Dez coisas boas e dez coisas ruins sobre ‘Homem de Ferro 3’

Não rolou, hein...

SPOILERS À FRENTE. Se não viu o filme ainda, DÊ MEIA VOLTA.

Eu avisei.

GOSTEI:

  1. Igor
  2. A ideia das diferentes armaduras.
  3. Manter o conceito de que a quantidade de armaduras implica na queda de qualidade das mesmas.
  4. A fidedignidade das crises de ansiedade.
  5. A ideia sobre o Mandarim (que não é o dos quadrinhos).
  6. Pepper de armadura.
  7. Manter o Happy Hogan.
  8. Focar o enredo mais no Stark.
  9. O Fator Burton-Schumacher: ‘Homem de Ferro 3’ fez ‘Homem de Ferro 2’ ficar bom.
  10. Igor². É muito legal.

NÃO GOSTEI (na verdade a palavra é DETESTEI):

  1. Criaram uma penca de armaduras bacanas pra não explorar direito nenhuma delas. A Igor é carismática demais!
  2. Miguchice forçada com o molecote.
  3. TIRAR TODO E QUALQUER ROCK AND ROLL DO FILME PRA COLOCAR DANCE MUSIC. Isso é IMPERDOÁVEL! O universo do Homem de Ferro foi construído em torno de AC/DC e Black Sabbath. Renegar essas bandas é TRAIÇÃO.
  4. É o mais fraco entre TODOS os filmes DA MARVEL no cinema (Fox e Sony fora, ok?). Ignora sementes plantadas nos HF’s anteriores e n’Os Vingadores. É um filme desconexo, perdido no tempo e no espaço do universo Marvel – parece até que propositalmente.
  5. O Mandarim que não é o dos quadrinhos, apesar da boa sacada. Mas se no primeiro criaram todo o campo pro vilão, porque jogar tudo fora assim tão irresponsavelmente?
  6. Pepper soltando fogo pelos óio. TNC.
  7. Descaracterizar o Happy Hogan. Virou um bocó mal explorado. Depois daquela cena com a Viúva Negra em HF2, tinha atingido status de coadjuvante importante.
  8. Focar DEMAIS o enredo no Stark e em seres humanos cuspindo fogo e exprudindo. A melhor frase do filme é do RECHAÇADO James Rhodes: ‘Ah, então você cospe fogo pela boca?’. Parece que até o filme riu de si mesmo.
  9. Iron Patriot? QUEREMOS O WAR MACHINE DE VOLTA!! Patriota de Ferro bunda-mole da porra…
  10. Tony Stark tirar o reator ark (aliás, MUITÍSSIMO mal feito) do peito? AH, VÁ TOMAR NO C*!!!

*****

Resumo da ópera: DECEPCIONANTE. Nota 6 porque tô de bom humor.

O Espetacularmente Atrasado Homem-Aranha

Antes de mais nada já aviso: vão assistir o filme pra tirar suas próprias conclusões. Vale a pipoca num dia de meia-entrada pelo menos.

As artes são infinitamente melhores

Uma vez que o Aranha é um personagem com quem tenho assumidamente uma relação de amor, só mesmo ele pra tirar a poeira deste outrora ilibado blog e me fazer escrever algumas mal traçadas linhas. E não vou encher muita lingüiça, porque hoje é segunda-feira, todo mundo ta com sono e ainda estou muito puto da minha vida porque o Botafogo mandou o Loco Abreu pro Figueirense.

O Espetacular Homem-Aranha tem seus méritos, indiscutivelmente. Mas também tem seus deméritos e estes, infelizmente, tendem a falar mais alto. De uma forma mais didática, exponho meus argumentos.

