O feriado do ano (ou “SWU – Começa com seu dinheiro”) – Dia 1

Demorei um tempo pra continuar por uma série de razões. Fiquei sem internet no fim de semana, o trabalho tá matando, ainda é um pouco complicado falar do SWU e de tudo que aconteceu…enfim, sem mais delongas, continuemos:

1º Dia (09/10/2010) – Tudo pronto pra dar errado, até um louco aparecer.

O acampamento começou mal pra mim. Eu nunca tinha acampado, bem como meu irmão. Cavalheiros que somos, também não deixamos as meninas se preocuparem com isso (apesar que tomar uma surra de uma barraca na frente delas não foi legal). Era até de se esperar, mas um dos confortos de ir de hotel é chegar, dormir, descansar, comer algo e depois aproveitar com gosto os shows (ano que vem, não abro mão). Nessa hora, por volta das 13:00h, eu estava a 26 horas desperto. Não é brincadeira. Mas foi necessário.

Com a ajuda de um pessoal do Nordeste, muito animados por sinal, e de um cara de Brasília, em 10 minutos as barracas estavam de pé e até bem organizadas. Guardado tudo, fomos comer. Bom, “comer” é forçar a barra. Por R$ 10,00 o espeto de carne com fritas, aquilo foi mais um assalto. Cheeseburguer? R$ 10,00. Mini-pizza? R$ 8,00. Caro a gente sabia que seria, tanto que levamos cartão de crédito. E aí começou o segundo grande problema: a máquina não tava passando. Só débito (pronto, fudeu!). Comprei uns R$ 50,00 e fui pro abate. Comi qualquer coisa que não lembro, tomei umas 3 cervejas e voltei pra tomar um banho porque tava necessitado. Nisso, perdi o show do Brothers of Brazil (que foi bem falado) e do Black Drawing Chalks (banda de Goiânia que sou fã). Esse último, muito bom, pelo que me disseram, apesar de ter só 30 minutos de duração. Festival é festival. 40 minutos de fila pra tomar um banho de 7 minutos. Complicado, mas não tem outro jeito. Banho tomado, cheirosinho (isso já era por volta das 16:00h) fui pra ver o show do Infectious Grooves. Nunca tinha escutado, mas entrei no clima e os caras mandaram bem. Depois veio Mutantes com um show decepcionante, infelizmente. Só Sergio Dias salvou, mas ele sozinho não consegue levar mais a banda.

Los Hermanos (ou Loser Manos para o RB!)

Los Hermanos (ou "Loser Manos" para o RB!)

Los Hermanos fez um show de Los Hermanos. Os caras são muito bons e eu gosto bastante, mas é nítido que o clima não é dos melhores entre Camelo e Amarante. O show foi ótimo, os caras mandaram todas as grandes músicas, mas podia ser melhor. Ainda assim, Rodrigo Amarante roubou a cena e não parou um segundo só durante todo o show. O sábado começava a valer a pena.

The Mars Volta

The Mars Volta

Foi quando começou The Mars Volta. Show diferente. Eu estava num nível alcóolico já não muito indicado para menores de 25 anos e o som dos caras, psicodélico até não poder mais, me fez viajar muito. Combinado com o guitarrista Omar Rodriguez-Lopez mandando umas dancinhas bem diferentes no palco, o show acabou saindo bem divertido. Eu não conhecia, mas no dia seguinte um cara me falou que eles mandaram 5 músicas apenas, com o resto do show sendo composto por interlúdios cheios de improvisação. Eu fiquei pronto pro show seguinte. Satisfeito, mas impaciente. Na melhor das situações. Pouco antes do fim do show, fui ao banheiro junto com o pessoal e…

Rage Against The Machine destruindo!

Rage Against The Machine destruindo!

