Thor e Mjölnir, salvem um pseudo-nerd!

Esse texto contém SPOILERS. É ideal que seja lido depois do filme ser assistido, mas vai de cada um. Ainda assim, quando ouver uma marcação deste tipo, significa que é algo que pode desagradar algum desavisado.

Ah, as benesses de morar em uma capital. A maior parte das coisas chega antes do resto do país e isso é muito bom. Quando descobri que Thor estreiaria no Brasil no dia 29 de abril de 2011, fiquei todo serelepe. Ora, BH com certeza estaria entre as cidades de estreia e eu me dei bem. Quando meu irmão me disse que aqui estaria no mesmo fim de semana, pensei: AGORA SIM, consegui um companheiro e é só comprar o ingresso!

Minha animação tinha razão de ser. Desde Iron Man, quando ficou claro que a Iniciativa Vingadores iria virar filme, a espera pelos filmes dos outros integrantes já ficou enorme. Vieram Hulk e Iron Man 2 que mantiveram a ótima qualidade dessa que é, talvez, a investida mais ambiciosa da história do cinema em um campo específico de público (ainda que esse campo tenha aumentado vertiginosamente em função dessa estratégia). Capitão América, por tudo que representa, também gerou uma grande comoção e com Thor não foi diferente.

Thor

Thor

Mas eu confesso: não sou um nerd quando o assunto é HQ. Ou não era. Com raríssimas exceções (Hellboy, Sandman e Sin City), eu só consegui começar a acompanhar as  histórias DEPOIS dos filmes. O que pode ser bom, porque te dá uma certa ideia de onde começar, mas, por outro lado, é ruim porque se perde muita coisa que só é recuperada revistas e revistas mais tarde, como o problema de Tony Stark com o álcool.

Enfim, cheguei pro filme animado. Entrei na sala e já avisei Gaburah o que ia assistir, que era pra deixar o cara na vontade. Thor é um dos personagens mais poderosos e fantásticos (do ponto de vista mitológico mesmo) da Marvel e eu realmente estava muito animado pra conhecer mais sobre a sua história. E, como se não bastasse tudo que o filme prometia, comprei a sessão 3D.

Vi o filme, saí do cinema impressionado e,  sabendo que poderia tirar onda com um nerd que me ensinou muito sobre HQ’s (o dono deste espaço), pensei: agora é só esperar o post do Gaburah pra discutir a porra toda. O problema é que o pedido se inverteu. Quando ele me pediu pra escrever o post eu borrei as calças.

Mas, pra fazer jus ao pedido, vai o que achei. Thor é um filmásso! Talvez não tão perfeito quanto Iron Man e Batman: Dark Knight (pra ficar na linha dos super-heróis), mas é um grande filme. Primeiramente pelo aspecto técnico que beira a perfeição. As imagens de Asgard, principalmente, são de emocionar, bem como todas as batalhas travadas no filme.

No aspecto histórico, e aqui vai a opinião de quem NÃO leu a HQ, Thor também não peca. O filme mostra bem como nasceu o Deus do Trovão, assim como ilustra de forma bastante fácil os motivos da briga entre Thor e Loki (o que sempre tinha me deixado em dúvida). Apesar de se passar num Universo fantástico, o roteiro é bastante coerente e, fora o fato de Thor ter que ser o vigilante divino na Terra por causa de uma mulher (ainda que seja a Natalie Portman), todo o resto faz bastante sentido, inclusive o modo como ele interage com a S.H.I.E.L.D..

Sem falar em atuações soberbas de Anthony Hopkins, como Odin (que surpresa!) e Tom Hiddleston, na pele de Loki, que logo de cara demonstra encarnar à perfeição o seu personagem. Natalie Portman é Natalie PortmanChris Hemsworth, nosso herói, também se encaixa bem no seu papel, apesar de não ter a mesma identificação que os dois supracitados. E o resto do time de atores manda muito bem.

Pra não falar que foi perfeito, achei, como muitos acharam, excessivas as cenas entre o casal Thor e Jane. E podia haver mais algumas batalhas, mas, nesse caso, apenas pra satisfazer minha sede de sangue.

No frigir dos ovos, Thor manteve a média alta dos filmes que dão início aos Vingadores e valeu muito a pena como programa de fim de semana. Quanto mais aprendo sobre os heróis da Marvel, mais quero adentrar nos Universos fantásticos que o pessoal de lá criou. A Iniciativa merece todos os aplausos até aqui. E o Mjölnir me fez ter mais certeza de que, em se tratando de HQ’s, ser nerd é muito maneiro.