Marc Webb e seus roteiristas resolveram contar a história da maneira correta, uma vez que a Sony e os produtores (acertadamente) decidiram por reiniciar a franquia depois que Sam Raimi:

  1. Começou MAL no primeiro (mexendo DEMAIS na mitologia do Aranha, lhe ROUBANDO fatores CRUCIAIS que interferiram de maneira DRAMÁTICA na construção do HERÓI Homem-Aranha);
  2. PARECIA ter enfim encontrado o seu rumo no segundo, quando finalmente entrou de maneira mais consistente na  ação e nos dramas existenciais de Peter Parker;
  3. Chutou o balde e fez merda no terceiro.

Desta maneira, no Espetacular, saem Mary Jane como amor de infância (que ódio de lembrar isso…), sai aquela lenga-lenga toda com Tio Ben indo e voltando a cada 5 minutos de filme com a mensagem fantasmagórica de Grandes Poderes trazem Grandes Responsabilidades, saem os atiradores orgânicos de teia (UFA!) e PRINCIPALMENTE sai aquele tom de fabulazinha romântica, com musiquinhas bonitinhas ao fundo e a impressão de que ia pular um ursinho carinhoso na tela a qualquer momento.

Miguchice foi pro espaço, GRAÇAS A DEUS.

O problema é que, uma vez que o personagem já foi exaustivamente visitado e revisitado no cinema, contar a origem de novo ia ser um tremendo pé no saco. E mais uma vez o filme acerta em não se alongar muito nisso. O problema é que às vezes acelera DEMAIS, perdendo, por exemplo, a OPORTUNIDADE de se aprofundar num personagem de ALTÍSSIMA COMPLEXIDADE como o Dr. Curt Connors – ainda mais quando este é defendido pelo BRILHANTE Rhys Ifans, que não consegue por conta disso colocar todo o seu potencial em tela. Ainda, resumir as intenções do Lagarto a um objetivo bem bobinho, mas se a gente mantém em mente que ele endoida quando vira o réptil, até que dá pra engolir a motivação.

Outra coisa: Gwen Stacy, Capitão Stacy, Tio Ben, os pais de Peter… diversos elemento da correta origem do Aranha estão no filme, até muito bem retratados, por sinal. Mas dei falta de um IMPORTANTÍSSIMO protagonista na trama toda: quem conhece o Aranha desde o início, sabe do papel fundamental do Dr. Miles Warrem neste arco inteiro. Praticamente não há Duende Verde e fundamentalmente TODO O ARCO DRAMÁTICO que define quem o Aranha é sem o Dr. Warrem, vulgo O Chacal.

Mas isso é detalhe de fã desesperado e antigo (como eu). Pra quem não conhece a história a fundo, vamos ao que interessa:

MÉRITOS

  • As cenas de ação e os efeitos especiais são INFINITAMENTE SUPERIORES ao original de Raimi, e ainda pouco melhores do que o segundo (meu preferido da primeira trilogia);
  • Gwen Stacy contada da maneira correta e muito bem resolvida pela bela Emma Stone;
  • O Capitão George Stacy correto, com um ator correto (Dennis Leary) – mas em determinado momento a ausência do Chacal faz sua primeira GRANDE falta;
  • Tio Ben de Martin Sheen, dando um belo dum esporro ao invés da lenga-lenga;
  • Aliás, todas as cenas de relações pessoais (à exceção de Parker-Connors) são realmente muito boas – novamente méritos ao diretor;
  • Provavelmente a mais divertida participação de Stan Lee entre todas;
  • ATIRADORES DE TEIA MECÂNICOS (ALELUIA!!), mas… (nos deméritos);
  • Tom mais realista, na medida do possível.

DEMÉRITOS

  • O timing. Se este filme tivesse sido feito no lugar do primeiro filme de Raimi, seria um promissor início. Daria inclusive pra contar com mais calma a origem do personagem, que àquela altura ainda seria novidade. Marc Webb faz uma limonada com os limões que tem nas mãos;
  • Abreviar demais algumas informações e deixar coisas importantes sem explicação (como ele CRIA o fluido de teia?);
  • Lagarto sem jaleco (heresia), cuja família sequer aparece no filme;
  • Sai Raindrops keep falling on my head, entra Coldplay;
  • Mais uma vez o timing. Fazer filme de super-heróis DEPOIS d’Os Vingadores virou tarefa de Chris Nolan (o novo Hércules cinematográfico). Qualquer história minimamente mal-contada deixa um filme ruim depois que a Marvel e o Batman colocaram a barra tão alta.

