O Mundo é de todas as criaturas do Mundo!
Published by Gaburah June 26th, 2008 in Meio Ambiente, Opinião, Pequenos Gestos Grandes Seres Humanos, Utilidade pública, Ética na sociedadeExtraído do Jornal O Globo:
Ibama multa dono que bateu em poodle na rua
Publicada em 06/06/2008 às 22h07m
BRASÍLIA - Patrick De Meauntroux, de 18 anos, foi multado em R$ 2 mil pelo Ibama e vai responder a processo por ter agredido com tapas e pontapés Bob, seu cachorro poodle, de cor preta. A agressão ocorreu no fim da tarde de quinta-feira, em Brasília. O jovem escapou de apanhar de populares depois de bater no cão. Patrick acabou fugindo, e sua namorada levou o animal a uma clínica veterinária, com uma das patas quebradas e problemas na bacia. Bob passou por cirurgia para colocar uma placa de metal na tíbia.
Patrick reapareceu nesta sexta e foi autuado pelo coordenador de Fiscalização de Fauna do Ibama, Antônio Paiva Ganme. O órgão ainda representará contra ele no Ministério Público Federal, e o jovem pode responder a processo com base na Lei de Crimes Ambientais. Patrick chegou a negar a agressão e disse que pisou sem querer no animal. Depois, admitiu aos fiscais do Ibama que perdeu a cabeça e não entendia a razão de ter agido com tanta violência.
Lendo essa matéria, me recorreu um pensamento de Mahatma Gandhi que diz mais ou menos isso:
“A GRANDEZA DE UMA NAÇÃO PODE SER JULGADA PELO MODO QUE SEUS ANIMAIS SÃO TRATADOS”
Até nisso o Brasil é um país de contrastes.
Se por um lado observamos diariamente casos de barbaridades e covardias promovidas contra animais de várias espécies, de outro enxergamos um número cada vez maior de pessoas que gastam uma bela soma no mês para cuidar de seus animais de estimação.
O fato é que muita gente se mete a arrumar um cão ou um gato ou qualquer outro mascote mas raramente se dá conta de que está assumindo um compromisso com e para uma vida toda, pois o mascote é um ser vivo que vai passar pelo menos uns bons quinze anos ao seu lado e é totalmente dependente do seu cuidado. “Cachorro é o filho que não cresce nunca”. O triste é que muita gente só se dá conta disso depois que passa a fase do filhote bonitinho, quando a sujeira fica maior, o gasto fica maior e o trabalho fica maior.
Em diversas regiões, infelizmente, o reflexo disso é o grande número de abandonos registrado principalmente nas épocas de férias, apesar das crescentes campanhas de conscientização e combate à tão covarde prática.
Nos Estados Unidos, se uma pessoa quer ter um animal de estimação, precisa registrá-lo e pagar uma licença para isso. E se por acaso o animal foge ou é abandonado, o dono é acionado e responde - podendo inclusive ser devidamente penalizado. Se antes eram usadas as plaquinhas de identificação (as famosas dog-tags - e essa é a origem do nome daquelas plaquinhas que os soldados utilizam), hoje - com toda a evolução da tecnologia - existem recursos como microships implantados sob a pele dos animais e localização por GPS. E o cerco aos responsáveis se fecha. O problema é a tal da carrocinha, que recolhe animais perambulantes que se não forem resgatados num prazo x, acabam virando sabão.
O Brasil precisa é adaptar sua legislação no que se refere à posse de animais domésticos. Primeiro para dar responsabilidade ao sujeito que quer ter um animal de estimação porém acha que é um bem descartável. Segundo porque essa talvez fosse a melhor maneira de resolver o problema do cada vez maior número de animais de rua nas cidades de todo o país, coisa que hoje é feita de maneira heróica por voluntários que recolhem, tratam, castram e TENTAM arranjar um dono. Só que para cada animal que é recolhido e tratado, outros cinco (em estimativa otimista) aparecem na rua, e o ciclo não acaba nunca.
