Tropa de Elite
28 Comments Published by Gaburah October 18th, 2007 in Cinema, Opinião, Utilidade pública, Ética na sociedade
Nem estreou nos cinemas brasileiros, “Tropa de Elite” já suscitava uma série de discussões sobre a metodologia de ação do BOPE – Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Isso graças à praga da pirataria que vejam só, acabou sendo muito inteligentemente usada para alavancar a campanha de marketing do filme e antecipar a data de sua estréia para aproveitar o burburinho. É o “sistema sendo usado pra resolver o sistema”.
José Padilha – sujeito curioso esse – vive no momento uma doce ambigüidade: crucificado pela crítica, mas amado pelo público, o diretor do pouco badalado (e bela porcaria, como eu e Victor pudemos infelizmente constatar) “Ônibus
Para mim, enquanto careta que sou, José Padilha fez um filmaço – e nem precisou apelar para a ficção. Tá tudo lá no livro em que ele se baseou (sem trocadilhos) pra montar o roteiro do filme.
Mas porque diabos o diretor está apanhando tanto da mídia por ter feito um painel da guerra contra o tráfico através da visão da polícia, enquanto “Ônibus
Para mim, enquanto careta, a resposta é simples: o filme toca numa ferida muito maior do que a violência (?) dos métodos de ação do BOPE. E não vou nem me dar ao trabalho de discutir a necessidade da ação enérgica dos policiais contra a horda de bandidos, assassinos, traficantes e aliciadores muito bem armados envolvidos no narcotráfico.
A ferida que Padilha expõe é MUITO mais dolorosa. É a demagogia, é a mentira, é a conivência, é a tolerância, a HIPOCRISIA das classes média e alta, do alto do voluntariado picareta, das ações sociais baratas, das obras comunitárias de fachada e dos “tapinhas inocentes de vez em quando” pelos corredores das faculdades e escolas (públicas e principalmente PARTICULARES) e das residências deste país.
Escolas PARTICULARES, você disse?? Sim, meus caros! Pobre tem dinheiro pra comprar droga? O perfil do aluno típico de escolas públicas não condiz com o de uma pessoa que tem que desembolsar uma bela soma de reais pra comprar o seu tijolo de erva ou os seus pacotes. Porque o tráfico cobra à vista. Senão é cova.
E nesse contexto, muita gente “de bem”, muito voluntário de merda, muito estudante filho da puta vestiu a carapuça. E muita gente formadora de opinião também, do alto das coberturas, dos salões de universidades, empresas e repartições e de dentro dos corredores das suas casas. Esses tomaram um tapa na cara que doeu muito mais do que o que qualquer bandido do filme – ou da vida real – levou.
E aí, pau no Padilha. “Como é que esse sujeito tem a ousadia de retratar as coisas do jeito que elas são?? Quem é esse cara pra me dedurar?? Quem é esse filho da puta pra estragar o meu esquema??”… Doeu acordar e dar de cara com a culpa que cada usuário sem caráter carrega, de ser investidor e financiador do negócio mais organizado que existe: o crime. E um investimento sem retorno algum. Nem a curto, nem a médio, nem, a longo prazo. Um negócio em que só se perde. O que o Roberto Justus diria pra um aprendiz assim?
Confesso que foi muito bom ter visto este filme nesta altura da vida, porque se tivesse assistido enquanto estava na faculdade, haveria um perigo grande de me meter em merda, pois a minha tolerância com o “pobre e inocente usuário” foi bastante (pra não dizer completamente) reduzida*. Ou quer saber? Pena que não assisti enquanto estava na faculdade, porque ali eu poderia ter tido a chance de encarar o problema e dizer aos maconheiros de merda as verdades que talvez precisassem escutar.
O tapa que o BOPE do filme dá na cara da sociedade é o mais dolorido de todos.
É mais aceitável (absurdo dos absurdos) que o Padilha faça um filme culpando a sociedade pela criação, multiplicação e engorda dos marginais, pela “falta de oportunidades”, do que outro que exponha como na verdade funciona a “sociedade” que financia a bandidagem: uma minoria de filhinhos de papai e “intelectuais” de merda que envolve todas as pessoas de bem (uma maioria minoritária, a esta altura do campeonato) nas conseqüências de seus atos inocentes e “recreativos”.
Parabéns Padilha, por se recuperar e me fazer reavaliar o conceito que tinha sobre o seu talento. E obrigado por mostrar o que eu precisava ver.
OBS: Há quem diga que o filme depõe contra a imagem do Brasil no exterior. A estes eu questiono: quantos países que porventura estejam criticando podem de verdade falar da violência ou do narcotráfico em terras brasileiras? Quantos países desenvolvidos que porventura estejam criticando tem níveis de criminalidade reduzidos ou “aceitáveis”? E quantos têm a coragem de expor seus números e suas mazelas, sem precisar para isso se esconder atrás de guerras e atos de genocídio?
E quantos estão DE VERDADE criticando?
Pense nisso da próxima vez que deixar seu complexo de vira-latas falar mais alto.
*Tive que reeditar o meu post anterior sobre os Black Crowes, a fim de não me tornar eu mesmo vítima da minha antiga conivência.
28 Responses to “Tropa de Elite”
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Aplausos para o seu post sobre o filme, caro Gaburah! E pela sua correção do artigo sobre o The Black Crowes, claro.