Mas PRINCIPALMENTE o grande defeito do filme está em ser apenas OK. E hoje em dia, depois de Vingadores e Batman, ser um filme apenas OK faz muita diferença.

REPITO: Vão assistir. Vale a ida, principalmente pelas cenas de ação que não vão dar 5% da emoção numa tela de TV. Na verdade, seria UM CRIME fazer isso.

É melhor, MUITO melhor, que o do Raimi. Mas está longe de ser foda, infelizmente.

O Lanterna Está Verde ou ‘Não esqueça de carregar seu anel a cada 24 horas’

     Admito, quando o filme do Lanterna estreou em julho nos EUA com bilheterias abaixo do padrão requerido pra esse tipo de filme(não foi baixa, foi abaixo do esperado), comecei a ficar bem pessimista. Mas já adianto: achei um filme legal, um bom filme, que poderia ser melhor, mas em si um bom filme. Tem defeitos sim, mas nada que não possa ser corrigido em uma continuação.

A primeira crítica que aqui faço é não só ao filme, mas à total falta de unidade entre os filmes da DC. A unidade que há entre os filmes da Marvel é bem legal, e a DC/Warner não precisava copiar, mas criar sua versão da continuidade nos filmes. Exemplo disso é a péssima forma que a personagem de Angela Basset, a agente governamental Amanda Waller (fundadora do Esquadrão Suicida nas hqs) é aproveitada no filme.

Bem,vamos ao que interessa: depois que assisti ao filme e cheguei à conclusão que ele é legal, vi que o filme merece um voto de confiança pra uma continuação (que até já foi confirmada). Esse foi um filme de origem, que é bem contada (com exceção à não citação dos caçadores cósmicos, que são a criação frustrada dos guardiões pré-lanternas) de introdução. Tanto que personagens coadjuvantes com potenciais incríveis – como os Lanternas Kilowog e Tomar-re (respectivamente com as vozes de Michael Clark Duncan e Geoffrey Rush, geniais) e o meu preferido do filme SINESTRO (com atuação breve porém soberba, em minha opinião, e com uma caracterização de personagem com uso de próteses e maquiagem que rivaliza com o Caveira Vermelha de Capitão América – O Primeiro Vingador), não tem a participação merecida no filme.

Um dos problemas do filme é dedicar muito tempo do mesmo à relação amorosa/profissional entre Hal Jordan e Carol Ferris (Blake Lively ficou bem no papel) e pouquíssimo tempo o lado piloto destemido de Jordan. A adaptação tem elementos do grande trabalho que o roteirista (e atualmente um dos bam bam bams da DC) Geoff Johns, tem feito com a mitologia do personagem ao longo dos últimos anos (mas claro que este bebeu na origem definitiva do personagem escrita por Keith Giffen, Gerard Jones, James Owsley e com desenhos de M.D.Bright: Amanhecer Esmeralda). Um vilão clássico do Lanterna, Hector Hammond, ganha um intérprete à sua altura: Peter Sarsgaard rouba várias cenas.

Bem, estou eu aqui enrolando e nada de falar no protagonista: Hal Jordan/Ryan Reinolds. A grande questão é que ao mesmo tempo em que, em várias cenas, o ator faz o espectador crer que está vendo um jovem, arrogante e irresponsável Hal Jordan. Em outras cenas ele mostra os mesmos cacoetes e caretas que mostra em comédias românticas e afins. Mesmo tendo gostado parcialmente de sua atuação, ele pode render mais em uma continuação. A direção de Martin Campbell é competente, apesar do filme só empolgar em algumas cenas, porém o roteiro está meio aquém da mitologia do personagem.