E que venha o Capitão América!

O feriado do ano (ou “SWU – Começa com seu dinheiro”) – Dia 3

Tem certas coisas que um escritório de advocacia faz por você. Uma delas é não dar um pingo de sussego durante 6 meses, praticamente. Principalmente se você for o peixe fora d’agua naquele ambiente. Seja por ser um pouco diferente em suas opiniões ou não querer manter um padrão de comportamento que é imposto em função da combinação terno-gravata.

Não importa o curso, estagiário é tudo igual

Não importa o curso, estagiário é tudo igual

Pois é, por essas e algumas outras questões, eu não consegui escrever como foi o último dia do SWU. E, por sinal, o melhor deles. Tudo bem que posso estar correndo o risco de parecer um pouco fora do tom aqui, já que o bacana pra 2011 é o show do Macca no Rio, o Rock In Rio e mais algumas atrações que estão programadas. Mas, em virtude de preciosos momentos de procrastinação, resolvi dar vazão (ui!) ao que senti naquele que foi o melhor dia de 2010.

Dia que começou às 09:00h da segunda-feira, dia 11 de outubro de 2010. Uma das coisas mais bacanas de ir prum festival e acampar nele é ser acordado uma das suas bandas favoritas passando o som logo ali ao lado. O Queens of The Stone Age preparava tudo e eu começava a ter uma ideia do que me esperava ali.

Acordar com as bandas logo ali? Não tem preço

Acordar com as bandas logo ali? Não tem preço

Mas ainda demoraria um pouquinho. Com o esquema descoberto por um amigo, fui a uma das casas da Fazenda Maeda, consegui um banho quente e ilimitado por “módicos” R$ 10,00, sai mais feliz que pinto no lixo e fui comer qualquer coisa pro dia que se anunciava. A ideia era dar uma passada no “clube” que ficava atrás dos palcos principais e onde rolava um almoço de responsa. Não que fosse muito bom, mas era, pelo menos, arroz-feijão-e-qualquer-coisa. O almoço rolou meio que num calor de rachar, gastei um tempo conversando com meu irmão e a Nath que tinha ido com a gente e resolvemos dar uma volta no clube. Qual não foi a surpresa quando encontramos com o resto da trupe de Beagá “escornada” em volta de uma rodinha de violão em um lugar privilegiado no gramado do clube. Festivalfeelings total! Mandando de todo tipo de música, os caras que comandavam tavam agitando a galera, com direito até à narração de uma vida criminosa, aos que os intelectuiódes dão nome de “Faroeste Caboclo”. Pelo menos, foi engraçado. Até que alguém gritou o já famoso “TOCA RAUL!”. Eu, que gosto muito de Raul, mas odeio esse grito, meio que fiquei esperando pra ver o que ia acontecer até que um guri pegou a viola e, com ar de propriedade, falou: “me dá aqui que eu sei tocar”. Tudo que aconteceu depois disso vai fazer parte da minha memória pra sempre. O cara mandava bem e só soltava as melhores músicas (o que não quer dizer que fossem as mais famosas), todo mundo se animava e quando começou “Sociedade Alternativa” foi praticamente uma catarse coletiva. Sen-sa-cio-nal!

Tão sen-sa-cio-nal que rolou até gravação de um programa do Multishow com o Fernando Caruso. Um dos melhores momentos, com certeza.

Depois fui dar uma fragada no que rolava nos palcos e fui presenteado com uma ótima apresentação do Cavalera Conspiracy. Misturando faixas do novo projeto com sucessos do Sepultura, os irmãos Max e Igor Cavalera quebraram tudo e abriram o dia em grande estilo.

O pessoal se preparava pro show do Avenged Sevenfold e eu resolvi que não ia acompanhar. Na época, eu achava que seria mais um show meia-boca de uma banda emo qualquer que não teria nenhuma utilidade prática na minha vida. Por isso, fui ver o show do B-Negão e seus Seletores de Frequência. Não que eu tenha me arrependido, já que os caras do Rio mandaram muito bem, mas, depois, descobri o quanto o som do Avenged era bom. Muito bom. Uma pena não ter assistido, mas é um show que eu pretendo aparecer quando rolar novamente. E quem viu falou que foi dos melhores da noite.