Não sou de muitas palavras escritas e sim faladas. Por aí você imagina o quanto tagarelei ao sair da sala de cinema. Filme excelente, forte e necessário!
[Reply]
Vou começar pelo fim.
Essa história de depõe contra a imagem do Brasil no exterior é o “ó”. Eu acho muito favorável ao Brasil mostrar ao Mundo que aqui dentro há quem pense nos próprios problemas e que exponha a ferida.
Depõe contra a imagem do Brasil, maquear a realidade com estatísticas para boi dormir.
Aos poucos vou aumentando minha intolerância com pequenas coisas também. A história que sempre ouvimos de que quem financia o tráfico de drogas é o usuário que usa para o lazer de tão óbvia que é, parece que fica só para conversinha. É tão óbvia que fica difícil de ser aceita. Padilha foi enfático em dizer isso em “Tropa de Elite”. Causou náuseas em maconheiro. Soco na boca do estômago.
Reinaldo Azevedo mandou muito bem em seu artigo na VEJA quando escreveu:
“O que os “playboys” do relativismo rejeitam é a evocação da responsabilidade dos consumidores de droga na tragédia social brasileira. Nascimento invadiu a praia do Posto 9, em Ipanema.”
Neguinho curte mesmo é aquele documentário macaqueado do mesmo diretor, o “Ônibus 171″ que Gabão fez com que eu e Gaburah assistíssemos.
Ou então, pior ainda, aquela merda baseada em livro do Dráuzio Varela, Carandiru. Esse aí então é pior, porque neguinho romanceia para mostrar que bandido é gente boa. Puta que Pariu.
A pirataria me sooa meio estranha no caso desse filme. Ana Paula pode explicar o melhor o porquê. Isso aí tem toda cara do mundo de marketing viral bem feito às pampas.
[Reply]
Neguinho curte mesmo é aquele documentário macaqueado do mesmo diretor, o “Ônibus 171? que Gabão fez com que eu e Gaburah assistíssemos.
É bem por aí mesmo Victor.
A sociedade – sociedade é o caralho – as pessoas parece que se sentem menos culpadas quando um filme como aquela merda do “Ônibus 174″ diz que elas são culpadas por não dar oportunidades, não ajudar, por botar bandido na cadeia com outros bandidos, por bater em bandido… Sabe porque? Porque isso as empurra pra um serviço voluntário qualquer que permite que continuem fazendo as mesmas merdas, que permite que o filho ou elas mesmas continuem dando o seu “tapinha inocente”, mas agora com um grande alívio de consciência, por estarem “fazendo o seu papel na sociedade”.
Fazendo o seu papel é o caralho! Santa hipocrisia!
Chega dessa baboseira de dizer que a culpa é da truculência da polícia! Bandido bom é bandido morto! Violência gera violência quando temos um processo em desenvolvimento. Agora que a merda do “sistema” está estabelecido, o Estado tem é que garantir a segurança das pessoas sérias que vivem em sociedade, e que felizmente são a grande maioria.
Mas uma maioria cada vez mais oprimida pela própria vista grossa que faz para os amigos, os filhos dos amigos, os ídolos da mídia, os famosos que espertamente cada vez usam mais isso a seu favor.
E hoje ainda temos que engolir leis que protegem o usuário, aquele filho da puta que financia todo esse absurdo que perdeu o controle, e os direitos humanos, que só servem pra bandido. Quero saber: quais são os direitos humanos do cidadão de bem, do pai de família, dos idosos, dos trabalhadores? Qual é o direito que esta parcela da população tem de viver tranquilamente e não ser vítima de ações marginais? Direitos humanos pra quem merece, isso sim.
Não adianta colocar a culpa só na corrupção (de parte) da polícia (que existe mesmo) ou na ineficiência do Estado. É hora sim de cada um tomar para si a sua responsabilidade e perguntar no que está colaborando para sustentar a realidade que aí está.
Do contrário, o futuro é negro.
[Reply]
Capitão Nascimento baixou geral no Black Crowes.
Se não fosse a politicagem, o BOPE teria dado logo um teco quando teve inúmeras chances no bandido do “Ônibus 171″. Acabou morrendo e de quebra levou uma cidadã com ele.
Aplausos ao populismo…
[Reply]
Eu tenho certeza absoluta que o BOPE não deu um teco quando teve as chances graças à presença da imprensa e à repercussão ridícula que haveria caso fosse o teco fosse executado.
Acabou que a imprensa execrou a polícia da mesma forma, só que pelo desfecho trágico e pelo “acidente” com o bandido.
[Reply]
A repercussão mundial continua não tão ruim como querem fazer parecer, para tristeza daqueles que tem culpa no cartório… site da BBC
[Reply]
Meu caro, eu sei que você não é fã do sujeito, mas o seu post sobre “TDE” me fez lembrar de Nelson Rodrigues. Nelson, para mim não só o nosso maior autor como nosso mais inflamado crítico, já dizia que “o que atrapalha o brasileiro, é o brasileiro”. Padilha tem sido sistematicamente massacrado por ter tocado na ferida que você identificou tão bem. Ele próprio admitiu que vários “colegas” (produtores, diretores, atores, etc) se sentiram quase “traídos” com esse lance das drogas. Ele tem recebido emails e telefonemas indignados de pessoas que não querem assumir sua responsabilidade pelo que chamam de “uso recreativo” da droga. Brasileiro rico gosta de filme de brasileiro pobre, mas filme que mostra brasileiro maconheiro rico subindo favela para “lazer” é imediatamente taxado de absurdo e reacionário.E agora o Cristo da vez não é nem mais o Padilha: é o Capitão Nascimento.
