RioComiCon é uma furada pra quem quer… Quadrinhos?

Vinícius Chaves – o @vinionline – é flamenguista, pai fresco e costuma ninar o pequeno Heitor com clássicos da chanson française. Um old school nerd que, assim como eu, anseia pelo dia em que uma visita à ComicCon de San Diego vai se tornar mais economicamente viável. Nesse meio tempo, fuça suas antigas páginas da Heróis da TV e da Superaventuras Marvel atrás de alguma pista que explique como é que o Coisa vai ao banheiro…

Por Vinícius Chaves

A Primeira Impressão é a que fica…

Estava esperando ansiosamente pelo dia de hoje: 1º dia da RioComicon. Escolhi esse dia pois era o único disponível na minha atual agenda de pai de bebê de 2 meses. Fui no intuito de ver algumas exposições, comprar uns gibis e umas action figures talvez.

Bem, só o meu primeiro desejo foi realizado.

Há uma grande exposição sobre a principal estrela do evento, o genial Milo Manara. O design da entrada da exposição de Manara foi muito bem sacado: é um buraco de fechadura. Existem exposições também de quadrinhos independentes (que dominam o evento e mais tarde falarei), algumas outras estrelas (como Kevin O’Neill e Melinda Gebbie) e quadrinistas brasileiros, com destaque para os geniais Angeli, Rafael Grampá e Fabio Moon.

Batman&Robin por Rafael Grampá

Agora, quando ouvimos o termo Comicon (e não Comic Con, sei lá por que) lembramos de comics - quadrinhos em geral - sejam independentes ou sejam do “mainstream”. Esse é infelizmente um dos grandes problemas do evento. Existem poucos stands, e os que tem um visual legal pelo menos, são o da Travessa (com um infinidade de quadrinhos nacionais e estrangeiros, mas também com um enfoque fora do mainstream - tirando um ou outro gibi da Mafalda, do Hagar, etc) e o da Editora Barba Negra, com um polvo de papelão incrivelmente bem bolado, apresentando quadrinistas brasileiros como OTA e alguns outros.

Os outros expositores são o SENAC, apresentando ferramentas digitais de desenho com um enfoque bem interessante, um sebo, e pelo menos uns quatro ou cinco stands de quadrinhos (?!) independentes.

Aí alguém pode falar,”ah espera um pouco , é o primeiro dia e tal“, mas a primeira impressão é a que fica. A única esperança de quadrinhos era o stand da Panini que tinha em seu balcão o nome da editora e um panonho perfex de com combinando. Sei que haverá palestras e oficinas com grandes quadrinistas, mostra de filmes… Mas eu não queria isso, meu interesse era em quadrinhos “mainstream” e isso eles não tinham.

Gadgets e memorabilia #FAIL

Eu não queria apenas respirar HQ’s. Eu queria consumí-las e também seus derivados como camisetas, brinquedos e tais. A RioComiCon não tem isso. Claramente o enfoque principal dado foi a quadrinhos alternativos, e até acho legal no quesito de incentivar uma produção nacional, mas não era o que eu queria. A coisa mais “esquemão” que eu achei lá foi a última edição da Liga Extraordinária. E só.

Pra mim, o ingresso valeu pelas exposições - mais precisamente a do Manara, que em minha opinião tem seu ponto alto em suas colaborações com Federico Felini. Me deu saudadade da Bienal Internacional de Quadrinhos no Centro Cultural dos Correios em 1995, bons tempos… Saí de lá com um exemplar especial da “Morte do Super-Homem” que nem tinha saído nas bancas ainda, a Abril o havia lançado lá mesmo.

Mas chega de saudosismo. Aqui vai um pouco de otimismo rançoso: dá pra fazer melhor, dá pra aproveitar melhor o espaço da estação de Leopoldina e os organizadores tem que se conscientizar de que quadrinhos é “business” também, e vende pacas.

Não há nada mais triste que um nerd velho chegar em casa de mãos vazias. É muito triste.

Tropa 2 – O buraco é mais embaixo…

Rafael Bender é rubronegro tradicional, ou seja, chato pra cacete. Mas toda a celeuma em torno das questões futebolísticas fica restrita ao  Blá Blá Gol, blog reconhecido pela ONU como o Oriente Médio dos blogs sobre futebol. No geral, é uma cara bacana, um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones

Por Rafael Bender

Tropa de Elite já tinha virado polêmica antes mesmo de começar com toda a pirataria que envolveu o lançamento do 1º filme. Para a segunda trama foi montado um grande esquema de segurança. Um filme que suscita séries de discussões já pode ser considerado bom. Mas Tropa 2 é ainda mais. Como o Tropa 1 prende a atenção desde o primeiro minuto.

