O Rock n’ Roll morreu

Eu queria saber quem foi o mau caráter que inventou a área vip.

Área importante pra mim é um banheiro limpo. Quero ver se com isso sim vão se preocupar.
“Área importante” pra mim é um banheiro limpo. Quero ver se com isso sim vão se preocupar.

O show do Faith No More (banda cultuadíssima no Brasil, que retorna ao país depois de retomar as atividades interrompidas há mais de dez anos e dona de um fiel e gigantesco séquito de fãs) na merda do Citibank Hall vai ter “área vip”. No Maquinária FESTIVAL também. O FESTIVAL Planeta Terra também vai ter a sua.

ÁREA VIP EM CASA DE SHOW?!? A p$%#@ da casa de show já não tem camarote, sacada, essas m#$%@ justamente para aqueles que querem pagar mais pra não ficar no aglomerado? VSF!

Área VIP (de very important people) em show de rock é a coisa mais mau-caráter já inventada pelo empresariado oportunista. Contraria em todos os sentidos o espírito de concepção da música e das apresentações. Festivais então nem se fala. Nada mais é do que uma putaria sem tamanho. É mais uma forma que os organizadores encontraram de tomar mais dinheiro dos fãs, ávidos por curtir seus ídolos mais de perto em oportunidades esparsas como essa. Infelizmente (e é por isso que essas práticas picaretas proliferam) vai ter muita gente pagando o preço de querer ficar mais perto. Até eu enquanto fã desesperado cheguei a cogitar a ideia, porque me sinto encurralado frente à opção de não poder assistir o show direito ou mais longe do palco.

Que saudade da época em que se respeitava o público.

Estou enojado desse papo. É a pá de cal que faltava para o enterro do rock n’ roll. Tudo agora é área vip. Nego só pensa na p%#$@ do dinheiro. Já era aquela história de confraternização, de curtir um bom show de rock no meio da galera, mais um na multidão. Agora os vip’s (termo de merda) ficam lá na frente separando as bandas do resto.

Também me pergunto o quanto de influência os artistas poderiam ter para evitar práticas ofensivas como essa. Se eu tenho uma banda foda e tenho milhões de fãs, de que me adiantaria fazer um show longe deles, com meia dúzia de endinheirados, artistas e personalidades na frente atrapalhando a minha interação com meu público?

Quanto aos festivais e à completa distorção de seu entendimento pelos seus organizadore$$, eu pergunto: Woodstock teve área vip? O Rock in Rio teve área vip (na frente de todo mundo)? Wembley tem área vip? A Brixton Academy tem área vip? O Download tem área vip? O Rock en Seine tem área vip? Isso é coisa de republiqueta terceiro mundista.

Nem sei mais se vou nessa merda. Pra ficar atrás de área vip, já vou no Maquinária (outro festivalzinho filho da puta, que ainda tem a cara-de-pau de declarar que traz “a grandiosidade dos festivais europeus de música ao vivo em locais abertos”) ficar jogando areia em global.

Como já gritava Lenny Kravitz (mais um show que sofreu com essa merda) pra quem quisesse ouvir, rock n’ roll is dead!

Rock n’ roll is dead – Music & Lyrics: Lenny Kravitz
You think you’re on top of the world
But you know it’s really over
Runnin’ round with diamond rings
And coke spoons that are overflowin’
Rock and Roll is dead
But all the money in the world
Can’t buy you from the place you’re going to
Rock and Roll is dead
Rock and Roll is dead
Rock and Roll is dead
You can’re even sing or play an instrument
So you just scream instead
You’re living for an image
So you’ve got five hundred women in your bed
Rock and Roll is dead
But it’s real hard to be yourself
When you’re living with those demons in your head
Rock and Roll is dead
Rock and Roll is dead
Rock and Roll is dead…

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25 Responses to O Rock n’ Roll morreu

  1. rafael j. says:

    Assino ambaixo.

    Fora o constrangimento(eufemismo pra ódio) que é ver um bando de convidados que estão lá só pra fazer presença e que não possuem identificação alguma com a banda ou cantor(a) que está no palco.

    Como se já não bastasse o Maquinária ser na Chácara do Jockey, cujo acesso é horroroso. Fui no Radiohead lá no ano passado e a volta foi um dos maiores perrengues da minha vida.

  2. Gaburah says:

    Também me pergunto o quanto de influência os artistas poderiam ter para evitar práticas ofensivas como essa. Se eu tenho uma banda foda e tenho milhões de fãs, de que me adiantaria fazer um show longe deles, com meia dúzia de endinheirados, artistas e personalidades na frente atrapalhando a minha interação com meu público?

    Extraído da comunidade Faith No More Brasil (Orkut):

    Vou comprar vip mesmo, sou baixinha e to muito afim de “enxergar” o show, sem milhares de pessoas provavelmente mais altas do que eu, hehe! só espero que o Mike não mande um fuck you pra mim, como ele costuma fazer com a area vip ultimamente! ;)

    Já é alguma coisa. Mas o FNM é uma banda que liga muito pouco para a repercussão do que diz. Seria legal demais se os caras – e outros artistas também – mandassem uma do tipo se tiver essa merda de ára vip mesmo a gente não toca.