Voltando à origem, um fato que existe na atual origem do personagem (Lanterna Verde – Origem Secreta,de Geoff Johns e Ivan Reis, Ed. Panini): o fato de que por um ato de rebeldia Jordan deixou a Força Aérea pra se tornar piloto de testes da Ferris Aeronáutica. Dessa mesma HQ, poderia ter sido retirado um grande easter egg: em determinado momento um grupo de cadetes da Força Aérea arranja briga com um grupo de fuzileiros navais, e neste grupo de fuzileiros estava um jovem John Stewart, o já clássico substituto de Hal Jordan como Lanterna do setor 2814 (cujo desenho da Liga da Justiça fez o grande favor de mostrar em uma nova  e incrível versão, popularizando-o – outra boa ideia para futuros filmes).

Agora, um lance que realmente me incomodou foi uma questão digamos “técnica” (que também me fez torcer o nariz para os filmes do Homem-Aranha): o Teioso não tinha, nos filmes de Sam Raimi, lançadores de teia artificiais. No filme do Lanterna não é mencionado de forma clara que o anel precisa ser carregado à cada 24 horas.

Aguardemos a já confirmada continuação, e que ela seja um “A Ira de Khan”, um “Superman 2”, um “Dark Knight”, um “X-Men 2”, um “Império Contra-Ataca” para essa franquia que, se tiver sua mitologia bem explorada, promete.

P.S.: Não perca de modo algum a cena pós-créditos. Ela é tudo, menos verde, e dá a indicação do que pode estar por vir…

O Primeiro Vingador – para @marifiorentino

Capitão América assistido faz umas duas semanas. E só agora sai post. E só porque a Marianna cobrou…

Ah, essa idade avançada… rsrs

A Marvel guardou o seu Vingador mais emblemático (vejam bem, não disse que guardou o seu melhor personagem, mas sim o mais emblemático) para o fim, uma espécie de cereja do bolo de expecativas (a esta altura insuportáveis) para o filme da sua super-boys band [Stark, Tony. 2010] em 2012.

Pra arrematar, as artes promocionais do filme foram sensacionais

Deu certo? Pode-se dizer que sim. Mas se a intenção era essa mesmo, teria sido melhor começar com outro e deixar o Homem de Ferro pro fim. Por mais legaizinhos que os filmes-solo de cada Vingador tenham sido, NENHUM chegou MINIMAMENTE PERTO do Latinha. A dupla Favreau-Downey Jr, temperada pelos brilhos de Jeff Bridges e  Gwyneth Paltrow, simplesmente colocou a barra alta demais para a Marvel. Criaram uma obra-prima do gênero. Chamar Homem de Ferro de algo menor que isso é uma injustiça imperdoável.

Os outros foram meio pra cumprir tabela, mas divertiram – fosse pela avidez de fã ou pelas produções caprichosas. Ainda assim, a Marvel deu show de inteligência (coisa que a DC simplesmente não consegue): sempre com o universo verossímil estabelecido pelo filme do Gladiador Dourado em mente, as sequências não fizeram feio e foram felizes no que se propuseram.

O filme de cada Vingador trouxe mais alguns elementos ao produto final, a ser lançado ano que vem e quando teremos então a conclusão de uma verdadeira SAGA de seis capítulos: dois Homem’s de Ferro, um Hulk (o de Ang Lee não conta nessa), um Thor e um Capitão América. Malandramente, a Marvel colocou pistas e informações em cada um deles que deliciaram os nerds aficcionados (meu caso) e não farão tanta falta assim pra quem não acompanha os quadrinhos. No fim, a garantia de satisfação é universal.

