Dez coisas boas e dez coisas ruins sobre ‘Homem de Ferro 3’

Não rolou, hein...

SPOILERS À FRENTE. Se não viu o filme ainda, DÊ MEIA VOLTA.

Eu avisei.

GOSTEI:

  1. Igor
  2. A ideia das diferentes armaduras.
  3. Manter o conceito de que a quantidade de armaduras implica na queda de qualidade das mesmas.
  4. A fidedignidade das crises de ansiedade.
  5. A ideia sobre o Mandarim (que não é o dos quadrinhos).
  6. Pepper de armadura.
  7. Manter o Happy Hogan.
  8. Focar o enredo mais no Stark.
  9. O Fator Burton-Schumacher: ‘Homem de Ferro 3’ fez ‘Homem de Ferro 2’ ficar bom.
  10. Igor². É muito legal.

NÃO GOSTEI (na verdade a palavra é DETESTEI):

  1. Criaram uma penca de armaduras bacanas pra não explorar direito nenhuma delas. A Igor é carismática demais!
  2. Miguchice forçada com o molecote.
  3. TIRAR TODO E QUALQUER ROCK AND ROLL DO FILME PRA COLOCAR DANCE MUSIC. Isso é IMPERDOÁVEL! O universo do Homem de Ferro foi construído em torno de AC/DC e Black Sabbath. Renegar essas bandas é TRAIÇÃO.
  4. É o mais fraco entre TODOS os filmes DA MARVEL no cinema (Fox e Sony fora, ok?). Ignora sementes plantadas nos HF’s anteriores e n’Os Vingadores. É um filme desconexo, perdido no tempo e no espaço do universo Marvel – parece até que propositalmente.
  5. O Mandarim que não é o dos quadrinhos, apesar da boa sacada. Mas se no primeiro criaram todo o campo pro vilão, porque jogar tudo fora assim tão irresponsavelmente?
  6. Pepper soltando fogo pelos óio. TNC.
  7. Descaracterizar o Happy Hogan. Virou um bocó mal explorado. Depois daquela cena com a Viúva Negra em HF2, tinha atingido status de coadjuvante importante.
  8. Focar DEMAIS o enredo no Stark e em seres humanos cuspindo fogo e exprudindo. A melhor frase do filme é do RECHAÇADO James Rhodes: ‘Ah, então você cospe fogo pela boca?’. Parece que até o filme riu de si mesmo.
  9. Iron Patriot? QUEREMOS O WAR MACHINE DE VOLTA!! Patriota de Ferro bunda-mole da porra…
  10. Tony Stark tirar o reator ark (aliás, MUITÍSSIMO mal feito) do peito? AH, VÁ TOMAR NO C*!!!

*****

Resumo da ópera: DECEPCIONANTE. Nota 6 porque tô de bom humor.

Gaburah Best of 2011

A versão 2011, via blog, tem como madrinha da ideia a @marifiorentino.

And the Tiny Little Golden Gaburah Cookie goes to...

Então lá vai o resultado do Gaburah Best of 2011. Rufem os tambores!!

  • Filme do ano: Essa foi difícil, confesso. A média foi baixa. Em se falando de cinema, no entanto, o grande destaque foi o documentário Back and Forth do Foo Fighters (aliás, 2011 foi o grande ano da banda de Dave Grohl). Quem não teve o prazer de assistir no cinema, tenta ver em vídeo. Muito foda. Mas se eu for obrigado a escolher um filme convencional, provavelmente direi X-Men: First Class – que, mesmo assim, teve os seus poréns.
  • Fiasco do ano no cinema: Deu empate. O Besouro Verde de Seth Rogen e Conan, o Bárbaro (Momoa é o único inocente naquilo ali).
  • Categoria ‘Preciso arranjar outro empresário com urgência‘ do ano: Christoph Waltz (pelo conjunto da obra – O Besouro Verde e Os Três Mosqueteiros)
  • Música do ano: Barbada. Rope, do Foo Fighters
  • Categoria ‘Agora é tarde, Gaburah‘ do ano: shows do Velvet Revolver
  • Show do ano: Alice in Chains, no SWU. Pela energia mesmo debaixo do dilúvio e por corresponder à longa expectativa.
  • Piada de mau gosto do ano: Botafogo de Futebol e Regatas, sagrando-se BICAMPEÃO no quesito =/
  • Grande Expectativa para 2012: Os Mercenários 2, longe. Colocando até pesos-pesados como Os Vingadores e O Hobbit no bolso (e alguém acha que Bilbo ou o Capitão América são páreo para Stallone+Willis+Schwarza+CHUCK NORRIS+Van Damme??)