Nos EUA (recorro ao exemplo estadunidense pois pra mim é um modelo eficiente), se uma pessoa se dispõe a ter um animal de estimação, ela precisa provar que pode cuidar e pagar para isso. No Brasil, cada mendigo de rua tem pelo menos dois companheiros, e normalmente um casal. Aí… E também acontece isso em casas bacanas, em barracos, em apartamentos… “Ah, deixa cruzar só uma vezinha…” Quem nunca ouviu ou se pegou falando uma sandice dessas?
O que entristece é ver o total desrespeito à vida, em todas as suas formas, pela sociedade atual. O homem cada vez mais agride o meio ambiente e insiste (apesar de toda a evolução da espécie) em tratar as outras criaturas que co-habitam este mundo de Deus como seres inferiores.
É fato que não existe criatura mais ou menos inteligente. Isso já foi amplamente discutido cientificamente, espiritualmente, filosoficamente, racionalmente e passionalmente. O que existe são diferentes inteligências entre todas as criaturas, inclusive o homem. E talvez o que atrapalhe tanto a verdadeira evolução do homem seja justamente a auto-proclamada superioridade (sic), que desde que nos entendemos por gente, lá no colégio primário, somos convencidos de ser donos. Depois de crescido, passei a acreditar que não passamos de mais uma espécie nesse mundo, que deveria justamente por sua inteligência aperfeiçoada saber respeitar os demais e promover uma existência harmônica e pacífica entre tudo e todos.
Analisando friamente, o homem se encaixa muito mais no conceito de praga, e por isso gostei tanto de um filme recente chamado Fim dos Tempos.
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Palmas para o Ibama. O precedente aberto pelo órgão é um divisor de águas na questão da responsabilidade do brasileiro no trato com os animais. E que seja extrapolada para outras questões tão graves, como o tráfico de animais silvestres e a farra do boi em SC. São lutas espinhosas e árduas, mas é pra frente que se anda. E por mais que se diga o contrário, a reestruturação e renovação dos quadros do funcionalismo público pela qual os diferentes órgãos do governo vêm passando tem trazido também gás renovado para a eficiência dos mesmos.
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Outra reportagem que li há um certo tempo dava conta de que a corte marcial do exército americano prendera dois soldados que realizaram uma suposta filmagem no Iraque onde maltratavam animais de rua. A corte estava analisando para verificar a autenticidade e anunciava pesadas punições aos oficiais caso fossem comprovadas as denúncias.
Gosto de pensar que estes são sinais de que o mundo está mudando. A opinião pública pelo menos se faz manifestar hoje em dia, numa realidade em que os canais de comunicação estão cada vez mais rápidos, acessíveis e chegam a cada vez mais pessoas. E cada vez mais pessoas manifestam sua indignação frente a episódios de barbárie desta natureza.
Só que, como tudo, consciência sem ação não vale de nada. Então pense muito bem antes de arranjar um animal de estimação. E quando decidir que realmente vai arranjar, pense mais um pouco. Lembre que você vai assumir um compromisso para uma vida inteira, e que abandonar uma criatura que vai ter você como uma figura divina é uma covardia e uma falha de caráter repugnante.
O Mundo não é só seu. Nem meu. O Mundo é de todas as criaturas do Mundo!




Putz! Outro dia estava pensando a mesma coisa.
Estava indo para a Estação do Catamarã em Charitas e observando as obras no entorno para melhorar as instalações (estacionamento, acesso, etc).
Estava até vendo que funciona direitinho (está piorando) sem flanelinha e coisa e tal.
Só que ao mesmo tempo, passei a observar a escala da obra, que para fazer aquilo ocupava-se uma área que não é de escala natural. Em vida selvagem, o animal utiliza o que está à mão, marca seu espaço com sua presença física ou coletiva e pronto. As coisas tem em O.G. o tamanho do bicho (vide uma formiga carregando alimentos).
Imediatamente, olhei para as favelas ali próximo e vi a ocupação gigantesca.
Até poderia pensar em um formigueiro, infinitamente maior que a formiga. Mas sendo esses irrisórios comparados ao tamanho do Planeta.