Não aguento mais pseudo-intelectuais boquiabertos, crucificando o personagem de Moura. E Padilha pergunta: mas vocês não gostaram do Corleone em “Poderoso Chefão”? E vocês não gostaram de DeNiro em “Taxi Driver”? Quem não torceu por Uma Thurman em “Kill Bill”? Pelo visto, vilão importado desce “redondo” por aqui. Mas um sujeito como Nascimento se transformou em mais do que um vilão num filme: ele agora é vilão fora das telas, é ameaça. “Tirem as crianças da sala, lá vem o torturador”. É isso o que a mídia quer.
Achei o filme fantástico, especialmente por tratar de assuntos tão pungentes e de forma tão crua. Quem, hoje em dia, tem coragem de fazer isso? Quem tem coragem de bancar um roteiro desse, ir filmar na favela, comer o pão que o diabo amassou e ainda ser sabatinado diariamente em todas as emissoras? Padilha corre o sério risco de se transformar num cara que eu admiro pacas – desses que merecem uma defesa em mesa de bar.
Estudei na PUC e fiquei com a alma lavada. Sim, aquilo é uma hipocrisia. Não estou aqui para satanizar os maconheiros, cada um faz o que quer. Mas todo mundo sabe que só existe demanda se houver procura. E procura é o que não falta todo dia quando um estudante desses sobe morro.
O mesmo público que vibra com a violência do cinema americano, rechaça com asco o filme do Padilha. Acho que é difícil admitir que, finalmente, o cinema nacional produziu algo bom.
No fim, concordo com você e com Nelson Rodrigues: “o brasileiro não está preparado para ser o maior do mundo em coisa nenhuma. Ser o maior do mundo em qualquer coisa, mesmo em cuspe á distância, implica uma grave, pesada e sufocante responsabilidade.”
E todo mundo sabe que, no nosso país, ninguém quer ser responsável por porra nenhuma. Brasileiros, responsáveis? Nunca serão, jamais serão.
Que venham mais discussões sobre “TDE”. É disso que a gente precisa. Do contrário, viveremos um Dia da Marmota eterno, repetindo as mesmas produções lamentáveis ano após ano.
Parabéns pelo post, meu irmão.
[Reply]
Mas antes que eu me esqueça, antes que nos afundemos na discussão que não se encerra sobre TDE, gostaria de ressaltar que o filme por si só, se visto como divertimento (que sinceramente é o que eu acho que é a pretensão principal de qualquer filme) o filme é lega pacas.
É como se fosse um filme de herói mesmo. É como se o Capitão Nascimento fosse “The Punisher”, ou o Kevin Spacey em “American Beauty” ou o “Kaiser Sosa” (ops… muitas dicas, falei demais).
Tanto que o filme é foda como entretenimento, que as falas grudam que nem chiclete. O filme só gerou essa discussão porque é maneiro. Do contrário, iria para o esquecimento.
[Reply]
Periga Padilha parar em Hollywood, como outros brasileiros já fizeram.
Aí a classe artística e a mídia vão endeusar o cara, porque o X9 deles vai estar bem longe, e tudo vai poder voltar a calmaria de antes…
MH foi muito feliz nas colocações dela. Disse uma coisa que eu queria ter dito, mas acabei passando batido.
Padilha deve ter colecionado muitos desafetos no seu meio profissional mesmo. Tem muito artista com cara de bom moço com culpa no cartório.
Quem não lembra de episódios envolvendo atores, atrizes, diretores, produtores, etc, flagrados portando ou usando algum tipo de droga (sempre resumidas à maconha, a mais “inocente” de todas – que raiva!) e que logo depois apareceram estampando alguma notícia sobre “como deu a volta por cima”, “após o drama vivido…” e essas babaquices.
Ué, um belo exemplo (sacaram, sacaram?) é aquele cantor também conhecido como “Bonito, hein?” que foi preso, julgado culpado cheio de provas, condenado e que o tempo todo teve a cara sendo livrada por uma emissora de televisão.
Inclusive agora mesmo tá estampando uma campanha sobre a sua obra na mesma emissora.
Esse tipo de “esquema”, que só não vê quem não quer, me enoja. Deve ser por isso que vejo cada vez menos televisão.
Depois vem o Faustão dizer que “as novelas refletem a sociedade do jeito que ela é”, que “o autor não inventa nada”. Pra quem tem senso crítico, pode até ser. Mas pro povão mesmo, pra massa precariamente alfabetizada desse país, o mau caráter que se dá bem na novela forma opinião sim, o artista que fuma maconha forma opinião sim, a perpetuação do jeitinho brasileiro forma opinião sim.
E assim se perpetua a tolerância e a aceitação do rebanho massificado. E quem disser o contrário, vira chato e/ou reacionário.
[Reply]
Victor, é um FILMAÇO mesmo. Como entretenimento então, acho que é o melhor filme brasileiro que já tive oportunidade de assistir.
Pena que não foi esse que Gabão arrastou a gente pra ver. Mas até isso foi bom, porque assim o Padilha teve a oportunidade de crescer no meu conceito.
[Reply]
Lembro de uma que me deu raivas absurda também.