E aí começou o festival pra mim. E quase acabou. Enquanto saía do banheiro, comecei a ouvir uma sirene muito alta. Muito, muito alta. Olhei pro palco e vi a estrela vermelha de todo tamanho. Rage Against The Machine ia começar. O show que eu esperava desde os 12 anos, que eu tinha perdido as esperanças e que esse ano aconteceu e eu fiquei na espera, estava a ponto de começar. Pilhei a galera (ninguém era muito fã) e saí correndo na frente. Foi quando começaram os acordes de “Testify”. Aí não teve jeito, quem estivesse na frente seria devidamente atropelado. Cheguei num lugar não muito cheio, com uma boa visão e comecei a destruir. No repertório, só pancada. “Testify” chegou destruindo, depois “Bombtrack” e “People of The Sun” (com uma homenagem ao MST, que eu não concordo, mas que faz parte da ideia deles). Em “Know Your Enemy”, o show parou a 1ª vez. Com o pau quebrando na frente e a invasão da área vip (CHUPA SWU! Fazer área vip em show de rock pra quê?), o produtor do evento pediu calma ao pessoal mais exaltado. Não foi atendido e o pau continuou quebrando. Até que Zack De La Rocha interveio, parou o show, pediu calma e aí sim o pessoal sussegou. Pronto? Podemos continuar? “Bulls on Parade” levou os ânimos nas alturas até que, durante “Township Rebellion”, se bem me lembro, o show parou de novo. Falha no som, pane geral. Só se escutavam as pessoas xingando (pô, o primeiro dia foi uma bagunça e na hora do show mais esperado me acontece isso) e o baterista Brad Wilk marretando, já que o retorno para a banda estava funcionando. Até que perceberam o problema e consertaram, mais 10 minutos de paralisação. Antí-climax total. O show tinha tudo pra dar errado e o 1º dia ser um tremendo fracasso, mas a banda se superou. Ao voltar, fizeram o teste de som com Morello e Zack improvisando, riffando e rimando na hora. “Bullet In The Head”, “Guerrilla Radio”, “Calm Like A Bomb”, “Sleep Now In The Fire” e “Wake Up”, liberaram toda a raiva que a galera tava sentindo por todos os perrengues passados. Foi quando a banda parou e, pouco depois, veio pro tradicional bis ao som do hino da URSS. Com a clássica “Freedom”, paulera total e palco aberto para finalizar com chave de ouro ao som de Killing in The Name”. A principal música do show foi praticamente uma catarse coletiva e o 1º dia foi finalizado de forma monumental. Na hora que acabou, virei pro meu irmão e mandei: “putz, tá tudo pago agora, já valeu a pena com sobras. O resto é bônus.”

Completamente louco!

Completamente louco!

No post a seguir, o segundo dia com Sublime With Rome, Joss Stone, Dave Matthews Band e Kings of Leon, além de 2 horas de fila e uma surpresa desagradável na porta da barraca.

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23 Responses to O feriado do ano (ou “SWU – Começa com seu dinheiro”) – Dia 1

  1. Gaburah says:

    Primeiro de tudo: parabéns pela ideia de dividir os posts de acordo com os dias. As finalizações ao estilo ‘cenas dos próximos capítulos’ deixam a curiosidade em alta rotação. RÁ!

    *****

    Festival hoje em dia é tudo igual, não importa se o discurso é ambientalista ou conceitual europeu. SWU = Maquinária = qualquer porcaria. Enfiam a mão no bolso do público de toda a forma, pouco se fudendo se o cara que pagou o ingresso va no mínimo achar uma tremenda sacanagem as ‘surpresas’ que vai encontrar in loco.

    Desde que eu paguei R$ 5 numa garrafinha de água mineral de 100ml no Rock in Rio 3, cheguei à conclusão de que o rock ‘n’ roll morreu – na forma em que foi concebido. Já era, perdeu mané.

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    Todo castigo pra área vip é pouco. Prática desonesta, abusiva, torpe. deveria ser proibida. E é bom que os organizadores de festivais abram o olho e a recoloquem em seu devido lugar (lá atrás, no alto), pois a revolta contra a área é geral e só tende a piorar. Sou um sujeito sossegadaço, mas seria um dos primeiros a invadir essa porra.

    Vi e li diversos relatos sobre o show do RATM e todos foram muito parecidos. Independente disso, a impressão que fico é exatamente a da música de abertura do show (Testify) que – sem sacanagem – colocou 50 mil pessoas pra pular. As imagens não mentem. Arrepiante.

    O ponto baixo sem dúvida foi essa babaquice sem tamanho de meter o MST na parada. Doem o cachê pro movimento então, oras.

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    Joss Stone merece um post só pra ela. Larga de ser preguiçoso, rsrsrsrs.

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    De La Rocha que me perdoe, mas Loco mesmo só existe um.