E como premiação que se preze tem que ter número musical, então lá vai a vencedora do ano de 2011:

O Lanterna Está Verde ou ‘Não esqueça de carregar seu anel a cada 24 horas’

     Admito, quando o filme do Lanterna estreou em julho nos EUA com bilheterias abaixo do padrão requerido pra esse tipo de filme(não foi baixa, foi abaixo do esperado), comecei a ficar bem pessimista. Mas já adianto: achei um filme legal, um bom filme, que poderia ser melhor, mas em si um bom filme. Tem defeitos sim, mas nada que não possa ser corrigido em uma continuação.

A primeira crítica que aqui faço é não só ao filme, mas à total falta de unidade entre os filmes da DC. A unidade que há entre os filmes da Marvel é bem legal, e a DC/Warner não precisava copiar, mas criar sua versão da continuidade nos filmes. Exemplo disso é a péssima forma que a personagem de Angela Basset, a agente governamental Amanda Waller (fundadora do Esquadrão Suicida nas hqs) é aproveitada no filme.

Bem,vamos ao que interessa: depois que assisti ao filme e cheguei à conclusão que ele é legal, vi que o filme merece um voto de confiança pra uma continuação (que até já foi confirmada). Esse foi um filme de origem, que é bem contada (com exceção à não citação dos caçadores cósmicos, que são a criação frustrada dos guardiões pré-lanternas) de introdução. Tanto que personagens coadjuvantes com potenciais incríveis – como os Lanternas Kilowog e Tomar-re (respectivamente com as vozes de Michael Clark Duncan e Geoffrey Rush, geniais) e o meu preferido do filme SINESTRO (com atuação breve porém soberba, em minha opinião, e com uma caracterização de personagem com uso de próteses e maquiagem que rivaliza com o Caveira Vermelha de Capitão América – O Primeiro Vingador), não tem a participação merecida no filme.

Um dos problemas do filme é dedicar muito tempo do mesmo à relação amorosa/profissional entre Hal Jordan e Carol Ferris (Blake Lively ficou bem no papel) e pouquíssimo tempo o lado piloto destemido de Jordan. A adaptação tem elementos do grande trabalho que o roteirista (e atualmente um dos bam bam bams da DC) Geoff Johns, tem feito com a mitologia do personagem ao longo dos últimos anos (mas claro que este bebeu na origem definitiva do personagem escrita por Keith Giffen, Gerard Jones, James Owsley e com desenhos de M.D.Bright: Amanhecer Esmeralda). Um vilão clássico do Lanterna, Hector Hammond, ganha um intérprete à sua altura: Peter Sarsgaard rouba várias cenas.

Bem, estou eu aqui enrolando e nada de falar no protagonista: Hal Jordan/Ryan Reinolds. A grande questão é que ao mesmo tempo em que, em várias cenas, o ator faz o espectador crer que está vendo um jovem, arrogante e irresponsável Hal Jordan. Em outras cenas ele mostra os mesmos cacoetes e caretas que mostra em comédias românticas e afins. Mesmo tendo gostado parcialmente de sua atuação, ele pode render mais em uma continuação. A direção de Martin Campbell é competente, apesar do filme só empolgar em algumas cenas, porém o roteiro está meio aquém da mitologia do personagem.

