Bond, James Bond - em 22 movimentos
6 Comments Published by Gaburah November 15th, 2008 in Cinema, Cultura Pop, Música, Rock 'n' RollEu não sei exatamente a partir de qual dos (agora) 22 filmes de James Bond as músicas-tema passaram a ter o status que têm hoje, onde artistas praticamente se estapeiam pra conseguir a honraria. Se tivesse que arriscar um palpite, chutaria que foi depois que o Duran Duran emplacou A View To a Kill (007 - Na mira dos assassinos, 1985). Já sei que vão chiar gritando que Live and Let Die veio bem antes, em 1973 com os Wings do velho MacCa, mas insisto que a sequência só envergou mesmo depois dos rapazes de Le Bon. Discussão aberta.
Não vou tentar aqui fazer um grande estudo sobre o tema, uma vez que fiz uma pesquisa na internet e encontrei uma verdadeira monografia na Wikipédia, que descreve detalhadamente tudo o que um fã dos filmes do 007 gostaria de saber sobre as trilhas com detalhes riquíssimos. Vale a leitura (em inglês).
Vou tentar colocar os clipes de cada um dos filmes nos comentários, esbarrando na disponibilidade/autorização/qualidade, senão esse post vai ficar gigantesco. Vou colocar aqui sim aquela que (pra mim) é a melhor e mais criativa abertura entre todas as 22, à altura da pancada sonora que é You know my name, do Chris Cornell, tema de Casino Royale, 2006 - primeiro filme com Daniel Craig no papel do agente. Filmaço-aço.
Aliás, de quebra seguem os 6 atores que viveram Mr. Bond na tela - uns melhor, outros pior, mas todos dignamente (na minha opinião). Mesmo o Lazenby leva o meu crédito, pois não achei nem ele nem o filme (On Her Majesty’s Secret Service, 1969) tão ruim como dizem - o título de pior de todos sem dúvida nenhuma fica para Moonraker, 1979 (007 contra o Foguete da Morte - argh! - vergonhosamente passado no Brazil). A sorte do Roger Moore é que ele nunca foi de levar nada muito à sério e acabou passando ileso. Mas dói só de lembrar dele lutando com um de seus inimigos mais memoráveis (o Jaws, da dentadura de aço) em cima do bondinho do Pão-de-Açúcar ou pulando carnaval (!!!!!!!!!!) nas ruas do centro do Rio. Ninguém merecia essa…
Na ordem em que se sucederam: (cima, esquerda para direita) Sean Connery, George Lazenby e Roger Moore; (baixo, esquerda para direita) Timothy Dalton, Pierce Brosnan e Daniel Craig.
Primeiro os comentários triviais de turista: Paris é uma cidade realmente bela, dona de uma arquitetura clássica e monumentos que fazem jus ao termo. Aliás, em Paris cada prédio é um monumento e por isso a cidade faz a alegria e inspira engenheiros e arquitetos do mundo todo. Entende-se como a cidade fez Hitler cair de joelhos mesmo a tendo invadido.
Deslumbrante caminhar pela famosa Avenida de Champs Elysées e seu comércio de tirar o fôlego, dando de cara com l’Arc de Trioumphe ao final do caminho. Romântico caminhar às margens do Sena e suas praças arborizadas. Obrigatório visitar o Louvre e suas intermináveis e gigantescas alas – coisa que sinceramente o cara tem que tirar uma semana se quiser conhecer tudo como se deve. Caminhar pelo centro da cidade e observar como tudo é caprichosamente preservado, não existem espigões e arranha-céus, como a rede de metrô é ágil e onipresente. Constatar a famosa falta de cordialidade dos vendedores das lojas do centro – o que se não é regra, também está longe de ser exceção. E tudo isso à luz do dia. Porque à noite…
Paris realmente se transforma à noite. É uma outra cidade, a cidade-luz. E instantaneamente me veio a lembrança de um amigo fotógrafo que uma vez me disse: luz é tudo. A iluminação bem aplicada, estudada, planejada valoriza o que está sendo mostrado.