Show esse que antecedeu uma das minhas maiores esperas. Incubus, banda californiana de ótimo som e extremamente competente, ia se apresentar num dos palcos principais e eu não ia perder. E valeu muito a pena correr pra não perder Brandon Boyd arrebentando nos vocais. O show ia muito bem, mas muito bem mesmo e quando começou a ficar ótimo, parou. Um dos grandes problemas de um festival com bandas boas é que algumas tem que ter menos tempo pra outras terem mais. Incubus foi assim. Apesar do setlist ter sido ótimo, faltaram alguns sucessos, como Made For TV Movie e , o que deixou um gosto de “quero mais” no fim do show dos caras.

Tudo bem, ficou aquela pontada de decepção, ainda mais com o atraso de mais de 1 hora pro início do show da minha vida (juntamente com o Rage Against The Machine). Eu ainda não sabia o quanto me marcaria o show do Queens Of The Stone Age. Mas quando Josh Homme começou com “Feel Good Hit Of The Summer” eu já vi que os caras não estavam pra brincadeira. Um detalhe: foi o único show em que eu estava desacompanhado da galera. Uma pena pra eles porque ver alguém tão feliz deve ser muito bom. O setlist foi perfeito, manteve o público aceso 100% do tempo e os deixaram sua marca no que foi considerado “o melhor show de 2010”. Se foi mesmo, eu não sei. Mas que quando rolou “In My Head” eu me senti como o cara mais satisfeito do mundo, isso com certeza.

Eu já me sentia recompensado. Tudo tinha valido a pena, desde os perrengues pra chegar e se manter, o frio noturno e o calor diurno, o preço abusivo de muita coisa, a falta de estrutura e tudo mais. Faltavam ainda duas bandas muito boas e eu já sabia que, se tudo desse certo, eu voltaria em 2011. Foi mais ou menos nesse momento que me animei ainda mais. No telão do Festival apareceu a confirmação de que Alice In Chains tocaria em 2011. Quando vai ser ou se vai ser, eu ainda não sei. Mas que eu vou, é quase certeza. Ainda mais com a presença de System of A Down.

E veio o show do Pixies. Uma banda que eu não acompanho, mas que me surpreendeu. Eu sei que os caras são bons naquele tipo de música, mas eu nunca tinha parado pra escutar. Show sen-sa-cio-nal e felicidade geral de quem gosta da banda. Não posso adentrar em maiores detalhes, mas se alguém conhece e foi, fique a vontade pra dar a opinião. O que eu sei é que foi muito bom.

Pra finalizar o meu dia (mas não o do Festival, já que ainda teria Tiësto depois), Linkin Park botou pra fuder! Era outro show do qual eu não esperava muito, já que não sou mais o adolescente que curte os caras de outrora, mas o show foi ótimo. Mantiveram a pegada, mandaram um setlist surpreendente com músicas do novo álbum e grandes sucessos e, mesmo quem não era fã, gostou muito da apresentação dos caras. Fecharam muito bem o festival e demonstraram que o seu som, apesar de visto como ruim por muitos, ainda tem muita lenha pra queimar e agradar a muita gente. Enfim, fecharam com chave de ouro.

Assim como eu fecho aqui a saga dos meus post’s sobre esse assunto. Peço desculpas a quem esperou tanto pelo último post e espero ter passado pra geral um pouco do que eu senti ali. Foi meu primeiro festival, não tenho muito com que comparar, mas pra mim valeu o perrengue. É algo que farei mais vezes, ainda que das próximas eu vá melhor preparado (reservar um hotel é a primeira providência). Mas no frigir dos ovos, é tão legal que até hoje tenho pena de jogar meus ingressos fora. Eles tão lá esperando pro momento em que eu vou criar coragem e mandar enquadrar. Pra uma primeira vez, foi ótimo. E que venham os outros.

Um abraço!

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Pra fechar, um especial pra quem virou fã dela, como eu:

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Da série “Post’s Polêmicos”: Top 10 videoclipes da história

O Open-Bar do Blá blá Gol é, quase sempre, palco de discussões extremamente interessantes. Quase sempre porque, vez ou outra, aparece um comentarista cabeludo para proferir bobagens e acusações a torto e a direito, mas isso é outro papo. O caso em comento é um link postado por nosso amigo Júlio Cesar Bastos, o famigerado Xerox, sobre uma lista DEVERAS polêmica. Não que todas as listas não sejam polêmicas, mas essa, por sinal, vai dar pano pra manga.

