Dez coisas boas e dez coisas ruins sobre ‘Homem de Ferro 3′

Não rolou, hein...

SPOILERS À FRENTE. Se não viu o filme ainda, DÊ MEIA VOLTA.

Eu avisei.

GOSTEI:

  1. Igor
  2. A ideia das diferentes armaduras.
  3. Manter o conceito de que a quantidade de armaduras implica na queda de qualidade das mesmas.
  4. A fidedignidade das crises de ansiedade.
  5. A ideia sobre o Mandarim (que não é o dos quadrinhos).
  6. Pepper de armadura.
  7. Manter o Happy Hogan.
  8. Focar o enredo mais no Stark.
  9. O Fator Burton-Schumacher: ‘Homem de Ferro 3’ fez ‘Homem de Ferro 2’ ficar bom.
  10. Igor². É muito legal.

NÃO GOSTEI (na verdade a palavra é DETESTEI):

  1. Criaram uma penca de armaduras bacanas pra não explorar direito nenhuma delas. A Igor é carismática demais!
  2. Miguchice forçada com o molecote.
  3. TIRAR TODO E QUALQUER ROCK AND ROLL DO FILME PRA COLOCAR DANCE MUSIC. Isso é IMPERDOÁVEL! O universo do Homem de Ferro foi construído em torno de AC/DC e Black Sabbath. Renegar essas bandas é TRAIÇÃO.
  4. É o mais fraco entre TODOS os filmes DA MARVEL no cinema (Fox e Sony fora, ok?). Ignora sementes plantadas nos HF’s anteriores e n’Os Vingadores. É um filme desconexo, perdido no tempo e no espaço do universo Marvel – parece até que propositalmente.
  5. O Mandarim que não é o dos quadrinhos, apesar da boa sacada. Mas se no primeiro criaram todo o campo pro vilão, porque jogar tudo fora assim tão irresponsavelmente?
  6. Pepper soltando fogo pelos óio. TNC.
  7. Descaracterizar o Happy Hogan. Virou um bocó mal explorado. Depois daquela cena com a Viúva Negra em HF2, tinha atingido status de coadjuvante importante.
  8. Focar DEMAIS o enredo no Stark e em seres humanos cuspindo fogo e exprudindo. A melhor frase do filme é do RECHAÇADO James Rhodes: ‘Ah, então você cospe fogo pela boca?’. Parece que até o filme riu de si mesmo.
  9. Iron Patriot? QUEREMOS O WAR MACHINE DE VOLTA!! Patriota de Ferro bunda-mole da porra…
  10. Tony Stark tirar o reator ark (aliás, MUITÍSSIMO mal feito) do peito? AH, VÁ TOMAR NO C*!!!

*****

Resumo da ópera: DECEPCIONANTE. Nota 6 porque tô de bom humor.

O Espetacularmente Atrasado Homem-Aranha

Antes de mais nada já aviso: vão assistir o filme pra tirar suas próprias conclusões. Vale a pipoca num dia de meia-entrada pelo menos.

As artes são infinitamente melhores

Uma vez que o Aranha é um personagem com quem tenho assumidamente uma relação de amor, só mesmo ele pra tirar a poeira deste outrora ilibado blog e me fazer escrever algumas mal traçadas linhas. E não vou encher muita lingüiça, porque hoje é segunda-feira, todo mundo ta com sono e ainda estou muito puto da minha vida porque o Botafogo mandou o Loco Abreu pro Figueirense.

O Espetacular Homem-Aranha tem seus méritos, indiscutivelmente. Mas também tem seus deméritos e estes, infelizmente, tendem a falar mais alto. De uma forma mais didática, exponho meus argumentos.

Marc Webb e seus roteiristas resolveram contar a história da maneira correta, uma vez que a Sony e os produtores (acertadamente) decidiram por reiniciar a franquia depois que Sam Raimi:

  1. Começou MAL no primeiro (mexendo DEMAIS na mitologia do Aranha, lhe ROUBANDO fatores CRUCIAIS que interferiram de maneira DRAMÁTICA na construção do HERÓI Homem-Aranha);
  2. PARECIA ter enfim encontrado o seu rumo no segundo, quando finalmente entrou de maneira mais consistente na  ação e nos dramas existenciais de Peter Parker;
  3. Chutou o balde e fez merda no terceiro.