Voltando à origem, um fato que existe na atual origem do personagem (Lanterna Verde – Origem Secreta,de Geoff Johns e Ivan Reis, Ed. Panini): o fato de que por um ato de rebeldia Jordan deixou a Força Aérea pra se tornar piloto de testes da Ferris Aeronáutica. Dessa mesma HQ, poderia ter sido retirado um grande easter egg: em determinado momento um grupo de cadetes da Força Aérea arranja briga com um grupo de fuzileiros navais, e neste grupo de fuzileiros estava um jovem John Stewart, o já clássico substituto de Hal Jordan como Lanterna do setor 2814 (cujo desenho da Liga da Justiça fez o grande favor de mostrar em uma nova  e incrível versão, popularizando-o – outra boa ideia para futuros filmes).

Agora, um lance que realmente me incomodou foi uma questão digamos “técnica” (que também me fez torcer o nariz para os filmes do Homem-Aranha): o Teioso não tinha, nos filmes de Sam Raimi, lançadores de teia artificiais. No filme do Lanterna não é mencionado de forma clara que o anel precisa ser carregado à cada 24 horas.

Aguardemos a já confirmada continuação, e que ela seja um “A Ira de Khan”, um “Superman 2”, um “Dark Knight”, um “X-Men 2”, um “Império Contra-Ataca” para essa franquia que, se tiver sua mitologia bem explorada, promete.

P.S.: Não perca de modo algum a cena pós-créditos. Ela é tudo, menos verde, e dá a indicação do que pode estar por vir…

O Primeiro Vingador – para @marifiorentino

Capitão América assistido faz umas duas semanas. E só agora sai post. E só porque a Marianna cobrou…

Ah, essa idade avançada… rsrs

A Marvel guardou o seu Vingador mais emblemático (vejam bem, não disse que guardou o seu melhor personagem, mas sim o mais emblemático) para o fim, uma espécie de cereja do bolo de expecativas (a esta altura insuportáveis) para o filme da sua super-boys band [Stark, Tony. 2010] em 2012.

Pra arrematar, as artes promocionais do filme foram sensacionais

Deu certo? Pode-se dizer que sim. Mas se a intenção era essa mesmo, teria sido melhor começar com outro e deixar o Homem de Ferro pro fim. Por mais legaizinhos que os filmes-solo de cada Vingador tenham sido, NENHUM chegou MINIMAMENTE PERTO do Latinha. A dupla Favreau-Downey Jr, temperada pelos brilhos de Jeff Bridges e  Gwyneth Paltrow, simplesmente colocou a barra alta demais para a Marvel. Criaram uma obra-prima do gênero. Chamar Homem de Ferro de algo menor que isso é uma injustiça imperdoável.

Os outros foram meio pra cumprir tabela, mas divertiram – fosse pela avidez de fã ou pelas produções caprichosas. Ainda assim, a Marvel deu show de inteligência (coisa que a DC simplesmente não consegue): sempre com o universo verossímil estabelecido pelo filme do Gladiador Dourado em mente, as sequências não fizeram feio e foram felizes no que se propuseram.

O filme de cada Vingador trouxe mais alguns elementos ao produto final, a ser lançado ano que vem e quando teremos então a conclusão de uma verdadeira SAGA de seis capítulos: dois Homem’s de Ferro, um Hulk (o de Ang Lee não conta nessa), um Thor e um Capitão América. Malandramente, a Marvel colocou pistas e informações em cada um deles que deliciaram os nerds aficcionados (meu caso) e não farão tanta falta assim pra quem não acompanha os quadrinhos. No fim, a garantia de satisfação é universal.

Na minha ótica dos filmes, ficou assim: Homem de Ferro >>>>>>>> Hulk > Capitão América > Thor

Quanto ao Capitão América, não dava pra esperar de Joe Johnston (que fez coisas legais pacas como Hidalgo e Jurassic Park III e salvou O Lobisomem na medida do possível) menos do que um filme divertido. Um certo clima de Indiana Jones que permeia a película dá o charme adequado à história do Bandeiroso, decisão acertada do estúdio e do inteligente diretor ao tentar dar uma personalidade distinta ao filme do herói. Foram felizes, sem dúvida.

