O Mundo é de todas as criaturas do Mundo!

Extraído do Jornal O Globo:

Ibama multa dono que bateu em poodle na rua

Publicada em 06/06/2008 às 22h07m

BRASÍLIA – Patrick De Meauntroux, de 18 anos, foi multado em R$ 2 mil pelo Ibama e vai responder a processo por ter agredido com tapas e pontapés Bob, seu cachorro poodle, de cor preta. A agressão ocorreu no fim da tarde de quinta-feira, em Brasília. O jovem escapou de apanhar de populares depois de bater no cão. Patrick acabou fugindo, e sua namorada levou o animal a uma clínica veterinária, com uma das patas quebradas e problemas na bacia. Bob passou por cirurgia para colocar uma placa de metal na tíbia.

Patrick reapareceu nesta sexta e foi autuado pelo coordenador de Fiscalização de Fauna do Ibama, Antônio Paiva Ganme. O órgão ainda representará contra ele no Ministério Público Federal, e o jovem pode responder a processo com base na Lei de Crimes Ambientais. Patrick chegou a negar a agressão e disse que pisou sem querer no animal. Depois, admitiu aos fiscais do Ibama que perdeu a cabeça e não entendia a razão de ter agido com tanta violência.

Lendo essa matéria, me recorreu um pensamento de Mahatma Gandhi que diz mais ou menos isso:

“A GRANDEZA DE UMA NAÇÃO PODE SER JULGADA PELO MODO QUE SEUS ANIMAIS SÃO TRATADOS”

Até nisso o Brasil é um país de contrastes.

Se por um lado observamos diariamente casos de barbaridades e covardias promovidas contra animais de várias espécies, de outro enxergamos um número cada vez maior de pessoas que gastam uma bela soma no mês para cuidar de seus animais de estimação.

O fato é que muita gente se mete a arrumar um cão ou um gato ou qualquer outro mascote mas raramente se dá conta de que está assumindo um compromisso com e para uma vida toda, pois o mascote é um ser vivo que vai passar pelo menos uns bons quinze anos ao seu lado e é totalmente dependente do seu cuidado. “Cachorro é o filho que não cresce nunca”. O triste é que muita gente só se dá conta disso depois que passa a fase do filhote bonitinho, quando a sujeira fica maior, o gasto fica maior e o trabalho fica maior.

Em diversas regiões, infelizmente, o reflexo disso é o grande número de abandonos registrado principalmente nas épocas de férias, apesar das crescentes campanhas de conscientização e combate à tão covarde prática.

Nos Estados Unidos, se uma pessoa quer ter um animal de estimação, precisa registrá-lo e pagar uma licença para isso. E se por acaso o animal foge ou é abandonado, o dono é acionado e responde - podendo inclusive ser devidamente penalizado. Se antes eram usadas as plaquinhas de identificação (as famosas dog-tags – e essa é a origem do nome daquelas plaquinhas que os soldados utilizam), hoje - com toda a evolução da tecnologia – existem recursos como microships implantados sob a pele dos animais e localização por GPS. E o cerco aos responsáveis se fecha. O problema é a tal da carrocinha, que recolhe animais perambulantes que se não forem resgatados num prazo x, acabam virando sabão.

O Brasil precisa é adaptar sua legislação no que se refere à posse de animais domésticos. Primeiro para dar responsabilidade ao sujeito que quer ter um animal de estimação porém acha que é um bem descartável. Segundo porque essa talvez fosse a melhor maneira de resolver o problema do cada vez maior número de animais de rua nas cidades de todo o país, coisa que hoje é feita de maneira heróica por voluntários que recolhem, tratam, castram e TENTAM arranjar um dono. Só que para cada animal que é recolhido e tratado, outros cinco (em estimativa otimista) aparecem na rua, e o ciclo não acaba nunca.