Desta maneira, no Espetacular, saem Mary Jane como amor de infância (que ódio de lembrar isso…), sai aquela lenga-lenga toda com Tio Ben indo e voltando a cada 5 minutos de filme com a mensagem fantasmagórica de Grandes Poderes trazem Grandes Responsabilidades, saem os atiradores orgânicos de teia (UFA!) e PRINCIPALMENTE sai aquele tom de fabulazinha romântica, com musiquinhas bonitinhas ao fundo e a impressão de que ia pular um ursinho carinhoso na tela a qualquer momento.

Miguchice foi pro espaço, GRAÇAS A DEUS.

O problema é que, uma vez que o personagem já foi exaustivamente visitado e revisitado no cinema, contar a origem de novo ia ser um tremendo pé no saco. E mais uma vez o filme acerta em não se alongar muito nisso. O problema é que às vezes acelera DEMAIS, perdendo, por exemplo, a OPORTUNIDADE de se aprofundar num personagem de ALTÍSSIMA COMPLEXIDADE como o Dr. Curt Connors – ainda mais quando este é defendido pelo BRILHANTE Rhys Ifans, que não consegue por conta disso colocar todo o seu potencial em tela. Ainda, resumir as intenções do Lagarto a um objetivo bem bobinho, mas se a gente mantém em mente que ele endoida quando vira o réptil, até que dá pra engolir a motivação.

Outra coisa: Gwen Stacy, Capitão Stacy, Tio Ben, os pais de Peter… diversos elemento da correta origem do Aranha estão no filme, até muito bem retratados, por sinal. Mas dei falta de um IMPORTANTÍSSIMO protagonista na trama toda: quem conhece o Aranha desde o início, sabe do papel fundamental do Dr. Miles Warrem neste arco inteiro. Praticamente não há Duende Verde e fundamentalmente TODO O ARCO DRAMÁTICO que define quem o Aranha é sem o Dr. Warrem, vulgo O Chacal.

Mas isso é detalhe de fã desesperado e antigo (como eu). Pra quem não conhece a história a fundo, vamos ao que interessa:

MÉRITOS

  • As cenas de ação e os efeitos especiais são INFINITAMENTE SUPERIORES ao original de Raimi, e ainda pouco melhores do que o segundo (meu preferido da primeira trilogia);
  • Gwen Stacy contada da maneira correta e muito bem resolvida pela bela Emma Stone;
  • O Capitão George Stacy correto, com um ator correto (Dennis Leary) – mas em determinado momento a ausência do Chacal faz sua primeira GRANDE falta;
  • Tio Ben de Martin Sheen, dando um belo dum esporro ao invés da lenga-lenga;
  • Aliás, todas as cenas de relações pessoais (à exceção de Parker-Connors) são realmente muito boas – novamente méritos ao diretor;
  • Provavelmente a mais divertida participação de Stan Lee entre todas;
  • ATIRADORES DE TEIA MECÂNICOS (ALELUIA!!), mas… (nos deméritos);
  • Tom mais realista, na medida do possível.

DEMÉRITOS

  • O timing. Se este filme tivesse sido feito no lugar do primeiro filme de Raimi, seria um promissor início. Daria inclusive pra contar com mais calma a origem do personagem, que àquela altura ainda seria novidade. Marc Webb faz uma limonada com os limões que tem nas mãos;
  • Abreviar demais algumas informações e deixar coisas importantes sem explicação (como ele CRIA o fluido de teia?);
  • Lagarto sem jaleco (heresia), cuja família sequer aparece no filme;
  • Sai Raindrops keep falling on my head, entra Coldplay;
  • Mais uma vez o timing. Fazer filme de super-heróis DEPOIS d’Os Vingadores virou tarefa de Chris Nolan (o novo Hércules cinematográfico). Qualquer história minimamente mal-contada deixa um filme ruim depois que a Marvel e o Batman colocaram a barra tão alta.

Mas PRINCIPALMENTE o grande defeito do filme está em ser apenas OK. E hoje em dia, depois de Vingadores e Batman, ser um filme apenas OK faz muita diferença.

REPITO: Vão assistir. Vale a ida, principalmente pelas cenas de ação que não vão dar 5% da emoção numa tela de TV. Na verdade, seria UM CRIME fazer isso.

É melhor, MUITO melhor, que o do Raimi. Mas está longe de ser foda, infelizmente.