Mas como em quase todo filme de heróis, o vilão é o grande ponto alto. Hugo Weaving, bicho… o cara é TÃO foda que não tem o menor medo de se esconder atrás de maquiagem pesada durante a maior parte do filme (coisa que já tinha feito em V de Vingança). E rouba a cena transpirando maldade e loucura na pele do Caveira Vermelha. Excelente mesmo. O previamente cotado para o papel era Christoph Waltz, que também teria tudo pra dar outro show. Mas Weaving só fez coisa boa, então era barbada. E Chris Evans não compromete. Apesar de ser um cara com uma forte veia cômica, conseguiu imprimir a ingenuidade inerente ao Steve Rogers primordial (lembrando que o Capitão tomou muito fogo – amigo e inimigo – até construir o perfil com que os quadrinhos o apresentam hoje).

Assim, enfim em 2012 é a hora de gritar dentro do cinema (tenho CERTEZA de que o farei):

AVENGERS ASSEMBLE!!

Tomara que o mundo não acabe antes.

A primeira vez dos X-Men

AVISO: este texto contém pesados SPOILERS. Se ainda não viu o filme, é recomendável que dê meia volta e retorne outro dia. Eu avisei.

Cerca de uns cinco meses atrás começou uma polêmica danada na internet com foco em algumas imagens publicitárias inacabadas dos personagens de X-Men: First Class. Geral caiu de pau e deu-se início então a uma vasta campanha difamatória do filme, que até levou o diretor Matthew Vaughn (que já tem fama de ser um sujeito tradicionalmente pouco paciente) a perder a compostura em entrevista.

A First Class original

Devo ter alguma testemunha sobre isso: se houve uma dúvida que NUNCA tive, foi a de que esse filme seria, invariavelmente, bom. Minha lista de razões era encabeçada pelos selos de qualidade James McAvoy e Michael Fassbender (atores absurdamente bons), o próprio diretor (que fez o injustamente subestimado Stardust e o divertido Kick-Ass) e o fato de Bryan Singer estar fora da direção (é produtor neste aqui).

Se magoei alguém, explico: simplesmente não gostei de nenhum dos filmes anteriores dos X-Men, isso pra nem mencionar o samba do crioulo doido que foi o filme solo do Wolverine. Singer divide essa culpa com a FOX (detentora dos direitos cinematográficos de todo e qualquer mutante que a Marvel tenha criado em seus mais de oitenta anos de história, e que justamente por isso toma toda e qualquer liberdade que queira com os personagens) e com a própria Marvel (que os vendeu na base do sufoco). Mesmo no ótimo Os Suspeitos, Singer (na minha modesta opinião) mostrou que é um cineasta de roteiro, um cara que prima o que faz puxando pela inteligência (do texto e de quem assiste).

E é bem aí que mora o problema. Uma das razões da Marvel ser tão querida é justamente porque em suas páginas a porrada canta solta. É ação em cima de ação. E ação não é o forte de Singer.

Mas pra falar deste filme aqui, o primeiro verdadeiramente bom sobre o mais famoso grupo de mutantes da Casa das Ideias, funciona. E é simplesmente empolgante enquanto gira suas atenções na origem e nas ações de seus protagonistas (Magneto e Professor X). Se o filme pairasse somente sobre a história de ambos, seria um épico. O tom de filme de espionagem, a estética, a trilha sonora… tudo funciona e contribui para adensar a atmosfera histórica em cujo contexto o enredo está enraigado. Michael Fassbender faz um Magneto literalmente magnético, um personagem com o qual é simplesmente impossível não se envolver. E até torcer, mesmo do alto de suas ações radicais (mas a gente entende porque ele chegou àquele ponto). O que só fez crescer a qualidade de James McAvoy por tabela, colocando seu Professor X em pé de igualdade com o mestre do magnetismo na tela. Fosse outro ator, provavelmente teria sido colocado no bolso por Fassbender. Uma aula de dramaturgia, pasmem, num filmão descaradamente pipoca.