A comparação entre os 2 longas torna-se inevitável. Enquanto o primeiro discorre sobre a hipocrisia de uma sociedade, traça o cotidiano corrupto do “sistema” (em especial a Polícia Militar) e mostra as operações e forma de agir do BOPE, o segundo tem uma história mais abrangente. Tropa de Elite 2 não se resume apenas ao BOPE e ao maconheiro que acha não ter nada demais queimar unzinho. José Padilha aproveitou com maestria o sucesso do 1º filme e lançou o 2º, novamente se utilizando de um problema do Rio de Janeiro mas, dessa vez, o expandiu como um problema do país.

[SPOILERS ON]

O filme mostra um Capitão Nascimento (agora Tenente-Coronel do BOPE) 10 anos mais maduro. Quando “cai pra cima”, como ele mesmo define no filme, torna-se subsecretário de Segurança Pública do Estado do Rio. Com o up-grade, reestrutura o BOPE, transformando-o “numa máquina de guerra”. Tema muito atual da realidade do Rio de Janeiro: com o combate ao crime organizado sendo eficaz, os policiais corruptos sacaram a chance de uma nova forma de organização (auto-ajuste do “sistema”) em detrimento ao tráfico de drogas, as milícias. Dessa forma, vai-se direto na fonte e elimina-se o intermediário (traficantes), o que sempre aumenta o lucro.

Ali, Nascimento percebe (ou demora a perceber) que o buraco é mais embaixo. A rede é maior do que se imagina. O “sistema” é todo interligado. Desde os peixes grandes aos nanicos. Padilha escancara toda a hipocrisia e cara-de-pau dos políticos brasileiros como a participação do governador em festividades nas favelas com milicianos armados e com sensacionalistas apresentadores de TV de duas caras (políticos). Assistindo ao filme pensava comigo: “corajoso esse cara é”.

O filme ainda traz uma figura manjada na nossa vida real, porém essencial para as discussões no filme: um pseudo-intelectual de esquerda. Capitão Nascimento trava uma batalha pessoal no campo ideológico com o cara dos “Direitos Humanos” que quase chega às vias de fato (assistindo ao filme entende-se o por quê). Posteriormente, percebem que estão do mesmo lado, mas com visões diferentes.

As politicagens, artimanhas, os detalhes, os mecanismos, os interesses diversos, tudo é abordado na trama. Muito interessante é o foco do filme, principalmente nessa época de campanhas eleitorais e seus “financiamentos”. A maconha e o pó, objetos de consumo do Tropa 1, dão lugar ao voto. É a corrida, a busca pelo poder. O “sistema” é todo voltado visando à perpetuação dos corruptos.

Capitão Nascimento parte para o combate, mas percebe que a guerra que trava contra o “sistema” é inútil, através de sua relação (até certo ponto complicada) com seu filho adolescente. A cena final do filme deixa claro quando o protagonista solta o verbo na Assembléia Legislativa dizendo que não tinha como responder à pergunta feita pelo filho quando ainda era criança. Se a louça está acumulada, imunda e cheia de resto de comida, não adianta matar a barata, pois aparece outra. É preciso fazer a limpeza da pia. Dá muito mais trabalho, mas é o que resolve.

Como tudo é jogado na cara, você passa a refletir sobre alguns problemas do seu próprio cotidiano que, na teoria, seriam simples de serem resolvidos. Dois exemplos que me veem é o acúmulo da função de trocador nos ônibus pelo motorista e a merda do comprovante de pagamento que apaga 1 mês depois. Era para ser simples. Determinava uma lei impedindo tais abusos e ponto. Mas a força política dos donos de empresas de ônibus e dos bancos provavelmente é grande. Está tudo no “sistema”.

Depois, para não deixar dúvidas, Padilha ainda dá um take onde é mostrada Brasília. Pra mim, faltou a legenda: “QG Central”, mas ficou subentendido.

Claro que já rolam boatos de um 3º filme. Padilha afirmou que não tem a intenção de um Tropa 3. Eu concordo com ele, não é necessário. O recado está dado.