Ano passado no Dia dos Pais, no programa de sábado à tarde do apresentador que perdeu o Rolex, tive de ouvir do mesmo apresentador sobre um ator que faz propaganda para um clube do Rio de Janeiro que era considerado grande que ele tinha dado a volta por cima depois de passar por um drama pessoal(sic).
O ator, ao lado do filho, não deixou barato (nada de vapor barato) e sapecou ainda o clichê:
“O importante foram eles (os filhos). Lutei por eles.”
PILTI-QUI-TI-PARANOV!
Não foi porque neguinho caiu de pau não. Foi por consicência mesmo… Valeu.
Mas é como Gaburah bem escreveu. O cara fala isso, e eu, Gaburah, MH e mais meia-dúzia de gatos pingados rimos. Porém, nesse País de analfabetos funcionais (e muitos com curso superior), a maioria engole essa balela. Essa ladainha.
Faço aqui meu Mainardismo, e proponho o McCarthismo das drogas. Onde os que usem sejam delatados, para ao menos termos o prazer de execrar tal figura. Não deveríamos poupar nem Ministros.
[Reply]
De Cinema Nacional, ainda acho o melhor, disparado, Cidade de Deus.
Claro que Cidade de Deus não suscita grandes discussões (tem enredo, história, não se coloca do lado dos bandidos, mas não é polêmico), mas como entretenimento, enredo, narrativa, desenvolvimento, evolução, harmonia e alegorias e técnica de execução acho que está anos-luz à frente de qualquer filme nacional que eu tenha visto.
Comparo com produções fodas norte-americanas. Filmaço.
[Reply]
Caso Capitão Nascimento subisse o morro em missão contra Zé Pequeno. Quem ganharia?
Eu acho que o Capitão. Já vi Zé Pequeno perder. Capitão continua invicto.
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Sou adepto desse tipo McCarthismo.
Aliás, McCarthismo é um termo que a mídia e os vagabundos vão adorar.
Prefiro chamar de faxina.
[Reply]
Tropa de Elite é Filmão. Parabéns pelo post Gaburah.
O texto, adaptação, atores, produção e tudo mais… faz do filme um dos melhores que o cinema nacional já fez. Pra mim, perde apenas para Cidade de Deus. Acho Cidade de Deus um filme mais abrangente, mais completo. Mostra bem todo histórico do surgimento das favelas lá nas décadas passadas em meados do século XX, e a crescente criminalidade que começou pequena, mas depois tomou conta. Depois de Cidade de Deus fica mais claro perceber que a frase “acabar com as favelas” é sem sentido.
Tropa de Elite é mais específico. Mostra bem a atuação de uma parte da Polícia Militar. Recheado de polêmicas o filme, antes de ser lançado, já tinha a polêmica da pirataria.
É complicado classificar de marketing a pirataria que correu solta. Foi um trabalho de intensivos 3 meses de ensaios com os atores e depois mais 3 meses de intensivas filmagens, somados à todo um estudo prévio do Padilha, com certeza o tempo total foi de mais de 1 ano. Ver todo esse esforço nas mãos de camelô e ambulantes até com delivery, não deve ter sido das melhores situações para os autores, pois não recebem 0,01 centavo de nenhuma “venda” dessa.
Dizem que foi para promover. Porra, o próprio filme faria sua promoção na melhor das propagandas, o boca-a-boca. E é notório que a pirataria esvaziou as salas de cinema. Tem gente que diz: “eu vi o pirata mas sou correto, vou ao cinema”. Por que então não ir na bilheteria, comprar o ingresso e ir embora?
Quanto ao filme em si, atribuo a maior parte do sucesso às polêmicas. Realmente, é um tapa na cara da sociedade de hipócritas que acham que não tem mal nenhum queimar um baseadinho.
Sempre tive minha intolerância com os “apenas usuários”. Desde antes da Faculdade já via pessoas próximas fumando maconha. Pra começar eu não gosto do cheiro da marola, e se a porra do negócio faz mal pra caralho, por que mandar aquela fumaça fedida pra dentro do corpo?
Na época da Faculdade minha intolerância aumentou. Porra, eu já fiz prova de História Econômica Geral sentindo cheiro de marola! Por que todos que entram pra Faculdade na área de humanas viram comunistas e maconheiros?
Mas como não sou polícia, minha intolerância se resume em evitar o convívio com pessoas que acham normal fazer uso de drogas ilícitas. “Fazer merda” como Gaburah disse, eu não faço, o próprio usuário já está fazendo merda demais.
As polêmicas não acabam por aí. Também faz parte do sucesso do filme as dúvidas. Será que o treinamento do BOPE é aquilo tudo mesmo? É pior? Realmente, os policiais do BOPE são honestos ganhando pouco mais de R$ 800/mês? Eles são tão eficientes assim? Os traficantes têm tanto respeito pelo BOPE como o filme mostra?
De qualquer forma Tropa de Elite coloca o dedo na ferida mesmo. Estão de parabéns os autores.
Sim, há drogas legais, como o álcool, mas isso é outra discussão.
[Reply]
Também acho difícil a pirataria ter sido parte de uma campanha de marketing arquitetada. Acho muito mais possível os produtores terem se aproveitado inteligentemente do fervor que o filme acabou gerando, de maneira que caminhava velozmente pra se tornar um clássico underground.