Entre os grandes mamíferos, a área utilizada pelo homem, e o consumo de energia é abissal. A escala não é natural.
Essa porra é uma praga mesmo, devorando tudo.
É um consumidor voraz de recursos.
Se pensarmos em escala de tempo geológica, o período de existência de vida humana na Terra é um cocozinho (tanto que exterminado hoje, o Homem seria um excelente fóssil). Quem quiser enxergar o ser humano então como horda (é com “h”?) de gafanhotos sobre a “plantação” terrestre, não passará muito longe na analogia.
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Em tempo, eu vi as favelas, mas vi as os prédinhos na orla de Charitas. É tudo a mesma merda. Tudo praga, tudo ocupação indiscrimada, ambas muito além do necessário para uma condição “natural”.
Eu não condeno quem não goste de animais, quem não os suporte ou mesmo quem tenha raiva dos mesmos. Não vejo o menor problema nisso.
Acontece que covardia e irresponsabilidades sim, devem ser condenadas.
Porra. Agredir um animal doméstico é de uma estupidez sem precedentes.
A porcaria do bicho é criada para confiar, para ser dependente. É bater em quem vem de coração aberto. Non-sense total.
A punição tem de ser exemplar
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Mas esse caso é de índole e educação. São casos pontuais.
Acho o problema maior mesmo citado no post, este de abandonos e dessa cultura supérfula do “descartável”.
Esse negócio de tratar bicho como carro velho, que começa a dar muito conserto, é melhor trocar.
Isso sim, é caso de ação governamental. Acho complicado soluções de curto e médio prazo serem implementadas.
A única que conheço é de longo prazo, complicada mas necessária. Nem para esse caso, mas que acabaria sendo minimizado por tabela.
Esta não é uma solução mágica, mas é a única que conheço para a maioria dos males de uma Nação:
Educação Formal.
Eu acredito que a civilidade vem com a instrução. Em mais nada.
Também não condeno a pessoa que não gosta de animais. O cara não gosta ou detesta, não tem e pronto. Conheço um monte de gente assim que não sai escrotizando bichos pela rua ou em caminhadas por causa disso. E não são pessoas piores por causa disso. E também conheço muita gente que vale muito menos do que o bicho que tanto gosta.
A questão é mesmo essa, a da responsabilidade e da consciência. Do respeito à vida alheia, coisa que sem educação, conhecimento, cultura, formação… é muito difícil de conseguir. Mas acho o governo omisso no assunto do bem-estar animal, assim como muitas vezes o é na questão da sustentabilidade e exploração de recursos naturais.
É pena que AINDA não houve um político esperto o suficiente pra perceber que o assunto é uma tremenda plataforma eleitoral, um assunto que mobiliza e sensibiliza demais a opinião pública. O dia que um cara que trate o assunto como se deve descobrir esse caminho das pedras e levá-lo séria e destacadamente ao Congresso ou às Assembléias e lá fazer as coisas realmente acontecerem, vai criar um filão e carreira sem fim.
Mas não acho de forma alguma que para que as pessoas mudem tenha que se depender exclusivamente da ação governamental. Mas que ajudaria, sem dúvida ajudaria. Nada de políticas assistencialistas ridículas tipo doações ou financiamentos. Seria preciso mesmo investir na educação como meio de conscientização e criar uma legislação que regulamentasse a posse e responsabilidade sobre animais domésticos e selvagens. E não acho que isso seria uma coisa tão difícil assim de fazer.
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Pra não dizerem que só falei bem do modelo estadunidense, lá existe a carrocinha (que talvez seja o maior efeito colateral do negócio) e as terríveis fazendas de criação de cães e gatos, verdadeiros campos de concentração que também são um problema difícil de ser extirpado.
Hoje vi uma excelente num carro:
Pensamos em legislação, porque de um jeito, é uma forma de se impor educação na marra em uma população.
Utópicamente, em uma civilização em estágio máximo de educação, leis formais seriam desnecessárias (ao contrário do que se pensa, o anarquismo exige dose impossível de responsabilidade coletiva).
