomos comer. Bom, “comer” é forçar a barra. Por R$ 10,00 o espeto de carne com fritas, aquilo foi mais um assalto. Cheeseburguer? R$ 10,00. Mini-pizza? R$ 8,00. Caro a gente sabia que seria, tanto que levamos cartão de crédito. E aí começou o segundo grande problema: a máquina não tava passando. Só débito (pronto, fudeu!). Comprei uns R$ 50,00 e fui pro abate. Comi qualquer coisa que não lembro, tomei umas 3 cervejas e voltei pra tomar um banho porque tava necessitado. Nisso, perdi o show do Brothers of Brazil (que foi bem falado) e do Black Drawing Chalks (banda de Goiânia que sou fã). Esse último, muito bom, pelo que me disseram, apesar de ter só 30 minutos de duração. Festival é festival. 40 minutos de fila pra tomar um banho de 7 minutos. Complicado, mas não tem outro jeito. Banho tomado, cheirosinho (isso já era por volta das 16:00h) fui pra ver o show do Infectious Grooves. Nunca tinha escutado, mas entrei no clima e os caras mandaram bem. Depois veio Mutantes com um show decepcionante, infelizmente. Só Sergio Dias salvou, mas ele sozinho não consegue levar mais a banda.

Los Hermanos (ou Loser Manos para o RB!)

Los Hermanos (ou "Loser Manos" para o RB!)

Los Hermanos fez um show de Los Hermanos. Os caras são muito bons e eu gosto bastante, mas é nítido que o clima não é dos melhores entre Camelo e Amarante. O show foi ótimo, os caras mandaram todas as grandes músicas, mas podia ser melhor. Ainda assim, Rodrigo Amarante roubou a cena e não parou um segundo só durante todo o show. O sábado começava a valer a pena.

The Mars Volta

The Mars Volta

Foi quando começou The Mars Volta. Show diferente. Eu estava num nível alcóolico já não muito indicado para menores de 25 anos e o som dos caras, psicodélico até não poder mais, me fez viajar muito. Combinado com o guitarrista Omar Rodriguez-Lopez mandando umas dancinhas bem diferentes no palco, o show acabou saindo bem divertido. Eu não conhecia, mas no dia seguinte um cara me falou que eles mandaram 5 músicas apenas, com o resto do show sendo composto por interlúdios cheios de improvisação. Eu fiquei pronto pro show seguinte. Satisfeito, mas impaciente. Na melhor das situações. Pouco antes do fim do show, fui ao banheiro junto com o pessoal e…

Rage Against The Machine destruindo!

Rage Against The Machine destruindo!

E aí começou o festival pra mim. E quase acabou. Enquanto saía do banheiro, comecei a ouvir uma sirene muito alta. Muito, muito alta. Olhei pro palco e vi a estrela vermelha de todo tamanho. Rage Against The Machine ia começar. O show que eu esperava desde os 12 anos, que eu tinha perdido as esperanças e que esse ano aconteceu e eu fiquei na espera, estava a ponto de começar. Pilhei a galera (ninguém era muito fã) e saí correndo na frente. Foi quando começaram os acordes de “Testify”. Aí não teve jeito, quem estivesse na frente seria devidamente atropelado. Cheguei num lugar não muito cheio, com uma boa visão e comecei a destruir. No repertório, só pancada. “Testify” chegou destruindo, depois “Bombtrack” e “People of The Sun” (com uma homenagem ao MST, que eu não concordo, mas que faz parte da ideia deles). Em “Know Your Enemy”, o show parou a 1ª vez. Com o pau quebrando na frente e a invasão da área vip (CHUPA SWU! Fazer área vip em show de rock pra quê?), o produtor do evento pediu calma ao pessoal mais exaltado. Não foi atendido e o pau continuou quebrando. Até que Zack De La Rocha interveio, parou o show, pediu calma e aí sim o pessoal sussegou. Pronto? Podemos continuar? “Bulls on Parade” levou os ânimos nas alturas até que, durante “Township Rebellion”, se bem me lembro, o show parou de novo. Falha no som, pane geral. Só se escutavam as pessoas xingando (pô, o primeiro dia foi uma bagunça e na hora do show mais esperado me acontece isso) e o baterista Brad Wilk marretando, já que o retorno para a banda estava funcionando. Até que perceberam o problema e consertaram, mais 10 minutos de paralisação. Antí-climax total. O show tinha tudo pra dar errado e o 1º dia ser um tremendo fracasso, mas a banda se superou. Ao voltar, fizeram o teste de som com Morello e Zack improvisando, riffando e rimando na hora. “Bullet In The Head”, “Guerrilla Radio”, “Calm Like A Bomb”, “Sleep Now In The Fire” e “Wake Up”, liberaram toda a raiva que a galera tava sentindo por todos os perrengues passados. Foi quando a banda parou e, pouco depois, veio pro tradicional bis ao som do hino da URSS. Com a clássica “Freedom”, paulera total e palco aberto para finalizar com chave de ouro ao som de Killing in The Name”. A principal música do show foi praticamente uma catarse coletiva e o 1º dia foi finalizado de forma monumental. Na hora que acabou, virei pro meu irmão e mandei: “putz, tá tudo pago agora, já valeu a pena com sobras. O resto é bônus.”