Mas acho que é uma produção que estava mesmo fadada ao sucesso desde o início, e por isso a mídia e a imprensa abriram tão rapidamente a campanha de difamação para esvaziar a repercussão que sabidamente haveria.
Como eu já disse, tem muita gente que tem culpa no cartório.
Agora é impressionante como a coisa virou: o Jornal da Globo abre todo dia louvando as ações da polícia, falando de treinamentos de tropas de elite (do exército, da polícia, etc) e da repressão que começou a ser feita em campus de universidades e escolas. Essa semana mesmo, abriram denúncias no campus da UFSC, inclusive com flagrantes de reportagem.
Novidade?? De jeito nenhum! Cansei de ver nego fumando descaradamente na faculdade, assim como todo mundo já viu.
E mais esse ponto pro Padilha: hoje estamos vendo as coisas acontecendo mais energicamente, e inclusive nos cobramos uma posição frente ao problema. Antes a gente se sentia OK simplesmente evitando o convívio. Hoje a gente tomou consciência do que aquele ato alheio representa de verdade.
Não dá pra falar em segurança pública, em combate à violência, em redução de criminalidade nas cidades enquanto cada um não se responsabilizar por seus próprios atos e fazer o seu papel de “polícia” – operacional ou investigativa – pra ajudar a combater o que todo o dia se vê e não se faz nada. O MacCarthismo ou a faxina, chame como quiser.
Só não deixe o filme do Padilha evaporar da sua cabeça.
[Reply]
O negócio de que o consumo que financia o tráfico de drogas sempre esteve em pauta (até em comerciais de TV), porém, sem muito impacto.
Talvez o maior mérito do filme foi colocar isso como principal problema a ser combatido. Padilha colocou o “apenas usuário” em evidência, como principal responsável pela bandidagem, o que não deixa de ser verdade.
Já tem bastante gente pensando a respeito do assunto depois do filme. Pode não resolver nada mas, pelo menos, parece que a ficha caiu.
[Reply]
A questão do salário da polícia que tu citou é realmente um tema espinhoso.
É difícil o cara “botar a cara pra morrer” todo dia ganhando 800 paus. E é difícil mesmo o cara se manter na linha, com tantas armadilhas e desvios dentro do “sistema”.
Mas tudo tem um porém: não acredito que exclusivamente uma melhoria salarial garantisse a honestidade e a retidão de caráter do contingente policial. Existem servidores públicos que ganham muito, mas muito mesmo e mesmo assim se corrompem. E existem aqueles que ganham muito, mas muito mal mesmo e não dão um passo fora da linha. Tudo é uma questão de caráter do homem.
A polícia deve ser valorizada sim, não tenho dúvida, mas só dinheiro não resolve nada. O cara tem que ser treinado, tem que ser conscientizado da importância e da responsabilidade que a função de policial representam. O cara tem que ser amparado, em todos os aspectos.
Melhoria salarial sem que se ofereça condições de trabalho adequadas e satisfatórias só mascara temporariamente o problema.
[Reply]
Exatamente. O trabalho do BOPE de identificação dos policiais corruptos (pelo menos que o filme mostra) é fundamental.
Um simples aumento do salário é um primeiro passo, mas não é o que vai resolver. É preciso além do treinamento físico e técnico (armamentos), um treinamento psicológico. Algum teste que possa identificar o caráter do cara. Sei que é complicado isso e muito difícil. Mas é como é feito em países desenvolvidos.
Claro, os erros acontecem, e sempre passa algum. Mas aí caímos do discurso comum da impunidade. Que aqui ocorre muito.
[Reply]
Salários ridículos pagos pelo Estado não são privilégios dos policiais. Há três categorias (isso que eu tenho ciência, aposto que nas demais categorias deva se repetir o padrão, mas falarei das que tenho certeza pela convivência) com salários ridículos, e abaixo do piso dessas categorias. Engenheiros, médicos e professores.
Não se levantam suspeitas a todo momento sobre a honestidade desses servidores devido aos seus salários aquém de suas qualificações. Não creio que seja um absurdo que a maior parte dos policiais do BOPE sejam de fato honestos.
Salário baixo não deve ser motivo para amenizar a corrupção.
[Reply]
De maneira nenhuma. E o que o Bender disse seria o mínimo que se poderia esperar: traçar um perfil psicológico do cara, pra ver se ele é apto ou não a portar um fuzil e ter alguma autoridade. Muita gente se perde justamente nisso.
Isso também faria parte de um trabalho de base eficiente na formação de policiais honestos e bem preparados.
*****
Padilha ficaria orgulhoso.
Dois desafetos (quando o assunto é o outro filme do diretor, “Ônibus 174″), Gaburah e Gabão (outro cara que merecia um blog só pra ele) degladiaram-se via GTalk sobre o tema “Tropa de Elite”, e por sugestão do Big Gaba em pessoa achamos por bem publicar o diálogo aqui.
Se o GTalk tivesse conferência, até o Victor tinha entrado no bafáfá.
Segue a peleja:
Gabão is online.
Gaburah: fala ae, jaqueta de couro
Gabão: e aí?blz
Gaburah: já foi ver Tropa?
Gabão: sim
Gaburah: gostou?
Gabão: sim
Gaburah: mais do que o ônibus 171?
Gabão: não tem nada a ver um com o outro
Gaburah: COMO NÃO?!? (igual a Cacaio)
Gabão: o q há de igual?