Outra coisa interessante é constatar a quantidade de etnias, idiomas e costumes que interagem em qualquer ponto da cidade. Africanos e suas túnicas, russos, árabes, portugueses, indianos, suecos, europeus de todos os lugares, turistas brasileiros e japoneses em profusão. Aliás, cheguei a comentar com o meu guia Philippe – codinome O Francês: “O Brasil é o novo Japão quando o assunto é turismo” (e aí o dólar diparou). Pra onde se vai tem brasileiro tirando foto*: é mineiro, é carioca, é paulista, é sulista, é nordestino e é claro, é niteroiense (Niterói ainda vai dominar o mundo). Todo mundo convivendo em uma harmonia que se não é perfeita (graças às brigas de gangues das periferias e à óbvia falta de oportunidades para todos), impressiona pela naturalidade. A França de maneira geral anda até preocupada com essa harmonia toda. O país é o centro nervoso da Europa: situado no meio do caminho pra qualquer lugar. Basta olhar pro céu e observar a assustadora quantidade de aviões voando ao mesmo tempo no espaço aéreo em todas as direções (sem exagero, teve um dia que contei 14). E isso é claro possibilita a entrada e permanência de imigrantes de todas as partes, inclusive daqueles países que são ainda colônias francesas. Não estão colocando ninguém pra fora na marra, mas a política de imigração está se tornando mais rígida principalmente para os imigrantes que não se preocupam sequer em falar francês (é sério) e que permanecem à margem.
Andando pelas ruas, observa-se as paixões do parisiense: os cães (que tem livre acesso à qualquer lugar – shoppings, banheiros públicos, ao metrô, bares), que não são mal-educados (e nem podem, porque senão o dono é multado); a bicicleta (que assim como os cães tem livre acesso pra qualquer lugar); o cigarro (ô povo pra fumar); o café; os quadrinhos (de acabamento fino, encadernados e de todos os tipos) e a política (Sarkozi é o alvo preferido de todos, amado e odiado). Um povo que trabalha muito, reclama mais ainda e faz barulho por tudo (passeata por qualquer coisa).
E aí alguém pergunta: qual foi a coisa que mais impressionou. Sem pestanejar eu mostro.
Realmente até então nunca tinha entendido tão bem o significado do termo maravilha da engenharia. Talvez esse alguém até ache um exagero tanto deslumbre por um mero monumento, uma coisa que não tem lá tanta aplicação prática para facilitar a vida das pessoas. Mas o meu argumento é que nem só de pão vive o homem. Tem coisas que devem existir simplesmente para serem belas e inspirar, iluminar e alegrar a vida das pessoas – e isso a danada da torre cumpre à perfeição. As intermináveis filas de visitantes estão lá pra comprovar.
Uma cidade grande, bela, organizada e limpa demais (pra não dizer que não senti cheiro de urina nas ruas, aconteceu em apenas um dia perto de uma estação de metrô mais à noite – longe da realidade do centro das nossas capitais). Um passeio que merece ser feito.
Mas…
Passado o deslumbramento de turista (coisa que só acontece depois de uns 5 dias), a gente começa a olhar a cidade mais friamente. A maior vantagem de ficar em algum lugar com calma é essa: olhar e ver. Conseguir enxergar o quotidiano do lugar e o comportamento das pessoas, e isso só acontece se você tiver tempo de tirar os olhos do visor da máquina fotográfica.
Paris tem seus problemas também: tem mendigo na rua (cada um com pelo menos dois cachorros à tira-colo), tem cocô de cachorro na calçada (e que não é do cachorro do mendigo), tem assalto no metrô, tem acidente de trânsito, tem golpista às margens do Sena (quem tem “TURISTA” escrito na testa tem que abrir o olho – uma mulher tentou me passar um golpe que, enquanto niteroiense que sempre andou com a rapaziada de Piratininga, do Ingá e da Saldanha Marinho, saquei de longe que era conversa fiada. Um casal de alemães mais à frente não teve a mesma sorte. Nessa hora a melhor coisa é um “Je ne parle pas français” ou um “No, thanks”), tem engarrafamento à qualquer hora do dia, tem preços exorbitantes (3,50 euros por uma Coca-Cola, uma garrafa d’água ou uma grenadine – groselha de rico), tem bêbado inconveniente no metrô, tem vendedor mal-educado… enfim, tem vários problemas bastante terceiro-mundistas. Nada que prejudique o seu passeio, desde que você esteja preparado para encontrar os seus percalços e saiba ser incisivo quando precisar sê-lo.
E aí alguém me perguntou: “Dureza foi voltar depois dum passeio desses, hein?”
E eu respondo na lata: dureza foi ficar lá e sentir tanta falta do meu país. Dureza foi ficar lá e cair a ficha de não entender porque se fala tão mal do Brasil, porque o país é tão criticado, porque nossa economia é tão explorada e vulnerável à especulação… enfim, entender porque o Brasil não tem consciência da maravilha que é e (não tem como fugir do clichê) do potencial que o Brasil tem. Não vi sequer a cara do Lula em qualquer noticiário que fosse, mas tenho certeza que uma manchete sobre tiroteio, enchente ou qualquer desgraça teria destaque tranqüilamente (é só assistir um pouquinho de CNN).