Nos EUA (recorro ao exemplo estadunidense pois pra mim é um modelo eficiente), se uma pessoa se dispõe a ter um animal de estimação, ela precisa provar que pode cuidar e pagar para isso. No Brasil, cada mendigo de rua tem pelo menos dois companheiros, e normalmente um casal. Aí… E também acontece isso em casas bacanas, em barracos, em apartamentos… “Ah, deixa cruzar só uma vezinha…” Quem nunca ouviu ou se pegou falando uma sandice dessas?

O que entristece é ver o total desrespeito à vida, em todas as suas formas, pela sociedade atual. O homem cada vez mais agride o meio ambiente e insiste (apesar de toda a evolução da espécie) em tratar as outras criaturas que co-habitam este mundo de Deus como seres inferiores.

É fato que não existe criatura mais ou menos inteligente. Isso já foi amplamente discutido cientificamente, espiritualmente, filosoficamente, racionalmente e passionalmente. O que existe são diferentes inteligências entre todas as criaturas, inclusive o homem. E talvez o que atrapalhe tanto a verdadeira evolução do homem seja justamente a auto-proclamada superioridade (sic), que desde que nos entendemos por gente, lá no colégio primário, somos convencidos de ser donos. Depois de crescido, passei a acreditar que não passamos de mais uma espécie nesse mundo, que deveria justamente por sua inteligência aperfeiçoada saber respeitar os demais e promover uma existência harmônica e pacífica entre tudo e todos.

Analisando friamente, o homem se encaixa muito mais no conceito de praga, e por isso gostei tanto de um filme recente chamado Fim dos Tempos.

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Palmas para o Ibama. O precedente aberto pelo órgão é um divisor de águas na questão da responsabilidade do brasileiro no trato com os animais. E que seja extrapolada para outras questões tão graves, como o tráfico de animais silvestres e a farra do boi em SC. São lutas espinhosas e árduas, mas é pra frente que se anda. E por mais que se diga o contrário, a reestruturação e renovação dos quadros do funcionalismo público pela qual os diferentes órgãos do governo vêm passando tem trazido também gás renovado para a eficiência dos mesmos.

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Outra reportagem que li há um certo tempo dava conta de que a corte marcial do exército americano prendera dois soldados que realizaram uma suposta filmagem no Iraque onde maltratavam animais de rua. A corte estava analisando para verificar a autenticidade e anunciava pesadas punições aos oficiais caso fossem comprovadas as denúncias.

Gosto de pensar que estes são sinais de que o mundo está mudando. A opinião pública pelo menos se faz manifestar hoje em dia, numa realidade em que os canais de comunicação estão cada vez mais rápidos, acessíveis e chegam a cada vez mais pessoas. E cada vez mais pessoas manifestam sua indignação frente a episódios de barbárie desta natureza.

Só que, como tudo, consciência sem ação não vale de nada. Então pense muito bem antes de arranjar um animal de estimação. E quando decidir que realmente vai arranjar, pense mais um pouco. Lembre que você vai assumir um compromisso para uma vida inteira, e que abandonar uma criatura que vai ter você como uma figura divina é uma covardia e uma falha de caráter repugnante.

O Mundo não é só seu. Nem meu. O Mundo é de todas as criaturas do Mundo!

Al Gore e suas verdades inconvenientes

an_inconvenient_truth_by_al_gore.jpgtinha recomendado no Blá Blá Gol que aqueles que por total e absoluta ironia do destino (tipo um retiro espiritual em Marte) ainda não tivessem assistido a “Uma verdade inconveniente”, que o fizessem para o seu próprio bem.

Pois eis que essa semana tive a felicidade de observar em todos os noticiários que o ex-candidato a presidência dos EUA (aquele que ganhou, mas não levou) foi o vencedor do prêmio Nobel da paz, juntamente à equipe de cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (da qual nove BRASILEIROS fazem parte).