  3. Gaburah says:

    Rafael,
    esse caso então é o cúmulo da nojeira. É o desrespeito absoluto e derradeiro com os fãs de verdade. Esse tipo de convidado vai lá só pra tirar uma, ouvir quinze minutos de show e ir embora. Rindo da cara dos outros ainda por cima.

  4. Gaburah says:

    Como o tópico é relacionado, vai a trilha sonora do enterro do rock (além do desabafo escrito pelo Lenny Kravitz).
    Faith No More – Digging the grave (“abrindo a cova”):

  5. Victor says:

    Hehehehehe

    Total subversão da etimologia de very important people para very rich people.

    É curioso que a própria pessoa pode definir seu grau de importância:
    - “E aí? Vai comprar qual ingresso?”
    - “Sei lá cara. Se não conseguir um de pista eu compro um VIP mesmo”

    Segue texto de Diogo Mainardi para a Veja em 2003, quando ele ainda escrevia sobre assuntos pertinentes ao grande público.
    Gostei de ser vip
    (em tempo: tenho certeza que Gaburah assina embaixo TODAS as considerações do artigo, especialmente sobre o músico)

  6. Gaburah says:

    tenho certeza que Gaburah assina embaixo TODAS as considerações do artigo, especialmente sobre o músico

    Tu me conhece, Victor. Sei que esse Mainardi é um cara que se adora hoje e se odeia amanhã, mas nesse caso só tenho uma palavra: GENIAL!

  7. Gaburah says:

    O bate-papo sobre rock no Open-bar do BlábláGol tá tão bacana que tô pensando em importar pra cá. Tem horas que a volatilidade da coluna do BlábláGol dá até tristeza…

  8. Julio says:

    Gustavo,
    tanta coisa mais importante pra reclamar e vc chorando pq o show do FNM vai ter área vip e vc não vai poder ver o saco do Mike Patton de perto???
    Por favor!
    Vc teve a capacidade de passar mal no show do Plant&Page no Hollywood Rock pq a “multidão estava te apertando” e se não fosse seu amigo carbonizado aqui, vc tinha desmaiado tal qual uma mocinha indefesa no meio de headbangers alucinados! Fala sério!

    Não é nenhuma área vip que fará o rock morrer…ele é maior do que isso!

  9. Gaburah says:

    Prometo que se eu passar mal no Maquinária vou correr pra grade e vomitar na área vip.
    Grande ideia, Xerox!

  10. Gaburah says:

    O rock sempre vai existir, cara. Enquanto estiver na mão de músicos apaixonados e talentosos ele vai estar sempre por aí, uma iminência parda.
    Na hora que passa para a segunda etapa – as gravadoras, produtoras, empresários e tal – aí é que a vaca vai pro brejo.
    Graças a Deus, a imagem de tudo aquilo que o rock representa (os espíritos de liberdade, contestação, diversão, protesto, rebeldia, cinismo, indiferença, desabafo, etc, etc, etc) ainda é tão forte que faz a gente esquecer os detalhes mórbidos da indústria. For those about to rock, we salute you! Mas que toda essa aura mágica fica mais fosca quando a gente dá de cara com as maracutais que vagabundo cria pra explorar quem não pensa nisso (nós, fãs incondicionais e eternos), ah isso fica sim.

  11. Julio says:

    ENGOLE O CHORO! rsrsrsrsrs

  12. Gaburah says:

    E no frigir dos ovos, tanto Maquinária quanto Planeta Terra se revelaram dois festivaizinhos muito meia-boca. Que a organização do primeiro me cale. Ainda assim, vou encher a minha devida cara só pra vomitar na área vip.
    Confira o line-up definitivo dos dois e julgue por si mesmo:

    Maquinária Festival
    07/11
    Faith No More (!)
    Jane’s addiction
    Deftones
    Sepultura
    Nação Zumbi

    08/11
    Evanescence
    Panic! at the DISCO
    Diren Gray
    Duff Mckagan’s Loaded

    Planeta Terra Festival
    07/11
    SONORA MAIN STAGE

    02:00 – 03:00 – Etienne de Crecy (live act)
    00:15 – 01:30 – Iggy Pop and The Stooges
    22:15 – 23:45 – Sonic Youth
    20:30 – 21:45 – Primal Scream
    19:00 – 20:00 – Maximo Park
    17:30 – 18:30 – Moveis Coloniais de Acaju
    16:00 – 17:00 – Macaco Bong

    COCA-COLA ZERO STAGE

    03:00 – 04:00 – Anthony Rother (live act)
    01:30 – 02:30 – N.A.S.A.
    00:00 – 01:00 – The Ting Tings
    22:30 – 23:40 – Metronomy
    21:00 – 22:00 – Patrick Wolf
    19:30 – 20:30 – Copacabana Club
    18:00 – 19:00 – Ex!