O brasileiro é um povo que sabe viver a vida, mesmo apesar de todos os pesares. Bonito foi ouvir isso de gente lá de fora. E o Brasil não tem problemas diferentes do Primeiro Mundo. Infelizmente o que acontece aqui é que se perdeu o controle sobre o que está errado. Mas ainda assim vejo com otimismo todos os movimentos em prol da cidadania, da sustentabilidade e da ética, bem como reconheço os esforços do poder público em retomar as rédeas da situação - social, econômica e administrativamente. Eu acredito que esse país tem jeito.
A França ganhou o meu respeito e a minha admiração. Por ser um país que tem uma política internacional diplomática e não-extremista, mas principalmente por ser tão sincera com ela mesma quando o assunto são seus problemas internos.
Vive La France.
AME O BRASIL.
Ser inteligente não é moleza
16 Comments Published by Gaburah September 13th, 2008 in Cultura Pop, OpiniãoCansado da babaquice atual que virou essa onda insuportável de reality-shows? Eu também. Até que assisti uma pérola chamada Beauty and the Geek (que no Brasil recebeu a infeliz alcunha de “As gostosas e os geeks”) no Multishow (um canal que vem crescendo bastante no meu conceito ultimamente).
Definido como “um programa que não tem por objetivo promover encontros, mas sim realizar um experimento social para buscar o crescimento de ambos”, a premissa do troço é a seguinte: 8 nerdões de carteirinha (daqueles inconfundíveis e aparentemente irrecuperáveis) são colocados numa casa com 8 beldades (do estilão americano), sendo que formam-se duplas (um nerdão e uma gostosa). Ao final, vence o casal que apresentar os melhores resultados de mudança: a socialização do cabeçudo e/ou o surgimento de alguns neurônios funcionantes na cabeça da gostosa. O detalhe é que os participantes são rigorosamente escolhidos: os nerds são sujeitos inteligentíssimos (esse é um dos critérios de seleção) - tem uns que fizeram até MIT - e as gostosas tem que apresentar o cérebro do tamanho de um amendoim ou Q.I. de ameba (não conseguir soletrar palavras do nível de dificuldade de independence também é um dos critérios de seleção).
A mistura não podia ser mais engraçada: no primeiro dia, os caras se apresentam um a um para as gostosas (que estão todas de biquini à beira da piscina) e vão sendo escolhidos por elas, que não escondem a cara de pavor à medida que eles entram. Só esse início já valeria o programa inteiro.
Mas em meio à farra toda, é comovente observar a sinceridade com que (principalmente) os CDF’s se expõem. Os caras são extremamente desesperados por conseguir ter alguma vida social ou mesmo serem aceitos como “caras comuns”. Chega mesmo a ser emocionante ouvir depoimentos do tipo: “Eu daria qualquer coisa para me livrar dessa ansiedade, qualquer coisa. Daria até mesmo uma parte da minha inteligência pra superar isso”. Faz pensar, né?
Só consigo assistir no sábado à noite e sei que rola reprise no domingo de tarde (mas aí é hora da rodada do Brasileirão e fica difícil acompanhar). A foto aí é da primeira temporada (que não acompanhei). Mas duvido que tenha sido mais hilária do que a segunda (atualmente em exibição). Recomendo.
O Cavaleiro das Trevas
18 Comments Published by Gaburah July 19th, 2008 in Cinema, Cultura Pop, Desenhos clássicos, OpiniãoNa verdade não vou escrever nada demais agora. Criei o post só pra dizer que vi o filme e recomendar a todos que assistam.
Acho que isso é inédito: QUALQUER coisa que eu diga será um spam em potencial (só pode ser obra do Coringa…). Mesmo assim, escolhi as fotos que ilustram o post criteriosamente (principalmente a segunda), tentando dar uma dica do que esperar do filme. É o Coringa fazendo escola.

Daqui a uma semana mais ou menos, depois que a poeira e as emoções deixadas pelo filme baixarem, aí sim eu me manifesto.
Nesse meio tempo, assistam.

O Mundo é de todas as criaturas do Mundo!