E se Magneto não é, por definição, o grande antagonista do filme, nenhum dos dois teria condição de mostrar serviço não fosse a caracterização brilhante que Kevin Bacon dá a seu Sebastian Shaw (um mutante que, confesso, em minha adolescência quadrinista nunca entendi direito qual poder possuía. Só percebia que ele era um pica das galáxias e tal, mas não sabia bem o porquê). Quando o chefão do Clube do Inferno aparece na tela, faz medo em Charles e Eric. Não é tarefa fácil, acreditem.

O cara é O CARA.

E aí entra o calcanhar de Aquiles do filme: justamente, oras oras, os próprios X-Men. Pra começo de conversa, a FOX paga de cara pela sua ingerência dos personagens. Já que já usou uma penca dos X-Men da Primeira Classe original nos outros filmes, não dava pra respeitar a mitologia neste (os outros filmes são referências intangíveis, porém frequentes durante o First Class). Então saem o Anjo, o Cíclope, o Homem de Gelo e Jean Grey e entram o Destruidor (vá lá, é contemporâneo), Darwin (nem lembrava desse, se é que existiu nos quadrinhos), MÍSTICA (!!) e a Firefly (obscura personagem de enésimo escalão, que na tradução em português sofreu o infeliz rebatismo de… ANJO! Puta que pariu…). O resultado é uma espécie de Malhação: Mutante, que tem toda a cara de que foi feito para agradar aos fãs de Crepúsculo.

Da First Class mesmo, sobraram Banshee (forcei?) e o Fera (cuja origem até que foi respeitada, apesar de um certo exagero nas atribuições do Dr. McCoy). Aliás, outro ponto fraco é justamente o visual do Azulão. Ficou parecendo bicho de pelúcia daqueles brinquedos caça-níquel… muito esquisito. Dava impressão que espetava.

E falando em pontos fracos, outro deles é uma caricata cena de combate aéreo entre Banshee e Firefly. Coisa de filme dos Trapalhões aquilo ali.

E Azazel no filme? Cronologicamente errado, mas uma figura importante que protagoniza algumas das melhores cenas de ação. Noturno ficaria orgulhoso de ver o papai em combate.

E faltou peito à FOX na hora de mostar PORQUE Magneto é vilão mesmo. Quem conhece alguma coisa dos quadrinhos, deve se rasgar de raiva com o desfecho da cena do embate entre ele e as frotas navais americana e soviética. Afinaram bonito e perderam a chance de fazer um troço denso, adulto, a la Watchmen. Mas é um filme pra criança, Gaburah… eu sei, mas sou chato. Nas HQ’s aquilo é altamente impactante. Ilustro minha frustração mais ou menos assim.

Mas nada, repito: NADA supera minha decepção com a Rainha Branca. Emma Frost mereceria (e poderia ter tido) um acabamento MUITO melhor nas telas. Jogaram um balde de água gelada em cima de um dos meus maiores fetiches adolescentes. Essa eu não perdôo, entra como uma das maiores decepções pessoais nas adaptações cinematográficas de quadrinhos.

*****

Se um dia considerarem Fassbender para ser o próximo James Bond, desde já garanto meu apoio incondicional.

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Não, Wolverine não está mesmo (…) no filme. Mas a razão que arranjaram pra isso é tão simples quanto GENIAL.

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Não tem cena pós-créditos. Podem sair correndo pro banheiro tranquilos.

A pirate’s life for me!

Já virou clássico pessoal. Esse vai desafiar os limites intransponíveis de tempo e espaço na minha preferência.

Piratas do Rock (The boat that rocked, 2009) ilustra o panorama das rádios (literalmente) piratas que transmitiam rock and roll e música pop na Inglaterra dos anos 60. À época o som era altamente marginalizado no Reino Unido, e pra quem pode imaginar que as causas dessa perseguição eram as boas e velhas moral e bons costumes, vai se surpreender com as razões apontadas de maneira simples, porém genial no filme.