Mas enquanto não se chega nesse estágio avançado, legislação é uma boa para todos falarem a mesma linguagem.
Uma pena, que a bagunça é tão grande e a ignorância impera tanto por aqui, que legislar-se os costumes de nada adiantaria aqui, uma vez que esbarraríamos na falta de fiscalização.
Até legislação aqui fica apenas no campo educativo.
Apesar de minha visão pessimista, acho que vale apena a discussão da gente sobre o que deveria ser o certo a ser feito, mesmo que saibamos ser praticamente impossível de ser posto em prática.
Sabemos que não falamos para as massas. Mas vai que entre nossos leitores está um futuro ditador do Brasil que será influenciado por nossas idéias.
Vale à pena insitirmos.
Darth Vader para Presidente!
Aliás, ninguém nunca viu o Darth Vader maltratando um animal, nemo Chewbacca. Provavelmente ele não gosta, mas não escrotiza por causa disso.
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Perfeito, Victor. Mas graças a Deus podemos tirar um exemplo que, mesmo que ainda muito timidamente, pouco a pouco vem começando a engrenar: a Lei 9605 de 12 de fevereiro de 1998, ou Lei de Crimes Ambientais. O IBAMA não dispõe ainda de gente pra conseguir fiscalizar como se deve um território do tamanho do Brasil, mas pelo menos o que vejo sobre a atuação do órgão nas áreas de preservação dentro e no entorno das cidades é animador. Não sei se justamente essa proximidade com a opinião pública pode fazer o órgão jogar para a torcida, mas de qualquer forma toda vez que ouço algum beócio falando sobre caça, sempre cita o medo da fiscalização, de ser pego com a boca na butija. Tem dado cadeia mesmo. Já ouvi até casos de atropelamento de animais silvestres que acabaram em cadeia (porque o espertalhão alegou um atropelamento, mas a polícia acabou descobrindo que o carro foi a arma utilizada para a caça). Nesse ponto, vale ressaltar, o IBAMA não teve aparente participação, mas sim a Polícia Florestal da PM do Estado de Santa Catarina.
Isso pra mim só reforça que as coisas podem sim acontecer, mesmo que demore. Veja bem, a lei 9605 é de 1998, e até hoje não sentimos sua ação. Mas gradualmente a coisa vai acontecendo, creio eu. Sair da inércia que é o mais difícil. Havendo a aplicação por parte das autoridades, o tempo traz os resultados.
Mas ainda assim relembro a sua citação e reforço minha concordância:
Se bem que tem aquela história.
Legislar não serve para aquele cara que maltrata o animal doméstico em sua casa, o filho de madame que abandona seu bicho ou o casal que vai se mudar para um condomínio bacana mas que não aceita cachorro e dá seu animal de 10 anos para outro.
Só que no caso de profissionais o buraco é mais embaixo. Esses caras tem a ação inibida mesmo por legislações.
É mais ou menos essas leis anti-piratarias de software. Não dá em nada para o usuário doméstico, mas vai usar em empresa. O cú aperta.
Relendo a lei, achei um artigo bem interessante:
Pode ser por aí que o IBAMA enquadrou o otário. E tem alguns itens que tornam a lei bastante abrangente (não sou advogado, mas acho que dá pra aplicar em diversas situações).
Ainda bem que o IBAMA não aparece no Dojo, senão eu seria preso por arrastar a cara de vários cachorros no tatame!
hehehehehe
Victor, certamente vc tirou o meu barraco da sua análise filosóficoscatológica. Afinal ele foi construído um pouquinho mais largamente que o normal pra caber meu pé 45 e o cucuruto.
Na verdade, essa sensação fica mais evidente para mim quando vejo aquelas casas lá do início de São Francisco, no começo da rua do Canal, em uma encosta.
Apenas pelo valor das casas, eu não vejo grandes diferenças para as ocupações de favelas.
É tudo muito feio.
Mas de qualquer forma, é tudo a realidade. Fazemos parte disso, ora bolas.
Mas que é feio, é.