11 Comments Published by Gaburah June 26th, 2008 in Meio Ambiente, Opinião, Pequenos Gestos Grandes Seres Humanos, Utilidade pública, Ética na sociedadeExtraído do Jornal O Globo:
Ibama multa dono que bateu em poodle na rua
Publicada em 06/06/2008 às 22h07m
BRASÍLIA - Patrick De Meauntroux, de 18 anos, foi multado em R$ 2 mil pelo Ibama e vai responder a processo por ter agredido com tapas e pontapés Bob, seu cachorro poodle, de cor preta. A agressão ocorreu no fim da tarde de quinta-feira, em Brasília. O jovem escapou de apanhar de populares depois de bater no cão. Patrick acabou fugindo, e sua namorada levou o animal a uma clínica veterinária, com uma das patas quebradas e problemas na bacia. Bob passou por cirurgia para colocar uma placa de metal na tíbia.
Patrick reapareceu nesta sexta e foi autuado pelo coordenador de Fiscalização de Fauna do Ibama, Antônio Paiva Ganme. O órgão ainda representará contra ele no Ministério Público Federal, e o jovem pode responder a processo com base na Lei de Crimes Ambientais. Patrick chegou a negar a agressão e disse que pisou sem querer no animal. Depois, admitiu aos fiscais do Ibama que perdeu a cabeça e não entendia a razão de ter agido com tanta violência.
Lendo essa matéria, me recorreu um pensamento de Mahatma Gandhi que diz mais ou menos isso:
“A GRANDEZA DE UMA NAÇÃO PODE SER JULGADA PELO MODO QUE SEUS ANIMAIS SÃO TRATADOS”
Até nisso o Brasil é um país de contrastes.
Se por um lado observamos diariamente casos de barbaridades e covardias promovidas contra animais de várias espécies, de outro enxergamos um número cada vez maior de pessoas que gastam uma bela soma no mês para cuidar de seus animais de estimação.
O fato é que muita gente se mete a arrumar um cão ou um gato ou qualquer outro mascote mas raramente se dá conta de que está assumindo um compromisso com e para uma vida toda, pois o mascote é um ser vivo que vai passar pelo menos uns bons quinze anos ao seu lado e é totalmente dependente do seu cuidado. “Cachorro é o filho que não cresce nunca”. O triste é que muita gente só se dá conta disso depois que passa a fase do filhote bonitinho, quando a sujeira fica maior, o gasto fica maior e o trabalho fica maior.
Em diversas regiões, infelizmente, o reflexo disso é o grande número de abandonos registrado principalmente nas épocas de férias, apesar das crescentes campanhas de conscientização e combate à tão covarde prática.
Nos Estados Unidos, se uma pessoa quer ter um animal de estimação, precisa registrá-lo e pagar uma licença para isso. E se por acaso o animal foge ou é abandonado, o dono é acionado e responde - podendo inclusive ser devidamente penalizado. Se antes eram usadas as plaquinhas de identificação (as famosas dog-tags - e essa é a origem do nome daquelas plaquinhas que os soldados utilizam), hoje - com toda a evolução da tecnologia - existem recursos como microships implantados sob a pele dos animais e localização por GPS. E o cerco aos responsáveis se fecha. O problema é a tal da carrocinha, que recolhe animais perambulantes que se não forem resgatados num prazo x, acabam virando sabão.
O Brasil precisa é adaptar sua legislação no que se refere à posse de animais domésticos. Primeiro para dar responsabilidade ao sujeito que quer ter um animal de estimação porém acha que é um bem descartável. Segundo porque essa talvez fosse a melhor maneira de resolver o problema do cada vez maior número de animais de rua nas cidades de todo o país, coisa que hoje é feita de maneira heróica por voluntários que recolhem, tratam, castram e TENTAM arranjar um dono. Só que para cada animal que é recolhido e tratado, outros cinco (em estimativa otimista) aparecem na rua, e o ciclo não acaba nunca.
Nos EUA (recorro ao exemplo estadunidense pois pra mim é um modelo eficiente), se uma pessoa se dispõe a ter um animal de estimação, ela precisa provar que pode cuidar e pagar para isso. No Brasil, cada mendigo de rua tem pelo menos dois companheiros, e normalmente um casal. Aí… E também acontece isso em casas bacanas, em barracos, em apartamentos… “Ah, deixa cruzar só uma vezinha…” Quem nunca ouviu ou se pegou falando uma sandice dessas?
O que entristece é ver o total desrespeito à vida, em todas as suas formas, pela sociedade atual. O homem cada vez mais agride o meio ambiente e insiste (apesar de toda a evolução da espécie) em tratar as outras criaturas que co-habitam este mundo de Deus como seres inferiores.