Rock Star Wars: Attack of the covers

Kill Em' All

Kill Em' All

 

Depois de um longo Verão venho iniciar os trabalhos em território Gaburahniano. O objetivo é montar uma lista de covers fodões que passam o bandão em seus originais.

Selecionei 40 canções. Outros covers de Rock e Metal ou de outros estilos serão bem-vindos (mas nos comentários, não me encham o saco!). Vamos montar uma enciclopédia de covers!

As canções coverizadas serão linkadas em seu próprio nome, enquanto as originais no nome do autor.

40 – Limp Bizkit – Faith (George Michael)

39 – Metallica – Commando (Ramones)

38 – Van Halen – You Really Got Me (The Kinks)

37 – Motorhead – God save the queen (Sex Pistols)

36 – Papa Roach – Gouge Away (The Pixies)

35 – Rolling Stones- Just My Imagination (The Temptations)

34 – Dropkick Murphys - Halloween (The Misfits)

33 – Foo Fighters – Baker Street (Gerry Rafferty)

32 – Guns N’ Roses – Knockin’ On Heaven’s Door’ (Bob Dylan)

31 – The Beatles – Twist and Shout (Top Notes)

30 – Megadeth - Anarchy in the UK (Sex Pistols)

29 – The White Stripes – Jolene (Dolly Parton)

28 – Sepultura – Orgasmatron (Motorhead)

27 – Metallica- Last Caress (The Misfits)

26 – Pennywise – Surfin’ in USA (Beach Boys)

25 – Kasabian – Runaway (Del Shannon)

24 – Faith No More – Easy (The Commodores)

23 – System of a Down – Shame – (Wu tang clan)

22 – Linkin park – Wish – (Nine Inch Nails)

21 – White Stripes – I Just Don’t Know What to Do With Myself (Tommy Hunt)

20 – Korn – Word up (Cameo)

19 – Black Label Society – I Never Dreamed – (Lynyrd Skynyrd)

18 – Jimi Hendrix – All Along the Watchtower (Bob Dylan)

17 – Anthrax – I’m eighteen (Alice Cooper)

16 – Nirvana – Love Buzz (The Shocking Blue)

15 – Oasis – I am the walrus (The Beatles)

14 – Californian Dreaming – Beach Boys (The Mamas and the Papas)

13 – ACDC – Baby please don’t go (Big Joe Willians)

12 – Rancid – The harder they come (Jimmy Cliff)

11 – Thin Lizzy – Rosalie (Bob Seger)

10 – Johnny Cash – Hurt (Nine Inch Nails)

9 – Joey Ramone – What a wonderful World (Louis Armstrong)

8 – Joe Strummer – Redemption Song (Bob marley)

7 – Megadeth – Paranoid (Black Sabbath)

6 – Nirvana – The Man Who Sold The World (David Bowie)

5 – Mark Lanegan – Man In The Long Black Coat (Bob Dylan)

4 – Metallica – Turn the page (Bob Seger)

3 – System of a down – Metro (Berlin)

2 – Raimundos – Oliver’s Army (Elvis Costello)

1 – Rage Against The Machine – Renegades of Funk (Afrika Bambaataa)

Gaburah Best of 2011

A versão 2011, via blog, tem como madrinha da ideia a @marifiorentino.

And the Tiny Little Golden Gaburah Cookie goes to...

Então lá vai o resultado do Gaburah Best of 2011. Rufem os tambores!!

  • Filme do ano: Essa foi difícil, confesso. A média foi baixa. Em se falando de cinema, no entanto, o grande destaque foi o documentário Back and Forth do Foo Fighters (aliás, 2011 foi o grande ano da banda de Dave Grohl). Quem não teve o prazer de assistir no cinema, tenta ver em vídeo. Muito foda. Mas se eu for obrigado a escolher um filme convencional, provavelmente direi X-Men: First Class – que, mesmo assim, teve os seus poréns.
  • Fiasco do ano no cinema: Deu empate. O Besouro Verde de Seth Rogen e Conan, o Bárbaro (Momoa é o único inocente naquilo ali).
  • Categoria ‘Preciso arranjar outro empresário com urgência‘ do ano: Christoph Waltz (pelo conjunto da obra - O Besouro Verde e Os Três Mosqueteiros)
  • Música do ano: Barbada. Rope, do Foo Fighters
  • Categoria ‘Agora é tarde, Gaburah‘ do ano: shows do Velvet Revolver
  • Show do ano: Alice in Chains, no SWU. Pela energia mesmo debaixo do dilúvio e por corresponder à longa expectativa.
  • Piada de mau gosto do ano: Botafogo de Futebol e Regatas, sagrando-se BICAMPEÃO no quesito =/
  • Grande Expectativa para 2012: Os Mercenários 2, longe. Colocando até pesos-pesados como Os Vingadores e O Hobbit no bolso (e alguém acha que Bilbo ou o Capitão América são páreo para Stallone+Willis+Schwarza+CHUCK NORRIS+Van Damme??)