No afiadíssimo elenco – todo excelente, desde os coadjuvantes menos conhecidos a Phillip Seymour Hoffman (hilário) – destacam-se as figuras de Rhys Ifans e principalmente Bill Nighy (num papel menor, mas que rouba o show), passando pelo figuraça Nick Frost e uma Emma Thompson porra-louquíssima. Até o antipático papel de Kenneth Branagh é divertido.

Se isso ainda não foi suficiente pra convencer a assistir, adicione a trilha sonora repleta de hits mais e menos conhecidos do rock and roll da época. Desde The Kinks, The Who, Stones, Hendrix, Beach Boys até Dusty Springfield e Smokey Robinson, com espaço também para a sempre sensacional versão de Burt Bacharach para This guy’s in love with you (aquela mesma que o Mike Patton tanto ama).

Fica a dica. Depois podem passar aqui pra agradecer.

O Oscar vale como indicador?

A cerimônia do Oscar no final de fevereiro desse ano premiou como melhor filme o “Discurso do Rei”. Fui assistir o filme durante o primeiro carnaval que fico no Rio depois de uns quinze anos. Gostei.

Conversando com colega que também assistiu e não achou o filme nada demais comentei de supetão: “Porra, ganhou o Oscar”. Na mesma hora ele me lembrou do recente “Guerra ao Terror” que nem como filme ele classificou, mas como um ruim documentário. Eu não vi esse.

Recorri, então, à Wikipedia para pegar os filmes vencedores do prêmio máximo do cinema desde 1991 e verificar sua eficácia. Para tentar minimizar um pouco o subjetivismo da simples análise não coloquei como ‘gostei’ ou ‘não gostei’, mas se ‘valeu’ ou ‘não valeu’ ir assistir (de azul estão as opiniões que não são minhas pois não assisti tais filmes).

Academia com bom aproveitamento

Ou seja, eu tenho aproveitamento total. Recomendo todos esses que assisti. No agregado, por volta de 86% dos filmes que faturaram o Oscar agradaram nesses últimos 20 anos. Com esse bom aproveitamento a resposta para o título-pergunta ficou fácil.

Tropa 2 – O buraco é mais embaixo…

Rafael Bender é rubronegro tradicional, ou seja, chato pra cacete. Mas toda a celeuma em torno das questões futebolísticas fica restrita ao  Blá Blá Gol, blog reconhecido pela ONU como o Oriente Médio dos blogs sobre futebol. No geral, é uma cara bacana, um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones

Por Rafael Bender

Tropa de Elite já tinha virado polêmica antes mesmo de começar com toda a pirataria que envolveu o lançamento do 1º filme. Para a segunda trama foi montado um grande esquema de segurança. Um filme que suscita séries de discussões já pode ser considerado bom. Mas Tropa 2 é ainda mais. Como o Tropa 1 prende a atenção desde o primeiro minuto.

A comparação entre os 2 longas torna-se inevitável. Enquanto o primeiro discorre sobre a hipocrisia de uma sociedade, traça o cotidiano corrupto do “sistema” (em especial a Polícia Militar) e mostra as operações e forma de agir do BOPE, o segundo tem uma história mais abrangente. Tropa de Elite 2 não se resume apenas ao BOPE e ao maconheiro que acha não ter nada demais queimar unzinho. José Padilha aproveitou com maestria o sucesso do 1º filme e lançou o 2º, novamente se utilizando de um problema do Rio de Janeiro mas, dessa vez, o expandiu como um problema do país.

[SPOILERS ON]

O filme mostra um Capitão Nascimento (agora Tenente-Coronel do BOPE) 10 anos mais maduro. Quando “cai pra cima”, como ele mesmo define no filme, torna-se subsecretário de Segurança Pública do Estado do Rio. Com o up-grade, reestrutura o BOPE, transformando-o “numa máquina de guerra”. Tema muito atual da realidade do Rio de Janeiro: com o combate ao crime organizado sendo eficaz, os policiais corruptos sacaram a chance de uma nova forma de organização (auto-ajuste do “sistema”) em detrimento ao tráfico de drogas, as milícias. Dessa forma, vai-se direto na fonte e elimina-se o intermediário (traficantes), o que sempre aumenta o lucro.