    • Matheus says:

      Foi triste! Vai ser a tônica dos post’s a questão da desorganização. Simplesmente não dá pra passar por cima. Por ser um festival com um grande potencial e que eu adorei ter participado, é necessário falar pra que eles saibam que precisam mudar pro ano que vem.

      *****

      Valeu pela questão da separação dos post’s. Vou alugando seu espaço sem pagar nada, mas é necessário. É uma baita duma sacanagem deixar de falar bem de como foi tudo muito legal ou muito ruim (organização) pra poder adequar a um tamanho. O legal de ser independente é isso.

      *****

      Eu não consigo falar mal do RATM depois desse show. Seja lá o que for. Eles não deveriam ter feito o que fizeram, mas pelo menos falaram o que queriam, o que já acho doido. E se fosse sem saber o que se passa aqui ainda seria pior, mas eles procuraram saber e apoiaram (ou deixaram de apoiar) determinadas coisas.

      Mas o que você falou faz todo sentido.

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      Joss Stone terá um post dela. Prometido!

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      Um é o Loco, outro é um maluco.

      • Gaburah says:

        Falo pra doar o cachê se a admiração pelo movimento (?) é tão grande assim. Eu acho que não tinha que dar é nada, muito menos IBOPE.

        A foda é que me ficou a impressão de que foi uma atitude marketeira de uma banda que não precisa disso. Provavelmente eles não sabem grandes coisas sobre o movimentoe todas as suas práticas. De outra forma, com o cunho político que supõe-se que a banda tem, duvido que enchessem a bola.

        Enfim, foi a única coisa na história que me irritou e sem dúvida a que merece menor destaque. A verdade é que o show foi absurdamente foda e superou em muito as expectativas e a ansiedade dos fãs. Parabéns a quem teve a oportunidade de testemunhar ao vivo.

        *****

        A (des)organização desses festivais é sempre o ponto crucial. O cúmulo da picaretagem é não permitir a entrada de alimentos e fazer o pessoal jogar tudo fora na entrada. O cara já entra puto da vida (comigo foi assim no Maquinária, traficando três barrinhas de cereal).

        *****

        Joss Stone para musa do Blá Blá Gol já. Do gaburah.com já é.

        • Matheus says:

          Pior!

          Um festival que se põe como sustentável desperdiçar comida. Porque, ao que me consta, tudo que não entrou, foi jogado fora.

          • Gaburah says:

            No Maquinária, estavam dizendo que os funcionários tavam levando pra casa.

            De uma forma ou de outra, um absurdo. Eu não posso ser obrigado ou pior, COAGIDO a consumir lá dentro.

            Esses festivais deveriam ser processados…

            Mas eu continuo indo, pois sou assumidamente sem-vergonha.

  2. Victor says:

    O post do show do Paul McCartney no Morumbi aqui no Gaburah.com será o primeiro post SURROUND da história das coberturas desses eventos.
    Teremos gente na Arquibancada Vermelha, Arquibancada Azul, Pista Comum e Pista Prime.

  3. rafael botafoguense says:

    RAGE FODÃO!

    achei que tocariam ‘born of a broken man’,música mais TIRO NO OUVIDO deles. mesmo assim setlist brutal!

    MELHOR BANDA DOS ANOS 90( junto com silverchair,que é melhor que nirvana.POLÊMIK)

    • Matheus says:

      Tá aí!

      Rage foi esquecido na famosa eleição das melhores bandas dos anos 90. Mas pra mim ele tá entre os melhores, com certeza absoluta.

      Acho que rola de fazer uma enquete de novo.

  4. rafael botafoguense says:

    zack falando sobre o mst

  5. Yuri says:

    só queria dizer duas coisas, com base nos textos ET comentarios:

    Se o RATM SOUBESSE do que o MST é capaz e faz, apoiaria ainda mais. “esquerda” é assim, os fins justificam os meios, se tiver que ter holocausto para realizar algo, que se faça o holocausto. Tudo FDP. o governo atual mostra bem…

    outra: o ROCK IN RIO DE 1985 (único existente) tbém foi caro prá cacete, e o rock tava a toda no Brasil nessa época…

  6. Pingback: O feriado do ano (ou “SWU – Começa com seu dinheiro”) – Dia 2 at gaburah.com

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