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Sem maiores lenga-lengas, é de fazer qualquer um parar pra pensar. Al Gore é um cara que está na ativa do assunto há muito tempo, muito antes até de ser vice do Clinton. Depois de levar o Oscar com o documentário (que serviu até de inspiração pro filme dos Simpsons), Gore pode até ter se surpreendido, mas tornou-se um pop star. Mas um pop star de uma causa nobre: a preservação da vida (dos bichinhos não! Da HUMANIDADE mesmo!) e a sustentabilidade deste planeta de onde os habitantes têm retirado cada vez mais, sem a preocupação com a viabilidade disso.

Passei uns dois dias pensando sobre o assunto, ainda mais depois de ler o Edifick e lá entrar numa animada conversa sobre o Dia Mundial Sem Carro (dia 22 de setembro, início da primavera) e emissões de carbono. Por indicação do Victor, acabei caindo no site do Carbono Zero Ipiranga que tem excelentes dicas (básicas) pra quem quer entrar na onda verde.

Ontem assisti no GNT um programa (inglês, se não me engano) onde a apresentadora lança a uma determinada família o desafio de reduzir em duas semanas não só suas emissões de carbono, como também todos os aspectos de agressão ao meio ambiente praticados no conforto dos nossos lares, e que ainda que pensemos que é pouquinho, não é não. É o tipo do quadro relevante e divertido, que um Luciano Huck ou um Faustão da vida – formadores de opinião da massa – deveriam incluir em seus programas.

Coisas bobas, do tipo:

  1. Tomar banho, escovar os dentes, lavar louça com a torneira ligada o tempo todo (dinheiro que literalmente vai pelo ralo, além das reservas de água estarem se esgotando em PG);
  2. Não separar o lixo orgânico do não-orgânico, e dentre esse, vidros, metais, plásticos, etc (o que não só diminui o volume de lixo produzido, mas também aumenta a margem de lucro do seu Zé que vai lá pegar o “lixo” e vender pra sustentar a família);
  3. Catar o totô do seu cachorro na rua (o que por si só já é um belo gesto) com saco plástico, ao invés de papel ou jornal (que demoram MUITO menos tempo pra se degradar na natureza);
  4. Não dar preferência para a compra de produtos que sejam fabricados/colhidos nas imediações da sua cidade/bairro (o que ajuda bastante na redução de emissões de carbono graças ao deslocamento dos veículos de transporte destes produtos);
  5. Não se preocupar com o consumo de legumes e vegetais livres de agrotóxicos ou orgânicos (que reduzem a quantidade de poluentes, além do inerente risco à saúde de quem consome);
  6. Aquela quantidade absurda de copos plásticos do cafezinho do trabalho (que o site do cartão Ipiranga mostra uma alternativa interessante: levar pro escritório aquela caneca bacana, pra dar o seu toque pessoal no ambiente de trabalho).

Enfim, um monte de coisas, que podem até parecer pouco se você pensa exclusivamente na sua atmosfera social. Mas extrapolando isso, some o pouco que você pode fazer com mais o pouco do seu vizinho, o pouco da turma do Blá Blá Gol, o pouco da Ana Paula, o pouco do Al Gore… e aí pensa o quanto a gente pode fazer a diferença por simplesmente fazer a nossa parte.

A questão ambiental hoje é uma realidade, uma preocupação política e um diferencial de mercado para produtos e empresas. Mas o assunto tem que ir além do marketing. Tem que se tornar um hábito diário, como escovar os dentes com a torneira fechada…

Al Gore enfrenta agora uma crescente pressão da opinião pública e dos meios de comunicação pela sua candidatura à sucessão de W.C. Bush. Mas acena dizendo que ainda não pensa em corrida presidencial, e que Hillary Clinton é o nome mais difícil de ser batido no momento.

Sem dúvida, uma verdade inconveniente para o Partido Democrata.

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A licença poética e o efeito Tostines

Com o passar do tempo, pretendo colocar aqui algumas idéias que façam a gente dar aquela força pra natureza no dia a dia, sem ser ecochato – porque nem eu agüento esses caras (apesar de reconhecer sua preocupação). E convido a todos que queiram ou que tenham sugestões a fazer o mesmo.

É fazer a nossa parte.