Ali, Nascimento percebe (ou demora a perceber) que o buraco é mais embaixo. A rede é maior do que se imagina. O “sistema” é todo interligado. Desde os peixes grandes aos nanicos. Padilha escancara toda a hipocrisia e cara-de-pau dos políticos brasileiros como a participação do governador em festividades nas favelas com milicianos armados e com sensacionalistas apresentadores de TV de duas caras (políticos). Assistindo ao filme pensava comigo: “corajoso esse cara é”.

O filme ainda traz uma figura manjada na nossa vida real, porém essencial para as discussões no filme: um pseudo-intelectual de esquerda. Capitão Nascimento trava uma batalha pessoal no campo ideológico com o cara dos “Direitos Humanos” que quase chega às vias de fato (assistindo ao filme entende-se o por quê). Posteriormente, percebem que estão do mesmo lado, mas com visões diferentes.

As politicagens, artimanhas, os detalhes, os mecanismos, os interesses diversos, tudo é abordado na trama. Muito interessante é o foco do filme, principalmente nessa época de campanhas eleitorais e seus “financiamentos”. A maconha e o pó, objetos de consumo do Tropa 1, dão lugar ao voto. É a corrida, a busca pelo poder. O “sistema” é todo voltado visando à perpetuação dos corruptos.

Capitão Nascimento parte para o combate, mas percebe que a guerra que trava contra o “sistema” é inútil, através de sua relação (até certo ponto complicada) com seu filho adolescente. A cena final do filme deixa claro quando o protagonista solta o verbo na Assembléia Legislativa dizendo que não tinha como responder à pergunta feita pelo filho quando ainda era criança. Se a louça está acumulada, imunda e cheia de resto de comida, não adianta matar a barata, pois aparece outra. É preciso fazer a limpeza da pia. Dá muito mais trabalho, mas é o que resolve.

Como tudo é jogado na cara, você passa a refletir sobre alguns problemas do seu próprio cotidiano que, na teoria, seriam simples de serem resolvidos. Dois exemplos que me veem é o acúmulo da função de trocador nos ônibus pelo motorista e a merda do comprovante de pagamento que apaga 1 mês depois. Era para ser simples. Determinava uma lei impedindo tais abusos e ponto. Mas a força política dos donos de empresas de ônibus e dos bancos provavelmente é grande. Está tudo no “sistema”.

Depois, para não deixar dúvidas, Padilha ainda dá um take onde é mostrada Brasília. Pra mim, faltou a legenda: “QG Central”, mas ficou subentendido.

Claro que já rolam boatos de um 3º filme. Padilha afirmou que não tem a intenção de um Tropa 3. Eu concordo com ele, não é necessário. O recado está dado.

****

Quanto ao aspecto técnico do filme não posso opinar muito. Sou um mero apreciador de bons filmes, bons efeitos e bons atores. Sei que além da mega qualidade da produção, me surpreendeu em Tropa de Elite 2 as atuações de quase todos os atores (inclusive com um toque de humor).

Arriscando-me um pouco.

Tive a impressão que as cenas do Tropa 2 foram mais curtas que do 1. Era muito assunto para um filme só.

Mais detalhes sobre cenas, o que você achou disso, daquilo… nos comentários. Até porque já explanei demais e tem maluco que ainda não assistiu.

Gaburéx, qual foi a trilogia mais foda que vc assistiu?

A singela pergunta foi feita pelo rubro-negro Bender (um dos editores mais carismáticos do Blá Blá Gol) no Open-Bar. Como a página é a mais volátil do blog futebolístico, Victor – o Editor – sugeriu a transferência da discussão pra cá.

Segue:

Bender

To pensando no assunto. Mas preciso de Gaburés’ help.