****

Quanto ao aspecto técnico do filme não posso opinar muito. Sou um mero apreciador de bons filmes, bons efeitos e bons atores. Sei que além da mega qualidade da produção, me surpreendeu em Tropa de Elite 2 as atuações de quase todos os atores (inclusive com um toque de humor).

Arriscando-me um pouco.

Tive a impressão que as cenas do Tropa 2 foram mais curtas que do 1. Era muito assunto para um filme só.

Mais detalhes sobre cenas, o que você achou disso, daquilo… nos comentários. Até porque já explanei demais e tem maluco que ainda não assistiu.

Merci beaucoup, Gugá!

*Originalmente publicado por mim mesmo no Blá Blá Gol

Agência/Reuters

Esse final de semana foi marcado pela despedida oficial do maior tenista brasileiro de todos os tempos, o manezinho que levou o Brasil ao primeiro lugar do ranking mundial da Associação de Tênis Profissional – um lugar até então desconhecido e utópico no imaginário coletivo tupiniquim: Gustavo Kuerten, um brasileiro de Santa Catarina, o carinhosamente conhecido Guga.

Guga ergueu três vezes a taça em Roland Garros, um dos torneios mais tradicionais do tênis mundial. Não obstante, tornou-se reconhecido no meio como um dos maiores especialistas das quadras de saibro. Ganhou seu dinheiro honesto, juntou suas conquistas e nunca deixou de ser um cara família. Jamais perdeu a humildade. E nem mesmo a paciência, na época que era crucificado pela sua queda de rendimento justificada por uma lesão que o perseguiria para o resto da carreira.

Guga fez o tênis acontecer no Brasil. E ainda assim, encontrava resistências dentro da confederação brasileira do esporte (vai entender brasileiro…). As escolas de tênis viram acontecer um boom de alunos da noite para o dia, alavancado pela performance do brasileiro nas quadras do mundo inteiro, e todos dando suas raquetadas ao som do “ãhmm” que se tornou a marca pessoal do ídolo.

O que não dá pra entender é como todas as homenagens que Guga está recebendo – as mais apaixonadas, fervorosas e sinceras – são na França. Roland Garros e seu público amam de coração o catarinense, e a despedida do tenista não poderia ser mais emocionada da sua parte e da parte de seu fiel público, uma verdadeira legião de admiradores.

Ser brasileiro é foda. O mundo inteiro gosta da gente pelo perfil, pela simplicidade, pelo carisma.

Mas aqui dentro mesmo estamos anos-luz de servir de exemplo quando o assunto é o reconhecimento. Nesse ponto, é foda ser brasileiro…

Guga, obrigado por tudo. Ainda que eu mesmo não seja um notório apreciador do tênis, sei sim reconhecer um grande exemplo de brasileiro quando este leva o nome do Brasil com dignidade onde quer que vá.

Valeu, manezinho!

*****

Belíssima homenagem na França.
Um troféu magnífico, que muitos que chegarão às finais gostariam de estar ganhando como o herói que caiu ainda na primeira rodada.
Essa é, orgulhosamente, uma das fotos que ficam eternizadas na história do esporte brasileiro.

Adeus, Beto Carrero

À 0:05h de hoje, o Brasil perdeu um de seus mais ilustres cidadãos.

Vítima de um quadro de insuficiência cardíaca, Beto Carrero faleceu aos 70 anos de idade.

Quando soube, tratei a notícia como mais uma daquelas piadas de morte que brasileiro adora. Mas quando constatei a veracidade, lamentei principalmente a perda de uma pessoa que realmente fará falta.

Nunca conheci pessoalmente, mas sem dúvida Beto Carrero é uma das referências construtivas da minha infância, bem como de muitos brasileiros de todas as idades.

Beto Carrero, e seu alter-ego João Batista Sérgio Murad, deixam o legado de um parque temático muito bem estruturado que resistiu a crises econômicas e modismos, além da imagem de uma pessoa de bem, preocupada em perpetuar os valores da preservação ambiental, do amor e respeito aos animais, do respeito aos idosos e da generosidade, calcada desde seus programas educativos até o simples gesto de estender a mão ao Dedé Santana quando todo o meio artístico lhe deu as costas.

O Brasil perde, talvez, mais até do que imagina. Perdeu um de seus cidadãos mais exemplares.

beto-carrero.jpgQue os responsáveis por seu legado saibam honrar e perpetuar a sua memória.

Obrigado, cowboy.

 

 

Saudades da TV Colosso?