Enfim, a revista inglesa New Musical Express elegeu os 100 melhores videoclipes da história. De cara, fui procurar pelos meus preferidos. Alguns encontrados, outros não, do alto da minha sabedoria musical (MENTIRA!) me senti obrigado a emitir alguns comentários sobre a mesma.  Depois pensei melhor e, com base no que o Xerox mandou no BBG, pensei numa lista dos meus preferidos. Por fim, cheguei à conclusão de que o melhor mesmo era usar o “salva-cu” de não ter uma ordem específica, apenas elencar. O post é pra gerar discussão e, por isso, num primeiro momento não vou dar os meus motivos. Mas que eles existem, existem.

Sendo assim, aí vai:

# Michael Jackson / Thriller

# KoRn / Freak On A Leash

# Metallica / Enter Sandman

# Jethro Tull / Too Old To Rock & Roll

# Michael Jackson / Smooth Criminal

# Rage Against The Machine / Testify

# Beastie Boys / Sabotage

# Rage Against The Machine / Sleep Now In The Fire

# Foo Fighters / Everlong

# Pearl Jam / Do The Evolution

Tirei muita coisa boa. Urge Overkill emplacaria uma, Pearl Jam teria mais uma, Alice In Chains tava por ali também, Audioslave e muitos outros. Mas 10 é muito pouco. Serve meramente para iniciar as discussões.

Enfim, QUE A BATALHA COMECE!

O feriado do ano (ou “SWU – Começa com seu dinheiro”) – Dia 1

Demorei um tempo pra continuar por uma série de razões. Fiquei sem internet no fim de semana, o trabalho tá matando, ainda é um pouco complicado falar do SWU e de tudo que aconteceu…enfim, sem mais delongas, continuemos:

1º Dia (09/10/2010) – Tudo pronto pra dar errado, até um louco aparecer.

O acampamento começou mal pra mim. Eu nunca tinha acampado, bem como meu irmão. Cavalheiros que somos, também não deixamos as meninas se preocuparem com isso (apesar que tomar uma surra de uma barraca na frente delas não foi legal). Era até de se esperar, mas um dos confortos de ir de hotel é chegar, dormir, descansar, comer algo e depois aproveitar com gosto os shows (ano que vem, não abro mão). Nessa hora, por volta das 13:00h, eu estava a 26 horas desperto. Não é brincadeira. Mas foi necessário.

Com a ajuda de um pessoal do Nordeste, muito animados por sinal, e de um cara de Brasília, em 10 minutos as barracas estavam de pé e até bem organizadas. Guardado tudo, fomos comer. Bom, “comer” é forçar a barra. Por R$ 10,00 o espeto de carne com fritas, aquilo foi mais um assalto. Cheeseburguer? R$ 10,00. Mini-pizza? R$ 8,00. Caro a gente sabia que seria, tanto que levamos cartão de crédito. E aí começou o segundo grande problema: a máquina não tava passando. Só débito (pronto, fudeu!). Comprei uns R$ 50,00 e fui pro abate. Comi qualquer coisa que não lembro, tomei umas 3 cervejas e voltei pra tomar um banho porque tava necessitado. Nisso, perdi o show do Brothers of Brazil (que foi bem falado) e do Black Drawing Chalks (banda de Goiânia que sou fã). Esse último, muito bom, pelo que me disseram, apesar de ter só 30 minutos de duração. Festival é festival. 40 minutos de fila pra tomar um banho de 7 minutos. Complicado, mas não tem outro jeito. Banho tomado, cheirosinho (isso já era por volta das 16:00h) fui pra ver o show do Infectious Grooves. Nunca tinha escutado, mas entrei no clima e os caras mandaram bem. Depois veio Mutantes com um show decepcionante, infelizmente. Só Sergio Dias salvou, mas ele sozinho não consegue levar mais a banda.

Los Hermanos (ou Loser Manos para o RB!)

Los Hermanos (ou "Loser Manos" para o RB!)

Los Hermanos fez um show de Los Hermanos. Os caras são muito bons e eu gosto bastante, mas é nítido que o clima não é dos melhores entre Camelo e Amarante. O show foi ótimo, os caras mandaram todas as grandes músicas, mas podia ser melhor. Ainda assim, Rodrigo Amarante roubou a cena e não parou um segundo só durante todo o show. O sábado começava a valer a pena.

The Mars Volta

The Mars Volta

Foi quando começou The Mars Volta. Show diferente. Eu estava num nível alcóolico já não muito indicado para menores de 25 anos e o som dos caras, psicodélico até não poder mais, me fez viajar muito. Combinado com o guitarrista Omar Rodriguez-Lopez mandando umas dancinhas bem diferentes no palco, o show acabou saindo bem divertido. Eu não conhecia, mas no dia seguinte um cara me falou que eles mandaram 5 músicas apenas, com o resto do show sendo composto por interlúdios cheios de improvisação. Eu fiquei pronto pro show seguinte. Satisfeito, mas impaciente. Na melhor das situações. Pouco antes do fim do show, fui ao banheiro junto com o pessoal e…

Rage Against The Machine destruindo!

Rage Against The Machine destruindo!

E aí começou o festival pra mim. E quase acabou. Enquanto saía do banheiro, comecei a ouvir uma sirene muito alta. Muito, muito alta. Olhei pro palco e vi a estrela vermelha de todo tamanho. Rage Against The Machine ia começar. O show que eu esperava desde os 12 anos, que eu tinha perdido as esperanças e que esse ano aconteceu e eu fiquei na espera, estava a ponto de começar. Pilhei a galera (ninguém era muito fã) e saí correndo na frente. Foi quando começaram os acordes de “Testify”. Aí não teve jeito, quem estivesse na frente seria devidamente atropelado. Cheguei num lugar não muito cheio, com uma boa visão e comecei a destruir. No repertório, só pancada. “Testify” chegou destruindo, depois “Bombtrack” e “People of The Sun” (com uma homenagem ao MST, que eu não concordo, mas que faz parte da ideia deles). Em “Know Your Enemy”, o show parou a 1ª vez. Com o pau quebrando na frente e a invasão da área vip (CHUPA SWU! Fazer área vip em show de rock pra quê?), o produtor do evento pediu calma ao pessoal mais exaltado. Não foi atendido e o pau continuou quebrando. Até que Zack De La Rocha interveio, parou o show, pediu calma e aí sim o pessoal sussegou. Pronto? Podemos continuar? “Bulls on Parade” levou os ânimos nas alturas até que, durante “Township Rebellion”, se bem me lembro, o show parou de novo. Falha no som, pane geral. Só se escutavam as pessoas xingando (pô, o primeiro dia foi uma bagunça e na hora do show mais esperado me acontece isso) e o baterista Brad Wilk marretando, já que o retorno para a banda estava funcionando. Até que perceberam o problema e consertaram, mais 10 minutos de paralisação. Antí-climax total. O show tinha tudo pra dar errado e o 1º dia ser um tremendo fracasso, mas a banda se superou. Ao voltar, fizeram o teste de som com Morello e Zack improvisando, riffando e rimando na hora. “Bullet In The Head”, “Guerrilla Radio”, “Calm Like A Bomb”, “Sleep Now In The Fire” e “Wake Up”, liberaram toda a raiva que a galera tava sentindo por todos os perrengues passados. Foi quando a banda parou e, pouco depois, veio pro tradicional bis ao som do hino da URSS. Com a clássica “Freedom”, paulera total e palco aberto para finalizar com chave de ouro ao som de Killing in The Name”. A principal música do show foi praticamente uma catarse coletiva e o 1º dia foi finalizado de forma monumental. Na hora que acabou, virei pro meu irmão e mandei: “putz, tá tudo pago agora, já valeu a pena com sobras. O resto é bônus.”

Completamente louco!

Completamente louco!

No post a seguir, o segundo dia com Sublime With Rome, Joss Stone, Dave Matthews Band e Kings of Leon, além de 2 horas de fila e uma surpresa desagradável na porta da barraca.

O feriado do ano (ou “SWU – Começa com seu dinheiro”)

Qual não foi minha surpresa ao ser convidado pra falar do que seria meu primeiro festival de rock (já velho, aos 25, tava demorando) aqui neste espaço. Primeiro, porque achei que ninguém se interessaria pelas histórias de um reles mineiro bêbado num festival que tinha três de suas bandas preferidas (ou seja, delírio total). Segundo porque era meio inesperado mermo. Mas hoje eu sei como Gaburah se sentiu no show do Faith No More. Acredito que ao ouvir Zack de La Rocha rasgando os vocais com “Testify”  (uma das top 5 da minha vida) logo de cara, eu me senti tão bem quanto o dono deste espaço naquele dia.

Sustentabilidade? Só se for do bolso de quem organizou.
Sustentabilidade? Só se for do bolso de quem organizou.

A verdade é que só o show do Rage já merece um post único. Não há como eu falar do show dos caras sem liberar uma certa carga emocional, já que eu comprei o pacote do SWU exatamente pra esse show. O resto seria bônus. E o show valeu o ingresso, pelo menos pra mim. Ao ouvir os clássicos explosivos da banda mais política do rock atual, eu vivi uma redenção. Saí completamente louco, feliz e cansado de um show que me fez sentir que, diferentemente do que disse Gaburah, o rock n’ roll AINDA não morreu. Mas tá a caminho do fim e eu explico por que.

O SWU foi um projeto ambicioso. Um festival com 3 dias de shows, bandas de alto calibre, algumas estreias no Brasil e um projeto interessante de sustentabilidade. Mas de boas intenções o inferno está cheio. Os problemas começaram a aparecer bem antes do festival. Apesar de terem sido facilmente compráveis, os ingressos e o pacote do camping, além de caros (só o camping foi R$ 540,00 para 3 pessoas, com direito a 1 banho de 7 minutos por dia), incluíam uma “taxa de conveniência” (que para o camping era de R$ 96,00 e para os shows, girava em torno de R$ 50,00) para quem não adquirisse nas bilheterias oficiais. O problema que as únicas bilheterias oficiais ficavam no Ibirapuera, em São Paulo. Quando tenta-se fazer um festival de porte nacional, pelo menos uma bilheteria oficial por CAPITAL tem que existir. Mas valia a pena. Com os ingressos comprados, buscamos formas melhores de hospedagem, visto que o camping era caro e tinha uma série de dificuldades. Itu não tinha mais hoteis a muito tempo, Salto (uma cidade próxima) também não e estava difícil conseguir lugar em Campinas e Sorocaba, a mais de 50 km do evento. Além disso, todos os pacotes de hoteis e traslado giravam em torno de R$ 400,00 por pessoa, o que assustava. Em virtude de todos os problemas, a galera resolveu ficar no camping, rezando pra que não chovesse.

O evento foi chegando, entre uma série de “perguntas-e-respostas” com o pessoal da F.A.Q. do SWU que acabavam não respondendo nada. Ninguém sabia explicar direito como funcionaria o camping, se aceitariam cartão nos bares, como seriam os banheiros e chuveiros, etc.. Além disso, poucas semanas antes, fomos surpreendidos com a notícia de que “quem tiver direito ao estacionamento gratuito (caso dos camping’s) terá que chegar até as 10:00h da manhã de sábado ou perderá o direito, pagando R$ 100,00 para carros com até 3 pessoas e R$ 50,00 para carros com 4 ou mais pessoas.”

Ou seja, correria pra sair de BH sexta-feira 20:00h e chegar em Itu sábado às 10:00h da manhã. 757 km, em virtude de uma parada que tivemos que fazer em minha cidade, não são brincadeira. Eu praticamente não dormi, já que fui dirigindo metade do caminho de BH até Carmo do Rio Claro e depois de lá até Itu. Além de ter que acompanhar a conversa com meu irmão, porque deixar o cara dirigindo sozinho é complicado. Até porque a nossa companheira de viagem, Nathalia, é praticamente uma pedrinha de tão bem que dorme. Mas ela a gente deixa.

Chegando em Itu, às 10:15h, mais problemas. A fila de triagem para retirar a pulseira do camping e realizar a checagem de quem tivesse as bagagens era quilométrica. Além disso, o sistema de leitura digital dos ingressos estava parado, o que atrasou ainda mais a nossa entrada. Ali eu já tinha percebido que o evento padeceria de incríveis problemas estruturais, mas não tinha noção do que ainda viria. Incríveis 3 horas depois, sem conseguir uma explicação plausível, sem sequer ter uma área de sombra ou alguém vendendo água (no show eram 300ml por R$ 4,00), chegou a nossa vez de pegar as pulseiras, voltar pro carro e procurar estacionamento. Por sorte, conseguimos um ao lado do camping, o que permitiu deixar as coisas de valor no carro, pra evitar qualquer problema. Nessa hora, eu achei que começaria a festa.

Isso acabou sendo um retumbante engano. Engano que explicarei na continuação desse post.

O feriado do ano (ou “SWU – Começa com seu dinheiro”) – Dia 2

Continuando a saga de se divertir aos montes com os amigos (da época do meu avô, isso) no que seria o maior festival sustentável (mentira!) já realizado no Brasil, acordei no 2º dia pronto pra mais uma batalha por banho, comida e correria pra pegar bons shows.