Assisti no final de semana De Volta para o Futuro 1 e 2. Ainda falta o 3. Com certeza é uma das melhores que eu vi.

Gaburah

Que pergunta filha da puta…

Cara, pra mim são duas as trilogias mais fodas de todos os tempos:

Caçadores da Arca Perdida
Indiana Jones e o Templo da Perdição
Indiana Jones e a Última Cruzada
.

Me recuso a aceitar que o quarto filme existe, então as aventuras do Indy são e sempre serão essas três.

Por um punhado de dólares
Por uns dólares a mais
Três homens em conflito (o famoso The good, the bad and the ugly)

Clint Eastwood, Lee Van Cleef, Eli Wallach e Sergio Leone. Não digo mais nada.

*****

Outras trilogias que quase chegaram nessas são O Senhor dos Anéis, a trilogia original de Guerra na Estrelas (mesmo caso do Indiana) e o bem citado De volta para o futuro.

Mas Indy e Leone ganham de todas, fácil.

Mas espera aí!

Quero deixar claro que chorei lágrimas de sangue no cinema com O Senhor dos Anéis, que Guerra na Estrelas me fez mudar para sempre a maneira como eu via cinema e que De Volta para o Futuro foi parte fundamental da minha infância/aborrecência.

Só que dentre elas, nenhuma me causou tanto impacto quanto os filme do Indy e a famosa Trilogia dos Dólares (que só fui ter o prazer de ver e entender depois de burro velho).

Cinema é um troço foda.

E aliás, se ainda vai assistir De Volta para o Futuro 3, também está prestes a entender como a Trilogia dos Dólares é absurdamente foda.

De fato, é um páreo duro. Há quem ainda vá apelar com outras produções até mais pomposas, porém indiscutivelmente menos impactantes.

Não bastasse a Trilogia dos Dólares ser um marco do western spaguetti, Três homens em conflito (o epílogo da saga) disputa desde sempre o título de Maior Faroeste de Todos os Tempos com Era uma vez no Oeste, outro clássico obrigatório pra quem se diz fã de cinema.

Uma maravilha da sétima arte, para a qual não quero deixar (mais) impressões pessoais. Prefiro deixar o trailer na tentativa de inspirar quem não viu a fazê-lo.

Os filmes da DC (leia-se Warner)

Parece DC, mas é Warner
Parece DC, mas é Warner

Como o post do Homem de Ferro virou uma miscelânia de informações (tem Marvel, tem DC, tem pirataria, tem crítica…) resolvi tentar salvar a (boa) lavoura e colocar alguma ordem na casa.

A DC sofre do mal que a Marvel – em parte – se livrou. A Casa das Ideias vendeu os direitos de alguns personagens para outros estúdios (e precisa engolir goela abaixo, por exemplo, as mudanças na mitologia do Aranha pela Sony; a distorção do passado do Wolverine, a conversão dos X-Men no Malhação: Mutante e a infantilização do Quarteto Fantástico pela Fox; as subsequentes sacanagens que o Justiceiro sofre nas telas e as piadas de mau gosto que fizeram com o Demolidor, Elektra e o Motoqueiro Fantasma). Porém a Marvel criou seu próprio estúdio e de lá saíram coisas boas (Homem de Ferro, O Incrível Hulk), prometendo vir coisas ainda melhores (o segundo do Latinha, Thor, Capitão América, Os Vingadores). O Marvel Studios inclusive passou ileso (até agora) pela incorporação da empresa pela Disney – que nao é boba e deixou tudo do jeito que está.

A DC é da Warner, um grade estúdio. Ou seja, está mais vulnerável às influências externas sobre o destino de seus personagens. Isso já se traduziu em diversas confusões num passado recente – mas depois de O Cavaleiro das Trevas e Homem de Ferro parece que a ficha caiu e resolveram levar o assunto mais a sério.

Fica este post fixo pras informações sobre os vindouros filmes da DC – a Detective Comics. Depois de lançados – caso mereçam – ganham um post só pra eles.

*****

Alguns que já foram merecedores de destaque por aqui: