Paul in Rio, Beatles across the universe

Por Bender

Sou um cara privilegiado. Num espaço de 6 meses pude assistir 2 shows, ao vivo, do integrante da maior banda do mundo de todos os tempos.

Na segunda metade da década de 1960, os Beatles – por volta de 20 e poucos anos cada – anunciaram que não fariam mais turnês mundiais devido ao excessivo desgaste das mesmas. Diziam que não se ouviam no palco pelos gritos histéricos das fãs e isso comprometia a qualidade do produto que vendiam. O equipamento da época não suportava mesmo 30, 50 ou 70 mil pessoas gritando ensandecidamente. Surgiu a demanda, a revolução (tecnológica) teve que vir.

Liverpool UK, 1962

Fato é que hoje algumas nações tem poder bélico para destruir o planeta mais de 50 vezes, o equipamento sonoro disponível suporta com extrema facilidade 100 mil vozes gritando e Sir Paul McCartney roda o planeta atravessando oceanos para brindar, saudar, presentear seus fãs. Paul não precisaria se importar, seu patrimônio não vai alterar de forma relevante com mais algumas turnês, mas Sir tem exata noção da importância que tem. Hoje, MaCca, a beira dos 70 anos, faz a mala e pega o avião mundo afora.

Até novembro do ano passado, pensei que nunca mais iria num show de um beatle (a 1ª vez foi em 1990). O show do último final de semana, sua 2ª passagem pelo Rio, foi equivalente ao show do ano passado em SP, sublime. Cada show da turnê UP AND COMING dura quase 3 horas e é composto de um repertório aproximadamente 70% Beatles e outros 30% Paul carreira solo também fodásticos.

Como a ânsia de 20 anos foi saneada no Morumbi em 2010, controlei um pouco mais a emoção no domingo passado. Dessa forma, não consigo apontar um momento mais especial que outro durante as 2,5 horas. Teve a abertura com “Hello Goodbye”, a homenagem com “Something”, a emoção de “A Day in the Life”, o rock de “Drive my Car”, os fogos de “Live and let die”, o agito de “Back in the USSR”, o frenezi de “Helter Skelter”, a despedida em grand finale com “The End”O próprio evento em si como um todo foi o destaque. Inclusive na questão da administração. Pessoalmente, também teve o fato da galera estar mais completa do que o show em SP: fator incremental. Tomá na peida! Assistir o show da banda que você mais se amarra com mais de 30 amigos é foda pra caralho! I’ve got a feeling, a feeling I can’t hide, oh yeah.

Let 'Em In

Show do Paul é quase como aquele filme complicado de entender, cada vez que se vê pesca mais um detalhe – “quase” pois o show tem suas variações, o que o faz melhor que tal filme. Já estão falando de uma possível volta de MaCca ano que vem. Que seja em 2020 ou 2030. Irei assistir Sir com 80, 90 anos ou daqui a many years from now.

Por Gaburah

O tempo parou, literalmente.

Parou por duas razões: primeiro, um período de tempo de três horas passou em uma fração de segundos; e segundo, também porque em pleno século XXI parecia que uma multidão tinha caído num limbo, num paradoxo tempo/espaço…

Não há palavras suficientes para descrever o que é assistir um espetáculo desse calibre ao vivo. A produção megalômana, o cuidado com cada detalhe teatral minimamente elaborado durante a execução de cada música, o showman irrefreável que é Sir Paul McCartney… tudo se soma para tirar o espectador deste mundo durante a apresentação.

Uma experiência, um privilégio.

Mas confesso que esperava uma emoção maior por finalmente estar no mesmo ambiente que uma lenda viva da música. Longe de ser uma crítica isso, pois o bom e velho MaCca é um sujeito tão presente na vida das pessoas através da mídia que parece um cara que a gente encontra toda hora por aí. E além disso, é fato que todo mundo que curte Beatles já assistiu a pelo menos três ou quatro DVD’s de apresentações ao vivo pelo mundo. Já sabe que vai ter explosão em Live and let die, já sabe que ele vai reger o público em Hey Jude, já sabe que vai fazer caras e bocas… e ainda assim se surpreende a cada vez que uma coisa dessas acontece!

Parte da trupe na arquiba

Tive o privilégio de assistir a um show assim acompanhado pela fina nata da rapaziada mais rock and roll do planeta. Posso dizer que isso me torna duplamente afortunado em uma mesma oportunidade. A catarse potencializou, com certeza.

Meu destaque pessoal vai para Back in the USSR, cuja introdução me fez crer que havia uma turbina de avião de verdade ligada em pleno Engenhão (que som fuderoso, bicho…). Primeiro momento entre tantos em que perdi a linha pra valer.

You don't know how lucky you are, boys

E mesmo quando o show acabou, continuou divertido com todas as tentativas de captura dos milhares de papeizinhos coloridos que voaram do palco tomando todos os setores do estádio depois das explosões multicoloridas ao final de The End. Emocionante ver como tanta gente voltava a ser criança se divertindo com aquilo.

Restam agora quatro grandes sonhos pessoais a serem realizados: que venham o Ringo, meu Beatle favorito (ex-Beatle não existe); The Who; Van Halen e AC/DC. Mas o velho MacCa colocou a barra alta, aviso.

Por Matheus

Sábado, 22 de maio de 2011, 10 da manhã. Acordo com o telefone tocando e um cara que eu nunca vi na vida gritando do outro lado:

“Mineiro, onde você tá? Dormindo ainda?”

Se fosse um dia comum, eu mandaria uns três impropérios, desligaria e voltaria a dormir. Mas aquele não era um dia normal. De fato, àquela hora, já era pra eu ter rodado os 448km que separam minha casa da praia de Icaraí, “o skyline mais bonito do Rio de Janeiro”, e já estar pronto pro que seria um dos melhores fins de semana da minha vida. Mas eu ainda não sabia disso e o começo não foi dos melhores. Por um atraso, saí de BH ao meio-dia do dia 22 e tive muito medo de perder o tão esperado 1º Congresso Mundial Blablagoliano. Mas fizemos a viagem em bom tempo e às 18:30h fui recepcionado e, enfim, pude conhecer Victor, o Editor. Logo depois, Ana Paula e a irmã Fernanda, ótimas anfitriãs. A partir das 20:00h, todo o corpo editorial do Blá Blá Gol e parte da nossa maravilhosa audiência. E o Saulo. Mas esse encontro e todos seus detalhes é tema de outro papo. E vale muito a pena.

Meu fim de semana ia muito bem. E quando capotei bêbado, pensei que dificilmente poderia melhorar. Mas eu não contava com o poder de Sir Paul McCartney. Porque eu sabia que seria algo histórico pra mim. Mas não imaginei que seria tão inesquecível.

Bonde Popó Paul sem freio

A caravana formada pelo “mais experiente dos homens”, foi um sucesso. Fui muito bem recebido e a cada 5 minutos eu era apresentado a uma atração do Rio. Cristo Redentor, Cristo Redentor, Ponte Rio-Niterói, São Cristóvão, São Januário, Cristo Redentor, Fundão, Cristo Redentor, Cristo Redentor, Engenho de Dentro e Engenhão. Convenhamos, sen-sa-cio-nal acolhida, né não?

 

Olha o Cristo, Mineiro!

Olha o Cristo, Mineiro!

Diferentemente do Gaburah (e pra surpresa de todos, acredito) , eu odeio assistir DVD’s de shows. Nunca completei um, nem de bandas que sou muito fã, como The Who, Rolling Stones, Beatles e Rage Against The Machine. Eu não tinha a menor ideia de como seria a produção do show. E fui pego de surpresa em todos os momentos.

Paul e todo seu time de músicos (aliás, que time, com especial atenção pro batera) fizeram daquelas quase 3 horas, um dos momentos mais fodas da minha existência. Sem falar na catarse coletiva que acontecia ao meu lado com todos os membros da trupe, cada um ao seu jeito, com completa consciência de que ali escrevia-se a história. Ainda que seja menos emocionante pra quem já foi anteriormente.