Um dos melhores humorísticos que a TV brasileira concebeu. Um programa bonitinho para as crianças e de um humor extremamente afiado para a diversão dos adultos, graças a uma equipe de redatores que tinha Angeli, Laerte, Glauco, Luiz Gê, Fernando Gonsalez entre outros (equipe nada boba, né?).

jaca-paladium.jpgMuita piada que fazia as crianças rirem tinha outra dimensão para os adultos, e mesmo assim o programa nunca perdeu a magnífica alma de ingenuidade que encantava a todos.

Uma pena ter acabado, mas no fim a excelente equipe de redatores já havia sido substituída, o que deixou o programa eminentemente infantil.

Hoje vamos de Jaca Paladium:

O verdadeiro gentleman do Brasil

Meu amor pelo samba não é dos mais desenvolvidos, todo mundo sabe. Mesmo assim, tenho que recorrer ao lugar-comum e render minha homenagem a quem sabe ser grande na sua simplicidade.

A mais pura curiosidade me fez despencar de Niterói até a Gávea só pra assistir um documentário do qual todo mundo falava na época: Paulinho da Viola – Meu tempo é hoje, que aliás tem passado no canal Futura. Quem não viu corra atrás, e depois a gente conversa. Para a minha grata surpresa, passei a admirar o cantor e compositor, mais do que pelo enorme talento, mas principalmente pelo exemplo de ser humano que é.

Paulinho é um cara que prima pela simplicidade e pelo respeito que tem pelos sambistas da Velha Guarda, e isso se vê através das inúmeras apresentações e composições com as quais nos brinda.

Não tenho conhecimento suficiente (para a minha própria tristeza) para argumentar muito tecnicamente sobre o samba. Mas enquanto música, as composições e interpretações de Paulinho da Viola elevam os espíritos dos homens de boa-vontade. Graças a ele, passei a curtir um chorinho e uma cervejinha em Santa Teresa, sempre guiado pelo meu amigo Gabão. E confesso que comecei a me perguntar porque perdi tanto tempo até conhecer esse novo e apaixonante mundo.

Pra exemplificar o que estou tentando dizer, acho que poderia resumir a idéia que faço do Paulinho em duas músicas que são apresentadas no filme. A primeira, “De Paulo da Portela a Paulinho da Viola“, de autoria de Monarco, mostra o carinho que a comunidade sambista portelense nutre pelo compositor:

Antigamente, era Paulo da Portela/Agora é Paulinho da Viola/ Paulo da Portela, nosso professor/ Paulinho da Viola, o seu sucessor/ Vejam que coisa tão bela/ O passado e o presente da nossa querida Portela

Paulo, com sua voz comovente/ Cantava ensinando a gente/ Com pureza e prazer/ O seu sucessor na mesma trilha/ É razão que hoje brilha/ Vaidade nele não se vê/ Ó Deus, conservai esse menino/ Que a Portela do seu Natalino/ Saúda com amor e paz/ Quem manda um abraço é Rufino/ Pois Candeia e Picolino lhe desejam muito mais

Bacana, né? A segunda dispensa comentários: “Foi um rio que passou em minha vida“, de autoria do próprio, onde canta seu amor pela sua escola de coração e como este lhe tomou de maneira tão arrebatadora. Uma poesia, coisa linda mesmo.

Se um dia
Meu coração for consultado
Para saber se andou errado
Será difícil negar

Meu coração tem manias de amor
Amor não é fácil de achar
A marca dos meus desenganos
Ficou, ficou
Só um amor pode apagar
A marca dos meus desenganos
Ficou, ficou
Só um amor pode apagar

Porém, ai porém
Há um caso diferente
Que marcou um breve tempo
Meu coração para sempre
Era dia de Carnaval
Carregava uma tristeza
Não pensava em novo amor
Quando alguém que não me
Lembro anunciou
Portela, Portela.
O samba trazendo alvorada
Meu coração conquistou

Ai, minha Portela
Quando vi você passar
Senti meu coração apressado
Todo meu corpo tomado
Minha alegria voltar

Não posso definir aquele azul
Não era do céu
Nem era do mar
Foi um rio que passou em
Minha vida
E meu coração se deixou levar
Foi um rio que passou em
Minha vida
E meu coração se deixou levar

Espero ter sido enfático o suficiente pra convencer meus dois leitores a catar alguma coisa sobre Paulinho da Viola e tentar ver a beleza de suas canções.