Na minha ótica dos filmes, ficou assim: Homem de Ferro >>>>>>>> Hulk > Capitão América > Thor

Quanto ao Capitão América, não dava pra esperar de Joe Johnston (que fez coisas legais pacas como Hidalgo e Jurassic Park III e salvou O Lobisomem na medida do possível) menos do que um filme divertido. Um certo clima de Indiana Jones que permeia a película dá o charme adequado à história do Bandeiroso, decisão acertada do estúdio e do inteligente diretor ao tentar dar uma personalidade distinta ao filme do herói. Foram felizes, sem dúvida.

Mas como em quase todo filme de heróis, o vilão é o grande ponto alto. Hugo Weaving, bicho… o cara é TÃO foda que não tem o menor medo de se esconder atrás de maquiagem pesada durante a maior parte do filme (coisa que já tinha feito em V de Vingança). E rouba a cena transpirando maldade e loucura na pele do Caveira Vermelha. Excelente mesmo. O previamente cotado para o papel era Christoph Waltz, que também teria tudo pra dar outro show. Mas Weaving só fez coisa boa, então era barbada. E Chris Evans não compromete. Apesar de ser um cara com uma forte veia cômica, conseguiu imprimir a ingenuidade inerente ao Steve Rogers primordial (lembrando que o Capitão tomou muito fogo – amigo e inimigo – até construir o perfil com que os quadrinhos o apresentam hoje).

Assim, enfim em 2012 é a hora de gritar dentro do cinema (tenho CERTEZA de que o farei):

AVENGERS ASSEMBLE!!

Tomara que o mundo não acabe antes.

A primeira vez dos X-Men

AVISO: este texto contém pesados SPOILERS. Se ainda não viu o filme, é recomendável que dê meia volta e retorne outro dia. Eu avisei.

Cerca de uns cinco meses atrás começou uma polêmica danada na internet com foco em algumas imagens publicitárias inacabadas dos personagens de X-Men: First Class. Geral caiu de pau e deu-se início então a uma vasta campanha difamatória do filme, que até levou o diretor Matthew Vaughn (que já tem fama de ser um sujeito tradicionalmente pouco paciente) a perder a compostura em entrevista.

A First Class original

Devo ter alguma testemunha sobre isso: se houve uma dúvida que NUNCA tive, foi a de que esse filme seria, invariavelmente, bom. Minha lista de razões era encabeçada pelos selos de qualidade James McAvoy e Michael Fassbender (atores absurdamente bons), o próprio diretor (que fez o injustamente subestimado Stardust e o divertido Kick-Ass) e o fato de Bryan Singer estar fora da direção (é produtor neste aqui).

Se magoei alguém, explico: simplesmente não gostei de nenhum dos filmes anteriores dos X-Men, isso pra nem mencionar o samba do crioulo doido que foi o filme solo do Wolverine. Singer divide essa culpa com a FOX (detentora dos direitos cinematográficos de todo e qualquer mutante que a Marvel tenha criado em seus mais de oitenta anos de história, e que justamente por isso toma toda e qualquer liberdade que queira com os personagens) e com a própria Marvel (que os vendeu na base do sufoco). Mesmo no ótimo Os Suspeitos, Singer (na minha modesta opinião) mostrou que é um cineasta de roteiro, um cara que prima o que faz puxando pela inteligência (do texto e de quem assiste).

E é bem aí que mora o problema. Uma das razões da Marvel ser tão querida é justamente porque em suas páginas a porrada canta solta. É ação em cima de ação. E ação não é o forte de Singer.

Mas pra falar deste filme aqui, o primeiro verdadeiramente bom sobre o mais famoso grupo de mutantes da Casa das Ideias, funciona. E é simplesmente empolgante enquanto gira suas atenções na origem e nas ações de seus protagonistas (Magneto e Professor X). Se o filme pairasse somente sobre a história de ambos, seria um épico. O tom de filme de espionagem, a estética, a trilha sonora… tudo funciona e contribui para adensar a atmosfera histórica em cujo contexto o enredo está enraigado. Michael Fassbender faz um Magneto literalmente magnético, um personagem com o qual é simplesmente impossível não se envolver. E até torcer, mesmo do alto de suas ações radicais (mas a gente entende porque ele chegou àquele ponto). O que só fez crescer a qualidade de James McAvoy por tabela, colocando seu Professor X em pé de igualdade com o mestre do magnetismo na tela. Fosse outro ator, provavelmente teria sido colocado no bolso por Fassbender. Uma aula de dramaturgia, pasmem, num filmão descaradamente pipoca.

E se Magneto não é, por definição, o grande antagonista do filme, nenhum dos dois teria condição de mostrar serviço não fosse a caracterização brilhante que Kevin Bacon dá a seu Sebastian Shaw (um mutante que, confesso, em minha adolescência quadrinista nunca entendi direito qual poder possuía. Só percebia que ele era um pica das galáxias e tal, mas não sabia bem o porquê). Quando o chefão do Clube do Inferno aparece na tela, faz medo em Charles e Eric. Não é tarefa fácil, acreditem.

O cara é O CARA.

E aí entra o calcanhar de Aquiles do filme: justamente, oras oras, os próprios X-Men. Pra começo de conversa, a FOX paga de cara pela sua ingerência dos personagens. Já que já usou uma penca dos X-Men da Primeira Classe original nos outros filmes, não dava pra respeitar a mitologia neste (os outros filmes são referências intangíveis, porém frequentes durante o First Class). Então saem o Anjo, o Cíclope, o Homem de Gelo e Jean Grey e entram o Destruidor (vá lá, é contemporâneo), Darwin (nem lembrava desse, se é que existiu nos quadrinhos), MÍSTICA (!!) e a Firefly (obscura personagem de enésimo escalão, que na tradução em português sofreu o infeliz rebatismo de… ANJO! Puta que pariu…). O resultado é uma espécie de Malhação: Mutante, que tem toda a cara de que foi feito para agradar aos fãs de Crepúsculo.

Da First Class mesmo, sobraram Banshee (forcei?) e o Fera (cuja origem até que foi respeitada, apesar de um certo exagero nas atribuições do Dr. McCoy). Aliás, outro ponto fraco é justamente o visual do Azulão. Ficou parecendo bicho de pelúcia daqueles brinquedos caça-níquel… muito esquisito. Dava impressão que espetava.

E falando em pontos fracos, outro deles é uma caricata cena de combate aéreo entre Banshee e Firefly. Coisa de filme dos Trapalhões aquilo ali.

E Azazel no filme? Cronologicamente errado, mas uma figura importante que protagoniza algumas das melhores cenas de ação. Noturno ficaria orgulhoso de ver o papai em combate.

E faltou peito à FOX na hora de mostar PORQUE Magneto é vilão mesmo. Quem conhece alguma coisa dos quadrinhos, deve se rasgar de raiva com o desfecho da cena do embate entre ele e as frotas navais americana e soviética. Afinaram bonito e perderam a chance de fazer um troço denso, adulto, a la Watchmen. Mas é um filme pra criança, Gaburah… eu sei, mas sou chato. Nas HQ’s aquilo é altamente impactante. Ilustro minha frustração mais ou menos assim.

Mas nada, repito: NADA supera minha decepção com a Rainha Branca. Emma Frost mereceria (e poderia ter tido) um acabamento MUITO melhor nas telas. Jogaram um balde de água gelada em cima de um dos meus maiores fetiches adolescentes. Essa eu não perdôo, entra como uma das maiores decepções pessoais nas adaptações cinematográficas de quadrinhos.

*****

Se um dia considerarem Fassbender para ser o próximo James Bond, desde já garanto meu apoio incondicional.

*****

Não, Wolverine não está mesmo (…) no filme. Mas a razão que arranjaram pra isso é tão simples quanto GENIAL.

*****

Não tem cena pós-créditos. Podem sair correndo pro banheiro tranquilos.

Os filmes da DC (leia-se Warner)

Parece DC, mas é Warner
Parece DC, mas é Warner

Como o post do Homem de Ferro virou uma miscelânia de informações (tem Marvel, tem DC, tem pirataria, tem crítica…) resolvi tentar salvar a (boa) lavoura e colocar alguma ordem na casa.