2º dia (10/10/2010) – Surpresas boas e ruins.

Com aquela ressaca normal, me equilibrei no colchão de ar pra tirar a roupa do dia anterior e colocar uma bermuda, porque às 09:00h o calor já era quase insuportável dentro da nossa “casita”. Foi quando meu irmão virou e meio que com muito sono ainda, mandou a pérola: “Má, tem algo fedendo aqui e não fui eu.” Como eu também não tinha sido, achei estranho. Abri a barraca e…

“PORRA! MAS QUE MERDA É ESSA?”

Algum infeliz tinha…ahn…como eu vou falar…cagado na frente da nossa barraca durante a noite. E sai Matheus com galão de água pra limpar a bosta (literalmente). 20 minutos depois a situação já tava controlada, mas aquilo me deixou puto. Muito puto. Resolvi ir tomar banho e até os preparativos ficarem prontos e o Lucas acordar, já era por volta das 10:40. Até eu sair do banho, 12:45h.

Duas horas de fila para tomar um banho gelado e sem shampoo (valeu, Lucas!) não deveriam ser motivo para um parágrafo especial do post. Mas como ocorreram coisas legais, vale a pena. Primeiro, o Henrique, amigo nosso, já reclamando do sol batendo na calva. “Tá tudo ardendo, pô”. Confesso que nessas horas, especialmente, é bom ter cabelo. Algum tempo depois, chega uma Land Rover e estaciona exatamente ao lado da fila. Eduardo Fischer, o homem que comandava tudo ali, sai do carro e vem falar exatamente com a gente: “eu quero que vocês reclamem diretamente comigo, agora”. Foi bem legal da parte dele, a galera ficou meio calada no começo, mas quando alguém soltou que “o maior problema é essa fila”, todo mundo deu opinião. Banheiro, chuveiro, cerveja à R$ 7,00 com os ambulantes (o que deixou ele bastante nervoso), comida cara, tudo foi falado. Ele se comprometeu a buscar soluções pra situação da galera naquele momento (soluções que não vieram, diga-se de passagem) e afirmou que tudo vai ser anotado (como realmente foi) pra próxima edição do SWU.

Depois, ainda na fila, conheci um flamenguista do Rio (camisa legal a de 81 dele) que tinha curtido muito o show do Rage e dando ideia do Rock In Rio IV que, segundo ele, pode ter Bob Dylan e AC/DC. Aquilo me deixou bastante interessado, mas de qualquer forma já devo ir pelas razões expostas por Gaburah.

Saí do banho sentindo uma puta dor no pescoço (fruto da noite mal dormida e do peso da toalha por 2 horas) e pouco preparado pros shows. Comi qualquer coisa com meu irmão e fomos pra arena, onde o resto da galera de BH já esperava ansiosamente (eu não) pelo show do Teatro Mágico. Na boa, a ideia dos caras pode até ser legal, as músicas bonitinhas e fofinhas, mas aquilo não me pega. Não sei se foi na onda do Rage que o Fernando Anitelli, vocalista, também tocou demonstrando apoio ao MST, mas isso nem foi tão notado. Pessoal que gosta ficou emocionado e tudo mais  e o show foi uma demonstração do que seria o 2º dia. Muito pouco rock de verdade.

O Teatro Mágico

O Teatro Mágico

Continuando as atrações brasileiras, subiu ao palco o Jota Quest. Show que não assisti. Como não ouvi falar nem bem nem mal, deve ter sido normalzinho o show. Mais emocionante pros caras que tavam tocando do que pra qualquer um que estivesse vendo. Tocar num evento desse porte não é brincadeira e, ao que me consta, o Jota Quest nunca tinha participado. Deve ter sido bom pros caras. Aliás, alguém já se perguntou porque esse nome da banda?

Eu, enquanto rolava o show do Jota Quest e parte do show do Capital Inicial estava tentando comprar cerveja e comida. Tentando, porque a máquina de passar cartão não funcionava nem a porrete, eu não tinha um puto no bolso, meu irmão tinha sumido e eu tava sozinho. Ao que me consta, durante todo o 2º dia a tal da máquina não funcionou e eu teria ficado o dia inteiro me estressando se o Lucas não tivesse me achado e comprado duas geladas pra gente.