É fato que não existe criatura mais ou menos inteligente. Isso já foi amplamente discutido cientificamente, espiritualmente, filosoficamente, racionalmente e passionalmente. O que existe são diferentes inteligências entre todas as criaturas, inclusive o homem. E talvez o que atrapalhe tanto a verdadeira evolução do homem seja justamente a auto-proclamada superioridade (sic), que desde que nos entendemos por gente, lá no colégio primário, somos convencidos de ser donos. Depois de crescido, passei a acreditar que não passamos de mais uma espécie nesse mundo, que deveria justamente por sua inteligência aperfeiçoada saber respeitar os demais e promover uma existência harmônica e pacífica entre tudo e todos.
Analisando friamente, o homem se encaixa muito mais no conceito de praga, e por isso gostei tanto de um filme recente chamado Fim dos Tempos.
*****
Palmas para o Ibama. O precedente aberto pelo órgão é um divisor de águas na questão da responsabilidade do brasileiro no trato com os animais. E que seja extrapolada para outras questões tão graves, como o tráfico de animais silvestres e a farra do boi em SC. São lutas espinhosas e árduas, mas é pra frente que se anda. E por mais que se diga o contrário, a reestruturação e renovação dos quadros do funcionalismo público pela qual os diferentes órgãos do governo vêm passando tem trazido também gás renovado para a eficiência dos mesmos.
*****
Outra reportagem que li há um certo tempo dava conta de que a corte marcial do exército americano prendera dois soldados que realizaram uma suposta filmagem no Iraque onde maltratavam animais de rua. A corte estava analisando para verificar a autenticidade e anunciava pesadas punições aos oficiais caso fossem comprovadas as denúncias.
Gosto de pensar que estes são sinais de que o mundo está mudando. A opinião pública pelo menos se faz manifestar hoje em dia, numa realidade em que os canais de comunicação estão cada vez mais rápidos, acessíveis e chegam a cada vez mais pessoas. E cada vez mais pessoas manifestam sua indignação frente a episódios de barbárie desta natureza.
Só que, como tudo, consciência sem ação não vale de nada. Então pense muito bem antes de arranjar um animal de estimação. E quando decidir que realmente vai arranjar, pense mais um pouco. Lembre que você vai assumir um compromisso para uma vida inteira, e que abandonar uma criatura que vai ter você como uma figura divina é uma covardia e uma falha de caráter repugnante.
O Mundo não é só seu. Nem meu. O Mundo é de todas as criaturas do Mundo!
Hulk in Rio
5 Comments Published by Gaburah June 14th, 2008 in Cinema, Cultura Pop, Desenhos clássicos, Opinião
Assisti O Incrível Hulk ontem, e de cara tenho que registrar que pelo menos o público daqui parece muito reticente em relação ao filme. Possivelmente porque todo mundo acha que vai ser do mesmo nível da primeira e (…) equivocada versão dirigida por Ang Lee em 2003. Mas podem ficar tranqüilos que não é.
O diretor deste é o francês Louis Leterrier (que assinou entre outros Cão de Briga do Jet Li e a série Carga Explosiva com Jason Statham). Ele e principalmente o protagonista e excelente ator Edward Norton resolveram bancar a investida e referenciar esta nova versão 50% nas HQ’s e 50% na antiga série de televisão, com Bill Bixby e Lou Ferrigno. Foi uma bela aposta estratégica. Primeiro porque nada melhor pra que conseguissem fazer um filme diferente do primeiro (que pra falar a verdade, não foi baseado em nem um nem outro); e depois porque a imagem que a maioria do público guarda na memória em relação à carismática série é muito forte.

E nisso, os dois (que andaram até mesmo se indispondo com a Marvel por conta das intervenções que novo estúdio quis fazer no filme) e o grupo de roteiristas foram simplesmente geniais: a todo o tempo se vê o esforço em amarrar todas as pontas soltas deixadas pelo primeiro filme (que se levando em consideração o ponto de vista deste aqui, não existiu) e principalmente nas diferenças que a série de televisão tinha em relação aos quadrinhos originais (pra citar só um exemplo que não é spam, no seriado o nome do Dr. Banner era David, enquanto nos quadrinhos originalmente é Bruce). E por aí vai. O filme está cheinho de referências da série e é um barato ficar tentando encontrá-las ao longo da projeção. Depois entro em detalhes, pois há quem considere esses easter eggs um spam leve. Ainda assim, detalhes típicos das HQ’s foram resgatados no personagem, e a comunhão entre todas as características da série e dos quadrinhos tem uma harmonia perfeita, irretocável.
Acertaram também em desencavar um inimigo dos quadrinhos - o Abominável - e dar-lhe uma origem que inclusive já faz referência a um próximo e aguardado filme da Marvel, que mais tarde digo nos comments pra não cortar o barato de ninguém. O problema do Hulk era mesmo se arranjar um inimigo decente pra ele, porque no final das contas o Hulk em si é o problema. O Hulk dá dor de cabeça para todos os heróis da Marvel que não sabem o que fazer com ele, e seu principal inimigo é sem dúvida o General Ross, ou seja, o exército americano. Seria um dilema danado pra qualquer diretor colocar o verdão exterminando o exército e esperar empatia do público com isso. Com o Abominável, o exército ainda está lá, seus objetivos ainda são torpes, porém no momento que a coisa pega mesmo ele sai só como a eminência parda da história. Bela sacada.
O filme é muito bom. Uns bons 20% dele se passam num Rio de Janeiro retratado dignamente, o que pra mim foi um atrativo a mais. E com O Incrível Hulk a Marvel coloca mais um tijolo na construção que está fazendo para o vindouro filme dos Vingadores (cuja espera pra mim já está tomando ares de agonia), mas também não vou estragar surpresas contando o porquê. A boa notícia para Ana Paula é que desta vez não tem cena pós-créditos e ela vai poder ir ao banheiro tranqüila.
Maiores detalhes depois que todo mundo vir o filme, lá nos comments.
Merci beaucoup, Gugá!
5 Comments Published by Gaburah May 26th, 2008 in Blá Blá Gol, Brasileiros à vera, Opinião, Pequenos Gestos Grandes Seres Humanos, Ética na sociedade*Originalmente publicado por mim mesmo no Blá Blá Gol

Esse final de semana foi marcado pela despedida oficial do maior tenista brasileiro de todos os tempos, o manezinho que levou o Brasil ao primeiro lugar do ranking mundial da Associação de Tênis Profissional - um lugar até então desconhecido e utópico no imaginário coletivo tupiniquim: Gustavo Kuerten, um brasileiro de Santa Catarina, o carinhosamente conhecido Guga.
Guga ergueu três vezes a taça em Roland Garros, um dos torneios mais tradicionais do tênis mundial. Não obstante, tornou-se reconhecido no meio como um dos maiores especialistas das quadras de saibro. Ganhou seu dinheiro honesto, juntou suas conquistas e nunca deixou de ser um cara família. Jamais perdeu a humildade. E nem mesmo a paciência, na época que era crucificado pela sua queda de rendimento justificada por uma lesão que o perseguiria para o resto da carreira.
Guga fez o tênis acontecer no Brasil. E ainda assim, encontrava resistências dentro da confederação brasileira do esporte (vai entender brasileiro…). As escolas de tênis viram acontecer um boom de alunos da noite para o dia, alavancado pela performance do brasileiro nas quadras do mundo inteiro, e todos dando suas raquetadas ao som do “ãhmm” que se tornou a marca pessoal do ídolo.
O que não dá pra entender é como todas as homenagens que Guga está recebendo - as mais apaixonadas, fervorosas e sinceras - são na França. Roland Garros e seu público amam de coração o catarinense, e a despedida do tenista não poderia ser mais emocionada da sua parte e da parte de seu fiel público, uma verdadeira legião de admiradores.
Ser brasileiro é foda. O mundo inteiro gosta da gente pelo perfil, pela simplicidade, pelo carisma.
Mas aqui dentro mesmo estamos anos-luz de servir de exemplo quando o assunto é o reconhecimento. Nesse ponto, é foda ser brasileiro…
Guga, obrigado por tudo. Ainda que eu mesmo não seja um notório apreciador do tênis, sei sim reconhecer um grande exemplo de brasileiro quando este leva o nome do Brasil com dignidade onde quer que vá.
Valeu, manezinho!
*****
Belíssima homenagem na França.
Um troféu magnífico, que muitos que chegarão às finais gostariam de estar ganhando como o herói que caiu ainda na primeira rodada.
Essa é, orgulhosamente, uma das fotos que ficam eternizadas na história do esporte brasileiro.
As Melhores Adaptações de HQ’s para o Cinema
24 Comments Published by Gaburah May 10th, 2008 in Cinema, Cultura Pop, Desenhos clássicos, OpiniãoTaí um assunto de mesa de bar que eu me amarro. Todo mundo tem o seu top-ten, e em muitos casos não existem dez nomes na lista.
Motivado pela empolgação do filme do Homem de Ferro resolvi colocar aqui aqueles que considero terem sido felizes na empreitada de levar os personagens ao cinema, ainda que sua proposta esteja no mundo fantástico (o que dificulta mais ainda o serviço).