E como premiação que se preze tem que ter número musical, então lá vai a vencedora do ano de 2011:

SWU 2011 – Da lama ao caos

Nem vou me ater muito ao empenho logístico demandado para o comparecimento da Caravana do Tio Virso ao SWU 2011. Só isso renderia outro post.

Dia escolhido, o 14 de novembro sagrou-se de cara como data inesquecível e imperdível aos fãs do (bom) rock em todas as suas vertentes: tinha o punk-pop-rock do Duff McKagan’s Loaded; o ska-rock do 311; o metal do Megadeth; o hardcore do Down de Phil Anselmo; o surpreendente hard-rock(abilly) do Black Rebel Motorcycle Club; o rock melancólico de altíssima qualidade do Alice in Chains; o hard rock do Stone Temple Pilots; e aqueles que se encaixam em todas mas não se encaixam em nenhuma: o Primus de Les Claypool e o sempre perfeito Faith No More do frontman Mike Patton.

Um line-up pra roqueiro nenhum botar defeito. Quase um dream team da camiseta preta, por assim dizer. Deu até pra perdoar a bobagem da escalação do inexplicável Sonic Youth no mesmo dia, banda que sempre parece não saber o que fazer no palco, daí fica inventando um monte de maneiras bizarras de esfregar a guitarra em qualquer lugar pra tirar som (barulho) e sair como vanguarda.

E de fato, musicalmente, o dia não deixou pedra sobre pedra. Faith No More e Stone Temple Pilots quebraram tudo e correspoderam às (sempre altas) expectativas dos fãs, com um Mike Patton inspirado (bem diferente das outras apresentação América do Sul afora) e um Scott Weiland com a voz visivelmente baleada (coisa que quase tirou o STP do festival), mas que nem por isso deixou de dominar palco e platéia com seu peculiar modus operandi.

O Alice in Chains fez mais um de seus belíssimos shows, coisa de gente que canta com as vísceras. Com homenagem (no gogó, sem telão, sem presepada) a Layne Staley e Mike Starr (50% da formação original da banda, já falecidos) em Black gives way to blue, foi impossível a qualquer espectador permanecer impassível durante sua execução. Como não canso de dizer, o Alice in Chains é o verdadeiro legado de Seattle para o mundo. Quem não assistiu, agarre-se com unhas e dentes à promessa de Jerry Cantrell sobre um breve retorno da banda ao Brasil. Com toda certeza, estarei lá.

Duas grandes surpresas no dia foram a devastadora apresentação do Black Rebel Motorcycle Club e a competência do Primus. Longe de serem conhecidos pela maioria dos presentes, as duas bandas – de estilos distintos entre si e dos demais - dominaram as atenções desde o momento em que pisaram no palco. Meu parâmetro para a eficiência de uma banda é sempre esse: se tem poucas músicas conhecidas pelo público, mas ainda assim fazem com que ninguém consiga desgrudar os olhos do palco e manifestem seu contentamento, então arrebentaram. BRMC e Primus cumpriram as duas exigências com sobras. Ao fim de seus shows, geral prometia recorrer a meios lícitos e ilícitos de conseguir suas discografias.

Não vi o Down e vi pouco do Loaded, por alguns dos motivos que discorrerei como negativos do festival. Relatos do RB apontam que a apresentação de Phil Anselmo foi no mínimo HISTÓRICA, de fazer os fãs do Pantera verterem lágrimas. Deixo essa pra quem assistiu, pois a organização do festival não me deu essa opção.

Mas no que se refere à música, mesmo com 16h de chuva temporal quase ininterrupta na cabeça, não há do que se reclamar.

*****

A primeira impressão ao se entrar na versão paulista da Cidade de Rock foi boa. Havia organização no sentido de saber onde estava aquilo que se queria encontrar. Muito bem sinalizado, de cara a gente sabia como chegar às praças de alimentação, à cada um dos três diferentes palcos, à tenda de música eletrônica, banheiros, etc.