    Tirando o Faith No More e o Iggy Pop, muito barulho por nada.
    Que venham o Loolapalooza (2010) e o Rock in Rio 4 (2011) pra salvar a lavoura. Mas sem essa putaria de área vip, por favor.

  13. Matheus says:

    Sepultura acho doido.

    E Iggy Pop é o pai do Punk.

  14. Rafael says:

    Putz Gaburéx… sempre tive a veia mais para o som antigo mesmo. Gosto mesmo é de Elvis, Chuck Berry, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Led, Deep Purple, Black Sabbath, Rolling Stones, Creedance, Queen, Eric Clapton (Cream), obviamente Beatles e as carreiras solo dos seus integrantes e mais alguns outros que devo estar esquecendo agora.

    Mas desde a década de 90 pra cá fiquei muito por fora.
    Desses todos aí que vc citou só conheço Faith No More, Jane’s addiction, Sepultura, Nação Zumbi, Evanescence, Iggy Pop e Sonic Youth.
    E desses, só gosto (pelo menos gostava) e acompanhei o Faith e Sonic Youth, inclusive já tendo ido em ambos os shows. Talvez até me anime de ir nesses 2 shows de novo. Mas onde será?

    Em tempo, Loolapalooza é na Europa não? E o Rock in Rio 4 tá confirmado?

  15. Gaburah says:

    Cara, o Faith No More faz show no Rio sozinho – http://www.ticketmaster.com.br
    Se a onda for festival, aí é em São Paulo – Maquinária Festival – onde vai tocar o FNM. Vai ser numa tal Chácara do Jockey, que pelo que entendi não fica longe. Mais informações em http://www.maquinariafestival.com
    Se a onda for o Sonic Youth, aí é no Festival Planeta Terra, que vai ser no Playcenter (parque inclusive aberto ao público do festival, ao que parece exclusivamente). Informações se não me engano também no Ticketmaster – http://www.planetaterra.com.br

    Perry Farrel, vocalista do Jane’s addiction e dono do Loolapalooza, confirmou estar em negociações para trazer uma edição do festival europeu para o Brasil no ano que vem. Mas como toda negociação que se preze, está coberta de sigilo. Vai uma das inúmeras fontes que veicularam a notícia. Esse é um baita festival, gigantesco em todos os sentidos, que sempre conta com um sem-fim de bandas na escalação. Já criando grandes expectativas, seria mais ou menos o que o Rock in Rio representou em sua primeira edição.

    E falando nele, o próprio Roberto Medina confirmou a nova edição em 2011 (apesar de inicialmente programada para 2012). Vai a fonte.

    Agora é aguardar novidades. Os roqueiros de bom gosto (…sempre tive a veia mais para o som antigo mesmo [2]) já devem estar se coçando. E se algum dos dois tiver essa babaquice, essa putaria, esse mau-caratismo de área vip, eu vou vomitar lá também. Mas espero que pelo menos esses dois mantenham o respeito pelo público e pela memória dos grandes festivais.

  16. Matheus says:

    To com você. Que prestam mermo só o Faith e o Iggy do qual sou fã pra caralho!

    Mas Móveis Coloniais é legal e dia desses fui num show do Nação que foi doido demais!!!

  17. Gaburah says:

    Eu até ia escrever um post sobre o show absolutamente fodástico de ontem, mas achei um artigo do site do Sidney Rezende que é curto e grosso. Resume todo o sentimento que tomou conta da noite de ontem. Vou colocar o link aqui e só vou me dar ao trabalho de colocar as fotos que tirei depois.
    Faith No More lava a alma dos cariocas em apresentação “épica”
    Só achei um absurdo ele dizer que King for a day poderia ter destoado. COMO ASSIM?!? Uma das melhores músicas da banda, cara… uma das que eu mais queria ouvir! Presentão!

  18. Gaburah says:

    Faz o seguinte: como eu não me aguento e não curti a crítica do Sidney Rezende só por causa da observação, vou fazer um post sim. Mas depois do Maquinária, pra ficar completão.

  19. Pingback: A semana mais rock n’ roll da minha vida at gaburah.com

  20. Gaburah says:

    Brilhante texto de Luciana Toffolo para o Omelete com as impressões de dentro da famigerada área vip:
    VIP não quer se divertir, quer apenas se mostrar para os amigos

  21. Gaburah says:

    E no frigir dos ovos, tanto Maquinária quanto Planeta Terra se revelaram dois festivaizinhos muito meia-boca. Que a organização do primeiro me cale.

    Não calou (final do post), e ficou mesmo a impressão de festival meia-boca.

  22. Pingback: O feriado do ano (ou “SWU – Começa com seu dinheiro”) at gaburah.com

  23. Gaburah says:

    O Rock in Rio dá o exemplo. Área vip é o CARALHO!

  24. Pingback: Rock In Rio IV – 2011

  25. Pingback: Iron Maiden e o Premier itinerante

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