É possível que tenha esquecido de alguém, mas prometo corrigir eventuais injustiças nos comentários.
O meu top-ten inclui sete nomes, sendo que pelo menos os três primeiros nomes podem se alternar na primeira posição sem nenhum constrangimento. Pra mim todos os três beiram a perfeição. Então vamos lá:
7ºlugar: Batman Begins
Chris Nolan tem talento, mas também tinha uma tarefa árdua. Fazer todo mundo esquecer o que Tim Burton e principalmente Joel Schumacher causaram ao Homem-Morcego. Aliás, Joel Schumacher já tinha limpado a barra do Tim Burton: fez dois filmes tão ruins, tão ridículos que fizeram os dois primeiros ficarem bons.
Mas Chris Nolan salvou a lavoura: arrumou um elenco decente (e um sujeito com cara de pra lá de mal-humorado pra fazer o Morcegão), deu o ar que todo mundo esperava ao Batman e o colocou numa Gotham City que poderia perfeitamente se chamar Nova York.
6º lugar: Blade - O caçador de vampiros
Pouca gente se dá conta disso: Blade foi o primeiro filme decente de super-herói da Marvel. Aliás, foi depois da repercussão do filme (excelente para um filme modesto) que a Marvel e os estúdios começaram a abrir o olho pra essa história de trazer os personagens à vida.
Blade surpreendeu a todo mundo pois se cravou feito estaca em coração de vampiro no primeiro lugar de bilheteria e por lá ficou, exorcizando a concorrência. De quebra abriu espaço para a aparição dos super-heróis negros no cinema.
Wesley Snipes não poderia ter sido uma opção melhor para o papel. Se Blade é um excelente filme de ação, Blade II era um excelente filme de terror. Pena que o terceiro foi fraquinho, e ao que parece a fonte secou.
5º lugar: V de Vingança
Olha, não sei nem se V de Vingança merece uma posição tão longe assim. Se considero o número 5 da lista não é demérito nenhum, e se deve meramente ao fato de não se tratar de um SH mas de uma mini-série de HQ (de Alan Moore) adaptada para o cinema - o que dentro dos critérios estabelecidos torna o simples fato de constar na lista um grande destaque.

Uma trama política ácida e um anti-herói para quem os fins justificam os meios são os ingredientes da trama, que adaptados ao cinema tornaram o personagem um pouco mais humano (para aceitação do público, talvez) sem comprometer a qualidade da história. Pra mim, foi O filme de 2006. Se Alan Moore simplesmente abomina que adaptem suas obras para o cinema (o que Sean Connery só fez piorar depois do que cometeu com “A Liga Extraordinária”), pelo menos este aqui ele poderia alugar sem maiores sustos numa locadora…
Filmaço-aço.
De consciência um pouco pesada, vamos ao 4ºlugar: Hellboy
Não conhecia muito o Hellboy. A única coisa que já tinha visto era o interessante traço do quadrinista Mike Mignolla, pai da criança. E foi isso que me levou ao cinema, animado ainda mais por ser um filme do Guillermo Del Toro (cara que herdou o vindouro “O Hobbit” de Peter Jackson).
O demônio de bom coração é um personagem foda. O cara fuma charuto, adora gatos, nachos e chilli e é daqueles que só entra em porrada pra resolver o assunto. Fora as tiradas geniais durante os confrontos. Mas talvez um dos grandes segredos de ser tão bom esteja no rol de “colegas de trabalho” que cercam o Vermelhão: Liz Sherman, Abe Sapien, o professor Broom, Johann Kraus, Lobster Johnson e outros, quase tão divertidos quanto o chifre-serrado.
A Editora Mythos está relançando as histórias do Hellboy e do Bureau de Pesquisa e Defesa Paranormal em edição especial, e nas locadoras além do filme pode-se encontrar os DVD’s dos longas animados (que ainda não vi mas o Omelete recomenda bastante). Hellboy II estréia em setembro.
3º, 2º e 1º lugares (em qualquer ordem):
Taí. Os três são os imbatíveis pra mim.
Superman - o filme. Talvez o Superman inesquecível e definitivo, aquele que foi uma referência tão forte que nem os quadrinhos conseguiram permanecer indiferentes. Christopher Reeve é a personificação do Homem de Aço e os vôos que Richard Donner levou às telas permanecem imbatíveis até hoje, mesmo com todos os avanços tecnológicos da indústria cinematográfica. Bryan Singer retomou a franquia e fez questão de tomar o fio a partir do ponto que a dupla deixou, e seu Superman Returns é acima de tudo uma homenagem ao legado de Reeve e Donner - filme que encheu os olhos de crianças de todas as idades que formavam filas quilométricas no Cinema Central para voar junto com o bandeiroso. Um filme clássico e que emociona até hoje.