Dito isso, vamos ao PEOR do SWU 2011:

  • Que se foda, minha saúde primeiro! – Eu disse banheiros? Bem, perdoem a força de expressão. Quis dizer CHIQUEIROS, pois na prática eram exatamente isso. Não sei quem foi o genial projetista do festival que resolveu achar boa ideia instalar os banheiros químicos em área de chão batido – sem considerar minimamente que fosse a possibilidade de chuva (entenda-se dilúvio), que foi EXATAMENTE o que aconteceu. Resultado: uma verdadeira IMUNDICE, onde não se sabia mais em que se estava pisando. A melhor alternativa era se hidratar pouco para precisar ir até o local o mínimo possível. Ou fazer em locais alternativos, mais limpos porém de desagrado da organização. Havia um banheiro propriamente dito na área das arquibancadas, porém igualmente sem a menor condição de higiene, pois SEQUER FAXINEIROS HAVIA (n.e. verbo Haver no sentido de existir não tem plural, ok?). Disparado a pior coisa do festival, coisa pra sofrer interdição pela Vigilância Sanitária municipal, sem o menor exagero. Mais do que a chuva – e pior pela associação a ela - o grande fator destruidor de bom humor do dia;
  • Praça de chafurdação - o mesmo projetista colocou também a praça de alimentação em área de terra. Virou outro lamaçal inóspito e inacessível, o que deve ter sido estratégico pra empurrar a galera para a praça de alimentação vegan (que era bem boa, registre-se). A saída foi comer kibe de soja o dia inteiro, pois quem quisesse algo mais tradicional corria o risco de atolar e não assistir mais nada até o resgate dos bombeiros;
  • Palcos pra que te quero? – No SWU, cada escolha implicava em uma renúncia. Isso é INADMISSÍVEL em um festival de música. Tive que optar entre assistir o STP ou o Alice in Chains, da mesma forma que houve a necessidade de se escolher entre Primus e Megadeth e entre AiC e Faith No More. Ou seja, quem sonhava em assistir todas essas bandas fodonas se fudeu de verde-e-amarelo. Com os dois palcos frente a frente e distantes cerca de 300m entre si, com 5 a 10 min de intervalo entre os shows, tornava-se humanamente IMPOSSÍVEL encontrar um bom lugar para assistir o show seguinte se você estivesse no outro palco. Tremenda bola fora;
  • Sonic Youth;
  • Rali compulsório - enquanto a galera se divertia como podia dentro do festival, a chuva comia solta lá fora. Na área de estacionamento inclusive. E só foram descobrir isso na hora de ir embora. Muita gente saiu do festival às 3:30h da manhã e ficou atolado até as 06h, quando por sorte ou imaginação conseguiam tirar os veículos dali. Organização? Nem tomou conhecimento disso. Ou o cara se virava sozinho ou estaria lá até agora;
  • Prejuízo inesperado - ao fim do festival, magicamente desapareceram todos os atendentes dos stands de comida/bebida. Os ambulantes credenciados só aceitavam dinheiro vivo. OU SEJA: quem comprou tickets (o dinheiro do SWU) com antecedência pra evitar as filas posteriormente MORREU SOLENEMENTE NA GRANA QUE NÃO CONSEGUIU CONSUMIR. Sem choro nem vela, sem ressarcimento. Deve ser pra obrigar o cara a voltar em 2012, só pode.

Fosse um dia ensolarado, alguns desses defeitos estariam minimizados. Mas quem projeta um festival grande assim necessariamente tem que atentar pra esses detalhes. Ainda mais porque a intenção da organização é realizar as próximas quatro edições do SWU neste exato mesmo local. Muita coisa precisa ser repensada, pois as expectativas eram altíssimas para o dia e acabaram (em parte) frustradas pelos acontecimentos e pela falta de planejamento para as contingências.

No frigir dos ovos, restou o rock pra salvar o povo.

Como sempre.

Thor e Mjölnir, salvem um pseudo-nerd!

Esse texto contém SPOILERS. É ideal que seja lido depois do filme ser assistido, mas vai de cada um. Ainda assim, quando ouver uma marcação deste tipo, significa que é algo que pode desagradar algum desavisado.