Quanto às músicas, é difícil não falar de todas. Paul é um cara tão foda que rolam músicas tristes , alegres, dançantes, românticas e pauleiras. Chamo a atenção para Back In The USSR, por tudo que aconteceu naquele pedacinho de arquibancada durante a execução, All My Loving e Serginho fugindo e para Live And Let Die e Helter Skelter, momentos que chorei copiosamente, ainda que quieto no meu canto, como bom mineiro. Momento especial também foi quando liguei pros meus pais durante Hey Jude, primeira música do Beatles que eu ouvi quando era pequeno e minha mãe cantava uma versão nacional da mesma.

Eu só tenho a agradecer. Não esperava pela metade de tudo que houve. Valeu muito a pena. E eu espero ter sido um bom visitante, porque pretendo voltar. Se o Paul pode, eu posso também.

22 thoughts on “Paul in Rio, Beatles across the universe

    • Muito show também ficou o post. Parabéns ao Bender pela edição.

      *****

      Matheus chorou é? HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!

      Bem que eu tive essa impressão! Hahahahaha!

  1. Fiz questão de abrir mão da minha prerrogativa editorial e NÃO fazer meu pedaço de post porque teria certeza que não conseguiria atingir o estado de êxtase necessário para escrever sobre um show como esse, ainda que eu tenha tido a mesma empolgação dos demais.
    Explico esse aparente paradoxo:

    Ao contrário do show de São Paulo, a facilidade para ver o show no Engenhão foi enorme pela estrutura eficiente que montamos permitiu uma cabeçada ver o show juntos.
    Eu ainda tive o privilégio de levar e assistir ao show próximo da minha mãe (e Karla ainda acha que é prime…)

    Acontece que com tantas facilidades, as distrações foram enormes e inegavelmente aconteceu contrastanto com o show de São Paulo, d’eu ter curtido mais o pessoal que o show em si, e por isso, minhas impressões sobre o show seriam “meramente” um trecho do final de semana.

    ****
    Como fugi da responsabilida de postar, posso portanto jogar em tópicos meus destaques do show sem me preocupar em concatenizar as ideias:
    – Início com Hello Goodbye
    – Inháááá Tour impecável
    – Ecoolerturismo urbano
    – Gaburah no telefone dando o panorama da fila, melhor que Twitter Lei Seca
    – Nandão e Irene na fila
    – Bonde da Popó Preta sem Freio
    – Minha mãe perdendo a hora do trabalho no dia seguinte acordando só meio-dia

    Só lamento que a arquibancada do Engenhão não tenham permitido a mobilidade, o que certamente impediu a CATARSE que seria caso fosse da mesma forma que no Morumbi. Aí sim transformaríamos as arquibancadas do Engenhão na maior escada do Cancun do Mundo.

    ****
    Caros, eu acredito que há UM show onde a trupe alucinaria mais: Rolling Stones. Aguardo ansiosamente a volta de Sir Mick Jagger ao Rio (#ChupaBH).

    • Cara, nem sei quanto vem a fatura do celular esse mês… hahahahahahaha…

      Eu fui com a Caravana da Tia Marianna, igualmente bem organizada. Lá dentro encontrei com o braço da Caravana do Tio Barrigudinho e sua indefectível camisa amarelo-canário – melhor ponto de referência impossível!

      Eu fiquei realmente impressionado com um fato que Ivana me chamou atenção: Tia Regina conseguiu assistir ao show em absolutamente TODOS os pontos da arquibancada onde havia um integrante blablagoliano – ou não. E tem gente que reclamou da mobilidade da arquibancada… pfiu!