Homem-Aranha 2. Sam Raimi mostrou uma sensibilidade magistral ao levar o cabeça-de-teia para a tela. HA1 foi um filme feito com carinho de fã, cercado de cuidados com as licenças exageradas e respeitando acima de tudo o visual e o histórico de Peter Parker e do Aranha - mas tinha os seus poréns: MJ nunca foi o amor de infância do Parker, o Duende era mezzo Aranha mezzo Power Rangers… Mas em Homem-Aranha 2 tudo se corrigiu, tudo se superou: o visual, os efeitos, a história, a linguagem dos quadrinhos perfeitamente transposta para a tela… enfim, uma obra-prima. Nem o Dr. Octopus (Alfred Molina) sabia que poderia ser tão mau assim! E olha que Willem Defoe saiu um Norman Osborn/Duende Verde acima do que se esperava.
O problema do Homem-Aranha é o inverso do que aconteceu com o Batman (que começou mal e melhorou porque ficou pior ainda - entenda lá em cima). Sam Raimi começou bem, ficou perfeito e fez uma merda tão gigantesca (o esquecível Homem-Aranha 3) que quase jogou todo o seu trabalho na privada. Vamos ver o que o futuro reserva ao teioso, que se por um lado tem o maior casting de inimigos de segundo escalão da Marvel, é disparado o mais divertido justamente em função disso.
Homem de Ferro. Surpresa pra alguém?
*****
Bem, é isso aí. Eventuais injustiças serão corrigidas e discutidas nos comentários. Abram as geladas!
Esse é um dos comerciais mais geniais já feitos.
Pobre do alvinegro…
O Filme de Ferro
51 Comments Published by Gaburah May 3rd, 2008 in Cinema, Cultura Pop, Desenhos clássicos, OpiniãoSe o Homem de Ferro é um herói que (certamente) não conta com uma legião de fãs do calibre de um Homem-Aranha, do Batman ou dos X-Men, na minha opinião ele largou na frente de todos os seus colegas de uniforme com um filme que sem dúvida alguma acertou 99,9% do que pretendia (o 0,01% a que me refiro vou contar mais tarde, nos comentários, pra não cortar o barato de ninguém).
O mérito é total do diretor Jon Favreau, que teve a sensibilidade de pesquisar a fundo a história do personagem e ainda teve a sacada de abrir um canal de comunicação com os fãs do Latinha para um trabalho de consultoria informal, porém constante - num trabalho que consumiu pelo menos dois anos. Mas ainda assim, não fosse o seu talento em filtrar e adaptar o milhão de informações e palpites que recebeu, o filme teria dado com os burros n’água.
Prova disso foi ter escolhido o ator de talento inquestionável Robert Downey Jr., que sem dúvida nenhuma é o dono do filme. Talvez um pouco contestado de início, Downey Jr. mostrou um nível de comprometimento e entrega ao projeto (catarse, talvez?) que sem dúvida envolveu até os fãs mais ortodoxos. Suas aparições na Comic-Con e as entrevistas empolgadas são prova disso.
Mas Favreau não é bobo nem nada e tratou de escalar um elenco competente, dando o toque que faltava à receita de sucesso que criou para construir a sua opus.
Terrence Howard falou com empolgação do porquê ter aceito o papel (“Pela possibilidade de viver o Máquina de Combate, claro!”); Gwyneth Paltrow deu a sua Pepper Potts uma interpretação sólida e verossímil, não permitindo que se tornasse só mais uma personagem para compor elenco.
Agora, destaque mesmo (se é que isso é novidade pra alguém) é o sempre eficiente Jeff Bridges. Se Obadiah Stane pouco aparece durante o filme, é o suficiente pra dar ao Robert Downey Jr. um trabalho à altura do que o que o Homem de Ferro tem nos embates com o Monge de Ferro. Uma briga de titãs, onde quem sai ganhando é o espectador alucinado e feliz da vida sentado na poltrona. Como conversei com Paulo Affonso, não lembro de nenhum filme do Bridges que não tenha gostado, e esta sem dúvida e sem trocadilho é mais uma das atuações de ferro da sua carreira.
Homem de Ferro é O filme de super-herói a ser batido.












Últimos comentários