Completamente louco!

Completamente louco!

No post a seguir, o segundo dia com Sublime With Rome, Joss Stone, Dave Matthews Band e Kings of Leon, além de 2 horas de fila e uma surpresa desagradável na porta da barraca.

O feriado do ano (ou “SWU – Começa com seu dinheiro”)

Qual não foi minha surpresa ao ser convidado pra falar do que seria meu primeiro festival de rock (já velho, aos 25, tava demorando) aqui neste espaço. Primeiro, porque achei que ninguém se interessaria pelas histórias de um reles mineiro bêbado num festival que tinha três de suas bandas preferidas (ou seja, delírio total). Segundo porque era meio inesperado mermo. Mas hoje eu sei como Gaburah se sentiu no show do Faith No More. Acredito que ao ouvir Zack de La Rocha rasgando os vocais com “Testify”  (uma das top 5 da minha vida) logo de cara, eu me senti tão bem quanto o dono deste espaço naquele dia.

Sustentabilidade? Só se for do bolso de quem organizou.
Sustentabilidade? Só se for do bolso de quem organizou.

A verdade é que só o show do Rage já merece um post único. Não há como eu falar do show dos caras sem liberar uma certa carga emocional, já que eu comprei o pacote do SWU exatamente pra esse show. O resto seria bônus. E o show valeu o ingresso, pelo menos pra mim. Ao ouvir os clássicos explosivos da banda mais política do rock atual, eu vivi uma redenção. Saí completamente louco, feliz e cansado de um show que me fez sentir que, diferentemente do que disse Gaburah, o rock n’ roll AINDA não morreu. Mas tá a caminho do fim e eu explico por que.

O SWU foi um projeto ambicioso. Um festival com 3 dias de shows, bandas de alto calibre, algumas estreias no Brasil e um projeto interessante de sustentabilidade. Mas de boas intenções o inferno está cheio. Os problemas começaram a aparecer bem antes do festival. Apesar de terem sido facilmente compráveis, os ingressos e o pacote do camping, além de caros (só o camping foi R$ 540,00 para 3 pessoas, com direito a 1 banho de 7 minutos por dia), incluíam uma “taxa de conveniência” (que para o camping era de R$ 96,00 e para os shows, girava em torno de R$ 50,00) para quem não adquirisse nas bilheterias oficiais. O problema que as únicas bilheterias oficiais ficavam no Ibirapuera, em São Paulo. Quando tenta-se fazer um festival de porte nacional, pelo menos uma bilheteria oficial por CAPITAL tem que existir. Mas valia a pena. Com os ingressos comprados, buscamos formas melhores de hospedagem, visto que o camping era caro e tinha uma série de dificuldades. Itu não tinha mais hoteis a muito tempo, Salto (uma cidade próxima) também não e estava difícil conseguir lugar em Campinas e Sorocaba, a mais de 50 km do evento. Além disso, todos os pacotes de hoteis e traslado giravam em torno de R$ 400,00 por pessoa, o que assustava. Em virtude de todos os problemas, a galera resolveu ficar no camping, rezando pra que não chovesse.

O evento foi chegando, entre uma série de “perguntas-e-respostas” com o pessoal da F.A.Q. do SWU que acabavam não respondendo nada. Ninguém sabia explicar direito como funcionaria o camping, se aceitariam cartão nos bares, como seriam os banheiros e chuveiros, etc.. Além disso, poucas semanas antes, fomos surpreendidos com a notícia de que “quem tiver direito ao estacionamento gratuito (caso dos camping’s) terá que chegar até as 10:00h da manhã de sábado ou perderá o direito, pagando R$ 100,00 para carros com até 3 pessoas e R$ 50,00 para carros com 4 ou mais pessoas.”

Ou seja, correria pra sair de BH sexta-feira 20:00h e chegar em Itu sábado às 10:00h da manhã. 757 km, em virtude de uma parada que tivemos que fazer em minha cidade, não são brincadeira. Eu praticamente não dormi, já que fui dirigindo metade do caminho de BH até Carmo do Rio Claro e depois de lá até Itu. Além de ter que acompanhar a conversa com meu irmão, porque deixar o cara dirigindo sozinho é complicado. Até porque a nossa companheira de viagem, Nathalia, é praticamente uma pedrinha de tão bem que dorme. Mas ela a gente deixa.

Chegando em Itu, às 10:15h, mais problemas. A fila de triagem para retirar a pulseira do camping e realizar a checagem de quem tivesse as bagagens era quilométrica. Além disso, o sistema de leitura digital dos ingressos estava parado, o que atrasou ainda mais a nossa entrada. Ali eu já tinha percebido que o evento padeceria de incríveis problemas estruturais, mas não tinha noção do que ainda viria. Incríveis 3 horas depois, sem conseguir uma explicação plausível, sem sequer ter uma área de sombra ou alguém vendendo água (no show eram 300ml por R$ 4,00), chegou a nossa vez de pegar as pulseiras, voltar pro carro e procurar estacionamento. Por sorte, conseguimos um ao lado do camping, o que permitiu deixar as coisas de valor no carro, pra evitar qualquer problema. Nessa hora, eu achei que começaria a festa.

Isso acabou sendo um retumbante engano. Engano que explicarei na continuação desse post.