      Eu não consigo mensurar os momentos do show em grau de importância. Só lembro que olhei no relógio a hora em que começou – 21:45h – e quando fui me dar conta novamente (meramente porque o show parou) já eram 23:50h. Nem acreditei, achei que o relógio tava doido…

      Aliás, todos estavam. Desde Serginho sendo consolado pela vendedora de cerveja até o pessoal que nunca tinha visto a galera na vida, mas que se escangalhava de rir a cada #CHUPABH que era gritado. Nem Matheus se conteve, hahahahahahaha…

      *****

      Foda foi aturar o pessoal da quase-terceira idade… Quiseram arrumar confusão na fila depois de terem metido CINCO geriátricos no maior esquema furão-cara-de-pau do mundo e abriram a boca na hora que encaixei cAna Paula, Tia Regina e Matheus.

      Mas devoto de São Nandão não passa perrengue, amigo…

      Diversos relatos de muxoxos da velharada também nas arquibancadas e banheiro. Foda de aturar mal criação… Mas ainda tiro isso como ponto positivo do show: de tão excelente, fez a coroada remoçar e voltar aos tempos de algazarra. Pena que largaram as lambretas em casa…

      *****

      E deixo aqui o agradecimento ao Paul em nome dos companheiros de banda Virso e Patrícia, que tiveram que voltar pra casa – certamente – antes do que desejavam: na hora que MacCa e sua banda meteram o Foxy Lady tenho certeza absoluta que foi inspirado nas sessões de aquecimento da OmaLoca.

      Leva a mal não hein, Paul… não devemos nada! Hahahahahahaha…

      • Assim que eu cheguei, a primeira chatice que tive de aturar foi um segunda-idade péla total mandando um “não pisa na minha cadeira não” (Detalhe: O péla escolheu justamente a cadeira que fica exatamente no acesso de uma fila para a outra). Claro que eu pisei todas as vezes que passei por ali e fiz questão de comentar qualquer merda com ele em TODAS as vezes (e TODAS, no meu caso, foram muitas, já que quem bebe sai duas vezes, uma para comprar cerveja, outra para eliminar a cerveja).

        Não aceitaria nenhuma reclamação de qualquer terceira-idade quando minha mãe andava como uma cabra pelas cadeiras do Engenhão. Mandaria ir malhar e beber.
        Beber aliás é um grande segredo para chegar à velhice lépido e fagueiro pelo menos em shows, vide que Serginho arrumou um camarote para ele estando lá pela oitava idade.

  2. Estou montando um DVD com todas as músicas do show.
    Vamos ver no que dá.

  3. Alguem aquii achou a organizaçao melhor que a do show de SP?
    eu achei much better.

    • Isso porque ninguém aqui andou de metrô e trem.

      Virso! relata que a organização foi coisa de primeiro mundo, com colaboradores trilingues e agradecimentos (!) no percurso de volta para casa.

      Tudo graças a um grande ensaio para as Olimpíadas de 2014. Bela sacada.

  4. Em São Paulo não tinha metrô nem trem. Os que não foram de caravana se estreparam pra arrumar um taxi. Fora as filas mega confusas (era uma ao lado da outra), não dava pra saber qual era qual.
    Mas admito que quando vi na volta a fila para os trens…. agradeci por ter ido de van.

    • Também fiquei impressionado.

      Mas Virso! relatou que era pura ilusão de ótica. Disse que não houve qualquer tumulto e que a fila andou bem rapidinho. Chegou em Botafogo antes da gente chegar em Niterói. E havia pessoal da organização em todas as estações, orientando o povo e agradecendo.

      Se foi mesmo um ensaio para as Olimpíadas, começou muito bem.

      Outra coisa que a gente não pode esquecer é que um dos fatores para a escolha do local onde foi construído o Engenhão foi justamente a questão da facilidade de acesso através do trem. Em tempos ecologicamente corretos, uma das estratégias foi estimular o uso do transporte coletivo. A maioria ainda resiste ao novo conceito, e por isso tanta gente ainda reclama dos acessos ao estádio.

      De fato, quem vem de Niterói não tem outra opção a não ser carro. Mas para quem mora no Rio, acho que a questão ainda é muito mais conceitual do que qualquer outra coisa.

    • Não levem em consideração o Morumbi.

      Fazer qualquer tipo de evento de grande porte ali é loucura.

      Muito desorganizado aquele lugar.

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