Gaburah: são os dois lados da mesma moeda
crime X polícia
Gabão: um é documentário
Gaburah: o outro também
Gabão: o outro, ficção
Gaburah: os dois romanceados
são DOIS documentários
Gabão: tá louco
tropa é ficção
Gaburah: tô nada!
tu não leu o livro?
aquilo é ficção?
parece que nunca morou no RJ!
Gabão: por acaso “duro de matar” ou “máquina mortífera” são documentários e ficam gerando debates, polêmicas, etc?
Gaburah: puta que pariu, Gabão
vai tomar no cu, Gabão
Duro de Matar foi escrito por um policial contando suas experiências da época de serviço
?????
Gabão: não interessa, tanto que não há nada no filme dizendo “esta obra foi baseada em fatos reais”
Gaburah: precisa?
o livro taí pra isso
é só ler, porra
Gabão: as personagens são fictícias
é tudo romanceado
Gaburah: a única coisa que o filme fez foi juntar os fatos que no livro são contados separadamente
QUE PERSONAGEM É FICTÍCIO?!?
Gabão: todos
Gaburah: O TAL DO ANDRÉ MATIAS ERA O COMANDANTE DO BOPE NO CASO DO ÔNIBUS 171
PORRA
TÁ MALUCO??
Gabão: no 171 ele pode ser real, mas nós estamos falando sobre o tropa
ali ele é ficitício
Gaburah: você não existe…
Gabão: é que não acho q o filme tenha mostrado nada de novo, ou algo q ninguém sabia. Encaro apenas como um bom filme de ação, sem entrar em polêmicas sociais
Gaburah: mas a plêmica social que é o maneiro!!
PORRADA NOS MACONHERO!
Gabão: a sociedade não pode resolver os problemas baseados nas coisas que são mostradas em filmes de ficção e em momentos de comoção
então vc terá de dar porrada em vários amigos nossos
Gaburah: já pensei nisso
tu acha que não?
a esses espero que tenham visto o filme e tenham se impressionado tanto quanto eu
do contrário vão tomar esporro meu
Gabão: pois é, isso q não concordo, só se pensa nisso qd surge um filme assim?
Gaburah: antes tarde do que nunca
todo mundo sabe da porra do efeito estufa, mas quantos de verdade fazem alguma coisa pra ajudar a recuperar essa merda?
e por isso vamos parar de falar?
de tentar conscientizar?
Gabão: além disso, apesar de saber q o consumo mantém o tráfico, droga é algo q sempre existiu e sempre existirá
imagina se proibissem cerveja?
eu seria um consumidor de um produto ilícito e pagaria a traficantes
Gaburah: palmas pro filme por ter tirado muita gente da inércia!
http://gaburah.com
Gabão: além disso, é comprovado o grande mal que fazem o álcool e o cigarro
Gaburah: sei disso
e todo mundo sabe
mas álcool e cigarro sempre existiram
Gabão: então, por quê ficar agora botando toda a culpa nos consumidores?
Gaburah: essa merda nunca foi ilícita
Gabão: os índios usam suas drogas, e não há violência lá
Gaburah: os índios não colocam ninguém no fogo cruzado
Gabão: na Índia a pobreza é grande e tb há drogas (legais e ilegais) e não há violência como aqui
Gaburah: o caralho que não tem
pergunta a motoboy
Gabão: não como aqui
Gaburah: o que ele viu por lá
não adianta comparar realidades distintas
são países diferentes
culturas diferentes
pessoas diferentes
Gabão: sei disso, apenas tô dizendo que culpar uma coisa por todos os males é demais
Gaburah: e quem disse que só o consumo é o culpado?
Gabão: agora, ninguém diz nada sobre a influência de filmes americanos violentos sobre os jovens
Gaburah: a questão é: se não há procura não há oferta
Gabão: as tvs abertas passam direto esses filmes
Gaburah: qq economista bundão sabe disso
Gabão: mas sempre haverá procura
Gaburah: pq sempre haverá babacas
Gabão: é próprio do ser humano cond=sumir drogas
não, o q tava dizendo, se proibirem cerveja, eu serei um consumidor de droga ilegal
pois não deixaria de beber por ser ilegal
Gaburah: porra Gabão
você é muito esquisito
cerveja nunca foi ilegal
Gabão: já foi, nos EUA, e vc sabe no que deu
nunca foi ilegal por quê?
isso q não sei, pois o álcool é pior do que maconha
outra questão, vc sabe que muitas pessoas, principalmente os jovens, são atraídos pelo que é proibido
Gaburah: o problema da maconha é o caminho que ela abre para as outras drogas
desperta a curiosidade
Gabão: isso não tem nada a ver
Gaburah: que não tem
porra
Gabão: conheço pessoas q fumam, não são viciadas, e nunca usaram cocaína
Gaburah: porra, o cara que toma cerveja desperta a vontade de tomar gasolina?
Gabão: e o q vc diz acontece com o álcool tb
não, por acaso vc não conhece pessoas que só fumam qd bebem?
eu conheço várias
Gaburah: sim, sei que existe
mas não é nada ilícito
drogas são fármacos que matam a curto prazo
cigarro e álcool a longo prazo
SÓ QUE
Gabão: qual mata a curto e longo?
não entendi
Gaburah: SÓ QUE
Gabão: se vc tá dizendo que o álcool não mata em curto prazo, então vc nunca ouviu falar em coma alcoólico
e por acaso é normal morrer após um baseado?