Ah, as benesses de morar em uma capital. A maior parte das coisas chega antes do resto do país e isso é muito bom. Quando descobri que Thor estreiaria no Brasil no dia 29 de abril de 2011, fiquei todo serelepe. Ora, BH com certeza estaria entre as cidades de estreia e eu me dei bem. Quando meu irmão me disse que aqui estaria no mesmo fim de semana, pensei: AGORA SIM, consegui um companheiro e é só comprar o ingresso!

Minha animação tinha razão de ser. Desde Iron Man, quando ficou claro que a Iniciativa Vingadores iria virar filme, a espera pelos filmes dos outros integrantes já ficou enorme. Vieram Hulk e Iron Man 2 que mantiveram a ótima qualidade dessa que é, talvez, a investida mais ambiciosa da história do cinema em um campo específico de público (ainda que esse campo tenha aumentado vertiginosamente em função dessa estratégia). Capitão América, por tudo que representa, também gerou uma grande comoção e com Thor não foi diferente.

Thor

Thor

Mas eu confesso: não sou um nerd quando o assunto é HQ. Ou não era. Com raríssimas exceções (Hellboy, Sandman e Sin City), eu só consegui começar a acompanhar as  histórias DEPOIS dos filmes. O que pode ser bom, porque te dá uma certa ideia de onde começar, mas, por outro lado, é ruim porque se perde muita coisa que só é recuperada revistas e revistas mais tarde, como o problema de Tony Stark com o álcool.

Enfim, cheguei pro filme animado. Entrei na sala e já avisei Gaburah o que ia assistir, que era pra deixar o cara na vontade. Thor é um dos personagens mais poderosos e fantásticos (do ponto de vista mitológico mesmo) da Marvel e eu realmente estava muito animado pra conhecer mais sobre a sua história. E, como se não bastasse tudo que o filme prometia, comprei a sessão 3D.

Vi o filme, saí do cinema impressionado e,  sabendo que poderia tirar onda com um nerd que me ensinou muito sobre HQ’s (o dono deste espaço), pensei: agora é só esperar o post do Gaburah pra discutir a porra toda. O problema é que o pedido se inverteu. Quando ele me pediu pra escrever o post eu borrei as calças.

Mas, pra fazer jus ao pedido, vai o que achei. Thor é um filmásso! Talvez não tão perfeito quanto Iron Man e Batman: Dark Knight (pra ficar na linha dos super-heróis), mas é um grande filme. Primeiramente pelo aspecto técnico que beira a perfeição. As imagens de Asgard, principalmente, são de emocionar, bem como todas as batalhas travadas no filme.

No aspecto histórico, e aqui vai a opinião de quem NÃO leu a HQ, Thor também não peca. O filme mostra bem como nasceu o Deus do Trovão, assim como ilustra de forma bastante fácil os motivos da briga entre Thor e Loki (o que sempre tinha me deixado em dúvida). Apesar de se passar num Universo fantástico, o roteiro é bastante coerente e, fora o fato de Thor ter que ser o vigilante divino na Terra por causa de uma mulher (ainda que seja a Natalie Portman), todo o resto faz bastante sentido, inclusive o modo como ele interage com a S.H.I.E.L.D..

Sem falar em atuações soberbas de Anthony Hopkins, como Odin (que surpresa!) e Tom Hiddleston, na pele de Loki, que logo de cara demonstra encarnar à perfeição o seu personagem. Natalie Portman é Natalie PortmanChris Hemsworth, nosso herói, também se encaixa bem no seu papel, apesar de não ter a mesma identificação que os dois supracitados. E o resto do time de atores manda muito bem.

Pra não falar que foi perfeito, achei, como muitos acharam, excessivas as cenas entre o casal Thor e Jane. E podia haver mais algumas batalhas, mas, nesse caso, apenas pra satisfazer minha sede de sangue.

No frigir dos ovos, Thor manteve a média alta dos filmes que dão início aos Vingadores e valeu muito a pena como programa de fim de semana. Quanto mais aprendo sobre os heróis da Marvel, mais quero adentrar nos Universos fantásticos que o pessoal de lá criou. A Iniciativa merece todos os aplausos até aqui. E o Mjölnir me fez ter mais certeza de que, em se tratando de HQ’s, ser nerd é muito maneiro.

E que venha o Capitão América!

Paul in Rio, Beatles across the universe

Por Bender

Sou um cara privilegiado. Num espaço de 6 meses pude assistir 2 shows, ao vivo, do integrante da maior banda do mundo de todos os tempos.