Jota Quest e Capital Inicial

Jota Quest e Capital Inicial

Voltei pra arena dos shows a tempo de pegar o Capital mandando músicas de bandas que fizeram o rock em Brasília nos anos 80 e 90 (“Mulher de fases” botou todo mundo pra pular e se perguntar por que o Raimundos não volta com o Rodolfo) e deixando o clima bom para a próxima atração.

Sublime With Rome

Sublime With Rome

Sublime With Rome entrou botando pra fuder com um ótimo setlist que deixou a galera pulando na mistura de reggae, rock e aspectos de rap. O destaques ficam para as famosas “Date Rape”, “Wrong Way”, “Santeria”, “What I Got” e “Summertime”. Mas isso só pra quem não conhece muito a banda e só ouviu com mais força os sucessos. O show inteiro foi muito bom e todas músicas caíram muito bem. O pôr-do-sol acontecendo no momento e o clima legal ajudaram a tornar esse um dos melhores shows do festival, apesar de ter durado pouco mais de 1 hora. O melhor show do 2º dia com certeza. E uma surpresa pra quem imaginava que o moleque de 22 anos que conduzia a banda não aguentaria a pressão. Rome mandou muito bem e a banda está muito bem representada.

Regina Spektor

Regina Spektor

Logo depois começou o show de Regina Spektor, ou se vocês preferirem, o “show mais sem sentido do SWU”. Quer dizer, eu entendo que a música dela possa ser boa, mas, além de ter sido prejudicado pelo som baixo, a voz e o estilo de música não cabiam nesse festival. Deve ser um show bom pra você levar aquela mina, fazer uma graça e tudo mais. Mas com 50 mil roqueiros ela não se deu bem.

Mas quando a MUSA-MOR apareceu no palco, os ânimos se exaltaram novamente.

Joss Stone, a MUSA deste espaço.

Joss Stone, a MUSA deste espaço.

Além de cantar uma barbaridade, Joss Stone é linda. Muito, muito, muito linda. Pra mim era difícil tirar os olhos do palco, e olha que eu tinha bons motivos para tirá-los. Eu não fazia ideia do quanto a musa cantava até assistir ao show, que valeu muito a pena. Fato é que Joss Stone merece um post só pra ela. E como ela merece, ela terá. Aguardem…

Dave Matthews Band

Dave Matthews Band

Com o melhor time de músicos do festival, o Dave Matthews Band entrou no palco Água com muita expectativa em cima deles. Muitos esperavam pelo melhor show do festival, o que não aconteceu, a não ser para os fãs. Por outro lado, o show foi muito bom. A Banda do Davi Matheus só tem cara que conhece daquilo ali e o som, ainda que baixo (como foi durante todo o 2º dia), manteve a galera acesa. Além de Carter Beauford ser um show à parte. O cara deu uma aula de bateria. Mas uma aula muito bem dada. Um dos melhores do Mundo com certeza, Carter mandou algumas viradas arrepiantes e, na minha opinião, se a banda levasse também o nome dele, não seria injustiça.

Ficava claro que a pegada era mais leve no 2º dia. Além disso, minhas costas e o frio estavam me matando. Ficar velho não é fácil, que o diga Serginho, o Eterno. Mas chegava a hora do último show e esse prometia ainda mais que o anterior.

Kings Of Leon

Kings Of Leon

Muitos me falaram que só o Kings Of Leon valeria todo o SWU. Gaburah, inclusive, falava muito bem dos caras. Caras que gosto muito, por sinal. Mas o show foi decepcionante. Tocando quase que só músicas do novo álbum, o Kings Of Leon não mexeu com ninguém ali, a não ser com os sucessos “Molly’s Chambers” e “Be Somebody”. A minha opinião pode até estar um pouco corrompida, em função do sono, do frio e da dor nas costas, mas ao que me parece, realmente o show não foi nada demais. Cabe um destaque apenas para a produção, que foi a melhor do festival. O pessoal que controlou o telão central, principalmente, ao passar imagens diferentes do show, ganhou meu respeito.

Na verdade, o dia foi salvo por Sublime With Rome e pela Musa. Se não fosse por eles, teria passado em branco. Mas, quando eu digo que os dois shows valeram a pena, quero dizer que valeram muito a pena.

Fui comer qualquer coisa depois do show, quase morri de frio na fila, que durou uns bons 40 minutos e, de barriga cheia, dormi para o que seria um dos melhores dias da minha vida. Rock N’ Roll de verdade, um moletom muito bom e uma rodinha de violão que acabou sendo um dos melhores momentos do festival.

Hasta!