Gaburah: Gabão, o que eu acho é que em qualquer desses casos o usuário deve ser responsável pelo que faz
se o cara faz merda depois de tomar um porre ou fumar um baseado ou cheirar ele deve ser punido da mesma forma
SÓ QUE
Gabão: concordo
Gaburah: o álcool e o cigarro não criam a mesma dependência (imediata) que cocaína, opióides e etc
Gabão: só contesto o fato de maconha e cocaína serem ilegais e o álcool e o ciagarro não
Gaburah: vc tem os alcoólatras, claro
Gabão: isso tb é besteira
Gaburah: mas são a maioria?
Gabão: há pessoas que cheiram cocaína e não são viciadas
Gaburah: são a maioria?
Gabão: como assim não são a maioria?
Gaburah: é essa inversão que não se entende
Gabão: muita gente é alcólatra mas não sabe e os q tão em volta tb não
Gaburah: é MUITO mais fácil e possivel que o organismo crie dependência desse tipo de química do que do álcool ou do tabaco
Gabão: não, isso só ocorre com o crack
Gaburah: isso é uma questão fisiológica
conversa fiada
Gabão: o vício depende mais de outros fatores do que o produto em si.
Gaburah: depende mais, não. Também
Gabão: há pessoas viciadas em chocolate, coca-cola, jogo, trabalho, sexo
Gaburah: não conheço ninguém que mate pra fuder
aí é crime passional
é desvio de conduta
é desvio psicológico
Gabão: exato
isso tb com as drogas, legais ou não
por exemplo, por que há o risco da minha mulher ficar dependente do Rivotril?
Gaburah: porque é uma droga que mexe com o metabolismo e com a s enzimas do organismo
endorfinas
serotoninas e o caralho
Gabão: por que ela tá com um problema psicológico
o rivotril não é a solução
só alivia um sintoma
Gaburah: sim
mas olha só
Gabão: tudo bem, mas ela começou a tomar por psicologia
Gaburah: mesmo o Rivotril é utilizado numa dose calculada e retirado aos poucos
sabe porque?
Gabão: igual qd alguém passar a beber depois de uma perda
Gaburah: porque como todo psicotrópico, ele gera uma dependência maior ou menor do organismo
aí, o cara tem que ir tirando aos poucos pro organismo ir se habituando à ausência
agora imagina se libera geral
ninguém faz isso
se a porra da dose pára de fazer efeito (o que é o que acontece), o cara só vai tomar mais e mais
é um círculo vicioso
Gabão: tá, o que quero dizer é que em vários casos as pessoas vão para as drogas devido à problemas psicológicos
Gaburah: o cara que é viciado em cerveja é tão sem vergonha quanto o maconheiro
tá
Gabão: mas já ouvi e li que a maconha e a cocaína não têm essas características
Gaburah: e daí?
a maconha não gera TANTA dependência
mas gera
Gabão: pelo menos não mais q álcool e cigarro
Gaburah: mas é mais fácil o cara largar a maconha do que largar a cerveja ou o cigarro
mas viciar vicia sim
e outra
Gabão: tá, mas como disse, é mais por outro fator do que dependência
então por que há pessoas viciadas em jogo?
Gaburah: dentro dessa lógica esquisita, do que adiantaria liberar essa merda se no resto do mundo continua a ser ilegal?
Gabão: e por acaso ninguém mata por dinheiro?
Gaburah: você pára de financiar o crime aqui pra financiar em outro lugar
é isso?
Gabão: não sei, se soubesse a solução salvaria o mundo
Gaburah: pois é
Gabão: porém, acho que a questão é mais de cultura
Gaburah: pode até ser
Gabão: a humanidade deve repensar os seus valores
Gaburah: mas brasileiro tem cultura de alguma coisa?
aqui é o país do ôba-ôba
Gabão: cultura no sentido de modo de viver, de pensar, agir
Gaburah: se libera essa merda, piora
por que aí vai ser justificada de vez tudo quanto é atrocidade em nome do “vício”
Gabão: não concordo, como disse há exemplos de pessoas que consomem drogas e não são violenta
Gaburah: se já se protege o fliho da puta do usuário hj, com a parada ilegal
olha só
a parada ilegal = dinheiro na mão da bandidagem, sustentada pelo vício e pela DEPENDÊNCIA
a parada LEGAL = dinheiro na mão da INDÚSTRIA FARMACÊUTICA, sustentada pelo vício e pela DEPENDÊNCIA
o que é pior?
quem seria mais filho da puta? Pra mim é tudo dinheiro sujo. Só troca de mãos.
Gabão: peraí, vc tá confundindo o que estou dizendo
deixa explicar o que penso
eu disse que o fato de as pessoas consumirem drogas não necessariamente leva à violência
a droga em si
Gaburah: ok
Gabão: eu bebo e não sou violento
Gaburah: concordo
Gabão: os índios, etc
Gaburah: não concordo
Gabão: tá deixa eu terminar, porra!