Na segunda metade da década de 1960, os Beatles - por volta de 20 e poucos anos cada - anunciaram que não fariam mais turnês mundiais devido ao excessivo desgaste das mesmas. Diziam que não se ouviam no palco pelos gritos histéricos das fãs e isso comprometia a qualidade do produto que vendiam. O equipamento da época não suportava mesmo 30, 50 ou 70 mil pessoas gritando ensandecidamente. Surgiu a demanda, a revolução (tecnológica) teve que vir.

Liverpool UK, 1962

Fato é que hoje algumas nações tem poder bélico para destruir o planeta mais de 50 vezes, o equipamento sonoro disponível suporta com extrema facilidade 100 mil vozes gritando e Sir Paul McCartney roda o planeta atravessando oceanos para brindar, saudar, presentear seus fãs. Paul não precisaria se importar, seu patrimônio não vai alterar de forma relevante com mais algumas turnês, mas Sir tem exata noção da importância que tem. Hoje, MaCca, a beira dos 70 anos, faz a mala e pega o avião mundo afora.

Até novembro do ano passado, pensei que nunca mais iria num show de um beatle (a 1ª vez foi em 1990). O show do último final de semana, sua 2ª passagem pelo Rio, foi equivalente ao show do ano passado em SP, sublime. Cada show da turnê UP AND COMING dura quase 3 horas e é composto de um repertório aproximadamente 70% Beatles e outros 30% Paul carreira solo também fodásticos.

Como a ânsia de 20 anos foi saneada no Morumbi em 2010, controlei um pouco mais a emoção no domingo passado. Dessa forma, não consigo apontar um momento mais especial que outro durante as 2,5 horas. Teve a abertura com “Hello Goodbye”, a homenagem com “Something”, a emoção de “A Day in the Life”, o rock de “Drive my Car”, os fogos de “Live and let die”, o agito de “Back in the USSR”, o frenezi de “Helter Skelter”, a despedida em grand finale com “The End”O próprio evento em si como um todo foi o destaque. Inclusive na questão da administração. Pessoalmente, também teve o fato da galera estar mais completa do que o show em SP: fator incremental. Tomá na peida! Assistir o show da banda que você mais se amarra com mais de 30 amigos é foda pra caralho! I’ve got a feeling, a feeling I can’t hide, oh yeah.

Let 'Em In

Show do Paul é quase como aquele filme complicado de entender, cada vez que se vê pesca mais um detalhe – “quase” pois o show tem suas variações, o que o faz melhor que tal filme. Já estão falando de uma possível volta de MaCca ano que vem. Que seja em 2020 ou 2030. Irei assistir Sir com 80, 90 anos ou daqui a many years from now.

Por Gaburah

O tempo parou, literalmente.

Parou por duas razões: primeiro, um período de tempo de três horas passou em uma fração de segundos; e segundo, também porque em pleno século XXI parecia que uma multidão tinha caído num limbo, num paradoxo tempo/espaço…

Não há palavras suficientes para descrever o que é assistir um espetáculo desse calibre ao vivo. A produção megalômana, o cuidado com cada detalhe teatral minimamente elaborado durante a execução de cada música, o showman irrefreável que é Sir Paul McCartney… tudo se soma para tirar o espectador deste mundo durante a apresentação.

Uma experiência, um privilégio.

Mas confesso que esperava uma emoção maior por finalmente estar no mesmo ambiente que uma lenda viva da música. Longe de ser uma crítica isso, pois o bom e velho MaCca é um sujeito tão presente na vida das pessoas através da mídia que parece um cara que a gente encontra toda hora por aí. E além disso, é fato que todo mundo que curte Beatles já assistiu a pelo menos três ou quatro DVD’s de apresentações ao vivo pelo mundo. Já sabe que vai ter explosão em Live and let die, já sabe que ele vai reger o público em Hey Jude, já sabe que vai fazer caras e bocas… e ainda assim se surpreende a cada vez que uma coisa dessas acontece!

Parte da trupe na arquiba

Tive o privilégio de assistir a um show assim acompanhado pela fina nata da rapaziada mais rock and roll do planeta. Posso dizer que isso me torna duplamente afortunado em uma mesma oportunidade. A catarse potencializou, com certeza.

Meu destaque pessoal vai para Back in the USSR, cuja introdução me fez crer que havia uma turbina de avião de verdade ligada em pleno Engenhão (que som fuderoso, bicho…). Primeiro momento entre tantos em que perdi a linha pra valer.