A DC sofre do mal que a Marvel – em parte – se livrou. A Casa das Ideias vendeu os direitos de alguns personagens para outros estúdios (e precisa engolir goela abaixo, por exemplo, as mudanças na mitologia do Aranha pela Sony; a distorção do passado do Wolverine, a conversão dos X-Men no Malhação: Mutante e a infantilização do Quarteto Fantástico pela Fox; as subsequentes sacanagens que o Justiceiro sofre nas telas e as piadas de mau gosto que fizeram com o Demolidor, Elektra e o Motoqueiro Fantasma). Porém a Marvel criou seu próprio estúdio e de lá saíram coisas boas (Homem de Ferro, O Incrível Hulk), prometendo vir coisas ainda melhores (o segundo do Latinha, Thor, Capitão América, Os Vingadores). O Marvel Studios inclusive passou ileso (até agora) pela incorporação da empresa pela Disney – que nao é boba e deixou tudo do jeito que está.

A DC é da Warner, um grade estúdio. Ou seja, está mais vulnerável às influências externas sobre o destino de seus personagens. Isso já se traduziu em diversas confusões num passado recente – mas depois de O Cavaleiro das Trevas e Homem de Ferro parece que a ficha caiu e resolveram levar o assunto mais a sério.

Fica este post fixo pras informações sobre os vindouros filmes da DC – a Detective Comics. Depois de lançados – caso mereçam – ganham um post só pra eles.

*****

Alguns que já foram merecedores de destaque por aqui:

Os filmes da Marvel

Marvel Films
Marvel Films

Como o post do Homem de Ferro virou uma miscelânia de informações (tem Marvel, tem DC, tem pirataria, tem crítica…) resolvi tentar salvar a (boa) lavoura e colocar alguma ordem na casa.

Fica este post fixo pras informações sobre os vindouros filmes da Marvel – a Casa das Ideias. Depois de lançados – caso mereçam – ganham um post só pra eles.

*****

Alguns que já foram merecedores de destaque por aqui:

O bom e velho Pato

Originalmente publicado no Blá Blá Gol

Como grande fã dos mascotes que sou, não posso deixar passar em branco o aniversário de um dos grandes símbolos atemporais do Botafogo de Futebol e Regatas: o Pato Donald completou dia 09 de junho de 2009 os seus bem vividos 75 anos – com motivos de sobra pra destilar o seu famoso e carismático mau humor em cima do Botafogo.

Lorenzo Mollas, chargista argentino que trabalhou no Rio de Janeiro nas décadas de 1940 e 50, vestiu o Pato Donald com a camisa do Botafogo nos anos 40. Logo, a personagem de desenhos da Walt Disney foi adotada como mascote pela torcida. Mollas escolheu o Pato Donald porque ele reclama seus direitos, luta, briga e defende-se, como eram os dirigentes alvinegros da época, e, ainda, sem perder a sua elegância ao deslizar pelas águas, aludindo à prática do remo. (Fonte: Wikipédia)

Donald, Garrincha, Túlio Maravilha, Biriba… símbolos que ainda apaixonam pelo Botafogo até hoje.

Gelados, surtados e roqueiros

Vai uma sonzeira dos anos 70 (os melhores) para homenagear os mais incríveis personagens de animação já inventados pelo homem: os geniais (e alvinegros) Pinguins de Madagascar – Capitão (Skipper), Kowalski, Recruta (Private) e Rico. Nem o Akinator conseguiu ser indiferente a cada uma dessas figuraças.

Numa das mais impagáveis cenas do engraçadíssimo Madagascar 2, a trilha emoldura as brilhantes sandices de engenharia do quarteto feliz. Então nada melhor pra mim do que registrar as duas excelências aqui.

Sonzaço do BostonMore than a feeling (1976):

Você não viu nada…