Gaburah: vc bebe e dá dinheiro pro flanelinha com a bunda
Gabão: uahuahauhauhauh
boa
mas deixa eu continuar
no caso do Brasil, e mais especificamente o RJ
realmente concordo com o q vc pensa
e eu em momento algum disse que sou a favor da liberação da maconha, cocaína, etc
para resolver o problema da violência
Gaburah: ok
Gabão: até mesmo por que acho que se fizessem isso, no Rio, os bandidos iriam procurar outras formas de se sustentar
Gaburah: óbvio
Gabão: como roubo a bancos, seqüestro,
etc
o que quis dizer é que problema da violência seja culpa intrínseca das drogas ilegais
entendeu?
o problema, como disse, é mais cultural, por exemplo, a aceitação da violência pela própria sociedade
é um paradoxo, por exemplo, a Globo ficar com discurso de paz e de anti-violência no fantástico, e em Domingo Maior passar Steven Seagal, Charles Bronson, e cia
Gaburah: entendo
mas levo a questão a outro nível
na verdade então temos duas questões
uma:
a violência (em parte) causada pela guerra do tráfico que está tomando proporções cada vez maiores e nvolvendo cada vez mais a população em suas conseqüencias
mas que cada vez chega mais perto das pessoas
outra:
a questão de não poder se legalizar essa merda, porque efetivamente causará mal à vida das pessoas e somente vai tirar o dinheiro de uma mão e passar pra outra
são duas questões distintas
porém a partir de certo ponto interligadas
concordo
e concordo que em parte a população se acomodou e se anestesiou com a violência
e à isso tomo como culpada a massificação do sensacionalismo da imprensa e à vontade de ver a desgraça alheia
pq na televisão se valoriza sim a violência
mas EXCLUSIVAMENTE porque a violência dá IBOPE
e aí estamos entrando num instinto humano primitivo
e essa discussão tá ficando profunda demais
Gabão: então, isso vai ao âmago do ser humano moderno
Gaburah: e primitivo
isso vai ao Australopithecus
HAUhauuahHAUhauHAUhauhauhUAHUhauHA
valeu a conversa
sempre é bom conversar contigo
Gabão: valeu, mas tem como salvar esse papo?
Gaburah: acho que sim
Gabão: aí depois repassa aí prum site
seu ou do Victor
Gaburah: na pior das hipóteses, copia a porra toda e cola no word
boa idéia
Gabão: faça
Tá feito. Espero que pelo menos tenha valido algumas risadas.
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Muito bom o diálogo. Pena que faltou uma Leda Nagli para mediar. Teve uma hora ali que perdeu o fio.
Eu também sempre tive a impressão que o intuito do filme era simplesmente ser de ação (não sabia que era baseado (sem trocadilho) em livro de ninguém).
O argumento do usuário ser grande responsável pelo tráfico de drogas também não é inédito.
Tenho certeza que todos nós já pensávamos assim, e também já falei e já ouvi muitas vezes falarmos. A questão que com o filme, o assunto entra em voga e dessa vez todos falam juntos, e talvez esse, caro Gabão, tenha sido o mérito do barulho do filme.
Não é inédito dizer o lugar-comum da culpa do usuário, mas dessa vez é inédito que seja dito em uníssono. A arte tem esse poder, amigo.
Eu já estou com muitas opiniões para escrever também, sendo assim, nem vou ocupar mais o espaço do comentário, e já farei um novo artigo.
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A Campanha Pau no Padilha bem que tentou, e até conseguiu limar as chances do filme de concorrer ao Oscar 2008 – prêmio de peso, por se tratar da maior vitrine do cinema.
Mas eis que o mundo dá muitas voltas, e quis o destino que Tropa de Elite ganhasse nada mais nada menos que o Urso de Ouro do Festival de Berlim, uma premiação muito mais voltada para o cinema-arte do que o carecão dourado. E tão nobre quanto.
Nada mais justo à Opus de Padilha.
O interessante é que lá fora o filme foi alvo de uma crítica feroz por parte de um jornalista da Variety, que tratou o filme como uma película de direita. Mais interessante ainda foi a saraivada de reações que o mesmo jornalista teve que engolir, de espectadores (igualmente europeus, e brasileiros também) que discordavam radicalmente de suas colocações.
Padilha aproveitou a entrevista coletiva para comentar o Prêmio e colocou a casa em ordem, os devidos pingos nos i’s.
Quem ganha é o Brasil.
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Trepa de Elite ganhou o Urso de Pernambuco.
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Agora sério…
Discutir o filme, sua repercussão e aceitação, já o fizemos bastante (aqui e aqui).
Gostaria de falar mesmo da resposta de Padilha.
Absolutamente correta, que só foi necessária, porque os formadores de opinião são preguiçosos.
Eles trazem para seu trabalho, aquele vocabulário que ouviam quando crianças, de tios conversando no churrasco.
Certamente o fascismo não foi um movimento obscuro ocorrido em algum buraco do Mundo há 3871 anos atrás. Usar a palavra fascista pelo Coronel seguir regras próprias é o mesmo que recorrer às gírias do funk para escrever um editorial de economia. Lixo mesmo. Essa porra de mania de não usar as palavras corretas para xingar alguém é que fodem tudo.
Para ironizar tem de ter cultura. Tomou ferrro quem chamou o filme de fascista.
Depois, quando o cara responde as bobagens, fica com a fama de Piquet…
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Gaburah,
Só li hoje sua conversa com Gabão. Juro que não combinamos nada (em relação ao q te disse no Acasum). Mas, nunca antes na história desse país senti tanto orgulho do meu irmão.
Em tempo. Nem eu nem ele somos usuários de drogas ilicitas, por enquanto.
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