You don't know how lucky you are, boys

E mesmo quando o show acabou, continuou divertido com todas as tentativas de captura dos milhares de papeizinhos coloridos que voaram do palco tomando todos os setores do estádio depois das explosões multicoloridas ao final de The End. Emocionante ver como tanta gente voltava a ser criança se divertindo com aquilo.

Restam agora quatro grandes sonhos pessoais a serem realizados: que venham o Ringo, meu Beatle favorito (ex-Beatle não existe); The Who; Van Halen e AC/DC. Mas o velho MacCa colocou a barra alta, aviso.

Por Matheus

Sábado, 22 de maio de 2011, 10 da manhã. Acordo com o telefone tocando e um cara que eu nunca vi na vida gritando do outro lado:

“Mineiro, onde você tá? Dormindo ainda?”

Se fosse um dia comum, eu mandaria uns três impropérios, desligaria e voltaria a dormir. Mas aquele não era um dia normal. De fato, àquela hora, já era pra eu ter rodado os 448km que separam minha casa da praia de Icaraí, “o skyline mais bonito do Rio de Janeiro”, e já estar pronto pro que seria um dos melhores fins de semana da minha vida. Mas eu ainda não sabia disso e o começo não foi dos melhores. Por um atraso, saí de BH ao meio-dia do dia 22 e tive muito medo de perder o tão esperado 1º Congresso Mundial Blablagoliano. Mas fizemos a viagem em bom tempo e às 18:30h fui recepcionado e, enfim, pude conhecer Victor, o Editor. Logo depois, Ana Paula e a irmã Fernanda, ótimas anfitriãs. A partir das 20:00h, todo o corpo editorial do Blá Blá Gol e parte da nossa maravilhosa audiência. E o Saulo. Mas esse encontro e todos seus detalhes é tema de outro papo. E vale muito a pena.

Meu fim de semana ia muito bem. E quando capotei bêbado, pensei que dificilmente poderia melhorar. Mas eu não contava com o poder de Sir Paul McCartney. Porque eu sabia que seria algo histórico pra mim. Mas não imaginei que seria tão inesquecível.

Bonde Popó Paul sem freio

A caravana formada pelo “mais experiente dos homens”, foi um sucesso. Fui muito bem recebido e a cada 5 minutos eu era apresentado a uma atração do Rio. Cristo Redentor, Cristo Redentor, Ponte Rio-Niterói, São Cristóvão, São Januário, Cristo Redentor, Fundão, Cristo Redentor, Cristo Redentor, Engenho de Dentro e Engenhão. Convenhamos, sen-sa-cio-nal acolhida, né não?

 

Olha o Cristo, Mineiro!

Olha o Cristo, Mineiro!

Diferentemente do Gaburah (e pra surpresa de todos, acredito) , eu odeio assistir DVD’s de shows. Nunca completei um, nem de bandas que sou muito fã, como The Who, Rolling Stones, Beatles e Rage Against The Machine. Eu não tinha a menor ideia de como seria a produção do show. E fui pego de surpresa em todos os momentos.

Paul e todo seu time de músicos (aliás, que time, com especial atenção pro batera) fizeram daquelas quase 3 horas, um dos momentos mais fodas da minha existência. Sem falar na catarse coletiva que acontecia ao meu lado com todos os membros da trupe, cada um ao seu jeito, com completa consciência de que ali escrevia-se a história. Ainda que seja menos emocionante pra quem já foi anteriormente.

Quanto às músicas, é difícil não falar de todas. Paul é um cara tão foda que rolam músicas tristes , alegres, dançantes, românticas e pauleiras. Chamo a atenção para Back In The USSR, por tudo que aconteceu naquele pedacinho de arquibancada durante a execução, All My Loving e Serginho fugindo e para Live And Let Die e Helter Skelter, momentos que chorei copiosamente, ainda que quieto no meu canto, como bom mineiro. Momento especial também foi quando liguei pros meus pais durante Hey Jude, primeira música do Beatles que eu ouvi quando era pequeno e minha mãe cantava uma versão nacional da mesma.

Eu só tenho a agradecer. Não esperava pela metade de tudo que houve. Valeu muito a pena. E eu espero ter sido um bom visitante, porque pretendo voltar. Se o Paul pode, eu posso também.